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29 de março de 2012

SOBRE REIS, PROFETAS E SACERDOTES


(NÃO TOQUEIS NOS MEUS UNGIDOS, PARTE 2)

No afã de se tornarem imunes a qualquer questionamento ou crítica, muitos “homens de Deus” dos nossos dias abrem suas bocas de forma presunçosa e antibíblica para reivindicar seus direitos de intocabilidade, admoestando seus opositores a que “não toquem nos ungidos do Senhor!” e vociferando pragas e maldições contra quem se atreve a desobedecer à orientação “bíblica”. Aqui em João Pessoa, aonde moro, a mais recente ocorrência foi a de um pastor que, segundo divulgado e corrido à boca miúda, abandonou a esposa e “casou-se” com uma jovem de 16 anos. Como está todo mundo “caindo em cima”, há poucos dias ele subiu ao púlpito de sua igreja para defender o indefensável e exigir o respeito e a imunidade de ungido que acredita possuir. 

Estes “neoungidos” são muito engraçados! Eles se enxergam como ungidos do Senhor, nos moldes da unção ministrada aos primeiros reis de Israel, e graças a esta suposta unção e ao fato de se acharem igualmente reis e sacerdotes da Igreja, julgam-se superiores aos profetas e intocáveis em tudo. Acham que podem pisar na Bíblia, deturpar a sã doutrina e fazer o que bem lhes der na telha. Além de tudo isso, ainda se recusam a ser admoestados ou questionados, como se uma unção do alto lhe concedesse esta prerrogativa de intocabilidade. Será??

Cada macaco no seu galho, certo? Então, é necessário conhecer as três funções ministeriais, que iniciaram no Antigo Testamento e perduram até os dias de hoje do ministério da Igreja na Nova Aliança: profetas, sacerdotes e reis.

OS PROFETAS ― O primeiro ministério criado por Deus em Seu reino foi o ministério profético. Muito antes do estabelecimento da Antiga Aliança Deus já tratava Abraão como profeta, divulgando isto entre as nações (Gn 20:7). Aliás, o texto “não toqueis nos meus ungidos e não maltrateis os meus profetas” trata exatamente dos patriarcas, que necessitavam da proteção de Deus para a sua sobrevivência e para a formação de um povo. Quando Deus fala a Moisés que ele, Moisés, seria diante de Faraó como Deus e Arão como seu profeta (Ex 7:1) mostra que o profeta é uma espécie de porta-voz de Deus. O porta-voz jamais fala suas próprias palavras, e sim repete as palavras de Deus em linguagem compreensível ao povo, muito diferente de muitos “profetas” de hoje, que falam coisas arrogantes, coisas que Deus não mandou falar e que contrariam frontalmente os princípios da Palavra de Deus. Some-se a isto os controversos "atos proféticos", onde o homem profetiza o que bem quer, segundo a sua própria vontade, como se a profecia fosse um ato humano sobre as quais Deus tem que concordar, e não um mero repetir das palavras ditas por Deus!

Na igreja, o ministério profético perdura como um dom do Espírito Santo (1 Co 12:8-11; 12:29) ou como um ministério de chamada da Igreja à observância da Palavra (Ef 4:11). Seu ministério se revela no âmbito espiritual, através da revelação do Espírito Santo acerca de coisas futuras (At 11:28; At 21:10-11), ou no âmbito ministerial, no aspecto de corrigir erros e distorções em relação às Escrituras (Gl 2:11; At 8:18-24). Há outros aspectos, mas que não trataremos neste artigo.

Se observarmos que os profetas do AT geralmente profetizavam o arrependimento do povo, sua volta à prática daquilo que Deus determinou em Sua Palavra com regra de vida, conduta e prática, podemos considerar que tal ministério na Igreja não perdeu a característica apologética. Assim, aqueles a quem Deus concedeu o conhecimento das Escrituras e a intrepidez para defender a sã doutrina é um profeta de Deus na defesa da Palavra.

OS SACERDOTES ― O ministério sacerdotal foi criado com o advento da Antiga Aliança. Arão e seus descendentes foram escolhidos por Deus para ministrarem todos os ofícios de mediação entre os homens e Deus. Com o advento de Jesus Cristo, que embora não fizesse parte do ministério levítico tornou-se sacerdote e mediador da Nova Aliança, Ele se tornou o ÚNICO mediador entre Deus e o homem (1 Tm 2:5), de sorte que nenhum sacerdócio, por melhor ou mais privilegiado que seja, pode exigir a prerrogativa que pertence unicamente ao Filho de Deus. Quando Deus, pelos méritos da Nova Aliança em Cristo Jesus, nos constituiu sacerdotes (Ap 1:6; 5:10), eliminou a necessidade de sacerdotes no meio da Igreja. Os pastores não são sacerdotes no sentido de mediação; são apenas guias do rebanho, aqueles que Deus designou para cuidar das ovelhas dEle e procurar desenvolver em cada uma delas o ministério sacerdotal que Deus deu a todos.

OS REIS ― O ministério real se aplica a pessoas especiais, escolhidas e ungidas por Deus para governar o Seu povo. Seria, a grosso modo, o pastor da Igreja, que é posto diante do povo para administrar, conduzir e ensinar o povo como devem viver, aos moldes da Palavra de Deus. É a pessoa que Deus colocou para zelar pela observância das Escrituras. Se observarmos a vida de muitos reis, vemos que Deus os ungiu e colocou em evidência para que pudessem preservar a observação da Palavra de Deus. Saul foi rejeitado após desobedecer à Palavra, mesmo que com a melhor das intenções (1 Sm 15:12-31). Logo, é fácil compreender o dito popular que afirma que “de boas intenções o inferno está cheio”. Não foi dado ao rei o direito de ter boas intenções, e sim o dever de zelar pelo cumprimento da Palavra do Senhor. Eis o grande problema. Nem todos querem se submeter aos reais propósitos ministeriais de ungido...

ENTENDENDO AS COISAS ― Com o advento da Nova Aliança, as coisas mudaram! A Escritura afirma que Deus constituiu os crentes como reis e sacerdotes (Ap 1:6; 5:10), e a alguns como profetas (Ef 4:11; 1 Co 12:28-31).

Num sentido mais contextualizado das coisas, comparando estes três ministérios aos poderes da República, Deus é o poder legislativo (o único que pode ditar leis e normas, e que já o fez através das Escrituras), o rei seria o presidente (poder executivo), os sacerdotes e os profetas seriam o poder legislativo no sentido de fiscalização dos atos do executivo, e nunca no âmbito de criar novas leis e normas para o povo de Deus. Só Ele tem esta prerrogativa!

Se analisarmos as funções no Antigo Testamento, vemos que cada ministério tem a sua abrangência, e se completam entre si. Além do mais, um não pode ministrar as obras dos outros, e ao mesmo tempo um depende dos outros, e aos outros deve estar submisso 

Vejamos: o rei Saul foi reprovado por ter apresentado sacrifícios a Deus, que era da exclusiva competência de Samuel, juiz (precursor dos reis), profeta e sacerdote naquele conturbado período de transição entre o ministério dos juízes e a implantação da monarquia (1 Sm 13:8-14). O rei Urias foi severamente repreendido porque queria fazer a ministração sacerdotal, e por causa desta desobediência foi ferido com lepra (2 Cr 26:16-21). 

É interessante observar que NENHUM rei em Judá ou Israel, exceto Saul (1 Sm 10), Davi (1 Sm 16) e Jeú (1 Rs 19:16), foram ungidos. Estes três e suas unções são razão de um outro artigo, mas posso adiantar que a unção de Saul e Davi se deu em função da transição entre o ministério de Samuel e a implantação do reino (inclua-se aí a rejeição de Saul e a eleição de Davi), e a de Jeú como quebra de uma dinastia em Israel e a aniquilação da casa de Acabe.

Também é bom entender que não é somente o rei que é ungido do Senhor. Tanto os profetas quanto os sacerdotes também detêm a mesma unção divina, e jamais podem ser considerados inferiores aos primeiros. Ou seja: reis, vocês não podem se considerar os únicos ungidos do pedaço! O primeiro passo para que a unção real seja aceita em vocês, é o reconhecimento da unção existente nos profetas e sacerdotes!

Analisando o ministério real em comparação com os ministérios sacerdotal e profético, vemos que o rei está sempre sujeito à repreensão destes dois representantes de Deus. Ele não é mais “ungido” que o profeta ou que o sacerdote, e nem a sua unção lhe concede qualquer prerrogativa de intocabilidade ou infalibilidade.

Vejamos a relação entre os reis e os profetas: Saul, embora intocável, foi repreendido diversas vezes por Samuel, foi ameaçado de perda do reino. Davi, homem segundo o coração de Deus, foi duramente repreendido por Natã quando cometeu adultério e homicídio.

E a relação entre sacerdotes e reis? Não é diferente. O sacerdote Aquimeleque ergueu sua voz e questionou o rei Saul (1 Sm 22). O rei Uzias foi repreendido pelo sumo sacerdote Azarias, e com ele mais oitenta sacerdotes do Senhor (2 Cr 26:16ss), que o repreenderam pelo fato de, engrandecendo-se, querer suplantar a Palavra de Deus.

Ou seja: de onde foi que os "reis da cocada preta do Século XXI" tiraram a ideia que profetas e sacerdotes não podem questioná-los, repreendê-los, confrontá-los, SEMPRE à luz das Escrituras, como faziam os profetas e sacerdotes antigos?

Assim, é possível compreender e contextualizar para nossos dias as palavras de Jesus Cristo: "Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios (teólogos, ou defensores da sã doutrina apostólica) e escribas (blogueiros?); e, a uns deles, matareis e crucificareis; e a outros deles, açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis, de cidade em cidade" (Mt 23:34 - parênteses meus). Os "reis da igreja" continuam a fazer hoje o mesmo que já faziam seus ancestrais do tempo do Mestre!

Dá para compreender claramente que o pastor (ou o rei, como queiram!), embora ungido de Deus, nem é o único ungido da igreja, nem detém a melhor ou mais importante unção e nem esta unção o torna imune às críticas, sempre que a sua conduta se afastar dos princípios da Palavra do Senhor. Portanto, amado pastor, submeta-se ao ministério profético e sacerdotal existente na igreja, antes que, como fez a Saul, o Senhor rasgue de ti o reino que tu PENSAS que é teu!


Zilton Alencar (45) mora em João Pessoa – PB. Casado com Chirley Alencar, é músico, programador, webdesign e servo de Deus. É também colunista deste blog às quintas-feiras, e esporadicamente em seu blog pessoal, o BLOG DO ESQUIZILTON.

4 comentários:

disse...

Pare de falar contra os ungidos do sinhô Zilton?? Serás amaldiçoado. rssss

disse...

Benção pura o artigo. Deus seja contigo!

Fábio José Lima disse...

Graça e Paz Zilton,

Em primeiro lugar gostaria de dar os parabéns pelo post, tenho acompanhado, sempre que possível, sendo esta a primeira vez que comento um post seu.

Com relação ao post, vejo que as pessoas devem ter mais cuidado é com a forma e o lugar com que vão tratar o assunto. O problema não é no falar ou não falar sobre isso ou aquilo e sim como e onde falar.

Tomemos como exemplo o que você citou do Pastor em João Pessoa, qual o local apropriado para se falar? A Igreja em que ele é membro. Entre quem? Entre os membros da Igreja que ele é Pastor. De que forma? Na forma que consta na Bíblia e no Estatuto da Igreja, não é mesmo? O que eu tenho a ver com o problema deles? Nada, não é mesmo? Assim como eles não têm nada a ver com os problemas que existem na Igreja que eu me congrego, não é mesmo?

Para mim, é assim que devemos encarar qualquer desvio de conduta seja de líderes, seja de membros. Ninguém é melhor que ninguém, não existem privilégios ou imunidades. Nada de operação abafa, nada de protecionismos ou corporativismo, mas tudo deve ser tratado entre os verdadeiros interessados.

Não estamos nesse mundo para sermos Juízes de ninguém, nossa função é pregar a Palavra de Deus, não podemos concordar com o pecado, nem com desvios doutrinários, devemos combater as condutas e não as pessoas, devemos refutar argumentos, mostrando a verdade e não denegrir e humilhar pessoas.

Antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que coloquei minha opinião, não estou afirmando que o post está fazendo juízo de valor acerca de ninguém, ok?

Fica na Paz!

Pb Fernando disse...

Que bom irmão que o nosso Deus está abrindo os olhos de seu povo. Aqui em Macau-RN está havendo uma conciência no que concerne a esse falso ensinamento.

Que Deus te abençoe!

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