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3 de junho de 2011

Olhando-nos com os olhos de Omodo



Walter A. Trobisch (in "O Evangelho e a diversidade das culturas" - um guia de antroplogia missionária, Paul G. Hiebert).


Em uma de minhas viagens fui até uma igreja africana onde ninguém me conhecia. Depois do culto, conversei com dois rapazes que também estavam lá.

- Quantos irmãos você tem? - Perguntei ao primeiro.
- Três.
- Eles são da mesma mãe?
- Sim, meu pai é cristão.
- E você? - perguntei ao outro rapaz.

Ele hesitou. Estava somando mentalmente, e logo vi que ele vinha de uma família poligâmica.

- Somos nove. - Ele disse finalmente.
- Seu pai é cristão?
- Não, ele é polígamo. - Foi a resposta típica.
- Você é batizado?
- Sim, e meus irmãos e irmãs também. - Acrescentou orgulhosamente.
- E as mães?
- Todas as três são batizadas, mas só a primeira toma Ceia.
- Leve-me até seu pai.

O rapaz me levou até um complexo com muitas casas. Exalava uma atmosfera de limpeza, ordem e riqueza. Cada esposa tinha sua própria casa e sua própria cozinha. O pai, um senhor de meia-idade, de boa aparência, alto, gordo, que impressionava, me recebeu sem constrangimento e com aparente alegria. Achei Omodo, como o chamaremos, uma pessoa bem-educada, animada e inteligente, com um senso de humor sagaz e raro. A principio ele não se desculpou por ser polígamo, tinha orgulho daquilo. Permitam-me tentar explicar aqui a essência do conteúdo de nossa conversa daquele dia, que durou muitas horas.

- Seja bem-vindo à casa de um pobre pecador! - As palavras foram acompanhadas por uma generosa risada.
- Parece um rico pecador. - Retruquei.
- Os santos raramente aparecem neste lugar, - ele disse -, não querem ser contaminados pelo pecado.
- Mas eles não tem medo de receber suas esposas e seus filhos. Eu os encontrei na igreja.
- Eu sei. Dou a cada um uma moeda para o gazofilácio. Acho que financio metade da renda da igreja. Estão felizes em receber meu dinheiro, mas não me querem. 

Sentei-me pensando silenciosamente. Depois de um instante ele continuou. 

- Tenho pena do pastor. Recusando a aceitar todos os homens polígamos da cidade como membros da igreja, deixou seu rebanho pobre e precisará sempre de subsídios da América. Ele criou uma igreja de mulheres, a quem todos os domingos ele diz que a poligamia é errada.
- Sua mulher não ficou triste quando você tomou uma segunda esposa? 

Omodo olhou-me quase com pena. 

- Foi o seu dia mais feliz. - Ele disse finalmente.
- Conte-me o que aconteceu.
- Bem, um dia depois de chegar a casa, vindo do jardim e de cortar lenha e buscar água, ela estava preparando o jantar enquanto eu me sentava em frente da casa e a observava. De repente ela se virou e zombou de mim. Me chamou de “homem pobre” porque tinha uma mulher só. Ela mostrou a esposa do vizinho que podia cuidar dos filhos enquanto a outra fazia a comida.
- Homem pobre. - Repetiu Omodo. Posso aguentar muita coisa, mas isso não. Tive que admitir que ela estava certa e que precisava de ajuda. Ela havia escolhido uma segunda esposa para mim, e estavam-se dando bem. 

Olhei ao redor e vi uma mulher jovem e bonita, com uns 19 ou 20 anos, vindo de uma das cabanas. 

- Foi um sacrifício para mim. - Omodo comentou. Seu pai exigiu um preço muito alto por uma noiva.
- Você quer dizer que a esposa que o fez se tornar um polígamo é a única da sua família que toma a Ceia?
- Sim, ela contou ao missionário a dificuldade que tinha de compartilhar o amor do marido com outra mulher. Segundo a igreja, minhas esposas não são consideradas pecadoras porque cada uma delas só tem um marido. Eu, o pai, sou o único pecador de nossa família. Como a Ceia do Senhor não é oferecida a pecadores, sou excluído dela. O senhor entende isso, pastor?

Eu estava totalmente confuso.

- E veja só, - continuou Omodo -, todos estão orando por mim para que eu possa ser salvo do pecado porque não concordam sobre qual pecado devo ser salvo.
- O que quer dizer?
- Bem, o pastor ora para que eu não continue no pecado da poligamia. Minhas esposas oram para que eu não cometa o pecado do divórcio. Fico pensando qual oração é ouvida primeiro.
- Então suas esposas têm medo de que você se torne cristão?
- Têm medo de que eu me torne um membro da igreja. Deixemos isso de lado. Para mim há uma diferença. Veja só, elas podem ter relações íntimas comigo enquanto eu não pertencer à igreja. No momento em que eu me tornar membro da Igreja, suas relações matrimoniais comigo se tornarão pecaminosas.
- Não gostaria de se tornar membro da igreja?
- Pastor, não me leve à tentação! Como posso me tornar um membro da igreja se isso significa desobedecer a Cristo? Cristo proíbe o divórcio, mas não a poligamia. A igreja proibe a poligamia, mas aceita o divórcio. Como posso me tornar membro da igreja se desejo me tornar um cristão? Para mim só há um caminho, ser cristão sem igreja.
- O senhor alguma vez falou com seu pastor sobre isso?
- Ele não ousa falar comigo porque sabe tão bem quanto eu que alguns dos seus diáconos têm uma segunda esposa às escondidas. A única diferença é que eu sou honesto, e eles, hipócritas.
- Algum missionário já conversou com o senhor?
- Sim, uma vez. Eu lhe disse que com o alto índice de divórcio ma Europa, eles têm apenas uma forma sucessiva de poligâmia enquanto nós temos uma poligamia simultânea. O resultado? Ele nunca mais voltou.

Fiquei estarrecido. Omodo me acompanhou até a aldeia. Evidentemente ele ficou feliz por ter sido visitado por um pastor. 

- Mas me diga, por que você tomou uma terceira esposa? - Perguntei-lhe.
- Eu não a tomei. Herdei-a de meu último irmão, incluindo seus filhos. Na verdade, meu irmão mais velho teria sido o próximo na linhagem. Mas ele é um ancião (presbítero). Não lhe é permitido pecar dando segurança a uma viúva.
Olhei nos seus olhos. - O senhor quer se tornar cristão?
- Eu sou cristão. Omodo disse sem sorrir.

Enquanto eu andava lentamente pelo caminho veio-me à mente este versículo: “Guias cegos! Que coais o mosquito e engolis o camelo”.

O que significa ser responsável por uma congregação como a de Omodo? Lamento não ter encontrado com Omodo novamente porque eu o conheci numa viagem. Apenas contei a essência de nossa conversa porque ela contém resumidamente as principais atitudes dos polígamos para com a igreja. Sempre é muito saudável nos vermos com os olhos dos outros.

Perguntei-me: o que teria feito se fosse o pastor na cidade de Omodo?

Casal 20

20 comentários:

disse...

Muito bom, seu texto. Ótimo.

Isso é um choque cultural.
Bom, Deus nunca foi a favor da poligamia.

Ele tem razão quando ele diz que sua poligamia é cultutral mas o divorcio é uma poligamia hipócrita do ocidente, os pastores se utilizam do que diz em Mateus E dizem que foram traídos para trocar uma mulher de 40 por uma de 20, então o Divórcio é uma poligamia disfarçada SÃO HIPÓCRITAS. Se eu fosse o pastor faria como Paulo que se fez de fraco para ganhar os fracos, o receberia na igreja ele passaria a fazer parte do corpo, até porque ele é inocente e não deve abandonar nenhuma das famílias, mas toda a sua familia tem que ter a compreensão da monogamia exigida por Deus. Ou seja, sua posteridade terá um casamento monogâmico sem pressão do patriarca ou matriarca, pois já terão pleno conhecimento do que realmente Deus quer para vida deles.
Este pastor aí SÓ A MISERICÓRDIA, pois aceita o dinheiro por igual das três, mas as trata com diferença pois só uma toma ceia, e abomina o dono do dinheiro. Brincadeira né??

Cláudio Nunes Horácio disse...

Karakas!

Casal 20 disse...

Rô, bárbaro!!!

Você está me saindo uma antropóloga de mão cheia!

Parabéns!

Exato! Além de uma sábia conselheira para assuntos de casamento, teologia, política, agora, também, uma mulher sábia na área da antropologia cultural aplicada.

Eu e a Lu gostamos muito da sua resposta. Principalmente, porque você ressaltou a maior denúncia na visão do Omodo: a poligâmia disfarçada na série de divórcios e casamentos do Ocidente.

Abraços sempre afetuosos.

Pastor Ladislau disse...

O dia que a igreja lagar de ser hipócrita, e entender qual é a missão dela que é pregar as boas novas e deixar Deus tratar com as conseqüências do pecado na vida das pessoas, e perpetuado pela cultura, ela vai sempre se mostrar mais hipócrita que o próprio mundo. a igreja não é preparada para essas situações. A igreja tem que dar o remédio(evangelho) e deixa-lo fazer efeito mas ela não sabe disso. A igreja acha que o trabalho dela é transformar o mundo em um mundo segundo o ideal de Deus, mas se esquece que nenhum de nós estamos encaixados no ideal de Deus, somos recebidos pela graça. O mundo jaz no maligno e todos nascemos sob pecado mesmos aquele que não pecaram como o mundo peca. Entre a vontade permissiva de Deus e o seu ideal temos ainda muito chão para caminhar e o ideal de Deus só será possível depois da volta de Jesus, no novo céu e a nova terra que será o ideal de Deus o fundamento pra essa cidade. A igreja quer mudar o mundo mas essa não é sua missão. Que grande lição Omodo deu a igreja

disse...

Rss Fabio meu marido disse que virei quebra galho, e 3/1 rss. Tento resolver tudo rss. Adorei seu texto Fabio. Paz

Maninho Claudio é tremendo o texto dele né?? Paz

Pr. Ladislau concordo com senhor, plenamente. Paz

Eduardo Medeiros disse...

amigo, se eu e você tivéssemos nascido numa cultura poligâmica, polígamos seríamos...tudo é cultura. e até nós, ocidentais que não temos a poligamia como cultura, "polígamos somos" como disse o omodo...o maior erro do cristianismo missionário é querer que todo mundo de toda tribo, lingua e nação se adeque ao modo moral de ser cristão ocidental(de preferência norte-americano)

e é claro que eu não acredito que deus não goste da poligamia. todos os grandes heróis da fé do antigo testamento o foram, espelhando evidentemente, a cultura da época. até na lei que deus deu a moisés está contemplado a poligamia. esse costume só foi ser alterado bem depois dos tempos patriarcas e se deu pela evolução natural dos hábitos humanos. deus até mandou oséias se casar com uma prostituta, imagina se ele seria contra a poligamia. ..mas é verdade que o profeta também disse que ele "odeia o divorcio..."

ou seja, os narradores bíblicos, principalmente os mais antigos, espelham em deus seus próprios costumes. isso é assim até hoje.

eu não entendo como alguém pode imaginar que deus tenha moral do jeito que nós a temos. "ele não gosta da poligamia"; "ele odeia o divórcio", "ele não gosta da homoafetividade", "ele não gosta de masturbação nem de sexo antes do casamento"...

desculpem-me, mas essa ideia de deus é aviltante para mim. como deus pode ser moral como nós somos se ele mesmo não pode exercer a moralidade que supostamente nos pede? quando foi que deus nos deu o exemplo de ser monogâmico? de não fazer sexo antes de casar?

enfim, casal 20, seu texto ilustra o que eu estou querendo dizer mas sei, claro, que mais uma vez serei chamado de herege....kkkkkkkkkkkk

o amor cobre uma mulditão de heresias...rs

beijos rô

Kecia disse...

Complicado...

Cada igreja tem que saber muito bem as questões culturais do pais onde pretente mandar missionários.

Pra não sair gerando pecadores e excluídos.

Thuany Sales disse...

Parabéns pelo blog e o conteúdo, estou lhe seguindo . se puder depois de uma passadinha no meu e se gostar e quiser me seguir agradeço ^^, fica com Deus

Casal 20 disse...

As culturas, como muito bem disse o Edu, manifestam os nossos gostos e projeções, mas também nossos pecados, angústias e depravações.

Jo 8 é um bom exemplo de Jesus atuando contra a cultura: hipocrisia e machismo são traços culturais presentes em quase todas as culturas do mundo. E Jesus se opôs a eles. Jesus se opôs aos demônios e à falta de fé também, elementos presentes em quaisquer culturas. Jesus se opôs à morte e à traição, às soberbas e vanglórias. Jesus se opôs ao messianismo populista do seu tempo. Enfim, Jesus se opôs ao pecado presente na cultura dele e que se encontram presentes nas mais diversas culturas do mundo.

Há tribos indígenas que enterram crianças com defeitos físicos e há países muçulmanos que fazem a amputação do clitoris para que a mulher seja cerceada no prazer da relação sexual. Bem, nós abortamos por questões econômicas, por exemplo. E, além disso, permitimos o homicídio de 50 mil brasileiros por ano e nem ligamos para o silêncio da mídia diante de número tão alarmante. Portanto, cada cultura possui chagas sociais que necessitam ser enfrentadas. E o Estado e a lei não têm o poder de regenerar um coração, no máximo, eles podem controlar e coagir uma situação. Cabe, então, à igreja, ao cristão, ao discípulo de Jesus anunciar e ser sal, pois é pela pregação do Evangelho, conforme bem observou o Pastor Ladislau, que o próprio Espírito Santo levará os indivíduos a uma transformação, o que ocasionará uma mudança de mente e de coração e isso vai influenciar a sociedade em algum momento, em menor ou maior grau.

A cultura jamais pode estar acima do Evangelho, pois, assim, ela se constituiria em um ídolo. Por isso, a Igreja precisa estar sempre atenta à guerra cultural. Hoje mesmo, no Brasil, trava-se uma guerra cultural entre a cultura da livre expressão das idéias de indivíduos e a cultura da imposição da idéia de uma minoria em detrimento da liberdade da consciência individual.

Eu mesmo, ao contrário de muitos dentro da Igreja e dentro da cultura majoritária em que nasci, acredito que o Estado não pode legislar sobre a minha consciência, daí não aceito a pl 122. E não aceito que o meu blog seja censurado, quando eu me manifestar sobre esse e tantos outros temas cuja minha consciência me convence à luz da Palavra de Deus, que eu creio.

Enfim, a liberdade conquistada em Cristo é um bem inegociável diante de qualquer cultura, Estado ou lei. E acredito que a Igreja precisa ser convencida disso.

Abraços sempre afetuosos.

Non Nattus Júnior disse...

Olá
Casal 20!
Texto maravilhoso e desafiador a igreja ,como se relacionar com culturas de usos e costumes tão diferentes?
O nosso próprio conceito de casamento é diferente do conceito que se encontra no velho testamento. No qual o homem era fiel a instituição e a mulher ao indivíduo(Êxodo 21:10-11).Abraão tinha Sara e Hagar; Jacó, Raquel e Lia...Sem falar de Davi e Salomão. Não que defendo a relativização de costumes,até porque nesta linha cultural ,o cristianismo tem seguido (com exceção dos hipócritas ) o casamento mono gânico.
Em relação ao divorcio, encontrei em Deuteronômio 24:1-4 um texto que a mulher divorciada se casa novamente.
Este espaço da Rô é simplesmente maravilhoso e edificante .

helena disse...

Que texto interessante sobre a poligamia! Bem, a poligamia nunca foi estabelecida por Deus para povo algum, na verdade Deus sempre advertia para que o povo não a praticasse(Dt 17:17).
Um belo texto que nos faz refletir sobre culturas. A cultura deve ser respeitada, desde que não venha de encontro com a verdade de Deus.
Rô, um grande abraço a você e ao Casal 20.

Genilda Silva disse...

Meu marido há alguns dias me perguntou:o que é que um muçulmano que tem várias esposas faz quando se converte ao cristianismo? Ele tem que mandar embora as esposas e filhos e ficar só com uma? Tem que se divorciar das outras com quem é casado???
Eu só faltei dizer:"Não me faz pergunta difícil de responder que meus miolos já estão queimando, kkkk!"
A situação do texto me deixou muito intrigada.
Ainda mais pensando no número de divórcios entre os cristãos. Aqui no Ocidente a poligamia não é permitida, mas o adultério corre solto infelizmente. Para mim, é como um problema sem solução, pela falta de fidelidade das pessoas com quem firmam compromisso.

Cida Kuntze disse...

Oi Casal 20!
Queridos, naqueles dias que o blog tava meio meio...rsrsrs...tentei comentar várias vezes no blog de vocês e não consegui, até que fazendo o que uma amiga sugeriu, consegui novamente postar comentários. Mas acabei não voltando lá, inclusive estou em falta com os amigos, mas é a correria, não falta de vontade ok.

Olha, gostei desse texto, não é fácil ensinar a Palavra em culturas tão diferentes, onde os líderes vivem dessa forma.

Gostei muito do comentário da Rô, ela colocou muito bem toda essa situação.

Beijos ao casal e a querida Rô!

Casal 20 disse...

Non Natus, vi o texto.

Muito interessante. Você viu que ela fica impura só em relação ao primeiro marido, que a rejeitou. Ela não é impura em si mesma e nem se fala nada com relação ao recasamento, mas, o que eu achei interessante é que há uma punição é ao marido que a rejeitou.

Assim, vejo que é mais um "pró-família" do que um texto sobre divórcio: "olha, pensa bem, se você rejeitar sua mulher só porque tem uma coisinha á toa que você não gosta, depois não vai se arrepender, porque não vai ter volta"! Casamento é coisa séria.

Gostei muito.

Abraços sempre afetuosos.

Casal 20 disse...

Helena! Saudades! De avatar novo. Muito legal!

Genilda, verdade, a cabeça fica quente (rsrsrs), mas a Rô deu uma ótima aula de antropologia cultural. Fico com a resposta dela para não precisar queimar a minha cabeça (rsrsrs).


Cida, muito obrigado pelo carinho! Sei que você está por perto. Volte sempre que quiser ao nosso blog, nossa casa é sua casa também.

Abraços sempre afetuosos em todos.

Amana disse...

socos no estômago. rs..

♥ Rita de Cássia,a menina dos olhos de Deus♥ disse...

Oi Rô boa noite!
Que interessante este texto,gostei muito,nos faz refletir mais sobre culturas tão diferentes.
Um grande abraço,fica na Paz...
tenha um otimo sabado.

Gisele Vargas disse...

Muito interessante tudo isso!
Precisamos mesmo refletir sobre essas questões de diferenças culturais, porém como disseram, "a cultura não pode estar acima do Evangelho".
E a Rô sempre complementando o post com suas sábias palavras!
Beijos queridos,
Beijos Rô!!!

Eduardo Medeiros disse...

casal 20,

o cristianismo e o evangelho também são manifestações culturais. o problema é que nós o colocamos acima das culturas como medida de todas as coisas, como você diz, "A cultura jamais pode estar acima do Evangelho", como se o evangelho também não fosse parte de uma determinada cultura. ou seja, toda a cultura tem que ser julgada a partir da nossa cultura religiosa(que porém é negada como se cultura não fosse) que nós temos por absoluta e aferidora de todas as medidas.

não nego que a partir da nossa visão cultural, tirar o clitóris de uma mulher é desumano; mas a igreja cristão medieval também foi contra toda forma de prazer e até hoje, há cristãos que acham que o prazer sexual, por exemplo, é algo não muito santo. até ha poucos anos, os casais eram advertidos a não transarem na semana da santa ceia...pois é, pois é, pois é, como diria a chiquinha...

então, eu, falando a partir do meu universo cultural, posso até ser contra a castração de mulheres, a morte de recém nascidos "defeituosos"(que é desumano para nós mas bem prático e justo para os índios que têm tal prática), pois essas coisas, apesar de serem um hábito cultural, é um hábito que não cabe mais no mundo moderno ocidental(sempre a partir da nossa visão ocidental dos "direitos humanos"); como também não deveria mais caber em em nossa sociedade atual, demonizar a prática homossexual.

toda cultura tem suas luzes e suas trevas; o grande mal nosso, ocidentais cristãos, é ter a falsa impressão que a nossa fé cultural a tudo ilumina sem admitir outras "lamparinas" que também fazem o mesmo em outros lugares e não querer ver as trevas que maculam também nossas tradições de fé.

um abraço

Casal 20 disse...

Edu, mas aí é uma questão de pressuposto, pois eu acredito que o Evangelho, que tem atravessado as mais diversas culturas humanas no planeta, é uma manifestação cultural, mas o Evangelho é a manifestação cultural de Deus. Ou, em outras palavras, o Evangelho é a manifestação da cultura de Deus em meio às cultura humanas. Daí, o Evangelho ter lido e avaliado a cultura judaica, medieval, contemporânea e a minha, pessoal.

Porque o Evangelho de Deus tem exatamente essa função: a de ser a absoluta aferidora de todas as medidas.

Sem a certeza de que o Evangelho é a cultura de Deus, qualquer conversa será apenas discussões de culturas humanas e suas manifestações. E só. Entretanto, é exatamente isso o que o Evangelho não é: uma manifestação humana. O Evangelho é a revelação divina de uma cultura eterna nutrida no seio da Santíssima Trindade.

Assim, como eu disse, é uma questão de pressuposto.

Abraços sempre afetuosos.

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