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5 de fevereiro de 2016

Globo fecha parceria com Record para exibir filme de "Os Dez Mandamentos" Produção será exibida com exclusividade pelos canais pagos Telecine e Megapix, pertencentes à rede Globosat



Que "Os Dez Mandamentos", primeira novela bíblica da Rede Record, foi o maior sucesso de audiência da TV brasileira em 2015 ninguém tem dúvidas. Nem mesmo a Globo, que fechou uma parceria com a emissora concorrente nesta sexta-feira (5) para exibir o filme baseado na novela. É isso mesmo!




Globo fecha parceria com Record para exibir filme de
Foto: Divulgação/Record
Globo fecha parceria com Record para exibir filme de "Os Dez Mandamentos"

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Segundo a assessoria de imprensa da Record, a Rede Telecine e o Megapix, canais pagos da rede Globosat, veicularão a produção com exclusividade em sua grade de programação quando terminar a exibição do filme nos cinemas. "Os Dez Mandamentos - O Filme" levou mais de 3 milhões de espectadores aos cinemas brasileiros e bateu o recorde de pré-venda. Para o produtor executivo do filme, Douglas Tavolaro, “a nova possibilidade de exibição do filme nos canais Telecine e Megapix é mais um incentivo para a produção nacional em formatos e linguagens diferentes, promovendo a nossa cultura junto a algumas das maiores produções mundiais do cinema”. Escrito por Vivian de Oliveira e dirigido porAlexandre Avancini, "Os Dez Mandamentos" conta com ex-globais como Guilherme Winter,Sérgio Marone, Giselle Itié, Samara Felippo e Sidney Sampaio no elenco principal.

Sérgio Marone, intérprete do faraó Ramsés, e o casal Guilherme Winter e Giselle Itié. Foto: Francisco Cepeda/AgNews

Gente IG

4 de fevereiro de 2016

Presidente da Une conclama Conselhão contra Impeachment; e a Resposta é o silêncio de todos.




Um dos empresários presentes à primeira reunião do Conselhão de Dilma Rousseff estranhou o formato amplo da reunião. “No final, nós é que fomos lá para sermos aconselhados”, brincou. Ainda em tom entre brincalhão e irônico, o “conselheiro” diz que um dos momentos mais constrangedores da reunião ocorreu durante o discurso da presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Carina Vitral. Depois de sua fala, em tom crescente, a líder estudantil conclamou, em tom de palanque, os presentes a se unirem para “acabar de vez com essa coisa de impeachment”. Diz o empresário: “Ali claramente era o momento em que ela esperava palmas calorosas, mas nenhuma pessoa se mexeu. Foi tão constrangedor que comecei a mexer no celular”. Com um conselho tão heterogêneo, resta saber o que de prático sairá.

Veja

3 de fevereiro de 2016

JUSTIÇA DOS EUA ACEITA AÇÃO QUE PODE FAZER A PETROBRAS PAGAR R$392 BILHÕES



A Justiça dos Estados Unidos em Nova York decidiu dar prosseguimento à “class action lawsuit”, ação coletiva de acionistas da Petrobras que pode custar à estatal até US$ 98 bilhões, equivalentes a R$392 bilhões. A informação foi antecipada pela Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder, em 2 de outubro passado.

O julgamento está previsto para maio, muito embora ações do tipo “class action suit” sempre sejam concluídas mediante acordo. Os réus fogem de sentenças, porque a Justiça americana costuma ser muito dura com picaretagens como o “petrolão”.

A Petrobras, que negocia ações na bolsa de Nova York, é acusada de não seguir regras da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. A ação contra Petrobras argumenta que a estatal brasileira omitiu informações e é responsável por perdas bilionárias. A estatal do petróleo brasileira informou aos acionistas nesta quarta-feira (3) que vai recorrer da decisão da Justiça americana.

Segundo advogados especialistas em ações coletivas, o julgamento, previsto para abril, não deve chegar a ser realizado: nunca uma ação coletiva chegou a ser transitada em julgado nos Estados Unidos: as “class action” sempre acabam em acordo.

O valor do provável acordo entre acionistas e a estatal brasileira não será menor que 20% do que foi pedido, segundo os advogados. Réus nos EUA, no caso a Petrobras, fogem de sentenças porque a Justiça é duríssima com esquemas em empresas com ações na Bolsa. É importante destacar que essa ação contempla apenas acionistas estrangeiros da estatal brasileira, já que a Justiça dos EUA decidiu que os brasileiros devem acionar a justiça do Brasil.
Fonte> Diário do Poder

PT quer tirar caso Bancoop das mãos de Moro.



Advogados ligado  ao PT preparam uma ofensiva para tentar tirar das mãos do juiz Sergio moro a investigação sobre os negócios da Bancoop e da OAS.

A nova fase da operação, batizada de Triplo X, investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo imóveis da cooperativa e da empreiteira, entre eles o condomínio no Guarujá no qual a OAS teria ofertado um tríplex ao ex- presidente Lula. A tese que deverá ser levada aos tribunais superiores por algum dos advogados dos investigados, é que os negócios da Bancoop não tem relação direta com os desvios na Petrobras.

Assim, a investigação deveria ser desmembrada, seguindo decisão recente do STF que retirou da alçada do Moro, por exemplo as investigações sobre corrupção no setor elétrico.
A tentativa, aqui, é de  blindar Lula, alvo claro da nova fase da operação.

Antevendo o movimento, Moro tratou de justificar, na decisão que deflagrou a Triplo X , que a investigação se deve ao fato de a OAS usar os móveis como propina disfarçada a agentes públicos oriunda dos desvios na Petrobras. Malta humilha Lula em pleno Senado: ‘Elite são os seus filhos, que enriqueceram às custas do povo..

Fim dos 'autos de resistência' em ações policiais fortalece cidadania, diz secretário




Para Sottili, fim do auto de resistência é vitória do País ante a comunidade internacional: “A própria ONU recomenda que esse instrumento deve acabar em qualquer parte do mundo onde ainda persista”


Cidadania

Ficam abolidos os termos “auto de resistência” e “resistência seguida de morte” nos boletins de ocorrência e inquéritos da Polícia Federal e da Polícia Civil em todo o território nacionalO secretário especial de Direitos Humanos do governo federal, Rogério Sottili, comemorou, nesta terça-feira (5), o fim dos chamados “autos de resistência”, termo usado nos boletins de ocorrência sobre ações policiais que causam lesões corporais ou a morte de civis. Para ele, a medida “fortalece uma cultura de paz, em que o agente do Estado deve ser visto e deve se sentir como um agente de defesa da cidadania, não apenas como um cuidador do patrimônio”.
De acordo com a resolução publicada no Diário Oficial da União, desta segunda-feira (4), ficam abolidos os termos “auto de resistência” e “resistência seguida de morte” nos boletins de ocorrência e inquéritos da Polícia Federal e da Polícia Civil em todo o território nacional. A partir de agora, todas as ocorrências desse tipo deverão ser registradas como “lesão corporal decorrente de oposição à intervenção policial” ou “homicídio decorrente de oposição à ação policial”, e um inquérito policial com tramitação prioritária deverá ser aberto.
O processo será enviado ao Ministério Público, independentemente de qualquer procedimento correcional interno que venha a ser adotado pelas polícias. Além disso, o delegado de polícia responsável deverá verificar se o executor e as pessoas que o ajudaram usaram, de forma moderada, os meios necessários e disponíveis para defender-se ou vencer a resistência.
O texto publicado no Diário Oficial é uma resolução conjunta do Conselho Superior de Polícia, órgão da Polícia Federal, e do Conselho Nacional dos Chefes da Polícia Civil.
Cultura da violência
Segundo Rogério Sottili, a mudança trará consequências benéficas e muito importantes para a população, principalmente as mais atingidas pela violência na periferia de São Paulo, do Rio de Janeiro e mesmo em Estados menores, como Alagoas.
“O que se vê hoje é uma violência [policial] muito bem dirigida para a juventude negra, periférica, pobre. E por que isso? Porque [as polícias] estão acobertadas, entre vários outros motivos, por uma lei que possibilita que o policial atire sem pensar, mate e não responda a processo algum por esse ato. Ele simplesmente preenche um relatório, afirmando que foi resistência seguida de morte.”
Segundo ele, dados dos últimos dez a 12 anos indicam que os homicídios no Brasil caíram de forma drástica. Mas, “se você fizer um recorte de classe, de raça, vai perceber que, entre a juventude negra da periferia, os indicadores de homicídios cresceram de forma inversamente proporcional à queda de um modo geral”.
O secretário acredita que o auto de resistência reflete a visão de uma construção nacional histórica muito violenta. “Começou com uma ação inaugural de genocídio indígena no início da nossa história civilizatória, entre aspas, passou por três séculos de escravidão e por duas ditaduras, uma civil e uma militar. Isso promoveu todo um processo de cultura de violência muito forte no nosso País”. Além disso, lembra Sottili, o auto de resistência tem origem em uma lei da ditadura militar.
Vitória ante a comunidade internacional
Sottili considera o fim do auto de resistência uma importante resposta à luta travada pelos movimentos de direitos humanos do País e também uma vitória do Brasil perante a comunidade internacional.
“A própria ONU tem recomendações de que esse instrumento deve acabar em qualquer parte do mundo em que ainda persista”, diz ele, lembrando que a proposta já estava prevista entre as diretrizes do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNH3) e também é respaldada por uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos Humanos de 2012, que já pedia o fim dos autos de resistência.
Ele acredita que agora há um clima propício para que a medida seja implantada com sucesso, inclusive na Polícia Militar. “Uma outra lógica está sendo construída. Se você pegar pesquisas junto a instituições policiais, por exemplo, entre a Polícia Militar de São Paulo, mais de 70% dos policiais são a favor da desmilitarização da Força. Isso tem de se refletir em normativas, em resoluções e leis.”
O secretário afirma que a resolução conjunta de vários órgãos policiais sinaliza a organização de forças para que o País fique em sintonia com a sociedade civil, com a sociedade dos direitos humanos, com a modernidade, com a contemporaneidade dos países, com a ONU e com as próprias polícias, sobretudo a Polícia Federal e a Polícia Civil.
“Este ano promete. Vamos avançar nas conquistas importantes para o fortalecimento da democracia, especialmente para o fortalecimento dos direitos humanos e do respeito à vida e à diversidade”, conclui.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Blog do Planalto
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2 de fevereiro de 2016

Dilma defende no Congresso reforma da Previdência, CPMF e limite de gasto


Deputados e senadores retornaram do recesso nesta terça-feira (2).
Presidente foi vaiada e aplaudida por parlamentares em meio ao discurso

02/02/2016 15h56 - Atualizado em 02/02/2016 19h53



Em 2016, a presidente Dilma Rousseff foi alvo nesta terça-feira (2) de vaias e aplausos ao longo de vários momentos do discurso de 40 minutos aos deputados e senadores.
Da tribuna do plenário da Câmara, a petista defendeu que é indispensável uma reforma nas atuais regras da Previdência Social para manter a sustentabilidade do sistema previdenciário. Ela também pediu, entre outros assuntos, apoio do parlamento para aprovar a recriação da CPMF e para impor limites aos gastos públicos.
"Nos cabe enfrentar desafio maior para política fiscal, que é a sustentabildiade da Previdência Social em um contexto de envelhecimento da população. No ano passado, a Previdência e o BPC [Benefício de Prestação Continuada] responderam por 44% do nosso gasto primário. Mantidas as regras atuais, o percentual tende a aumentar exponencialmente. Um dado ajuda a explicitar nosso desafio: em 2050, teremos população em idade ativa similar à atual; já a população acima de 65, será três vezes maior", alertou a presidente ao congressistas.
Durante o discurso, Dilma foi vaiada por deputados da oposição ao defender o retorno da CPMF, falar do programa Minha Casa, Minha Vida e abordar a proposta para que o trabalhador do setor privado possa utilizar verba do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) como garantia para operação de crédito consignado.
Na tentativa de convencer os congressistas a aprovarem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que recria a extinta CPMF, ela prometeu que se trata de um tributo temporário. Em resposta, aliados do Palácio do Planalto aplaudiram a presidente.
"Debateremos o quanto for necessário com a sociedade e o Congresso para construir consenso em torno dessas propostas decisivas para o equilíbrio fiscal. Muitos têm dúvidas e se opõem a essas medidas, especialmente a CPMF, e têm argumentos, mas peço que considerem a excepcionalidade do momento, levem em conta dados, e não opiniões. A CPMF é a melhor solução disponível para ampliar, no curto prazo, a receita fiscal em favor do Brasil", argumentou Dilma ao ler a mensagem.
"Devemos estar cientes de que a estabilidade fiscal de curto prazo determinará em grande medida o sucesso das medidas de incentivo. A CPMF é a ponte necessária entre a urgência do curto prazo e a necessária estabilidade fiscal do médio prazo", complementou diante dos olhares dos congressistas.
Gastos públicos
A chefe do Executivo também usou sua mensagem para pedir que o Congresso aprove proposta do governo que estipula limites para os gastos públicos.
"Vamos propor reformas que alteram permanentemente a taxa de crescimento de nossas despesas primárias. Queremos discutir com o Congresso a fixação de um limite global para o crescimento do gasto primário do governo para dar mais previsibilidade à política fiscal e melhorar a qualidade das ações de governo", destacou.
Microcefalia e zika vírus
Dilma também tratou da epidemia de microcefalia no país e a associação da malformação ao zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.
Aos congressistas, ela chamou a atenção para o fato de a Organização Mundial de Saúde (OMS ) ter declarado emergência de saúde pública internacional por conta do vírus. Ela destacou que o Brasil disponibilizou efetivo das Forças Armadas para combater o mosquito transmissor e assegurou que não faltarão recursos para reverter a epidemia.
“Como não existe vacina, o melhor remédio é enfrentamento do mosquito Aedes, impedindo sua proliferação, porque, se o mosquito não nascer, o viírus não tem como viver. Estamos agindo em todo o Brasil, mobilizamos profissionais das Forças Armadas, equipametos e larvicidas para apoiar estados municípios”, disse a presidente.
Segundo a presidente, o governo está tomando precauções para a rede de saúde possa garantir atendimento rápido às crianças afetadas pela microcefalia e suas famílias.
Ela destacou que, se necessário, serão ampliados os serviços e ofertas de equipamentos. "Todo o meu governo está engajado no enfrentamento da doença. Não faltarão recursos para que possamos reverter a epidemia do zika vírus e lidar da forma mais adequada com seus efeitos. Essa será uma de nossas prioridades esse ano, para a qual conto com o Congresso Nacional.”
Conselho de Delfim
A única vez que Dilma havia participado da cerimônia de abertura do ano legislativo foi em 2011, ano em que assumiu o comando da Presidência.
Na semana passada, a chefe do Executivo federal havia escalado o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, para levar a mensagem ao Congresso. Nesta segunda-feira (1º), no entanto, ela decidiu comparecer pessoalmente à sessão inaugural das atividades do Congresso.
Segundo o Blog da Cristiana Lôbo, foi o ex-ministro Delfim Netto, um dos conselheiros da presidente da República, sugeriu que ela comparecesse à sessão solene do Legislativo.
Ao final da cerimônia desta terça-feira, na qual foi vaiada e aplaudida, a presidente da República elogiou os integrantes do Legislativo e disse que a receptividade deles foi “ótima”.
E apesar de ter decidido ir ao parlamento somente depois de ter ouvido o conselho de Delfim Neto, a petista afirmou aos jornalistas que era sua "absoluta obrigação" estar ali.
“Eu achei ótima a receptividade. É minha absoluta obrigação de estar aqui”, limitou-se a dizer a presidente ao deixar o Congresso.
Solenidade
A cerimônia que marcou o início das atividades de 2016 no Congresso Nacional teve início às 15h22 com a execução do Hino Nacional e salvas de canhões nos gramados do prédio do Legislativo.
Renan Calheiros e Eduardo Cunha acompanharam a largada da solenidade lado a lado. Ao final da execução do Hino, os dois subiram a rampa do Congresso e ficaram na entrada principal do edifício à espera da comitiva da presidente da República.
Um dos convidados de honra da cerimônia, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, aguardou Dilma ao lado dos presidentes do Senado e da Câmara.
A petista chegou ao Legislativo às 15h38. Ela subiu a rampa do Congresso acompanhada pelo ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini.
Ao chegar ao parlamento, ela beijou Renan e Lewandowski para cumprimentá-los, mas, na hora de saudar o presidente da Câmara, que autorizou a abertura do processo de impeachment, ela se limitou a trocar um aperto de mão com o peemedebista. Os três, então, seguiram juntos em direção ao plenário.
Em meio ao trajeto, Dilma foi assediada por parlamentares, que pediam para fazer selfies ao lado da presidente da República. Na hora em que entrou no plenário da Câmara, a petista foi ovacionada por parte dos integrantes da base aliada.
Dilma se sentou entre Renan Calheiros e Ricardo Lewandowski. Desafeto da petista, Cunha ficou sentado à esquerda do presidente do Senado.
Ao final da solenidade, a presidente foi acompanhada por Renan e Cunha até saída do prédio do Legislativo.
Veja outros assuntos abordados por Dilma na mensagem ao Congresso Nacional:
Reforma fiscal
Outro componente de nossa reforma fiscal é a melhoria da avaliação e controle ainda maior do nosso gasto público em 2015. Adotamos medidas de contenção do gastos, conseguimos reduzir em 8,3% o custo da máquina pública em termos reais, acima da inflação.
Reforma administrativa e programas de governo
Daremos continuidade à política de controle de gastos e custeio, e procuraremos aumentar a eficiência do governo mediante um conjunto de iniciativas. Entre as principais ações, cabe destacar a reforma admistrativa e avaliação periódida de todos os programas do governo. A combinação de regras previdenciais, e avaliação obrigatória de todos os gastos nos permitirá recuperar a estabilidade fiscal de modo duradouro. Como essas medidas têm impactos graduais, não podemos prescindir de medidas temporárias, que são a aprovação da CPMF, e aprorrogação da DRU.
Incentivos, reforma fiscal e ICMS
Nosso foco era simplificar, desburocratizar impostos e contribuições, preservando a arrecadação necessária na situação ecocômica do país. Com essas medidas, será possível realizar ainda em 2016 o acordo de convaliadçaão de incentivos fiscais eliminando fonte de incertezas para empresas e governos estaduais e iniciando transição para alíquota interestadual mais baixa a partir de 2017 ou 18.
Imposto sobre renda e reequilíbrio fiscal
Há da parte de meu governo disposição para discutir outras propostas para tributação [...] com aumeto da progressividade dos impostos que incidem sobre renda e aprimorar desde que compatíveis com reequilíbrio fiscal e a retomada do crescimento econômico. O reeequilíbro macroeconômico requer estabilização da renda e emprego. Com recuperação do crescimento, será possível consolidar o equilíbrio fiscal e monetário.
Exportações e balança comercial
É importante avaliar que o volume exportado cresceu 10,1%, atingindo o maior patamar da história do comércio exterior brasileiro. Neste ano, buscaremos abrir novos mercados para nossos produtos, ampliando a presença do Brasil no mundo. Nossas ações de promoção comercial serão realizadas de forma integrada, focando em 32 mercados prioritários. Em suma, nossa expectativa para o saldo da balança comercial em 2016 é de US$ 35 bilhões.
Acordos de leniência
Entendemos ser urgente a análise pelo Congresso da legislação sobre acordos de leniência, seja pela proposta da medida provisória, seja pela proposta de legislação elaborada pelo SenadoFederal.
Corrupção
Devemos punir com rigor todos aqueles que se envolverem em atos de corrupção. Precisamos de instrumentos para manter os empregos gerados pelas empresas. Ao ser questionada sobre a “receptividade” que recebeu no Congresso, Dilma disse ter achado “ótima”. “Eu achei ótima a receptividade. É minha absoluta obrigação estar aqui. Muito obrigada”, disse.

G1 e R7

31 de janeiro de 2016

'Ditadura não foi golpe militar', dispara Jair Bolsonaro

'Naquela época havia educação. Tínhamos direitos humanos, ao contrário do que pregam. Quem caçou o presidente foi o Congresso Nacional', afirma o deputado em sua análise sobre o período de ditadura no país. Ele também fala sobre o ambiente do exército, Marco Civil da Internet, 'kit gay' e como é o dia a dia ao lado de Tiririca no Congresso.

30 de janeiro de 2016

Experiência realizada com mosquitos transgênicos,em 2011,pode ter sido a causa da epidemia

Este é mais um alerta para as autoridades responsáveis

Organizações da sociedade civil manifestam sua preocupação com o aumento da incidência de casos de dengue, especialmente no Estado da Bahia ,onde foram feitos testes de campo com mosquitos geneticamente modificados.
Em uma cidade chamada Jacobina, foi decretado situação de emergência em face da epidemia da doença. Isso não foi divulgado pela imprensa nacional.
Um vídeo do Canal Hora final já alertava desde 2013quando foram soltos milhões de mosquitos transgênicos na Bahia, Rio de Janeiro e Piracicaba, interior de São Paulo.
A promessa era criar mosquitos transgênicos para acabar com a dengue, mas os resultados produzidos em testes de campo no interior da Bahia não foram conclusivos e não avaliaram a relação entre a redução da população de Aedes aegypti e a ocorrência da dengue.
Resumindo, uma experiência mal sucedida pode ter sido uma das causas da atual epidemia pela qual passa o país.



Fonte

29 de janeiro de 2016

GOVERNO É SUSPEITO DE UTILIZAR O DINHEIRO DE LOTERIAS PARA PAGAR AS 'PEDALADAS FIscais

Após o anúncio da quitação das dívidas atrasadas com os bancos públicos, o governo detalhou na última segunda-feira, (25), as fontes do Orçamento.última segunda feira (25), o governo anunciou que em 2015 repassou mais de R$ 724 bilhões aos bancos públicos e privados, dos quais mais de R$ 55,8 bilhões foram quitados em dezembro de 2015. Para a quitação da dívida o governo publicou um edital referente a medida provisória 904, que permite que as receitas do denominado superávit financeiro sejam utilizadas para outros fins. Os superávits financeiros são formados pelas ''sobras de caixa'', onde esses recursos tem uma destinação específica e não são totalmente utilizados.

Segundo dados do Tesouro Nacional, foram repassados mais de R$ 27,1 bilhões em recursos do superávit financeiro, onde desses mais de R$ 21,1 bilhões vieram através dos ''colchões da dívida'', formados através dos recursos das emissões de títulos. Os outros R$ 5,9 bilhões vieram de recursos do FGTS, os quais estavam retidos em caixa no Tesouro Nacional. Também foram investidos mais de R$ 94 milhões da remuneração da conta única e mais R$ 54 milhões vieram de loterias. Os mais de R$ 43,8 bilhões foram pagos aos bancos públicos e privados, recursos vindos dos exercício 2015-2016. De acordo com o Tesouro Nacional, inúmeras fontes de recursos como os R$115 bilhões da remuneração foram depositados em conta única no decorrer do ano, e mais de R$ 30 bilhões vieram de recursos originários de impostos pagos por pessoas físicas e jurídicas. Mais de R$1,2 bilhões vieram através de recursos devidos no FGTS e mais de R$ 180 milhões vieram através de operações de crédito.

Além disso o governo emitiu mais de R$ 1,5 bilhão em títulos diretamente para os bancos do Brasil e Caixa Econômica Federal.'' Em determinado momento, os recursos foram considerados positivos pelo Banco Central para os pagamentos de passivos, mas não foram utilizados recursos vindos de royalties para os pagamentos de passivos'' afirmou Otávio Ladeira secretário interino do Tesouro Nacional. A estratégia montada pelo governo federal para quitar as pedaladas fiscais está sendo criticada pelos economistas. A maioria crítica o fato do governo usar o superávit para este propósito.

Fonte.  Folha

Seria a CFW um documento continuísta? - Uma Avaliação Crítica de “Sob os Céus da Escócia” (1/2)



Por Alan Rennê Alexandrino 

INTRODUÇÃO

No ano de 2006 o autor Brian D. McLaren publicou uma das suas obras mais conhecidas, intitulada The Secret Message of Jesus. A tese de McLaren neste livro é a de que ao longo de quase dois mil anos de história os cristãos ou compreenderam de maneira equivocada a mensagem de Jesus Cristo, ou então flagrante e intencionalmente a distorceram. Ao longo de milênios a cristandade estaria vivendo no engano por não ter atentado para a verdadeira mensagem propalada pelo Filho de Deus. Talvez o trecho mais inquietante da obra apareça quando McLaren sugere, ao fazer uma citação do filósofo Sören Kierkegaard, que a erudição cristã deliberadamente distorceu a mensagem do evangelho:

A Bíblia é muito simples de se entender. Mas nós, cristãos, somos um bando de caloteiros intrigantes. Fingimos ser capazes de compreendê-la porque sabemos muito bem que, no instante que a compreendermos, estaremos obrigados a agir de acordo com ela [...] Eis, portanto, o verdadeiro propósito da erudição cristã. A erudição cristã é a invenção mais prodigiosa para se defender da Bíblia, a fim de garantir que podemos continuar sendo bons cristãos sem que a Bíblia se aproxime demais de nós.[1]

Assim, tudo o que a igreja cristã viveu e praticou ao longo desses dois milênios nada mais foi do que uma fraude, um engodo promovido pela erudição cristã.

Por que iniciar a análise da obra Sob os Céus da Escócia, de autoria de Renato Cunha, ministro da Igreja Episcopal Carismática, com uma menção a Brian McLaren e uma de suas obras mais controversas? A resposta está em que, assim como McLaren, Renato Cunha não apenas sugere, mas defende explicitamente, que homens como João Calvino, George Gillespie, Samuel Rutherford, Jonathan Edwards e muitos outros nunca foram verdadeiramente compreendidos quanto ao que esses homens defenderam a respeito da obra do Espírito Santo na concessão dos dons miraculosos à Igreja de Cristo. Esses homens e muitos outros, como o pregador inglês Charles H. Spurgeon[2], são evocados como bastiões do cessacionismo. Porém, de acordo com Renato Cunha, ou tais homens nunca foram compreendidos ou, na realidade, o cessacionismo se utiliza de subterfúgios e até mesmo de fraude para poder alinhá-los ao seu pensamento. E ao longo da leitura da obra a impressão é a de que, na mente do autor, a última alternativa é a verdadeira.

Nem mesmo a Confissão de Fé de Westminster, nos dizeres de Cunha, ensina aquilo que é afirmado pelos cessacionistas. Quando a CFW afirma, logo no seu capítulo e parágrafo de abertura, que cessaram “aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo” (1.1), ela não está ensinando que o dom de profecia nos moldes neotestamentários cessou. Esta afirmação cessacionista está equivocada e é fruto de, no mínimo, dificuldades em interpretar devidamente textos escritos.

O presente artigo é a primeira parte de uma avaliação crítica da obra de Renato Cunha. Inicialmente, eu tinha a intenção de escrever apenas uma resenha a respeito do livro. Contudo, ao longo da leitura do mesmo, tantos absurdos foram notados e anotados, que me proponho agora a escrever uma pequena série de críticas à obra. Para tal, me proponho, em primeiro lugar, a discorrer brevemente a respeito do método utilizado na escrita do livro, a saber, o uso de fontes marginais. Em segundo lugar, é minha intenção abordar um dos pontos centrais da obra: a negação do cessacionismo na Confissão de Fé de Westminster, investigando o contexto histórico da Assembleia de Westminster, bem como as proposições da própria Confissão. Em terceiro lugar, tratarei das alegações no sentido de que homens como Calvino, Gillespie, Rutherford e outros eram defensores da perpetuidade dos dons revelacionais, notadamente o dom neotestamentário de profecia.

1.    O Revisionismo de “Sob os Céus da Escócia”

Cunha inicia a sua obra com a afirmação de que utilizará como método de pesquisa o ramo da historiografia conhecido como “História das Mentalidades”, nascido no século passado. O autor afirma que a história das mentalidades “busca perscrutar e compreender as importantes alterações nas formas de pensar e agir do homem ao longo dos tempos” (p. 13). Isto o conduz a questionar por qual razão o elemento místico, que sempre esteve presente na cristandade, foi desconsiderado e completamente ignorado pelo cessacionismo moderno. Assim, a proposta da obra é apresentar não apenas uma resposta a este questionamento, mas também trazer a lume evidências históricas de que tal elemento místico sempre se fez presente, inclusive no meio reformado e supostamente cessacionista.

A proposta de Cunha, na realidade, é proceder com um completo revisionismo da história do protestantismo reformado, a fim de consubstanciar a tese de que o cessacionismo nada mais é do que uma inovação que teve origem com a publicação de Counterfeit Miracles, de Benjamin Beckenridge Warfield, em 1918. Para levar adiante seu projeto Cunha faz uso daquilo que é conhecido como fontes marginais, que nada mais são do que fontes secundárias que apresentam pontos de vista que divergem significativamente do entendimento comum e aceito em determinado campo do conhecimento.

Um exemplo disso pode ser percebido no fato de que, ao tratar do alegado continuísmo do escocês George Gillespie nenhuma fonte primária é apresentada, com exceção da menção a dois tratados sobre o dom de profecia no Novo Testamento (p. 65, nota de rodapé nº 15). Não há nenhuma declaração do próprio Gillespie. Há apenas testemunhos oriundos de biografias. Na verdade, as únicas palavras de Gillespie documentadas (p. 64) são tomadas a partir de uma fonte secundária difícil de identificar, dada a maneira equivocada como as notas de rodapé estão organizadas do ponto de vista da metodologia da pesquisa científica.[3]

Muitos outros exemplos poderiam ser apresentados aqui. Não obstante, este fato prejudica o trabalho de qualquer pesquisador, uma vez que, conquanto seja ponto pacífico que a utilização de fontes secundárias seja perfeitamente aceitável em qualquer pesquisa bibliográfica, é imprescindível que grande parte, senão a maior, do labor do pesquisador seja tomada a partir de fontes primárias. No caso da obra de Cunha e considerando a sua proposta, era imprescindível que as evidências textuais primárias abundassem, o que não ocorre. O que pode ser percebido mesmo quando se avalia as fontes secundárias utilizadas é que, na verdade, a pesquisa foi dirigida a partir de uma seletividade intencional de fontes que melhor se adequam a uma crença pessoal. Esta seletividade ficará evidente nas seções subsequentes desta crítica, quando apresentarei um contraponto às teses de Cunha a respeito da Confissão de Fé de Westminster e dos supostos teólogos reformados continuístas.

Outro detalhe que necessita ser destacado logo de início, é que ao longo da obra o cessacionismo é constantemente acusado de manipular, distorcer e omitir fatos que têm acompanhado a história humana desde os primórdios. Cunha faz tal acusação de maneira indireta, afirmando que “é certo que muitos têm o interesse de omitir eventos aos quais julgam impertinentes e desconfortantes na defesa de determinado sistema filosófico” (p. 90). Cunha também deixa no ar uma indagação a respeito da existência de fraude nos postulados de quem defende a estrutura filosófica do cessacionismo (p. 181).

O autor também se utiliza do argumento falacioso da associação, ao colocar lado a lado o cessacionismo, o ateísmo (p. 179) e o antissobrenaturalismo de Rudolf Bultmann (p.183). De forma estranha, no escopo da obra não há nenhuma preocupação de oferecer ao leitor uma definição acerca do que é o cessacionismo. Seria de bom tom que os termos tivessem sido devidamente definidos antes de oferecer críticas tão contundentes. Percebe-se que Cunha também fez uso da falácia do espantalho todas as vezes que mencionou o cessacionismo. Apesar de levantar tais observações aqui, deixarei para abordá-las mais detidamente na segunda parte da crítica do livro.

Por ora, irei me concentrar na abordagem de Cunha à Confissão de Fé de Westminster.

2.    O Cessacionismo da Confissão de Fé de Westminster

De acordo com Cunha, “o tema revelação sobrenatural extrabíblica teve significativa importância no debate” travado na Assembleia de Westminster (1643-1649). Apesar disso, a missão que os delegados tinham diante de si era “unificar o protestantismo europeu na redação de um documento que representasse de maneira adequada as igrejas reformadas” (p. 32). Visando, então, o cumprimento dessa missão, foi que os delegados buscaram acomodar uma diversidade de opiniões na elaboração da Confissão, de modo que quanto à questão da cessação da revelação, a ideia era chegar a uma proposição que permitisse uma diversidade de convicções. Sobre isso, Cunha afirma (p. 33):

O fato de afirmarem a singularidade da Escritura como registro especial de Deus não encerrava o assunto no sentido de estabelecer um marco final em termos de Deus se revelar, mesmo com o cânon devidamente encerrado. A singularidade da revelação, portanto, não significa modo exclusivo de manifestação. Apenas a Escritura é singular, visto que contém o depósito completo das doutrinas sobre Deus e salvação humana.

Ele tem em mente o parágrafo de abertura da Confissão, transcrito in extensoabaixo:

I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência manifestam de tal modo a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, todavia, não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e de sua vontade, necessário à salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isso torna a Escritura Sagrada indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo.[4]

Cunha afirma que a afirmação confessional tem como propósito se opor à tradição da Igreja Católica Romana, que afirma possuir autoridade delegada pelo próprio Cristo para estabelecer novas doutrinas. De acordo com ele, o parágrafo da Confissão em questão não trata da cessação dos dons revelacionais, mas tão somente confrontar “a tradição romanista de ser a palavra final em termos de doutrina do conhecimento de Deus e da salvação do homem” (p. 36). Isto não quer dizer, todavia, que a Sagrada Escritura seja o único modo de Deus falar ao seu povo. É o meio mais seguro, mas não o único (p. 37).

O ponto a ser destacado é que Cunha pressupõe que a preocupação da Confissão é apenas com aquilo que diz respeito à salvação do homem. Novamente, eis suas palavras (p. 37):

Em segundo lugar, ao sentenciarem que ‘isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo’, sobretudo no tocante a haver cessado os antigos modos de Deus revelar a sua vontade, não significa necessariamente que aqueles deputados tinham em mente que Deus só se revelaria através das Escrituras, muito menos que encerrara total e completamente suas revelações. Eles se limitam a afirmar apenas que não resta mais doutrina a ser assentada, sobretudo no tocante ao ensino quanto à salvação do ser humano,ou seja, acreditam na impossibilidade de a Escritura continuar a ser escrita.

Garnet Howard Milne[5], cuja obra foi utilizada por Cunha em sua pesquisa, questiona se os presbiterianos carismáticos dos nossos dias estão corretos ao afirmarem que “o conceito de salvação na CFW 1.1 meramente se refere a ‘revelação histórico-redentiva’, ou esta distinção entre revelação histórico-redentiva e revelação para orientação pessoal é uma falsa dicotomia?”[6] Milne argumenta convincentemente que interpretar o termo “salvação” como empregado na Confissão não é tarefa fácil,

parcialmente porque um propósito maior de uma confissão de fé é a sua capacidade de sumarizar o caminho de salvação em vez de descrever a natureza da salvação em si; parcialmente porque a CFW não apresenta nenhuma definição explícita; e parcialmente porque a terminologia “salvação” na teologia puritana era frequentemente caracterizada pela própria fluidez de significado da Bíblia e ausência de precisão no uso dessa linguagem.[7]

Milne observa ainda que uma pesquisa nos Padrões de Westminster “revela que o substantivo, as formas verbais e o conceito de ‘salvação’ aparecem muitas vezes ao longo desses documentos, mas a definição do conceito não é uniforme”.[8] Como evidência dessa afirmação creio que alguns exemplos possam ser apresentados. No Capítulo 2.1, sobre Deus e a Santíssima Trindade, salvação é entendida como perdão dos pecados e libertação da justa retribuição da ira de Deus que não inocenta o culpado. Em 3.5, sobre o Eterno Decreto de Deus, salvação é conceituada como eleição em Cristo Jesus para a glória eterna. Já no parágrafo 6 desse mesmo capítulo os elementos dessa salvação são apresentados, a saber: “santificação, justificação, obediência, santidade, adoção como filhos e boas obras”.[9] No caso, salvação compreende toda a Ordo Salutis. Milne conclui a sua investigação sobre o sentido de “salvação” na CFW afirmando: “Dentro dos capítulos da CFW nós encontramos evidência interna para uma ampla definição de salvação que transcende redenção pessoal ou salvação escatológica e que oferece ao crente benefícios que incluem bênçãos temporais”.[10]

Observemos, por exemplo, o que diz o capítulo 14, sobre a Fé Salvífica, em seu segundo parágrafo:

II. Por esta fé, o cristão, segundo a autoridade do mesmo Deus que fala em sua palavra, crê ser verdade tudo quanto nela é revelado, e age de conformidade com aquilo que cada passagem contém em particular, prestando obediência aos mandamentos, tremendo às ameaças e abraçando as promessas de Deus para esta vida e para a futura; porém, os principais atos de fé salvadora são: aceitar e receber a Cristo e descansar só nele para a justificação, santificação e vida eterna, isso em virtude do pacto da graça.[11]

Neste trecho a CFW afirma que a fé salvadora leva uma pessoa a abraçar as promessas de Deus que são cumpridas nesta vida. Por esta razão, é que mesmo que o principal e maior objetivo da salvação seja a libertação espiritual do pecado e da ira de Deus, a fé salvadora abraça promessas de assistência temporal: “Portanto, ela conjuga bênçãos ou privilégios terrenos ao conceito puritano de salvação, e assim liga libertação temporal às promessas da Escritura”.[12]

Após investigar o conceito de “salvação” na própria Confissão, Milne procede com uma exposição de como os teólogos de Westminster fizeram uso do termo em seus escritos. Ele apresenta inúmeros trechos de obras de Sydrach Simpson (1600-1655), Obadiah Sedgwick (1600-1658), William Lyford (1598-1653), William Bridge (1600-1670), Thomas Goodwin (1600-1680) e Edward Reynolds (1599-1676), apenas para citar alguns.[13] Após toda investigação feita, Milne conclui o seguinte:

“Salvação”, para o puritano, era um conceito que incluía a libertação e reforma temporal pessoal, nacional e internacional, e não estava, portanto, confinado à redenção pessoal do pecado e da ira de Deus. Foi esse conceito, tão amplamente explorado nos sermões dos divines de Westminster, que fez o seu caminho para dentro da CFW.[14]

A implicação deste pensamento é óbvia. Ora, se o conceito de “salvação” na Confissão não diz respeito unicamente à libertação do pecado e da ira de Deus, mas, em vez disso, envolve até mesmo questões relacionadas a esta vida ou ao cotidiano, então, a Confissão não ensina que cessou apenas a revelação necessária para aquele conceito de salvação.

Prova adicional de que a Confissão não ensina uma cessação parcial relacionada unicamente ao assentamento de nova doutrina essencial à salvação é o que ela ensina em outro parágrafo do capítulo 1º. Ela afirma de maneira explícita que as Sagradas Escrituras são a revelação de Deus não apenas para a salvação do homem em seu sentido redentivo pessoal, mas também para a fé e a vida do homem:

VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na Palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comuns às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras da Palavra, que sempre devem ser observadas.[15]

A afirmação confessional é suficientemente clara. Não é expressamente declarado nem pode ser lógica ou claramente deduzido da Escritura todo o Conselho de Deus necessário apenas para a salvação pessoal do homem. De acordo com a Confissão, tudo aquilo que é necessário para a salvação, sim, mas também para a fé e a vida do homem está nas Sagradas Escrituras. É temerário desconectar o parágrafo 1.1 do 1.6. Aquilo que no primeiro parágrafo é afirmado de maneira generalizada é aqui afirmado em detalhes. A igreja não possui a vontade de Deus revelada apenas sobre assuntos concernentes à salvação, como afirma Cunha (p. 37). Ela possui todo o desígnio de Deus acerca de tudo aquilo que concerne à salvação, fé e vida. Tanto é assim, que logo após esta declaração, os teólogos acrescentam: “À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens”. De acordo com a CFW, nada pode ser acrescentado à Escritura que já traz em seu escopo toda a vontade de Deus para a salvação, a fé e a vida do homem.

Chad Van Dixhoorn, erudito responsável pela edição da obra Minutes and Papers of the Westminster Assembly, em seu excelente comentário da Confissão, afirma o seguinte sobre o parágrafo 1.6:

A suficiência da Escritura se aplica a todas as questões relacionadas à nossa salvação. Não precisamos ir a nenhum outro lugar – nós não podemos ir a qualquer outro lugar – para encontrarmos o caminho da salvação. Isso também se aplica a todas as questões de fé – toda doutrina cristã deve ser derivada apenas da Bíblia. E as Escrituras também são suficientes para a vida, o que significa que, de acordo com a Assembleia de Westminster, somente a Bíblia contém a lei de Deus, bem como todos os princípios gerais aos quais temos de aderir para vivermos diante da face de Deus. A suficiência da Escritura para a vida não nega que necessitamos de constante e extensiva informação e suprimentos do mundo criado, a fim de vivermos. É claro que precisamos. A Escritura é suficiente no sentido de que nenhuma revelação especial posterior de Deus é necessária para nos guiar através da vida, além da revelação graciosamente disponível a nós na Bíblia.[16]

Também extremamente pertinente ao assunto é o comentário de Dixhoorn a respeito da cláusula “tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo”:

A Bíblia também é necessária porque Deus não mais revela a si mesmo por meio de sonhos, visões e profetas. Aqueles veículos de revelação não são mais necessários e não mais funcionam. William Gouge, um patriarca puritano na Assembleia de Westminster, argumentou que “pretensão de nova luz e inspiração imediata nestes dias é uma mera pretensão”. Francis Cheynell queixou-se de pessoas, em seus dias, que muito rapidamente davam lugar na tribuna para qualquer um que havia se convencido de ter alguma interpretação espiritual da Palavra por “inspiração, sugestão ou assistência do Santo Espirito”. E George Walker, ainda outro membro da Assembleia que escreveu sobre o assunto, tinha palavras duras para homens fracos que diziam às damas para se casarem com eles por causa de alguma “pretensão de inspiração e revelação divina”. Seja por preguiça ou desespero, os homens não devem tentar empurrar uma mulher para um pouco mais perto do casamento porque “Deus disse” que eles foram feitos um para o outro.[17]

Contraste as palavras acima com a afirmação de Cunha, no sentido de que as Sagradas Escrituras, aquelas que, de acordo com a CFW contém todo o desígnio de Deus referente à salvação, fé e vida do homem, “não alcançam todas as particularidades sobre as quais um crente genuíno certamente necessitará de orientação providencial de Deus, eg.[sic] com quem se deve casar, se deve comprar determinado imóvel, ou vendê-lo, et al” (p. 149). Verifica-se, portanto, que Cunha está em descompasso com a Confissão, bem como com aquilo que os seus autores escreveram em obras próprias.

Ainda sobre este tópico algo precisa ser dito sobre a ideia de que, em razão da presença de “continuístas” entre os teólogos[18], buscou-se uma proposição que conciliasse a diversidade de opiniões a respeito da cessação ou não da revelação. Uma das principais alegações de Cunha é que os dois pastores escoceses enviados à Assembleia, Samuel Rutherford e George Gillespie, eram continuístas, homens conhecidos na Escócia como possuidores do dom de profecia. Assim, uma vez que eles estiveram presentes e exerceram grande influência na Assembleia, o ideal era buscar a acomodação das opiniões divergentes sobre o assunto.

Robert Letham, outro erudito pesquisador da Assembleia de Westminster contesta com veemência esta opinião. De acordo com ele, a questão da revelação especial não foi alvo de discórdia que demandasse uma acomodação de opiniões divergentes. De acordo com ele, houve “acordo generalizado sobre o seu conteúdo. As atas não apresentam nenhum indício de discórdia significativa. Os debates sobre o capítulo duraram um bom tempo, de S463 M 7.7.45 a S472 F 18.7.45, mas foram feitas apenas duas pequenas alterações para o relatório da comissão”.[19] Letham vai adiante e afirma que, especificamente sobre a cláusula cessacionista, “não há nenhum traço de debate sobre esta questão nas atas. Se tivesse existido qualquer um, certamente teria inflamado o interesse, visto que qualquer sugestão de continuação da revelação teria enfraquecido a polêmica protestante e reformada contra Roma e os Quakers”.[20]

E aqui nós encontramos uma informação de extrema importância para chegarmos ao entendimento correto sobre a afirmação confessional. Letham contextualiza as discussões da Assembleia como direcionadas à Igreja Romana e também aos Quakers. A fim de consubstanciar a sua tese, Cunha situa a polêmica de Westminster como direcionada única e exclusivamente à Igreja de Roma (p. 36):

No primeiro plano, vemos a preocupação dos delegados em afirmar uma espécie de contraponto à estrutura de revelação geral. É certo que a escrita bíblica visa preencher duas lacunas importantes e a primeira delas é oferecer algo de revelação especial para melhor transmitir o conhecimento detalhado de Deus e de sua vontade necessário à salvação, ou seja, que a Bíblia se opõe a qualquer teologia que não se alicerce na garantia de que a salvação do homem se dá unicamente no altar da Justiça de Cristo. Os teólogos de Westminster estavam se opondo claramente à tradição romanista das indulgências, por exemplo. Neste sentido, ninguém poderia se apresentar como portador de nova revelação divina referente à salvação humana, tendo em vista o assentamento definitivo de doutrina a respeito. Por mais que a Igreja romana alegasse autoridade, autoridade judiciosa ostenta as Escrituras que continha toda revelação no tocante à salvação humana, diziam os de Westminster. Não podemos esquecer que este capítulo confronta claramente a tradição romanista de ser a palavra final em termos de doutrina do conhecimento de Deus e da salvação do homem. A nosso ver, não trata sobre cessação dos dons de revelação, como a erudição cessacionista tem sugerido.

Não há uma única palavra a respeito dos Quakers. Isto é compreensível, uma vez que para sustentar a tese da oposição de Westminster ao assentamento de novas doutrinas para a salvação é necessário omitir qualquer referência ao misticismo quakerista. Se o problema era apenas Roma, então o a afirmação confessional tem apenas Roma em mente. Todavia, como Letham e outros estudiosos deixam claro, a preocupação dos teólogos de Westminster também era com o misticismo de grupos radicais, como os Familistas[21], os Seekers[22], os Schwenkfeldianos[23] e os Quakers. John V. Fesko, professor de Teologia Histórica e Teologia Sistemática no Westminster Seminary California,em Escondido, afirma que “é um erro pensar que a única ameaça teológica contra a fé reformada percebida na Inglaterra era a Igreja Católica Romana”.[24]De acordo com ele, a Inglaterra do século 17 era caracterizada por um pluralismo religioso que incluía “Arminianos, Anabatistas, Antinomianos, Entusiastas, Erastianos, Familistas, Brownistas, Papistas, Quakers, Socianianos e semelhantes”.[25] Garnet Milne também pontua que o ideal puritano de uma ortodoxia unificada tinha em mente todos esses grupos, que “frequentemente comprometiam o princípio protestante do Sola Scriptura, por apelarem a revelações imediatas do Espírito Santo”.[26] Falando especificamente a respeito dos Quakers, Milne assevera que eles se tornaram os mais ferrenhos oponentes do cessacionismo de Westminster, pois “acreditavam que a ortodoxia reformada cometeu um erro fundamental ao confinar a Palavra de Deus à Escritura”.[27]Milne adiciona algumas informações interessantíssimas a respeito da polêmica entre a teologia de Westminster e os Quakers:

Entretanto, posteriormente os Quakers provaram ser um desafio maior à hegemonia espiritual da ortodoxia reformada na Inglaterra, Escócia e Nova Inglaterra. Os Quakers questionaram a doutrina protestante central da unidade da Palavra e do Espírito quando argumentaram que a CFW negou, de maneira imprópria, a possibilidade de “revelações imediatas”. O próprio George Fox denunciou as reivindicações da Declaração de Savoy e da CFW de que a revelação havia cessado, o que ele havia compreendido como significando que toda revelação imediata extra bíblica fora concluída. Alguns Quakers consideravam que a CFW era apenas inconsistente a este respeito, mas quando se engajaram em debate com presbiterianos confessionais e independentes, eles passaram a crer que este era um erro fundamental. A maneira como a ortodoxia protestante respondeu sugere que os Quakers entenderam corretamente a CFW.[28]

Derek Thomas, numa avaliação semelhante do contexto religioso da Assembleia de Westminster, afirma que ao ler o primeiro parágrafo da Confissão é preciso lembrar que duas questões estão por detrás: “primeiro, a posição de Roma em reclamar a autoridade da Igreja em matéria de fé e vida; segundo, a tendência dos anabatistas de citar novas revelações do Espírito como algo normativo da fé e comportamento cristãos”.[29] A respeito dos anabatistas, Scott Thomas Murphy, em sua tese de PhD, escrita em 1985, afirma que os anabatistas podiam ser divididos em vários grupos: 1. Aqueles que enfatizavam indevidamente o Antigo Testamento; 2. Aqueles que enfatizavam indevidamente o Novo Testamento; 3. Os racionalistas, como Fausto Socino; 4. Os espiritualistas, como Thomas Münzer; e 5. Os evangelicais, representados por Menno Simons. De acordo com Murphy, “foram os espiritualistas, que separavam a Palavra e o Espírito, que mais preocupavam os teólogos de Westminster”.[30] Um dos argumentos repetidos ad nauseam por Cunha ao longo do seu livro é que não há problema em se afirmar a perpetuidade do dom de profecia e o princípio do Sola Scriptura. De acordo com ele, o verdadeiro problema é se apegar a novas revelações em detrimento da Escritura. No entanto, nem mesmo os anabatistas faziam isso de forma absoluta. Sobre isso, Murphy adiciona uma qualificação a esta afirmação sobre separação entre Palavra e Espírito:

Em vez de confiar na autoridade das Escrituras, Thomas Münzer se baseou na palavra interior. Essa palavra interior é a comunicação direta do Espírito com o crente, à parte da Escritura. Münzer usava as Escrituras apenas como uma confirmação de que as suas experiências eram as mesmas dos santos nos tempos bíblicos.[31]

É interessante que a parte destacada expressa o mesmo princípio defendido por Cunha, a saber, que as Escrituras atestam que as alegadas experiências de teólogos representativos da teologia reformada são as mesmas do período bíblico. Vê-se, portanto, que Cunha labora em erro sério quando limita o contexto da cláusula cessacionista à polêmica contra o catolicismo romano. Trata-se de um erro crasso, pois o mesmo norteia toda a sua pesquisa.

Entender o contexto religioso das discussões sobre a revelação especial que tiveram lugar na Assembleia nos permite entender não apenas o significado de “salvação” na CFW, mas também o quê exatamente cessou. A partir de diversos escritos dos delegados presentes na Assembleia é possível chegar à conclusão inequívoca de que a Confissão afirma um cessacionismo de tipo abrangente. O. Palmer Robertson, por exemplo, num artigo a respeito do Espírito Santo na Confissão de Fé de Westminster, parte do documento elaborado pela Assembleia a respeito da forma de governo da igreja de Cristo[32], e afirma que neste documento é afirmada explicitamente a cessação dos ofícios de apóstolo, evangelista e profeta. Sua conclusão é digna de nota: “Parece claro a partir dessa distinção que a Assembleia de Westminster determinou, em seus estágios mais primevos, registrar sua opinião de que os ofícios fundacionais pelos quais a revelação foi trazida à igreja, não mais funcionavam na vida da igreja”.[33] E dada a ligação entre ofícios e dons, Robertson argumenta que a ausência de um tratamento extensivo dos dons do Espírito Santo na Confissão de Westminster é um claro indicativo de que
a Assembleia sentiu ter tratado suficientemente desse assunto em seu Diretório para o Culto Público de Deus e na Forma Presbiteriana de Governo de Igreja, bem como na afirmação do capítulo de abertura da Confissão de Westminster a respeito da cessação dos dons revelacionais.[34]

O cessacionismo da Confissão de Westminster pode ser claramente percebido na maneira como quatro passagens-chave foram abordadas nos escritos dos membros que participaram da Assembleia: Efésios 1.17-18, Hebreus 1.1-2, Atos 2.17-18 e Joel 2.28. É preciso destacar, inclusive, que as duas primeiras passagens aparecem como dicta probantia da cláusula cessacionista. Milne afirma que, “todos os símbolos de Westminster usam as três citações separadas, Ef 1.17, ou 1.18 e a passagem completa de Ef 1.17-19, seis vezes como textos-prova, sempre num contexto que assume que a Palavra e o Espírito funcionam juntos no processo de ‘revelação’”.[35] É imprescindível que se destaque que os puritanos autores da Confissão utilizavam a passagem de Efésios para estabelecer uma distinção entre revelação “imediata” e “mediata”. Murphy define “revelação imediata” como “um ato ocorrendo diretamente sem a intervenção de um agente e à parte de todos os meios ou cooperação humanos”.[36] Baseando-se em escritos de puritanos como Samuel Rutherford, George Gillespie[37], Edward Reynolds, Edmund Calamy, Joseph Caryl e até mesmo William Bridge, Murphy afirma ainda que os divines usaram a palavra “imediata” para se referir a coisas tais como: “A criação do mundo a partir do nada, o efeito da graça na alma, e vozes vindas do céu”.[38] Já a revelação “mediata”, por seu turno, diz respeito à “iluminação através de alguns meios, entendida pela ortodoxia reformada como envolvendo ao menos a agência humana e as Escrituras”.[39]Para a ortodoxia de Westminster, conquanto revelação mediata fosse algo ainda existente, a revelação imediata não mais acontecia.

O puritano Anthony Burgess, por exemplo, um dos delegados presentes na Assembleia, escreveu uma série de sermões a respeito da oração sacerdotal de Jesus Cristo, em João 17. Ao longo desses sermões Burgess aborda a doutrina da Escritura negando qualquer possibilidade de profecia ou revelação imediata. Milne sumaria a exposição de Burgess em seus sermões como segue:

Não obstante outras razões para limitar a fonte da voz de Deus, ele conclui que a voz de Deus é ouvida agora apenas nas Escrituras porque Deus cessou de converter, santificar e transmitir profecia por “revelação imediata”. “Deus, que poderia converter imediatamente, Burgess insiste, “e fazer uma casa para nossos corações, como ele fez aos profetas por uma revelação imediata, levou isso embora”. A vontade de Deus deve ser buscada na Bíblia, visto que “nesta última era ele guia [a igreja] apenas pelas Escrituras”.[40]

O presbiteriano escocês David Dickson (1583-1663), contemporâneo da Assembleia de Westminster e, por isso mesmo, familiarizado com seu contexto religioso bem como com as suas discussões, em seu comentário da Confissão intitulado Praelectiones in Confessionem Fidei, posteriormente vertido paraTruth’s Victory Over Error, tratou do parágrafo de abertura do seguinte modo:

Questão 3

Aqueles modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo cessaram?
Sim.
Deste modo, então, não estariam os Entusiastas e os Quakers errados, ao afirmarem que o Senhor não cessou de revelar a sua vontade, como ele o fez na antiguidade?
Sim.
Por quais razões eles devem ser rejeitados?
Porque Deus, que muitas vezes e de muitas maneiras, falou em tempos passados aos pais, por meio dos profetas, nestes últimos nos falou por meio de seu Filho (Hb 1:1-2). O apóstolo chama o tempo do Novo Testamento de últimos dias, porque sob o mesmo período nenhuma alteração deveria ser esperada, senão que todas as coisas estavam completas e deveriam permanecer sem adição ou mudança, como ensinadas e ordenadas por Cristo, até o último dia (veja também Jl 2:28; At 2:27). Os modos e maneiras da antiguidade eram: primeiro, pela inspiração (2 Cr 15:1; Is 59:21; 2 Pe 1:21); segundo, por visões (Nm 12:6); terceiro, por sonhos (Jó 33:14-16; Gn 40:8); quarto, pelo Urim e Tumim (Nm 27:21; 1 Sm 30:7-8); quinto, por sinais (Gn 32:24-32; Êx 12:21); sexto, por voz audível (Êx 20:1; Gn 22:15). Todos findaram com a escrita (Êx 17:14), que é o mais seguro e infalível modo do Senhor revelar a sua vontade ao seu povo.[41]

CONCLUSÃO

Há muito ainda a ser dito a respeito da obra Sob os Céus da Escócia. Até aqui foi avaliado apenas o tratamento dispensado à Assembleia de Westminster e sua Confissão. No entanto, há muitas informações que precisam receber a sua devida atenção, a fim de se evidenciar os seus muitos problemas. Acredito, porém, que as maiores dificuldades da obra estejam em associações falaciosas existentes ao longo da obra, cujo propósito nítido é, não apresentar uma proposta de diálogo entre cessacionismo e continuísmo, mas tão somente atacar aquele. Tanto é assim, que Cunha nunca se preocupou em apresentar uma definição do que é o cessacionismo. Ele apenas o menciona e o ataca, comparando-o ao ateísmo e à teologia liberal de Rudolf Bultmann.

Após este pequeno arrazoado, creio que é possível chegarmos à conclusão que, não, a Confissão de Fé de Westminster não é um documento continuísta como propõe Renato Cunha. Fica patente que tal tese aventada na obra Sob os Céus da Escócia é viciada dada a omissão – digamos que não intencional – dos conflitos entre os puritanos e grupos como os Anabatistas e os Quakers. O parágrafo de abertura da Confissão não afirma a cessação apenas de doutrinas concernentes à salvação, em oposição às reivindicações do Catolicismo Romano. A declaração confessional assevera a cessação de toda e qualquer revelação referente à salvação, fé e vida do homem. Afirmar o contrário, como faz Cunha, é laborar em erro. A conclusão de Garnet Milne é extremamente relevante para a conclusão da presente análise. Por isso a transcrevo abaixo:

Uma análise dos escritos dos teólogos de Westminster revela seu universal compromisso com um cessacionismo de um tipo bastante abrangente. Em sua exposição de textos-chave como Efésios 1.17-18, Hebreus 1.1-2 e Joel 2.28-32/Atos 2.17, uma enorme proporção dos teólogos afirma que a possibilidade de revelação posterior cessou, tanto para os propósitos de insights doutrinários como para orientação ética. Repetidamente ele contrasta o papel da Escritura com fenômenos como sonhos e visões como meios de comunicação divina, e argumentam que essas modalidades estão firmemente confinadas ao passado.[42]

A conclusão desta análise não assevera que havia unanimidade entre os teólogos. Já foi mencionado o caso de William Bridge. Também existiam exceções entre aqueles que não participaram da Assembleia, como é o caso do conhecido, amado e controverso Richard Baxter, mais conhecido pelo seu neonomismo. Na segunda parte serão consideradas as alegações de Cunha, no sentido de que Calvino, Knox, Edwards, Gillespie e Rutherford eram continuístas ou, no mínimo, tiveram uma mínima experiência com o dom de profecia.


[1] Brian D. McLaren. A Mensagem Secreta de Jesus: Desvendando a Verdade que Poderia Mudar Tudo. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2006. p. 294.

[2] Deve-se salientar que Charles Spurgeon não é elencado na obra em tela. No entanto, é certo que o autor o insere dentro da linha continuísta, o que pode ser aferido em várias das suas postagens do Facebook. <https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=781465661976465&id=744828272306871>.

[3] No caso específico, a nota de rodapé correspondente (nº 13) traz apenas a seguinte informação: “op. cit. p. 30”, sem nenhuma indicação de autoria. O que torna a identificação complicada é o fato de que as duas notas anteriores são, respectivamente: “12 Anote-se que é o mesmo comentário feito por Calvino” e “11 RIBEIRO, Boanerges. O Culto em Corinto e o Nosso Culto. São Paulo: O Semeador, 1992. p. 17-18”. O mais provável é que se trate da obra de William Berends, citada na nota de rodapé nº 10.

[4] A Confissão de Fé de Westminster. I.1. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. p. 15. Ênfase acrescentada.

[5] A obra de Garnet Milne receberá grande atenção nesta crítica, uma vez que, como afirma o próprio Cunha, trata-se de “um brilhante trabalho de levantamento histórico-contextual” (p. 31). Além dele, Kevin DeYoung reputa a obra de Milne como “indubitavelmente, o melhor livro sobre cessacionismo no primeiro século da tradição reformada”. Cf. Kevin DeYoung. “The Puritans, Strange Fire, Cessationism, and the Westminster Confession”. <http://blogs.thegospelcoalition.org/kevindeyoung/2013/10/18/the-puritans-strange-fire-cessationism-and-the-westminster-confession/>. Acessado em 10/12/2015.

[6] Garnet Howard Milne. The Westminster Confession of Faith and the Cessation of Special Revelation: The Majority Puritan Viewpoint on Whether Extra-Biblical Prophecy is Still Possible. Eugene, OR: Wipf & Stock Publishers, 2007. p. 77.

[7] Ibid. pp. 77-78.

[8] Ibid. p. 78.

[9] Ibid. p. 79.

[10] Ibid. p. 80.

[11] A Confissão de Fé de Westminster. XIV.2. p. 115.

[12] Garnet Howard Milne. The Westminster Confession of Faith and the Cessation of Special Revelation: The Majority Puritan Viewpoint on Whether Extra-Biblical Prophecy is Still Possible. p. 81.

[13] Ibid. pp. 82-98.

[14] Ibid. p. 98.

[15] A Confissão de Fé de Westminster. I.6. p. 21. Ênfase acrescentada.

[16] Chad Van Dixhoorn. Confessing the Faith: A Reader’s Guide to the Westminster Confession of Faith. Edinburgh, UK: The Banner of Truth Trust, 2014. p. 17.

[17] Ibid. pp. 6-7.

[18] De acordo com Joel R. Beeke, William Bridge era uma “surpreendente exceção” entre os cessacionistas da Assembleia. Cf. o prefácio de: Garnet Howard Milne. The Westminster Confession of Faith and the Cessation of Special Revelation: The Majority Puritan Viewpoint on Whether Extra-Biblical Prophecy is Still Possible. p. xiii.

[19] Robert Letham. The Westminster Assembly: Reading its Theology in Historical Context. Phillipisburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing, 2009. p. 120.

[20] Ibid. p. 127.

[21] Grupo também conhecido como “Família do Amor”, estabelecido na Europa em cerca de 1540. Este grupo seguia os ensinamentos do espiritualista holandês Henry Nicholas, que tinha como ideal o estabelecimento do perfeito amor sobre a terra.

[22] Designação de vários pequenos grupos surgidos no início do século 17 e que, posteriormente, dariam origem aos Quakers. Os Seekers procuravam por uma nova igreja, crendo que todas as igrejas da época haviam se corrompido. As reuniões dos Seekers eram conduzidas, com frequência, em silêncio, falando apenas quando se sentiam inspirados pelo Espírito Santo.

[23] Seguidores de Kaspar Schwenkfeld von Ossig (1490-1561), um teólogo alemão que abandonou os ideais da Reforma. Schwenkfeld, antecipando uma ênfase dos Quakers, fez uma distinção entre a palavra exterior das Sagradas Escrituras e a palavra espiritual interior falada pelo Espírito Santo.

[24] J. V. Fesko. The Theology of the Westminster Standards. Wheaton, IL: Crossway 2014. p. 54.

[25] Ibid. p. 55.

[26] Garnet Howard Milne. The Westminster Confession of Faith and the Cessation of Special Revelation: The Majority Puritan Viewpoint on Whether Extra-Biblical Prophecy is Still Possible. p. 40.

[27] Ibid. p. 165.

[28] Ibid. p. 167. Ênfase acrescentada.

[29] Derek W. Thomas. A Visão Puritana das Escrituras: Uma Análise do Capítulo de Abertura da Confissão de Fé de Westminster. São Paulo: Os Puritanos, 1998. p. 20.

[30] Scott Thomas Murphy. The Doctrine of Scripture in the Westminster Assembly. Tese de Doutorado (PhD). Madison, NJ: Drew University, 1985. p. 20.

[31] Ibid.

[32] Trata-se do The Form of Presbyterial Church-Government and of the Ordination of Ministers, concluído em 1645, quatro anos antes da conclusão da Confissão.

[33] O. Palmer Robertson. “The Holy Spirit in the Westminster Confession”. In: Ligon Duncan (Ed.). The Westminster Confession into the 21st Century. Vol. 1. Christian Focus Publications, 2003. p. 96.
[34] Ibid. p. 94.

[35] Garnet Howard Milne. The Westminster Confession of Faith and the Cessation of Special Revelation: The Majority Puritan Viewpoint on Whether Extra-Biblical Prophecy is Still Possible. p. 113.

[36] Scott Thomas Murphy. The Doctrine of Scripture in the Westminster Assembly. p. 47.

[37] Tanto os casos de Samuel Rutherford como George Gillespie serão abordados na segunda parte desta crítica. Para o momento, é suficiente dizer que Cunha tem manifestado uma opinião dogmática em relação a uma discussão que está longe de ser resolvida, haja vista que os dois escoceses mencionados fizeram diversas afirmações de caráter ambíguo.
[38] Ibid. pp. 42-47.

[39] Garnet Howard Milne. The Westminster Confession of Faith and the Cessation of Special Revelation: The Majority Puritan Viewpoint on Whether Extra-Biblical Prophecy is Still Possible. p. 114.

[40] Ibid.

[41] David Dickson. Truth’s Victory Over Error: A Commentary on the Westminster Confession of Faith. Edinburgh, UK: The Banner of Truth Trust, 2007. pp. 3-4.

[42] Garnet Howard Milne. The Westminster Confession of Faith and the Cessation of Special Revelation: The Majority Puritan Viewpoint on Whether Extra-Biblical Prophecy is Still Possible. p. 145.
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