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19 de fevereiro de 2017

JOICE HASSELMANN X REINALDO AZEVEDO: NÃO É BRIGA NA DIREITA, POIS AZEVEDO É TUCANO!






Eu poderia começar dizendo que há mais uma grande briga dentro da direita. Mas estaria sendo muito impreciso. Joice Hasselmann, a “musa do impeachment”, gravou um vídeo questionando as mudanças radicais na postura de Reinaldo Azevedo, cobrando coerência, expondo a necessidade de insistir nas pautas daquelas antigas manifestações que derrubaram o PT, estranhando o fato de que o ex-colega da Veja, agora, só faz atacar o MBL, a Lava Jato, Sergio Moro e as manifestações.

Azevedo respondeu com baixaria, insinuações levianas, ataques ad hominem. Vejam o excelente vídeo de Joice, e depois a lamentável resposta de Reinaldo Azevedo, que afundou de vez mesmo, para a tristeza de todos que, um dia, já o admiraram:


Agora vejam a grosseria, a desonestidade, a egolatria de Reinaldo Azevedo na resposta, preferindo falar dos atributos físicos da jornalista, do uso da linguagem menos rebuscado, dando a entender que ela usou o corpo para chegar onde chegou, tudo, menos rebater o conteúdo e explicar as evidentes mudanças de comportamento:





Reinaldo começa em sua egotrip dizendo que não costuma responder pessoas pouco famosas que querem aparecer o atacando, mas vejam que curioso: pelo próprio critério de Azevedo, o vídeo de Joice já tem mais de 80 mil visualizações, e quase 10 mil curtidas para apenas 500 “descurtidas”. O vídeo afetado, personalista, vaidoso ao extremo e ofensivo de Reinaldo teve até agora 20 mil visualizações, com 1.200 curtidas e 3 mil “descurtidas”. E ainda teve que desativar a parte dos comentários.

Reinaldo tem se mostrado realmente um tucano empedernido e incurável. Entrou num buraco e não para de cavar. Perdeu qualquer pulso da população brasileira. Atira em todos da direita com um ódio evidente, que não chega a demonstrar nem pelos petistas. E não é exatamente o mesmo que fazem os tucanos, como FHC, que detesta Bolsonaro, mas demonstra simpatia por Lula?

Acho tudo isso lamentável, fui colega de ambos na Veja, mas não vou bancar o “isentão” aqui. Reinaldo Azevedo passou de qualquer limite aceitável. Perdeu-se. Acabou.

Rodrigo Constantino

Batizada, Bismarchi vende fantasias de Carnaval: “Vou ficar bem longe”



Bismarchi vende fantasias de Carnaval: "Vou ficar bem longe"

Foram 17 carnavais desfilando em escolas do Rio e São Paulo, mas este ano Angela Bismarchi já avisou que decidiu vender todas as fantasias. Ela vai doar o valor arrecadado.
“Estou vendendo tudo. Não quero mais, minha cabeça é outra. Não pretendo mais desfilar e nem pisar na avenida”, disse ela, que se converteu no ano passado e foi batizada em janeiro.
“Estou seguindo os caminhos de Jesus, não me prendo a religião, estou voltando a estudar a palavra. Tudo isso mudou a minha maneira de pensar”, explica a modelo. “Graças a Deus eu alcancei o Evangelho e comecei a ver as coisas de outra maneira”, revela a loira, que frequenta com o marido uma igreja na cidade de Niterói, RJ.

Ela não revela o valor já arrecadado, mas contou ao UOL que “Tem fantasias com penas de faisão que são carésimas. Já vendi algumas entre R$ 5 e R$ 10 mil. Esse Carnaval vou para os Estados Unidos com meu marido. Nos próximos anos nem quero ir na Avenida nem para assistir, vou ficar bem longe”.
Bismarchi está se desfazendo das fantasias que usou em escolas famosas, como X9, Nenê da Vila Matilde, Tom Maior, Império Serrano, Mocidade e Porto da Pedra. Ela já havia prometido renovar seu guarda-roupa, adotando um visual mais sóbrio.
“Preciso comprar roupas novas, que mostrem menos, que sejam mais elegantes. Não vou deixar de usar meus decotes e coisas que valorizem o corpo, mas não preciso me expor tanto”, justifica.

Gospel Prime

“Carnaval gospel” cresce no país e divide opiniões Blocos tem 'abadeus' e cover de Mamonas Assassinas





"Carnaval gospel" cresce no país e divide opiniões

As igrejas mais tradicionais costumam fazer retiros espirituais durante o Carnaval, feriado cujo nome significa, literalmente, “festa da carne”. Mas há denominações que decidem aproveitar a multidão para pregar a palavra. Essa postura gera divisão entre muitos líderes.
O teólogo Marcelo Rebello, 44, explica que deveria prevalecer o bom senso: “O crente não tem que ir para o meio do povo e dizer que [os que bebem e se pegam] vão pro inferno”.
Presidente da Associação Brasileira de Empresas e Profissionais Evangélicos, Rebello também lembra que a festa nas suas origens era “muito atrelada a candomblé e umbanda” e como o crente “serve a um Deus único”, essas entidades (orixás) seriam uma afronta a evangélicos.

 


Mesmo assim, o “Carnaval evangélico”, onde geralmente não se bebe álcool, parece ganhar força nas ruas do país.

São Paulo

Um dos blocos mas ativos é da Bola de Neve Church. A ponto de a prefeitura de Santos instituir, via lei municipal de 2014, o Dia do Evangelismo de Carnaval Bola de Neve.
Este ano, ela oferece os tradicionais uniformes de blocos, “abadás”, por R$ 30 (dinheiro) ou R$ 35 (cartão). Os fiéis reunidos numa espécie de “esquenta” na semana passada entoavam adaptações evangelizadoras de sambas e sucessos da música pop. Por exemplo, “Pelados em Santos”, do Mamonas Assassinas, teve o refrão mudado para “Jesus me deixa doidããããão”.
Cerca de 80% dos batuqueiros da Bola são ex-membros de torcidas organizadas. A estimativa é do corintiano Rodney Lopez, 35. Ele foi da Gaviões da Fiel, mas quando se converteu em 2006 preferiu entrar para a bateria da igreja. “Quando conheci Deus, algo fazia falta. Queria fazer o que fazia no mundo, mas dentro da igreja”, explica.
Todo os anos, a bateria da igreja percorre cerca de 10 km da orla santista. No ano passado, segundo o Corpo de Bombeiros, foram 18 mil pessoas. A festa deste ano, programada para dia 25, terá food truck, palco com música eletrônica e 12 camarotes para 14 pessoas (R$ 3.000 cada espaço), revela o pastor Eric Viana, 40, idealizador da Batucada Abençoada.
Durante um sermão recente, brincou com a plateia: “Quem é solteiro aqui? Então compra logo dois [abadás]!”. Em entrevista à Folha de São Paulo lembrou que começou a bateria por acreditar que não fazia sentido se isolar num retiro enquanto cidades eram tomadas por “toda a negatividade do Carnaval mundano”.
Entre os exemplos disso, aponta gravidez indesejada, motoristas alcoolizados, latinhas de cerveja na rua e namoros que terminam.
“A gente se sentiu bastante egoísta em viver a alegria de Deus refugiado disso tudo”, diz Viana, ex-metaleiro e usuário de drogas que mudou de vida ao conhecer Jesus 25 anos atrás. “Só depois percebi que a transformação não era por fora.”

Bahia

Já em Salvador, o bloco evangélico da Igreja Batista Missionária da Independência, marcará presença no Pelourinho este ano novamente. O destaque é a presença do funkeiro gospel Tonzão, do hit “Passinho do Abençoado”. Também estarão se apresentando o pagodeiro Waguinho, ex-Os Morenos, e o cantor Lázaro, ex-Olodum. No “abadeus” (abadá) do Sal da Terra, o mote é: “Jesus é a nossa alegria”.

Rio

No Rio de Janeiro, a Igreja Batista Atitude desfilará na orla do Recreio dos Bandeirantes o bloco Sou Cheio de Amor, como faz desde 2013.

Divisão

O exemplo mais recente de como essa questão gera divisão foi o cancelamento do polo gospel no Carnaval de Olinda (PE), um dos maiores do Brasil. Cerca de uma semana após ser anunciado, a união de fé e folia recebeu críticas de igrejas tradicionais.
Um dos elementos decisivos foi o posicionamento contrário da bancada evangélica da Assembleia Legislativa pernambucana. O deputado estadual Adalto Santos (PSB) reclamou ao prefeito, que também é evangélico, sobre o “prejuízo espiritual” do evento.
O pastor Josildo Ferreira, ligado ao Movimento Missões Urbanas Brasil, que idealizou a versão gospel do Carnaval, explica que a opção será distribuir 10 mil Bíblias durante os dias do feriado.

Gospel Prime

18 de fevereiro de 2017

Há 'assanhamento juvenil' em discussão sobre foro, diz Gilmar Mendes





Em meio à discussão sobre a limitação do foro privilegiado, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta sexta-feira (17), ao Broadcast Político que se "está escolhendo para um problema extremamente complexo uma solução simples e obviamente errada". Nesta semana, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, afirmou que o foro privilegiado é hoje uma "causa frequente de impunidade" e se tornou uma "perversão da Justiça". 
Barroso enviou ao plenário da corte processo em que defende uma interpretação mais restritiva sobre o alcance do foro privilegiado, que teria caráter excepcional, limitando-se especificamente aos crimes cometidos durante o mandato de políticos e que dizem respeito estritamente ao desempenho daquele cargo.
Sem rebater diretamente a proposta de Barroso e falando do tema em uma análise mais geral e ampla, Gilmar disse que a discussão sobre o foro privilegiado está cercada de "assanhamento juvenil" e "venda pública de ilusão".
"Há muito assanhamento até juvenil, aproveitando-se da ingenuidade da opinião pública. Agora se descobriu que o grande mal do Brasil é o foro. É populismo jurisdicional", criticou o ministro.

Relator da Lava Jato, Fachin critica o foro privilegiado

Mais cedo nesta sexta, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, afirmou ter uma visão crítica sobre o foro privilegiado e que a Corte deve debater o alcance da prerrogativa, conforme proposto por Barroso. 
"Eu, já de há muito tempo, tenho subscrito uma visão crítica do chamado foro privilegiado, por entendê-lo incompatível com o princípio republicano, que é o programa normativo que está na base da Constituição brasileira", disse.
Na avaliação de Gilmar, o tema é muito sensível e qualquer mudança deveria ser feita por meio de uma emenda constitucional. "Está se escolhendo para um problema extremamente complexo uma solução simples e obviamente errada", observou Mendes.
"Há prescrição em todos os lugares. O mensalão só andou porque foi julgado no STF", concluiu o ministro.

Uol notícias

Lula, o favorito


Yasuyoshi Chiba (Foto: AFP)Lula (Foto: Yasuyoshi Chiba / AFP)
Há um intrigante paradoxo em torno da figura de Lula: não viaja em avião de carreira, evita locais públicos e só fala em ambientes restritos à sua militância para evitar a hostilidade pública, de que tem sido alvo desde que exposto pela Lava Jato.
Não obstante, pesquisas eleitorais, como a mais recente, da CNT, o apontam como favorito à presidência da República. Venceria todos os presidenciáveis até aqui conhecidos, de Aécio Neves a Bolsonaro, passando por Marina Silva, Serra, Ciro Gomes e Alckmin.
Ora, alguém que ostenta tal favoritismo deveria, bem ao contrário, enfrentar de peito aberto ruas, aeroportos, restaurantes, estádios de futebol (aos quais Lula, ardoroso torcedor, não comparece desde antes da Copa do Mundo), pois, no mínimo, teria a seu favor a maioria dos circunstantes.
O que se depreende disso? Ou essa maioria mora em outro país (ou planeta) ou simplesmente é fictícia. Mesmo no Nordeste, onde se concentrou, nos idos tempos, o grosso do seu eleitorado, o quadro mudou. Há um vídeo no Youtube que registra uma chegada de Lula ao aeroporto de Fortaleza, pontuada por vaias e palavrões.
Ele próprio havia prometido viajar por todo o país denunciando o “golpe” do impeachment e, ao que parece, mudou de ideia. As poucas viagens que fez foram nos termos acima mencionados: em jatinho particular, com aparições restritas a uma plateia amestrada.
Estranho favoritismo. Há quatro meses, seu partido foi fragorosamente derrotado nas eleições municipais em todo o país. Venceu apenas numa capital, Rio Branco, cujo estado é governado há duas décadas por uma mesma dinastia, a dos irmãos Viana.
Perdeu em toda parte, inclusive no berço petista do ABC paulista. Em São Bernardo, cidade onde mora há décadas - e onde iniciou sua carreira de líder sindical -, não conseguiu emplacar nem sequer um enteado para o modesto cargo de vereador.
O PT definha e vê na ressurreição do mito Lula sua última cartada. Perdido por um, perdido por mil. Prestes a prestar contas à Justiça, réu em cinco processos e sem o guarda-chuva do foro privilegiado, Lula pôs em cena a figura do perseguido político.
Prepara emocionalmente a militância – reduzida, mas ruidosa e violenta – para tornar sua iminente prisão um fator de turbulência pública. Tem a seu favor a simpatia (ou o receio) do próprio presidente Temer, a quem chama de golpista, mas não hesita em estender a mão e a apoiar nos embates dentro do Parlamento.
Em todos os seus pronunciamentos, faz-se de vítima, papel que não dispensava mesmo quando dava as cartas. Nenhuma chance é desperdiçada, nem mesmo, como se viu, o velório de sua esposa, transformado em palanque político. Para contrabalançar essa imagem de fragilidade, cuidadosamente construída, nada como ostentar pesquisas que o mostrem como amado pela população e perseguido pelas elites de sempre. A melhor defesa é o ataque.
A recente pesquisa da CNT – cujo presidente, Clésio Andrade, seu amigo, é investigado também pela Lava Jato - tem a vantagem, como as anteriores, de não precisar comprovar nada.
Não há eleições à vista, nem candidatos lançados, nem o tema está na pauta. O indicador mais recente são as eleições municipais de quatro meses atrás, cujo resultado não chancela o das pesquisas.
Mesmo assim, obtém repercussão na mídia, que a militância reverbera, nas redes sociais, na tentativa de mostrar que as denúncias – e a condição de réu em cinco processos – são inconsistentes, parte de um complô obscurantista para tirar de cena “o melhor presidente que o Brasil já teve”, nas modestas palavras do próprio Lula.
Enquanto isso, o escândalo Odebrecht, que tem o ex-presidente no centro da trama, começa a pipocar em diversos outros países da América Latina. Inclusive na sua Venezuela.

STF pune contribuinte por superlotação de presídios


Decisão, por maioria de votos, de indenizar com dinheiro preso mantido em cadeia sem ‘condições mínimas de humanidade’ cairá sobre quem paga impostos

Editorial O Globo
Guarda uma certa coerência com a cultura de um país em que há uma miríade de bolsas sociais e similares a decisão tomada pelo Supremo, por maioria de votos, na quinta-feira, de estabelecer uma indenização financeira a preso que esteja na cadeia “sem condições mínimas de humanidade”. Por exemplo, com superlotação — a maioria delas.
O veredito foi dado em processo movido por Anderson Nunes da Silva, condenado a 20 anos de prisão por latrocínio (roubo seguido de morte). Nos oito anos passados em regime fechado, na penitenciária de Corumbá, Mato Grosso do Sul — Nunes está em liberdade condicional —, onde não havia as tais condições mínimas de humanidade, ele, devido à superlotação, foi obrigado a dormir com a cabeça no vaso sanitário, alegou.
O primeiro voto a favor de Anderson Nunes foi proferido por Teori Zavascki, recém-falecido, em dezembro de 2014, antes de pedido de vista de Luís Barroso.
No fim do julgamento, quinta, Barroso se opôs à indenização financeira — citou as implicações fiscais —, e, junto com Celso de Mello e Luiz Fux, foi voto vencido, porque sete ministros acolheram a tese do pagamento ao preso, fixado em R$ 2 mil (a presidente do STF, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Rosa Weber, Marco Aurélio e Dias Toffoli).
Para aumentar a ameaça ao caixa do poder público, a decisão tem repercussão geral, ou seja, terá de ser seguida por todos os tribunais.
O desfecho do processo terminou sendo, infelizmente, um exemplo de falibilidade do juiz.
É correta a preocupação de Barroso com o impacto fiscal do veredito. Daí ter proposto redução de pena como indenização básica nesses casos.
Para se ter uma dimensão do número potencial de processos com o mesmo objetivo pecuniário do ex-presidiário de Corumba, considere- se que existem 622 mil presos no país, num sistema penitenciário com apenas 371 mil vagas. Poderão ser, então, dezenas de milhares de indenizações despachadas para estados já deficitários.
Não se defende que a Justiça se omita. O problema é que o único punido com esta decisão é o contribuinte, já sobrecarregado sob a mais pesada carga tributária do bloco dos países emergentes, e uma das mais elevadas do mundo.
O culpado pelas más condições das penitenciárias são governos de estados, onde se encontram os estabelecimentos. Na área federal, são poucas as cadeias.
Recente reportagem do GLOBO revelou que, desde 2007, o governo federal foi forçado a cancelar 72 obras no sistema de penitenciárias.  O recordista é o Rio de Janeiro, com 12 contratos rompidos, que resultariam na criação de 1.499 vagas.
Em seguida, vem o Rio Grande do Sul, com nove contratos. Entre as causas, atrasos, falta de documentos, todos problemas de má gestão.
De tudo resulta que deve nascer mais uma indústria de indenizações, agravando a falta de dinheiro para reforma, ampliação ou construção de cadeias. Um círculo vicioso sem fim.
Cadeia (Foto: Arquivo Google)

17 de fevereiro de 2017

“Levei mala de dinheiro para Lula”

Ex-sócio de Fernando de Arruda Botelho, acionista da Camargo Corrêa morto em acidente aéreo há cinco anos, Davincci Lourenço diz à ISTOÉ que ele foi assassinado e que o crime encobriu um esquema de corrupção na empresa. O ex-presidente petista, segundo ele, recebeu propina para facilitar contrato com a Petrobras

“Levei mala de dinheiro para Lula”
A TESTEMUNHA-BOMBA Davincci Lourenço de Almeida diz que ordem partiu de Fernando Botelho, da Camargo Corrêa
O personagem que estampa a capa desta edição de ISTOÉ chama-se
 Davincci Lourenço de Almeida. Entre 2011 e 2012, ele privou da 
intimidade da cúpula de uma das maiores empreiteiras do País, a

 Camargo Corrêa. Participou de reuniões com a presença do então
 presidente da construtora, Dalton Avancini, acompanhou de perto 
o cotidiano da família no resort da empresa em Itirapina (SP) 
e chegou até fixar residência na fazenda da empreiteira situada
 no interior paulista. A estreitíssima relação fez com que Davincci, 
um químico sem formação superior, fosse destacado por diretores 
da Camargo para missões especiais. Em entrevista à ISTOÉ, 
concedida na última semana, Davincci Lourenço de Almeida narrou 
a mais delicada das tarefas as quais ficou encarregado de assumir 
em nome de acionistas da Camargo Corrêa: o transporte de uma
 mala de dinheiro destinada ao ex-presidente Lula. “Levei uma mala
 de dólares para Lula”, afirmou à ISTOÉ. É a primeira vez que uma 
testemunha ligada à empreiteira reconhece ter servido de ponte para
 pagamento de propina ao ex-presidente.
Ele não soube precisar valores, mas contou que o dinheiro foi 
conduzido por ele no início de fevereiro de 2012 do hangar da
 Camargo Corrêa em São Carlos (SP) até a sede da Morro 
Vermelho Táxi Aéreo em Congonhas, também de propriedade
 da empreiteira. Segundo o relato, a mala foi entregue por 
Davincci nas mãos de um funcionário da Morro Vermelho,
 William Steinmeyer, o “Wilinha”, a quem coube efetuar o 
repasse ao petista. “O dinheiro estava dentro de um saco, 
na mala. Deixei o saco com o dinheiro, mas a mala está comigo
 até hoje”, disse. Dias depois, acrescentou ele à ISTOÉ, Lula foi 
ao local buscar a encomenda, acompanhado por um segurança. 
“Lula ficou de ajudar fechar um contrato com a Petrobras. 
Um negócio de R$ 100 milhões”, disse Davincci de Almeida. 
A atmosfera lúdica do desembarque de Lula na Morro Vermelho
 encorajou funcionários e até diretores da empresa a posarem 
para selfies com o ex-presidente. De acordo com Davincci, depois 
que o petista saiu com o pacote de dinheiro, os retratos foram 
pendurados nas paredes do hangar. As imagens, porém, foram 
retiradas do local preventivamente em setembro de 2015, quando 
a Operação Lava Jato já fechava o cerco sobre a empreiteira. 
Na entrevista à ISTOÉ, Davincci diz que o transporte dos dólares
 ao ex-presidente não foi filho único. Ele também foi escalado para 
entregar malas forradas de dinheiro a funcionários da Petrobras.
 Os pagamentos, segundo ele, tiveram a chancela de Rosana 
Camargo de Arruda Botelho, herdeira do grupo Camargo Corrêa. 
“O Fernando me dizia que a “baixinha”, como ele chamava 
Rosana
 Camargo, sabia de tudo”, disse Davincci.
A imersão de Davincci no submundo dos negócios, não raro, 
nada republicanos tocados pela Camargo Corrêa foi obra de 
Fernando de Arruda Botelho, acionista da empreiteira morto há
 cinco anos num desastre aéreo. Em 2011, Davincci havia virado
 sócio e uma espécie de faz-tudo de Botelho. A sintonia era
 tamanha que os dois tocavam de ouvido. Foi Botelho quem
 lhe disse que a mala que carregava teria como destino final o 
ex-presidente Lula: “A ordem do Fernando Botelho era entregar
 para o presidente. Ele chamava de presidente, embora fosse ex”. 
Numa espécie de empatia à primeira vista, os dois se aproximaram
 quando Arruda Botelho se encantou com uma invenção de Davincci 
Lourenço de Almeida: um produto revolucionário para limpeza de
 aviões, o UV30. O componente proporciona economias fantásticas
 para o setor aéreo. “Com apenas cinco litros é possível limpar tão
 bem um Boeing a ponto de a aeronave parecer nova em folha. 
Convencionalmente, para fazer o mesmo serviço, é necessário
 mais de 30 mil litros de água”, afirmou Davincci.

PARCERIA Botelho (esq) e Davincci (dir) eram sócios na fabricação de produtos para limpeza de aviões
PARCERIA Botelho (esq) e Davincci (dir) eram sócios na fabricação de produtos para limpeza de aviões

Interessado no produto químico 
inventado por Davincci, o UV30,
 Botelho abriu com ele uma 
empresa de capital aberto, 
a Demoiselle Indústria e 
Comércio de Produtos 
Sustentáveis Ltda. 
Na sociedade, as cotas 
ficaram distribuídas da 
seguinte forma: 
25% para Fernando de 
Arruda Botelho, 25% para
 Rosana Camargo de
 Arruda Botelho, herdeira do grupo Camargo Corrêa, 25% para 
Davincci de Almeida e 25% para Alberto Brunetti, parceiro do químico
 desde os primórdios do UV30. Pelo combinado no fio do bigode, o 
casal Fernando e Rosana entraria com o dinheiro. Davincci e Alberto,
 com o produto. Em janeiro de 2012, a Camargo Corrêa lhe propôs o
 encerramento da empresa. Simultaneamente, a construtora, segundo
 a testemunha, fez um depósito de US$ 200 milhões nos Estados 
Unidos, no Bank of América, em nome da Demoiselle. O dinheiro tinha
 por objetivo promover o produto no exterior e fechar parcerias com a 
Vale Fertilizantes, Alcoa, CCR, e outras empresas interessadas na 
expansão do negócio. A operação intrigou Davincci. Mas o pior ainda 
estaria por vir.

76Acidente ou assassinato?
As negociatas também foram reveladas em depoimento ao promotor
José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, que ouviu
 Davincci em quatro oportunidades. Blat encaminhou os depoimentos
 à força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba. À ISTOÉ, o 
promotor disse acreditar que a Camargo Corrêa possa ter usado
 Davincci como “laranja”. Outro trecho bombástico da denúncia de 
Davincci à ISTOÉ, reiterado ao Ministério Público, remonta ao 
acidente fatal sofrido pelo empresário Fernando Botelho no dia 
13 de abril de 2012, durante um voo de demonstração, a bordo de 
um T-28 da Segunda Guerra Mundial, a empresários africanos, com 
os quais o acionista da Camargo havia negociado o UV30 em 
viagem à África dias antes. Segundo Davincci, Botelho foi 
assassinado. O avião, de acordo com ele, foi sabotado numa
 trama arquitetada pelo brigadeiro Edgar de Oliveira Júnior, assessor
 da Camargo e um dos gestores das propriedades da empreiteira.
 Conforme o depoimento, convencido de que o brigadeiro havia lhe
 dado um aplique, depois de promover uma auditoria interna, Botelho 
o demitiu na manhã do acidente durante uma tensa reunião, regada
 a gritos, socos na mesa e bate-bocas ferozes, testemunhada por
 diretores da Camargo. “O Fernando foi assassinado e o crime 
tramado pelo brigadeiro Edgar. O avião foi sabotado”, assegura 
o químico.
Uma sucessão de estranhos acontecimentos que cercaram a
 tragédia chamou a atenção do Ministério Público. Por exemplo: 
o caminhão de bombeiros comprado por Botelho exatamente para
 atender a eventuais emergências no aeródromo de sua propriedade
 estava trancado no hangar. “Tive que jogar meu carro contra a porta
 para estourar os cadeados. Peguei o caminhão e fui para o local. 
Ao chegar lá, as chamas estavam tão altas que não pude chegar
 muito perto”, afirmou Davincci. Mas o então sócio de Arruda Botelho 
]se aproximou o suficiente para conseguir resgatar o GPS, que havia
 se descolado da parte externa da aeronave. Porém, o aparelho, 
essencial para municiar as investigações com informações sobre o 
voo, não pôde ser conhecido pelas autoridades, segundo Davincci,
 a pedido do brigadeiro Edgar. “Ele tomou o aparelho das minhas 
mãos, dizendo que poderia ficar ruim para a família se 
entregássemos à investigação, e ainda me obrigou a mentir
 num primeiro depoimento à delegacia”. Com a morte de Fernando
 de Arruda Botelho, o brigadeiro acabou não tendo seu desligamento
 da empreiteira oficializado. Já o ex-sócio, desde então, enfrenta um
 calvário. “Sofri 11 ameaças de morte”, contou.
Motivado pelos depoimentos de Davincci, o caso que havia sido
 arquivado pela promotora Fernanda Amada Segato em março de
 2013 foi reaberto em setembro do ano passado por ordem da 
promotora Fábia Caroline do Nascimento. As novas investigações 
estão a cargo do delegado José Francisco Minelli. “Estou na fase 
da oitiva das testemunhas”, disse à ISTOÉ o delegado. Dois dos 
quatro irmãos de Fernando de Arruda Botelho, Eduardo e José 
Augusto, suspeitam de que pode ter havido mais do que um 
acidente. “Vou ajudar a descobrir a verdade sobre o que aconteceu. 
Mas um conhecido ligado ao Exército procurou meu irmão 
(José Augusto) para dizer que estavam convencidos que não foi 
acidente”, disse Eduardo Botelho em mensagem, ao qual ISTOÉ 
teve acesso, enviada em janeiro para Davincci.78
Irmão de Botelho atesta relato
Por telefone, de sua fazenda em Itirapina, Eduardo Botelho revelou 
à reportagem de ISTOÉ comungar dos indícios apontados pelo
 ex-sócio do irmão morto em 2012. “O nível de nojeira da equipe
 que comandava os negócios do meu irmão era muito grande. 
Tudo o que aconteceu naquele dia do acidente aéreo foi 
estranhíssimo. Meu irmão estava sendo roubado. Como ele 
não tinha controle do que acontecia com o avião, ele pode ter
 sido sabotado sim. Era fácil sabotar o avião. Ele era da Segunda
 Guerra. Podem ter mexido no avião no dia da queda”, disse 
Eduardo Botelho. “Se ele não tivesse morrido naquele dia, iria
 fazer uma limpeza gigantesca nas fazendas da Camargo”, 
asseverou o irmão, que rompeu relações com Rosana Camargo, 
a viúva, há algum tempo. “Uma máfia cercava meu irmão. 
Como pode um gerente de fazenda que ganha R$ 4 mil 
comprar quatro casas num condomínio fechado em São Carlos?”,
 perguntou Eduardo. Sobre Davincci, confirmou que ele e seu irmão
 eram realmente muito próximos e que, desde a morte de Fernando
 de Arruda Botelho, os antigos sócios dedicam-se a tentar tomar a 
empresa dele. “Ele (Davinci) morou na minha casa aqui na fazenda. 
Meu irmão dizia que eles iriam fazer chover dinheiro com o produto.
 Depois que meu irmão morreu, tentaram quebrar a patente,
 criaram outras empresas similares à Demoiselle.
 Tudo para tirá-lo da jogada”, confirmou.
73
Uma das empresas às quais
 o irmão do ex-acionista da 
Camargo se refere está
 sediada em São Paulo. 
No endereço mora Rosana,
 a bilionária herdeira da 
segunda maior construtora 
do País, que, por meio de 
seus advogados, se disse
 alvo de “crimes de calúnia, difamação e injúria por parte de Davincci”. 
“Ele responde a diversas ações judiciais, já tendo sido obrigado pela
 Justiça a cessar a divulgação de ameaças”, afirmou o advogado 
Celso Vilardi. A Muniz e Advogados Associados, que também 
representa a Camargo Corrêa, diz que Edgard de Oliveira Júnior,
 em razão dos desentendimentos entre os sócios, deixou 
espontaneamente a sociedade que mantinha com Davincci. 
“A empresa foi dissolvida, liquidada e a patente colocada à 
disposição”, afirma. Procurada para confirmar a negociação
 intermediada por Lula, conforme depoimento de Davincci, no 
valor de R$ 100 milhões, a Petrobras não respondeu até o
 fechamento desta edição. William Steinmeyer, da Morro 
Vermelho, confirma que conhece Davincci (“um cara excêntrico”),
 mas jura que não recebeu qualquer encomenda dele.

acrobacias interrompidas Fernando Botelho pilotava seu aviâo da Segunda Guerra quando bateu num barranco e explodiu
ACROBACIAS INTERROMPIDAS Fernando Botelho pilotava seu avião da Segunda Guerra quando bateu num barranco e explodiu

Desde o último mês, a 
empreiteira se prepara 
para incrementar sua 
delação premiada ao
 Ministério Público
 Federal. As novas – e 
graves – revelações, 
trazidas à baila por ISTOÉ, 
deverão integrar o glossário
 de questionamentos aos 
executivos da empreiteira
 pelos procuradores da Lava Jato.
ISTOÉ
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