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2 de novembro de 2011

A mui piedosa esquerda cristã? - Blog Casal 20 comemorando 1 ano de aniversário!

Queremos iniciar as comemorações do aniversário do nosso blog, publicando alguns artigos escritos por nós e que foram muito importantes na nossa formação, porque foram textos escritos na ebulição de ideias que nos apaixonam.

Para ter acesso ao texto de D. Robison, é só clicar sobre o título do texto dele abaixo. Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada. Abraços sempre afetuosos. Casal 20.

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"A mui piedosa esquerda cristã", de DomRobinson Cavalcanti, publicada pela Revista Ultimato (maio -junho/2008) é um texto estranhíssimo já pelo seu título, que mesugerira, inicialmente, uma ironia à dita "esquerda"cristã. Todavia, relendo o texto diversas vezes, constatei queaquele título era aquilo que proclamava mesmo: louvar a esquerdacomo a própria encarnação do Bem.

A estranheza éexatamente por essa idéia arcaica e preconceituosa de trazer umvelho maniqueísmo da luta (de classes?) entre o Bem e o Mal. Assim,aceitando-se que o título versa sobre a tão grande piedade daesquerda cristã, só pode-se concluir sobre a existência do outrolado da força, o lado negro, o lado impiedoso, mau, conformado, queseria uma provável direita cristã. Este maniqueísmo antes de serarcaico é perigoso. Chocante mesmo é vê-lo estampado num títuloque recria o imaginário de que ser da esquerda cristã é piedoso eser da direita cristã, segundo o texto de Dom Robinson, é ocontrário. Talvez, por ter sido apenas uma reflexão, Dom Robinsonpassa por cima de questões importantes para a honestidade doseventos ali narrados no texto dele.

O texto traz novamente aquela antigareferência ao texto de Atos, que cita a venda dos bens e a partilhados mesmos na Igreja em Jerusalém, como sendo o ideal perdido daprimeira experiência socialista da história. O que se quer que aspessoas creiam é que o Cristianismo, desde seu nascedouro é socialista, entretanto, aprendi que Atos é um livro denarrativa histórica e não de doutrina, por isso quaisquer eventosali narrados precisam passar pelo crivo das cartas doutrinárias paraque possam ser estabelecidos como modelos a serem repetidos na IgrejaCristã. Apenas como exemplo, se fossemos observar o livro de Atosdoutrinariamente, teríamos que passar nossos enfermos pelas sombrasdos nossos líderes atuais para que fossem curados ou, ainda, sermosadeptos do voto de nazireu, ao qual se submeteu Paulo, após suaconversão, ao menos duas vezes durante o livro. Doutrinariamente, aordem às igrejas é diversa daquilo que aconteceu em Jerusalém (verII Ts 3:12 e 13). Mas, além dessa questão doutrinária, também háos fatos históricos que indicam que a experiência que houve naIgreja de Jerusalém não foi repetida pelas demais igrejas e, poristo mesmo, quando a grande fome atingiu o mundo daquela época, asdemais igrejas é que precisaram ajudar a Igreja de Jerusalém, que,portanto, fracassara na sua prática "socialista".

Émuito forte o poder da cultura ao nosso redor e que insiste em nosmoldar pensamentos, filosofias, sentimentos e práticas, ao ponto deproclamarmos com a boca uma fé, mas agirmos na contramão de nossaspalavras. Estou falando da insistente interpretação que muitos fazem do texto deMateus, capítulo 25, especificadamente o texto sobre o Juízo Final.É um texto tão mal digerido por algumas correntes evangélicas,que, antes de abordá-lo, Dom Robinson reafirma sua públicaprofissão de fé de que as obras não salvam, para, logo depois,entrar em contradição dizendo que "o critério de julgamentoserá pelas evidências éticas sociais". Quais? Robison diz"tive sede", "tive fome". A caridade, a obrasocial, segundo Robinson, será o "critério de julgamento".Pura contradição! Esta exegese romana, mas acompanhada por muitossetores evangélicos, não se sustenta se compreendermos o livro deMateus como um todo e a seção apocalíptica em que seencontra a narrativa de Jesus em Mateus. O texto é claro (não para a muipiedosa esquerda cristã de Dom Robinson), os pequeninos irmãos dotexto são os discípulos de Jesus e não o pobre e necessitado.Jesus está falando que as nações serão julgadas de acordo com aposição que tomarem diante da pregação e testemunho da IgrejaPerseguida (esta é que está presa, com sede, com fome e nua). Se háduvida, compare os seguintes textos de Mateus 10.42; 12.48-49; 18.14e, ainda, veja como Jesus se identifica com sua Igreja diante dePaulo no caminho para Damasco: perseguir a Igreja é perseguir oCristo. Mas, como disse acima, a cultura do meio em que estamos époderosa para moldar a nossa interpretação, mesmo que esta sejacontraditória com a fé que confessamos. A cultura na qual estamosinseridos é romana e, não à toa, há poucos anos atrás esse mesmotexto de Mateus foi lema da Campanha da Fraternidade, que visavajustiça social.

O texto de Dom Robison desenvolve uma lógicade atirar pedra no próprio telhado (ou melhor, no telhado do que oautor identifica como sendo a impiedosa direita cristã). Começandopela Igreja de Jerusalém e os Pais da Igreja, em seguida ele desenvolve a idéia que a Reforma Protestante foi responsável indiretapelo capitalismo e seus excessos, que foram criticados pelo movimentodos Niveladores, socialista e comunistas, etc. Dom Robinson conclui oparágrafo citando a ladainha desses movimentos que entenderam que apropriedade privada era um mal em si mesmo. Assim, Lutero e Calvinoparticiparam da construção desse mal, para Dom Robison. Se não foiesta a idéia, então o parágrafo está mal escrito. Contudo, osistema do pensamento está ali: a igreja começou bem em Jerusaléme depois com os Pais da Igreja, até que vieram Lutero e Calvino quepossibilitaram com suas doutrinas o avanço do capitalismo sobre osistema feudal (mesmo que de maneira indireta e irrefletida), mas quehouve movimentos que criticaram esse mesmo capitalismo e o direito àpropriedade privada apoiados pela Reforma Protestante. Ora, deveria ser evidente para os cristãos que os Pais da Igrejadefenderam a justiça social, não porque havia um "pensamentode esquerda" (como afirma Dom Robison), mas simplesmente porque pregavam o Evangelho doReino de Deus. O que Dom Robison também não diz é que ao lado dasações veterotestamentárias de justiça social (Ano Sabático, Anodo Jubileu, etc), há também a defesa da propriedade particular (vercapítulo 22 de Êxodo). Se a propriedade privada fosse um mal em simesmo, não haveria a proibição no Decálogo de se cobiçar a casae as demais propriedades do outro.

Há no texto de DomRobinson uma confusão do significado das palavras socialismo eesquerda. Esquerda seria um termo que surgiria no períodopós-revolução francesa, mesmo que com um sentido totalmentediverso do que se entende hoje. Mas, durante todo texto, Dom Robinsonremonta a presença do pensamento de esquerda desde muito antes dessemesmo surgimento. Contradição? Piora quando ele insiste emintercambiar os termos socialismo e esquerda. E piora ainda maisquando ele alega que essa esquerda cristã está presente tanto nocatolicismo quanto no meio evangélico de séculos atrás, colocandonum mesmo parágrafo o padre Lammenais, a Rerum Novarum e ossocialistas cristãos como se todos esses fossem representantes legítimosdessa esquerda cristã da qual ele trata. Ora, o Padre Lammenais tevesuas teses atacadas duas vezes pelo Papa Gregório XVI, que as chamoude heréticas. A Rerum Novarum NÃO é uma mudança de direção nosrumos da Igreja Católica Romana como a construção do parágrafo dáa entender. A Rerum Novarum é uma carta encíclica do papa LeãoXIII de 15 de maio de 1891 exatamente para condenar, veja bem,condenar as propostas socialistas que contaminavam as relaçõesentre patrão e empregado e, ainda, traz num dos seus parágrafos adefesa do direito à propriedade privada. Enfim, não dá paracolocar a Rerum Novarum no texto de Dom Robinson que louva exatamenteaquilo que a carta papal atacara.

Outras contradiçõesdo texto de Dom Robison surgem ao citar a frase de Laski, pois se Laski está certo, o textode Dom Robinson perde completamente a razão de ter sido escrito,porque, até hoje, as experiências socialistas sempre foramantidemocráticas (ver Stalin, Fidel, Coréia do Norte e China, quejuntos mataram mais de 150 milhões de pessoas que não concordavamcom seus socialismos).

Difícil aceitar que a esquerda cristãseja formada pelos inconformados com as desigualdades não-naturais,conforme está citado no texto de Dom Robinson. Não posso meconformar com isto! Mais uma vez um maniqueísmo anticristão, quejulga as pessoas pelos grupos que participam e não pelos argumentosracionais que elas defendem. Ora, dizer que a esquerda são osinconformados e a direita os conformados é preconceito no melhorsentido da palavra. Porque não posso me conformar com a aliança deuma mui piedosa esquerda cristã com o materialismo e o ateísmo emnome da justiça social e do bem comum. Ainda nesse contexto, qual éa solidariedade que a esquerda ofereceu em Cuba, na antiga UniãoSoviética, na China, na Coréia do Norte? Estas esquerdas foramapoiadas por cristãos piedosos, que sacrificaram a Verdade em trocada Paz. Paz? Nem isso a esquerda imaginada por Dom Robison pode nos oferecer.

O textotermina falando que a esquerda cristã é essa gente "piedosa eortodoxa", uma miríade de novos nascidos. Mas não posso meconformar com isto também! Não vejo piedade nem ortodoxia, quandoas pessoas são rotuladas e julgadas por não fazerem parte do muipiedoso grupo da esquerda cristã e seu pensamento único. Não vejopiedade nem ortodoxia em pensadores como Leonardo Boff e Rubem Alvesque não acreditam na Ressurreição literal de Jesus Cristo e nem noseu sacrifício vicário e, ainda assim, se intitulam esquerdacristã; não vejo piedade e ortodoxia num governo brasileiro que teve o apoioda esquerda cristã para chegar ao poder e hoje luta para aprovar leis contra a família eo Evangelho. Não há piedade e ortodoxia numa esquerda cristã queapoiou um governo que agora quer amordaçar a boca de seuspregadores, enquanto essa mesma esquerda cristã não se empenha paradenunciá-lo da mesma forma como outrora se empenhou com tantaveemência para colocá-lo no poder.

Gostaria de encerraresta reflexão retornando ao título deste meu texto. Adjetivos são palavrasque modificam o substantivo, mas que também o diminuem. Uma casapode ser maravilhosa, bela e sonhada da maneira que pudermos em nossaimaginação. Mas a casa amarela pode ser a mesma casa, mas jádiminuída de todas as suas possibilidades. Já não pode ser tudo oque poderia para todos, porque o adjetivo limita. É hora deretirarmos quaisquer cascas de sobre o evangelho, pois seu primeiroanúncio se deu logo após a Queda narrada no terceiro capítulo deGênesis, muito antes de quaisquer querelas de direita e esquerda.Criar adjetivos como "social", "integral","holístico" só enfraquecem a novidade das boas novas.Pois o evangelho é supra-ideológico, a igreja é que muitas vezesse faz "intra" e "sub" ideológica (e tem pagadoum alto preço por isso em todos esses séculos). É preciso queretiremos os adjetivos e retornemos com os genitivos dos textos dogrego: o Evangelho do Reino de Deus. Este evangelho que poderátransformar a sociedade em todas as suas instâncias (política,econômica, social, moral, espiritual), não porque seja de direitaou de esquerda, mas porque está sobre e fora destas bandeirolas e,exatamente por isto, como faziam os profetas de antigamente, um Evangelho que estálivre para proclamar o bem onde quer que este esteja e denunciar omal de onde quer que ele venha.

Casal 20

34 comentários:

João Emiliano Neto disse...

Uma religião tradicional como o Cristianismo eu percebo como uma idéia muito mais do lado da Direita conservadora que entende que deve defender o real como algo que de fato o é: incontornável, inflexível e perene do que como uma idéia de Esquerda com o tal "dinamismo", a roda viva louca revolucionária defendida pelos tal Esquerda.

Difícil é para a Esquerda recalcitrar perante o aguilhão de que não pode querer sempre e em todo caso dar uma de moderninha, isto é, querer começar sempre tudo do nada como se, por exemplo, a defesa de valores de Cristo como a tolerância perante os defeitos alheios (pecado humano) não fosse um certo aspecto da própria realidade a ser levado em conta. Nesse sentido, o Evangelho do Reino de Deus é direitista, sim, minha irmã Rô.

É o minha opinião.

Que Deus nos perdoe, abençoe e um ABRAÇO a todo o povo eleito de Deus.


Sola gratia!

Anselmo disse...

Parabéns meus irmãos pelo primeiro aninho do blog.Que seja o primeiro de muitos.Putz,ficou parecido com aquelas frases prontas ditas a aniversariantes com quem não se tem intimidade.O texto do dom Robison, esse não é infelizmente o único onde ele defeca seus devaneios.Particularmente considero essas discussões cansativas e improdutivas.Esquerda, direita, capitalismo, socialismo,etc,etc,etc...
Gosto da conclusão:"É preciso que retiremos os adjetivos e retornemos com os genitivos dos textos do grego: o Evangelho do Reino de Deus. Este evangelho que poderá transformar a sociedade em todas as suas instâncias".
Infelizmente poucos se apercebem do movimento perigoso em que a maior parte da Igreja dita evangélica tem se metido.E acreditem,boa parte dessa gente é gente boa, de verdade,porém, preguiçosas no pensar. Deixam-se conduzir com muita facilidade embaladas por idéias e ideais de homens astutos e perigosos.
Para, já estou divagando aqui.
Um grande abraço.
Paz!

Marcello Comuna disse...

Parabéns pelo aniversário Casal.
É sempre muito bom ler a riqueza literária dos seus textos. Já conheço bem seu posicionamento sobre a esquerda, principalmente das ditatoriais como Cuba. Mas como já foi dito aqui nesse blog antes, esses não são nas genuinidades socialistas, assim com Terra Nova, Macedo e Valdomiro não são cristãos genuínos.
Mas não vou debater isso. Oq eu gostaria de te pedir se fosse possível, era que você esclarecesse para gente as mazelas da direita em um texto tão bem trabalhado como esse. Pq quando você ataca a esquerda continuamente dar a entender que você seja um direitista ortodoxo, porém vc mesmo diz que o evangelho está acima de bandeiras e nisso concordo absolutamente.
Pra finalizar, segue as palavras de Luther King.
‎"Admitamos honestamente que, nem o capitalismo tradicional, nem o marxismo contêm a verdade; ambos representam apenas uma verdade parcial. Historicamente, o capitalismo falhou no discernimento da verdade no empreendimento coletivo, assim como ao Marxismo faltou o discernimento da verdade no empreendimento individual. O Capitalismo do século dezenove não soube perceber que a vida é social, e o marxismo não soube ver, nem ainda o sabe que a vida é individual e social. O Reino de Deus não é a tese do empreendimento individual nem a antítese do empreendimento coletivo; é a síntese que reconcilia a verdade de ambos".
Abraços fraternos.

Casal 20 disse...

Marcello, essa frase do Luther King é a tese do livro do "Igualdade e Liberdade", que já tratei aqui. Um livro sensacional e que está apenas começando, pois tem mais dois volumes que vão se estender até os dias de hoje.

Mas o Demétrio mostra que, mesmo as experiências de "esquerda democrática" ocorridas na Europa e em outros lugares terminaram desaguando em excesso do Estado na vida do indivíduo, assim aguardo do cristianismo uma ação mais substancial arrancada das próprias páginas do Evangelho.

Aqui no Brasil, nós temos uma situação designada de "Capitalismo de Estado", que é uma economia capitalista à serviço de um Estado de cunho marxista. Veja, ainda que sejamos uma democracia, esse Estado está conseguindo, cada vez mais, tragar a liberdade do indivíduo: a mordaça gay, o excesso de impostos, o voto obrigatório, leis que limitam a liberdade do indivíduo de escolha e colocam a nossa defesa nas mãos de um Estado paternalista e que transforma o indivíduo em filho com sérias limitações de arbítrio, etc, tudo isso revela um quadro preocupante.

Mas, certamente, no âmbito do capitalismo, Marcello, deixo um texto meu que denuncia o que para mim é mais terrível: o consumismo.

Dá uma lidinha e deixe seu comentário. Mas, mesmo assim (depois dessa série de artigos que estarei postando para comemorar o nosso mês de aniversário do blog), me esforçarei para trazer algo mais abrangente como você está propondo. Enquanto isso, deixo o meu texto para você e todos demais leitores entitulado "A concupiscência da liberdade e a cultura consumista":

http://casal20ribas.blogspot.com/2011/04/concupiscencia-da-liberdade-e-cultura.html

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Casal 20 disse...

Acabei de vir do Blog do Marcello Comuna, que postou um ótimo texto do Luther King. Assim convido todos os leitores interessados a ler o que ele postou lá, mas, gostaria de deixar aqui também o meu comentário ao texto do Luther King. Porque tenho certeza de que todos aprendemos quando discutimos esses assuntos. Então segue:

"Marcello, realmente um texto repleto, mergulhado, ungido de verdades maravilhosas. Só dois pontos que eu questiono e uma solução que vejo:

1) Veja que novamente ele usa o exemplo do rico Lázaro para falar de mazelas relacionadas ao Capitalismo, mas nem se percebe que, no fim, um exemplo assim, acaba favorecendo o Capitalismo. Por quê? Porque mostra que o mal da ganância não pode ser colocado na conta de um sistema que só veio a surgir uns mil e trezentos anos depois mais ou menos.

2) O problema também é a falta de conhecimento tanto sobre o que é Comunismo como sobre o que é Capitalismo. Veja, nenhum desses sistemas são monolíticos. Assim como o comunismo tem suas mais diversas nuances (marxismo, stalinismo, trotksmo, bolcheviques, etc), o capitalismo também não é uno (Von Mises,a Escola Austríaca, Hayek, etc). Em outras palavras, não podemos avaliar o todo como se as partes não existissem. Por quê? Assim como o comunismo não é só Stalin, o capitalismo também não é só Nasdaq.

Solução: Aqui, Marcello, vou mais uma vez repetir o meu discurso de outrora de não acreditar que os sistemas são responsáveis pelos erros e acertos dos indivíduos. Mas digo isso só para estender de que também não acerdito na igreja, no sistema religioso, na denominação para a solução desses problemas que estamos discutindo. Não acredito pelo simples fato de que nossas igrejas e denominações são sistemas, assim, é lógico que eu não posso acreditar que nem o problema e nem a solução poderia vir desse sistema. Então, de onde? Eu não acredito em sistemas, acredito em indivíduos, acredito em mim e em você, só! Por que digo isso? Digo isso, porque não acredito em soluções mirabolantes, acredito naquela ação que EU e VOCÊ podemos e devemos realizar como cristãos. Em outras palavras, posso ensinar as minhas filhas, posso convencer um grupo de amigos a abrir uma creche ou uma escola ou uma cooperativa, etc, para que possamos transformar a comunidade. Acredito, Marcello, naquilo que VOCÊ pode fazer!

Jamais uma lei poderá me obrigar à caridade. Jamais um Estado vai me ensinar o que é certo ou o que é errado. Porque aqueles que são de Deus, pelo próprio Deus serão ensinados!

Assim vejo.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio".

disse...

Bom, cheguei ufa! Fabio parabéns pelo Niver do Blog. Bom,creio que nas mãos da esquerda teológica, o credo e o ritual da igreja se transformaram em meros símbolos consoladores de "outro" plano, remoto e inacessível da melhor das hipóteses, plano que possivelmente não passa de imaginação ou desejo.

Infelizmente esse "outro plano" não consegue dar nenhum sentido razoável ao salmo 23 ou à oração do Senhor, por exemplo, ou à promessa de Cristo de que ele está sempre conosco. A nova teologia adota a concepção que como um sobrenaturalismo "universalista" ou "sofisticado". Ela "se restringe a sentimentos sobre a vida como um todo", enquanto "a essência da religião prática se evapora".

Privado da sua referência a um ser ou substância espiritual transcendente que ao mesmo tempo se relaciona pessoalmente com a humanidade e dela cobra responsabilidade em relação às orientações sobre como viver, esse "amor" ("Deus") se vê obrigado a se transformar naquilo que a ideologia corrente ditar. Hoje isso significa não tratar as pessoas como diferentes entre si, ao mesmo tempo dando-lhes a liberdade de fazer o que quiserem.

Mas esse "evangelho" se revela na prática pouco mais que outra versão do mundialmente famoso sonho americano. Outras palavras associadas a ele são "igualitarismo", "felicidade" e "liberdade". Como recentemente afirmou um professor de educação da Universidade Bradley, o sonho americano é que "as pessoas possam fazer ou ser o que quiserem desde que tomem a iniciativa de fazê-lo". O desejo se torna sagrado, e tudo o que se opõe ao desejo é mal ou pecado. A esquerda cristã nos dá, no fim das contas, simplesmente outro evangelho de administração do pecado, só que a sua substância provém dos ideais sociais e políticos ocidentais (americanos) da existência humana num mundo secular. Paz!

Casal 20 disse...

Rô, para mim as coisas são bem práticas e se resolvem dentro do próprio Evangelho: "Alguém vai dizer: “Eu posso fazer tudo o que quero.” Pode, sim, mas nem tudo é bom para você. Eu poderia dizer: “Posso fazer qualquer coisa.” Mas não vou deixar que nada me escravize (I Cor 6:12). E: Alguns dizem assim: “Podemos fazer tudo o que queremos.” Sim, mas nem tudo é bom. “Podemos fazer tudo o que queremos”, mas nem tudo é útil. Ninguém deve buscar os seus próprios interesses e sim os interesses dos outros (I Cor 10:23 e 24).

É simples assim! Se cada cristão vivesse os dois versos acima na sua vida pessoal, na sua família, na escola, no trabalho, no seu relacionamento com o próximo, então, não precisaríamos de ideologias que nos carregassem para lugar algum.

O que falta, Rô, é cada um de nós assumir o que devemos fazer para a Glória de Deus. Até porque, quando nós morrermos, Deus não vai querer saber se eu era comunista ou capitalista, mas se eu vivi a liberdade que Ele me deu com responsabilidade, conforme os textos paulinos que citei. Mais simples do que isso não dá! Estou apenas falando do puro e simples Evangelho de sempre.

Abraços sempre afetuosos.

Eduardo Medeiros disse...

Fábio,

excelente reflexões você faz aqui. Li o texto do robson, e Gostaria de comentar alguns trechos do seu excelente artigo(em itálicos)

“A estranheza é exatamente por essa idéia arcaica e preconceituosa de trazer um velho maniqueísmo da luta (de classes?) entre o Bem e o Mal. Assim, aceitando-se que o título versa sobre a tão grande piedade da esquerda cristã, só pode-se concluir sobre a existência do outro lado da força, o lado negro, o lado impiedoso, mau, conformado, que seria uma provável direita cristã.”

Você sabe que nos últimos anos, o melhor representante da “direita cristã” foi o bush, que se vê(via) revestido de um mandato divino para acabar com o “eixo do mal”. mas concordo com você que é um pensamento simplista e até desonesto, taxar a esquerda cristã como "bem" e a direita cristã como "mal".


“Este maniqueísmo antes de ser arcaico é perigoso.”

Concordo com você que é perigoso mesmo, mas esse maniqueísmo não se manifesta doutrinariamente na concepção cristã ortodoxa de que ela tem “a verdadeira interpretação da palavra” enquanto, digamos, a heterodoxia cristã é uma disvirtuadora dessa mesma palavra? Isso não é maniqueísmo? Creio ser bem difícil fugirmos do maniqueísmo.
Concordo com você de que dizer que a “direita cristã” não é piedosa não corresponde à verdade.


cont...

Eduardo Medeiros disse...

cont...

“O texto traz novamente aquela antiga referência ao texto de Atos, que cita a venda dos bens e a partilha dos mesmos na Igreja em Jerusalém, como sendo o ideal perdido da primeira experiência socialista da história... O que se quer que as pessoas creiam é que o Cristianismo, desde seu nascedouro é socialista, entretanto, aprendi que Atos é um livro de narrativa histórica e não de doutrina...”

Fábio, pense comigo. Se tivermos que analisar essa prática dos primeiros cristãos, diríamos que ela é socialista ou capitalista? Por outro lado, dizer que o cristianismo antigo “era socialista” também me parece anacrônico, mas não há dúvidas que a solidariedade era uma constante; deveríamos dizer que a solidariedade não deve ser algo “doutrinário"? Ora, o amar ao próximo não é o grande mandamento?


“Mas, além dessa questão doutrinária, também há os fatos históricos que indicam que a experiência que houve na Igreja de Jerusalém não foi repetida pelas demais igrejas e, por isto mesmo, quando a grande fome atingiu o mundo daquela época, as demais igrejas é que precisaram ajudar a Igreja de Jerusalém, que, portanto, fracassara na sua prática "socialista". “


Fábio, aqui creio, você faz uma análise equivocada da situação histórica. A igreja de Jerusalém precisou sim da ajuda das igrejas gentílicas, mas isso quer dizer que se ela fosse uma “igreja capitalista” não passaria fome? Então creio que a argumentação deve tomar outro rumo aqui.

“...Estou falando da insistente interpretação que muitos fazem do texto de Mateus, capítulo 25,... O texto é claro (não para a mui piedosa esquerda cristã de Dom Robinson), os pequeninos irmãos do texto são os discípulos de Jesus e não o pobre e necessitado. Jesus está falando que as nações serão julgadas de acordo com a posição que tomarem diante da pregação e testemunho da Igreja Perseguida (esta é que está presa, com sede, com fome e nua).”


Fábio, aqui confesso que a questão hermenêutica não é simples. Mas diante da interpretação aceita por você, gostaria de refletir o seguinte: você metaforizou a igreja perseguida com os termos “presa”, “com sede”, “com fome” e “nua”. Foi isso mesmo?

Ao fazer isso, você deixa de levar em consideração todas as passagens em que jesus tinha os pobres e marginalizados sociais como alvo da sua misericórdia. Será que o grande mandamento de jesus “amar o próximo como a si mesmo” tem como alvo restrito os cristãos?
Eu posso concordar que foi a comunidade de mateus que interpretou(equivocadamente) o padrão de julgamento apenas para quem fizesse o bem a eles próprios. Parece ser uma forzação de barra contra os gentios para que eles não os perseguissem. (conforme também mt 10.40-42).


cont...

Eduardo Medeiros disse...

cont...

Mas quando interpretamos essa passagem junto com o sermão do monte, me parece certo que os pobres, os pacificadores, os que tinham fome e sede de justiça, não podem ser restringidos aos futuros cristãos. Creio que o problema aí é da construção teológica da comunidade de mateus. O que também não deixa de ser um grande maniqueísmo os não-cristãos serem julgados apenas pelo bem que eles fizeram aos cristãos e o bem que eles fizerem a não-cristãos não ter recompensa alguma. Essa não parece ser a mensagem mais arcaica de jesus, e sim,das várias camadas interpretativas e de construção teológicas que formaram posteriormente os evangelhos. sim, sei que esta afirmação é uma espada de dois gumes, pois você pode me interpelar dizendo "então o que de fato jesus disse ou não disse?" como essa é uma questão que demandaria muito tempo, foi deixá-la de lado por hora, se você assim me interpelar...rss

“...em seguida ele desenvolve a idéia que a Reforma Protestante foi responsável indireta pelo capitalismo e seus excessos..”

Não sei se a reforma foi indiretamente responsável pelo capitalismo, mas é inegável que ela tinha padrões capitalistas, principalmente em calvino(conforme max weber).

“...Ora, deveria ser evidente para os cristãos que os Pais da Igreja defenderam a justiça social, não porque havia um "pensamento de esquerda" (como afirma Dom Robison), mas simplesmente porque pregavam o Evangelho do Reino de Deus. O que Dom Robison também não diz é que ao lado das ações veterotestamentárias de justiça social (Ano Sabático, Ano do Jubileu, etc), há também a defesa da propriedade particular (ver capítulo 22 de Êxodo). Se a propriedade privada fosse um mal em si mesmo, não haveria a proibição no Decálogo de se cobiçar a casa e as demais propriedades do outro.”


Também é inquestionável que a justiça social permeia toda a torá e os profetas e consequentemente, jesus. Como já disse, creio ser anacronismo dizer então que eles eram socialistas, mas essa ponte é feita por que historicamente, a defesa de questões sócias sempre foram bandeira dos socialistas; não que o social esteja renegado no capitalismo, mas o que vem primeiro no capitalismo, é o lucro de quem tem o capital. Isso parece também ser um fato histórico e que podemos identificar no capitalismo atual.

“...durante todo texto, Dom Robinson remonta a presença do pensamento de esquerda desde muito antes desse mesmo surgimento. Contradição? Piora quando ele insiste em intercambiar os termos socialismo e esquerda..”

Sim, Fábio, creio ser uma contradição do robson.

cont...

Eduardo Medeiros disse...

cont...

“Outras contradições do texto de Dom Robison surgem ao citar a frase de Laski, pois se Laski está certo, o texto de Dom Robinson perde completamente a razão de ter sido escrito, porque, até hoje, as experiências socialistas sempre foram antidemocráticas (ver Stalin, Fidel, Coréia do Norte e China, que juntos mataram mais de 150 milhões de pessoas que não concordavam com seus socialismos).”

Só para situar, a frase do laski é “Democracia sem socialismo não é democracia; socialismo sem democracia socialismo não é”. E aqui, de fato, está a maior contradição do socialismo prático, ou seja, onde ele se estabeleceu, a democracia teve que morrer. Mas laski está falando de um tipo de socialismo democrático, que creio, nenhum cristão avesso ao socialismo pode satanizar, mesmo por que, o capitalismo que seria a expressão da liberdade, da democracia, do respeito aos direitos humanos, do “cristianismo reformado” jamais foi capaz de garantir esses direitos plenamente, ao contrário, em muitos lugares o abismo entre os ricos e pobres só fez aumentar. essa é a democracia dos ricos e poderosos tão funesta quanto a ditadura comunista.

Fábio, em sua sábia conclusão, você diz que

“É preciso que retiremos os adjetivos e retornemos com os genitivos dos textos do grego: o Evangelho do Reino de Deus. Este evangelho que poderá transformar a sociedade em todas as suas instâncias (política, econômica, social, moral, espiritual), não porque seja de direita ou de esquerda, mas porque está sobre e fora destas bandeirolas e, exatamente por isto, como faziam os profetas de antigamente, um Evangelho que está livre para proclamar o bem onde quer que este esteja e denunciar o mal de onde quer que ele venha.”


Concordo com você. A mensagem de jesus não era nem de direita nem de esquerda, já que esses termos são concepções políticas e econômicas recentes. Mas você percebe que jesus usou o termo político que lhe era familiar? “reino”. Ora, se jesus usou um termo político para designar o seu projeto, o que isso pode nos levar a refletir?

fábio, desculpe os comentários longos e enfadonhos, mas textos como o seu(bem escrito e com argumentos inteligentes) , eu não resisto em analisar mais detalhadamente em buscas de possíveis sínteses. se for possivel, se possível não for, pelo menos não caíamos no maniqueísmo puro e simples.

abraços e parabés pelo aniversário do seu blog.

disse...

O texto do Fabio é ótimo!

Casal 20 disse...

Edu, então vamos por partes.

Para não dispersarmos, precisamos nos manter no foco de que o que estou discutindo é a opinião do Dom Robison. Assim, são as idéias dele, que refuto. Outros textos virão em que abordarei outros aspectos, assim:

1) Concordo contigo no primeiro comentário seu;

2) "Fábio, pense comigo. Se tivermos que analisar essa prática dos primeiros cristãos, diríamos que ela é socialista ou capitalista? Por outro lado, dizer que o cristianismo antigo “era socialista” também me parece anacrônico, mas não há dúvidas que a solidariedade era uma constante; deveríamos dizer que a solidariedade não deve ser algo “doutrinário"? Ora, o amar ao próximo não é o grande mandamento"?

Aqui, Edu, você mesmo percebe. Avaliar o passado sob as bases de um presente que não existia é cometer uma injustiça anacrônica e, na caso do texto, fazer propaganda ideológica. Nem capitalista, nem socialista; porque a verdade é que é doutrina cristã - e esta falácia é que é o centro do engodo da reconstrução histórica a favor de ideologias modernas. Isto não é honesto! O que é cristão, ou judaico-cristão, deve ser tratado assim, porque mostra a possibilidade da justiça social independente das ideologias modernas, que foram construídas até mesmo sob bases anti- cristãs e anti-judaicas. É um engodo histórico e precisa ser denunciado.

(cont.)

Casal 20 disse...

"Fábio, aqui creio, você faz uma análise equivocada da situação histórica. A igreja de Jerusalém precisou sim da ajuda das igrejas gentílicas, mas isso quer dizer que se ela fosse uma “igreja capitalista” não passaria fome? Então creio que a argumentação deve tomar outro rumo aqui" - concordaria contigo se a fome tivesse ocorrido apenas na Palestina, mas ela atingiu exatamente a região sobre as quais se encontravam as demais igrejas na Ásia. E, veja você, como a manipulação ideológica é forte. Mesmo usando aspas, você afirma algo que eu jamais afirmei e injeta nos olhos do leitor uma informação carregada de segunda intenção - "igreja capitalista" está totalmente fora do foco da minha argumentação.

Veja a inversão maliciosa do meu argumento: eu denuncio que Dom Robison é quem fala da igreja socialista de Jerusalém e você me diz que ainda que ela fosse "igreja capitalista" - segundo meu texto essa contra-argumentação sua é totalmente invertida e inventada.

(cont.)

Casal 20 disse...

"Fábio, aqui confesso que a questão hermenêutica não é simples. Mas diante da interpretação aceita por você, gostaria de refletir o seguinte: você metaforizou a igreja perseguida com os termos “presa”, “com sede”, “com fome” e “nua”. Foi isso mesmo?

Ao fazer isso, você deixa de levar em consideração todas as passagens em que jesus tinha os pobres e marginalizados sociais como alvo da sua misericórdia. Será que o grande mandamento de jesus “amar o próximo como a si mesmo” tem como alvo restrito os cristãos?
Eu posso concordar que foi a comunidade de mateus que interpretou(equivocadamente) o padrão de julgamento apenas para quem fizesse o bem a eles próprios. Parece ser uma forzação de barra contra os gentios para que eles não os perseguissem. (conforme também mt 10.40-42)".

Edu, eu não metaforizei o texto, porque o texto é uma parábola, está na seção de parábolas apocalípticas de Mateus (e Parábola é diferente de metáfora), portanto, deve ser lido à maneira que se deve ler uma parábola - isto é simples na verdade. E veja, você tira texto fora de contexto, quando cita "amar ao próximo como a si mesmo", porque essa verdade está escrita até no Antigo Testamento, além de estar presente nos outros Evangelhos - então, eu não estou "não olhando" para essas passagens, veja bem a aula simples de interpretação de texto, eu estou olhando para UM texto em questão e analisando-o a partir do contexto em que ele aparece. Enfim, deve-se levar em conta passagens em que Jesus tinnha como alvo os pobres e marginalizados, mas, certamente, indubitavelmente, apocalipticamente, o texto ao qual me refiro sofre uma interpretação totalmente de salvação meritória se não ser respeitado o seu contexto imediato - porque ali o alvo não são os pobres e marginalizados.

(cont)

Casal 20 disse...

"Mas quando interpretamos essa passagem junto com o sermão do monte, me parece certo que os pobres, os pacificadores, os que tinham fome e sede de justiça, não podem ser restringidos aos futuros cristãos. Creio que o problema aí é da construção teológica da comunidade de mateus. O que também não deixa de ser um grande maniqueísmo os não-cristãos serem julgados apenas pelo bem que eles fizeram aos cristãos e o bem que eles fizerem a não-cristãos não ter recompensa alguma. Essa não parece ser a mensagem mais arcaica de jesus, e sim,das várias camadas interpretativas e de construção teológicas que formaram posteriormente os evangelhos. sim, sei que esta afirmação é uma espada de dois gumes, pois você pode me interpelar dizendo "então o que de fato jesus disse ou não disse?" como essa é uma questão que demandaria muito tempo, foi deixá-la de lado por hora, se você assim me interpelar...rss".

Na verdade, Edu, essa questão é bem mais simples do que apelar para o que Jesus disse ou não disse. Veja: se Jesus está no centro do Monte e falando aos discípulos, ora, se Jesus está no centro, então o discurso só tem sentido se permanecermos com Jesus nesse exato lugar: no centro. Assim, o sermão da montanha não é para "todos", é para a Igreja e veja que maravilha! Você trouxe um texto que respalda a minha interpretação de Mateus 25! Pois quem que sofrerá perseguição, segundo Jesus em seu sermão do monte? O pobre? O injustiçado? Não. Mas aquele que for perseguido por AMOR de mim! - simples assim. O sermão do monte é só para os que seguem Jesus - porque só estes serão perseguidos por amor de Jesus. Para mim, é muito clara a mensagem das bem-aventuranças!

(cont)

Casal 20 disse...

Não sei se a reforma foi indiretamente responsável pelo capitalismo, mas é inegável que ela tinha padrões capitalistas, principalmente em calvino(conforme max weber). - Edu, concordo contigo, até porque sua resposta revela que você sabe que há uma miríade de fatores bem mais complexos em jogo - e pasme! Já vi um estudo católico em que o autor mostra que o sistema capitalista foi motivado na verdade pela própria Igreja Católica - de fato, sob um aspecto negativo, evidente que o sistema católico possibilitou esse advento, tanbém.

(cont)

Casal 20 disse...

Edu, no mais concordo contigo nas suas considerações. Realmente, Reino era um termo para o judaísmo da Palestina extremamente carregado politicamente. Mas, veja, embora Jesus tenha usado esse termo, é obvio que Jesus o faz com um conteúdo totalmente diverso do que os próprios discípulos esperavam na época. "O meu Reino não é deste mundo..." - aí, Jesus cortou na carne!

Edu, gostaria muito de agradecer os seus comentários. Quero, sinceramente, desde já, pedir perdão pela maneira ríspida que, às vezes, posso me expressar. Você, certamente, não merece qualquer falta de educação e falta de respeito da minha parte. O seu modo de se expressar comigo sempre foi cortês. Mas, revendo as minhas próprias palavras e o tom que surge, acho que é por causa da paixão. Às vezes, ela me domina.

No mais, Edu, são nesses comentários que eu também cresço e aprendo na interação com seus argumentos.

Abraços sempre muito afetuosos.

Fábio.

disse...

Muito bom Fabio. Deus te abençoe!

Gisele Vargas disse...

Bom dia amigos!
Quero parabenizar o Blog Casal 20 pelo primeiro aninho de vida, e que continuem a fazer a diferença na blogosfera!
Grande abraço queridos!
Abração pra Rô!

Suely Rezende disse...

Olá Pessoal!

Parabéns ao Blog Casal 20 pelo aniversário de 02 ano do blog.

Quero dizer q seus comentários são especiais e originais.

Abraços
Suely

Casal 20 disse...

Povo de Deus! Muito obrigado pelos parabéns. Neste mês, queremos compartilhar aqui no Blog da Rô uma série de artigos que nos foi muito caro para nossa história de formação. Se Deus quiser, a festa é de todos nós!

Abraços sempre afetuosos.

Fábio e Lu.

disse...

Fabio, assino todas as suas folhas. Muito bom!

Eduardo Medeiros disse...

pô, rô, pensei que você ia dizer também, "pô, os comentários do edu estão muito bons!!" kkkkkkkkkkkkkkk

Eduardo Medeiros disse...

oi fábio, então só para deixar minha tréplica:

você diz

"Veja a inversão maliciosa do meu argumento: eu denuncio que Dom Robison é quem fala da igreja socialista de Jerusalém e você me diz que ainda que ela fosse "igreja capitalista" - segundo meu texto essa contra-argumentação sua é totalmente invertida e inventada."

tudo bem, você tem certa razão ao dizer isso. mas veja, eu estou ponderando exatamente isso: que você está dizendo que a "igreja socialista" da palestina(segundo o robson) ficou em dificuldades e portanto, isso seria prova que esse socialismo primitivo não funcionou. é isso ou não é isso que você quis dizer? por isso que eu coloquei a "igreja capitalista" aí, que de fato não está no seu argumento, mas no meu. ou seja, será que se a igreja de jerusalém fosse mais "capitalista" ela passaria incólume pelas dificuldades? e se a fome castigou toda aquela área da ásia, convenhamos que os cristãos de jerusalém eram mais pobres do que os da ásia. mas concordo que o argumento do robson é ideológico; mas qual argumento não carrega uma ideologia?

Eduardo Medeiros disse...

"Edu, eu não metaforizei o texto, porque o texto é uma parábola, está na seção de parábolas apocalípticas de Mateus (e Parábola é diferente de metáfora)"

bem fábio, aqui há controvérsias. muitos autores não vê essa passagem como parábola. na minha leitura, jesus está sendo de fato direto nessa passagem. mas mesmo sendo parábola, isso não desqualifica o que comentei.

deve-se levar em conta passagens em que Jesus tinnha como alvo os pobres e marginalizados, mas, certamente, indubitavelmente, apocalipticamente, o texto ao qual me refiro sofre uma interpretação totalmente de salvação meritória se não ser respeitado o seu contexto imediato - porque ali o alvo não são os pobres e marginalizados.

mas fábio, se se deve levar em consideração o que jesus falou dos pobres e oprimidos(não só por poderes espirituais mas tembém temporais), por que essa passagem deve ser lida exclusivamente para a igreja? obrigado pela simples aula de hermenêutica mas a sua interpretação não é unânimidade entre os comentaristas. então, ela é a sua interpretação, a que você aceita a partir da sua ideologia teológica(olha ela aí, a ideologia..)

Cesar M. R. disse...

Gente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A reforma pode até ter favorecido o capitalismo. Sim. Mas, no caso de Lutero, não vejo nenhuma possibilidade de que o Capitalismo se desenvolvesse a partir das ideias dele, se lidas com respeito. A coisa foi mais uma relação de oportunismo mútuo (entre sistema de pensamento teológico e político-econômico) em uma situação de mudança inevitável.

Mas Lutero não gerou uma igreja Reformada. Isso é coisa de Zwinglio e Calvino, de quem muito pouco sei. Mas, como bem disse o Fábio, Max Weber deixou a coisa explicada.

Como o Fábio, sugiro visita no blog do Marcello Comuna para lerem o texto do M. L. King. É bacana!

Abraços,
Cesar

Eduardo Medeiros disse...

Assim, o sermão da montanha não é para "todos"

bem, fábio, aqui novamente, você está declarando a sua interpretação. a não ser que você diga taxativamente que a sua interpretação é a única possível, creio que a primeira parte do sermão do monte é universal, é para todos os oprimidos e sofredores de sistemas sociais injustos. as palavras de jesus nas bem-aventuraçãs não estão ditas diretamente para os discípulos. não diz, "bem-aventurado vocês, meus discípulos, que são pobres, pois o reino é de vocês". ele diz "bem-aventurado os pobres..." isso me parece universal.

mas no versículo 11 de mateus 5, ali sim, jesus se dirige aos discípulos sobre as injúrias e perseguições que eles sofreriam. e lembre-se que havia ali uma grande multidão, a quem acho, as bem-aventuranças é dirigida.

lembremos também que nesse contexto, jesus afirma a autoridade da torá dizendo que não tinha vindo revogar, como depois, alguns fizeram. (é, isso daria muito pano prá manga...kkkkk)

Você trouxe um texto que respalda a minha interpretação de Mateus 25! Pois quem que sofrerá perseguição, segundo Jesus em seu sermão do monte? O pobre? O injustiçado? Não.

logo, não entendo que a sua interpretação da passagem referida tenha sustentação nas bem-aventuranças. para mim, as bem-aventuranças são universais, do mesmo modo que o julgamento divino universal será baseado na questão ética do 'amor ao próximo".

eu sei que os que seguem o seu jeito de interpretar a passagem assim o fazem para resolver o problema do julgamento baseado em obras, mas tal julgamento também está em apocalipse, segundo o qual, as pessoas foram julgadas segundo suas obras.

mas mesmo assim, persiste o problema de que aqueles que perseguiram os cristãos e não fizeram o bem a eles, serão julgados por isso e os demais, não. é muito elitismo para o meu gosto.


"O meu Reino não é deste mundo..." - aí, Jesus cortou na carne!

essa frase de jesus também não tem um consenso interpretativo. alguns leem aí que jesus estava dizendo que o seu reino não seria estabelecido na terra e sim nos céus. eu prefiro a interpretação de que jesus estava dizendo que o futuro reino terreno dele(o que concorda com todas as passagens messiânicas proféticas) não seria nos moldes dos reinos deste mundo. mas ainda assim, a conotação política não se desfaz, ao contrário, ao criticar o jeito mundando de "ser reino" jesus só exarceba a sua crítica a esse reino.

bem, é o que eu tinha a dizer. vejo sim muita paixão em você quando defende seus argumentos, sem problemas, só acho que a paixão não deve cegar a razão. veja que eu não estou dizendo que eu estou com a razão e você com a emoção, por favor. você defende muito bem seus argumentos, gosto disso, queria ter o mesmo talento que você tem. mas seu puder de lhe dizer uma última coisla, fábio, não existe essa de "interpretação fácil e simples" quando se trata dos evangelhos.

e olha, eu procuro ser cortês com qualquer pessoa quando estou discutindo ídeias. não sou um cristão que tenha uma leitura conservadora ortodoxa da bíblia, pois para mim, esse jeito de ler é apenas mais um em meio a outros, tão válidos quanto.

e se a rô andou lhe dizendo que as vezes eu entro aqui com um fake para dizer o que eu não diria no meu nome, creio que eu já consegui convencê-la dessa absurdo, pois eu não tenho por que me envergonhar do meu jeito não ortodoxo de ser cristão. valeu, abraços

calma aí, rô, não fica nervosa... kkkkkkkkkkk

disse...

KKK Edu, seus comentários são ótimos e nos faz pensar, ta bom assim??

disse...

Já li o Texto do Marcello e achei muito bom !

Casal 20 disse...

Edu, veja, realmente, eu não penso assim, porque seria anacrônico e eu viria a cair no mesmo erro do Robson, mas ao contrário. A Igreja de Jerusalém "faliu" por erro de administração. Só. Em suma, não tem nada haver com "esqerda" ou "direita". No afã dos primeiros anos da fé, muitos cristãos até pararam de trabalhar achando que Jesus voltaria ali naquele momento. Assim, as razões da necessidade de ajuda da Igreja podem ser milhares, mas jamais creditados à sistemas que sequer existiam.

Edu, concordo que a minha interpretação não é unânime, se fosse, não seria minha interpretação. Mas, ainda assim, dizer que não é parábola é tirar daquele espaço o único texto que não seria em meio a uma série de parábolas apocalípticas. Assim, cada qual deve escolher para si a melhor leitura. Aquela que se encaixa melhor naquilo que compreendemos como o todo.

Edu, eis o ponto da discussão. São textos, daí precisam sofrer interpretações. Mas, ainda que não haja consenso (e nem precisa haver), o importante é que cada um se debata consigo mesmo, a partir dos seus pressupostos. O meu pressuposto é que Jesus é o centro do discurso do monte, do contrário, vira budismo. Logo, se Jesus fala para toda a multidão, continua o fato de que só para os seguidores de Jesus o discurso faz sentido.

Do que valem palavras do Chico Xavier ou do Gandhi para mim? No máximo, posso achar que elas são moralmente interessantes (papo de escriba). E só. Mas o discurso do monte para o seguidor de Jesus é Palavra de Deus. Não é igual às nossas palavras ou dos escribas. Crendo assim, o cristão vai ler desde o início até o fim o sermão tomando-o para si: é a constituição do Reino de Deus!

Veja, sei que é uma interpretação, mas é uma linha histórica de interpretação que eu sigo. Sou coerente com ela. Certamente, Edu, não peço que você e mais ninguém veja o que eu vejo, porque nossas leituras e vivências (até vivências com Jesus) são pessoais e diferentes.

Mas sigamos salgando e escolhendo as interpretações que melhor se coadunam com a fé que de uma vez foi entregue a nós.

Assim, a gente evita ficar andando em círculos, porque, na verdade, são nossos pressupostos que são diferentes.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio

Eduardo Medeiros disse...

fábio, valeu pelo bate-papo, gostei muito. para mim não existe a exegese, nem a hermenêutica, nem a teologia, existem exegeses, hermenêuticas e teologias.(o que você também parece concordar). no mais, o que realmente importa, para mim, é que a experiência espiritual de um cristão faça dele uma pessoa melhor a cada dia, ainda que nada saiba dos academicismos teológicos(aliás, coisa que também não sei..).

rô, obrigado pelo elogio, eu sou vaidoso e adoro ser paparicado....kkkkkkk

Casal 20 disse...

"o que realmente importa, para mim, é que a experiência espiritual de um cristão faça dele uma pessoa melhor a cada dia, ainda que nada saiba dos academicismos teológicos"

Edu, concordo contigo em gênero, número e grau!

Sigamos salgando!

Abraços sempre afetuosos.

Cida Kuntze disse...

Casal, mais uma vez parabéns pelo níver do blog!!!
O texto tá super hein? rendeu comentários enormes...rsrsrs. Gostei!
Você escreve muito bem.
Que o amor, a graça e a fidelidade do Senhor sejam constantes em tua vida e que Ele continue te usando, para que você faça sempre a diferença.
Abraços!

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