Por
mais que não concordemos com muitas práticas e posicionamentos
doutrinários de muitos grupos Neo-Pentecostais, que distoam tanto dos
ideais da Reforma Protestante que já são considerados um fenômeno
completamente novo e inédito, sem nenhuma ligação histórica com o evento
do século XVI, uma coisa não podemos negar: o poder de transformação
social que esses grupos possuem. São milhares de jovens libertos do
poder das drogas e da criminalidade. Aonde quer que andemos, por mais
inóspita que seja a comunidade, ali, certamente, existe uma dessas
igrejas. Não tem nada haver com espiritualidade ou mesmo salvação de
almas. O governo deveria ser um dos maiores incentivadores dessas
igrejas, pois elas conseguem fazer muitíssimo mais pela diminuição da
violência urbana que os poderes constituídos em todas as suas esferas. A
equação é bem simples: para cada jovem e adolescente que entra nessas
igrejas, teremos um traficante ou usuário de entorpecentes, no mínimo em
potencial, a menos. Em algumas comunidades carentes, onde a ausência do
Estado chega a 100%, essa é uma das únicas formas de não se envolver
com a criminalidade.
Recentemente a revista "Isto é" publicou uma extensa matéria sobre esse assunto. Veja o isento testemunho do repórter:
"O púlpito da igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias (Adud) era o
centro das atenções. Diante de 800 pessoas humildes, o líder e fundador
da congregação, o pastor Marcos Pereira, esconjurava o demônio, como faz
todo sacerdote evangélico, em uma quarta-feira de janeiro. Em
determinado momento, o religioso deu uma pausa e conclamou, ao
microfone: “Peço aos criminosos convertidos que estão aqui para vir ao
palco fazer uma foto para a revista ISTOÉ”. De repente, como em uma
romaria, homens começaram a se levantar de todos os lados da igreja e a
andar em direção ao pastor. Na tropa de mais de 50, alguns chamavam a
atenção por serem ainda adolescentes. Todos são ex-assassinos,
traficantes, drogados ou ladrões transformados, hoje, em pessoas com
aparência inofensiva e sempre dispostas a falar de Cristo [...]. Pelas
contas de Marcos Pereira, 53 anos, ele e seus missionários – entre os
quais o ex- pagodeiro Wagner Dias Bastos, o Waguinho, exvocalista do
grupo “Os Morenos” e hoje braço direito do pastor – já recuperaram mais
de cinco mil bandidos e viciados nos últimos 20 anos. Alguns eram
famosos e temidos chefões do tráfico, como José Amarildo da Costa, o
Maílson do Dendê, que, junto com o irmão Milton Romildo Souza da Costa, o
Miltinho do Dendê, chefiou o crime organizado na Ilha do Governador,
nos anos 90. “O Rio de Janeiro não está pior graças a mim”, exagera o
pastor, no seu estilo sensacional e sensacionalista. Mas é fato que é o
único a entrar com seus obreiros em lugares tão perigosos que a própria
polícia só incursiona após um planejamento prévio. Em contato com os
bandidos, Pereira consegue, muitas vezes, convencê-los a trocar o fuzil
pela Bíblia":
ttp://www.istoe.com.br/reportagens/paginar/46147_O+PASTOR+DOS+BANDIDOS/5
Esses grupos atribuem o resultado desse importante trabalho a fatores
espirituais e à intervenção direta de Deus, que age por intermédio de
seus líderes. Trata-se, segundo eles, de poder concedido por Deus.
Obviamente que essa é uma análise feita com a paixão de quem está imerso
nessa realidade religiosa. Se isso é verdade, ou seja, se esses grupos
têm, de fato, um poder extraordinário e sobrenatural concedido pelo
próprio Deus, para realizar tamanha façanha e que os tornam "poderosos e
diferentes", terão que concordar também que não são "poderosos e
diferentes" sozinhos.
Outros grupos também têm realizado trabalho "exatamente semelhante" na
área social, de recuperação de viciados, inclusive, a exemplo dos
"espíritas", "mórmons" e do "AA-Alcóolicos Anônimos", "Afro Hegee" e
tantas outras ong's. Mas claro que os neopentecostais jamais concordarão
que Deus, igualmente, habilita esses outros grupos a realizarem tal
obra.
Fica o desafio para nosso leitor: o que torna possível esse tipo de trabalho? Dê sua opinião.
Em última análise, não importa a motivação. Que continuem fazendo o que
estão fazendo. Que o pastor Marcos, apóstolo Estevam Hernandes e tantos
outros continuem "salvando" milhares e milhares de jovens do mundo das
drogas e da criminalidade e, consequentemente, dando grande contibuição
para a diminuição da violência. O Brasl agradece, nós agradecemos.
Contudo, a "salvação de suas almas é outra história". Uma coisa não tem
nada a ver com a outra! Essas igrejas estão longe; muito longe da
pregação do genuíno evangelho de Cristo. Única forma de regenerar e
salvar a alma do pecador.