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Ás seis da tarde





Ás seis da Tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
chorar na condução (Marina Colasanti)

Comentários

jlcolli disse…
Muito bom!

Joab Barros
Casal 20 disse…
Lindo! Lindíssimo! Uma sensível crônica poética.

Obrigado por compartilhar, Rô.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.
carlos disse…
Rô, gosto muito da Marina Colasanti, ela escreve muito bem!! As angústias e alegrias são as mesmas de sempre, só mudou a moldura onde elas se manifestam.

beijimm
Mariani Lima disse…
Amiga, tem poesia que a gente lê e poesia que lê a gente. Essa é uma que certamente fala da inquietação da alma feminina, especialmente naqueles dias que nem a gente se aguenta. rs...
Beijos. Obrigada pela visita lá no blog.
Olá Rô,
Boa noite amiga,

Nossa! um poema da escritora e jornalista ítalo-brasileira Marina Colasanti, somente no seu blog q encontramos essas primazias.

beijos
Su
disse…
Verdade Mari, esta fala no profundo com cada um de nós.

Edu concordo contigo, a Marina Colasant é um espetáculo.

Fabio e Joab paz meus queridos!

Su, Bjs!

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