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18 de novembro de 2011

E o que é que eu tenho com isso?!


Neste mês, todas as sextas-feiras no blog da Rô, estamos comemorando o aniversário de 1 ano do nosso blog pró-família, publicando uma série de artigos escritos por nós e que foram muito importantes na nossa formação, porque foram textos escritos na ebulição de ideias que nos apaixonam. Abraços sempre afetuosos. Casal 20.
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Eu não creio que o romanismo necessite ser reformado, pelo menos não com as reformas propostas por Dom Isnard nas páginas da Revista Evangélica Ultimato (março-abril/2009), que, por mais de uma edição, já gastou páginas e páginas para expor "o drama dos padres celibatários".

Sucumbo, portanto, à perplexidade diante de tantos protestantes e evangélicos que "investem" horas preciosas numa discussão fútil sobre se padres podem ou não casar! Duvido que católicos percam tempo discutindo se presbiterianos deveriam ou não abandonar a prática do batismo infantil dentro dos seus templos. Duvido também que católicos publiquem em suas revistas seus palpites sobre se batistas deveriam ser pastoreados apenas por celibatários ou por mulheres e adotar o batismo por aspersão...

Eu não creio que o romanismo necessite daquelas reformas ali propostas por D. Isnard. Muito menos creio que os protestantes e evangélicos deveriam se preocupar com as reflexões de D. Isnard. Segundo seus próprios pares romanos, pessoas como D. Isnard são homens que confessam seus crimes na intenção de serem aplaudidos (ver: http://oblatvs.blogspot.com/2009/01/dom-clemente-isnard.html).

Como ex-seminarista católico, entendo que as regras institucionais são previamente estabelecidas: o celibato é prerrogativa do sacerdócio romano. Em outras palavras: só é padre quem quer e ninguém tem nada haver com isso! Fico perplexo de tantos protestantes e evangélicos discutirem e darem espaço a questões como essa.

Mas eu não creio que o romanismo necessite dessas tais mudanças
, por isso não discuto sobre “o celibato voluntário dos sacerdotes e a ordenação de homens casados” ou sobre “a importância da ordenação feminina” e “a participação popular nas nomeações episcopais” ou “missões católicas”. Não sei quem escreveu o artigo em questão na revista (não foi assinado), mas a frase “as denominações protestantes precisam tomar cuidado para que não aconteça o mesmo problema em seu seio” revela um desconhecimento de quem seja o historicamente insubordinado Dom Isnard ou demonstra cumplicidade com o Bispo.

“Muitos querem falar, mas não podem”, diz o artigo da revista. Não podem por quê? A América Latina sempre produziu bispos que nestas últimas quatro décadas se levantaram pelas mesmas bandeiras de Dom Isnard. Este sempre falou o que quis e nunca foi censurado, basta ver o currículo dele apresentado no próprio artigo.

Aliás, aquela historinha sobre um superior eclesiástico que teria “orientado” uma editora católica a não publicar o livro de D. Isnard só pode ser devaneio, por favor! Dom Isnard foi presidente da Comissão de Liturgia da CNBB por mais de vinte anos, foi membro (nomeado pelo Papa Paulo VI) do Conselho para Execução da Constituição de Liturgia e membro da Congregação para o Culto Divino, será que alguém sabe o poder eclesiástico que estes cargos oferecem?

Eu não creio que o romanismo necessite das reformas de D. Isnard.
As reformas imprescindíveis são muito mais profundas e essenciais. Entretanto as Reformas Bíblicas o romanismo não quer (e muito menos fazem parte das reflexões de D. Isnard sobre as instituições eclesiásticas atuais): o Papa continua a ostentar o seu Primado e o título de Vigário de Cristo, Maria permanece sendo mediadora entre os homens e Jesus e as “aparições” dela pelo mundo seguem incontestadas a despeito das verdades bíblicas, assim como seguem o culto aos santos e a missa aos mortos, e as tão escandalosas indulgências nunca deixaram de acontecer até os dias de hoje, só para citar alguns exemplos. É o romanismo de sempre que ainda hoje sofre das mesmas mazelas denunciadas pela Reforma Protestante há mais de 500 anos. Roma não foi reformada, mas parece que muitos protestantes e evangélicos se conformaram a isso.

Além do mais, os Papas Bento XVI, João Paulo II e Paulo VI já declararam inúmeras vezes que os protestantes não podem ser chamados de igreja, pois a Igreja de Cristo só pode subsistir na Igreja Romana (ver a declaração Mysterium Ecclesiae de Paulo 6º, de 1973, e em 2000, a Dominus Iesus, aprovada por João Paulo 2º). Os três Papas citados nada mais fizeram do que corrigir erros de interpretação surgidos com o Vaticano II, que não alterou uma vírgula da sessão XXII do Concílio de Trento em que todos os protestantes já estão excomungados! Está errada a Igreja Católica Romana? Não! O romanismo não está errado, está apenas sendo coerente com suas tradições. 

Eu creio que cada um de nós necessita ser reformado sempre
, mesmo os que se denominam protestantes e evangélicos, mas reformados pelas Sagradas Escrituras somente e não por teologias oriundas de pressupostos ateístas e antropocêntricos, que somente geram pessoas como D. Isnard! Devemos rever nossos discursos para não sermos mais uma voz num coro que fala apenas para não ficar calado (já que Jesus também soube ficar em silêncio e se submeter à vontade do Pai diante do erro dos nossos pecados, Isaías 53: 7), porque, para vergonha nossa, o Evangelho da Graça, a primazia da Palavra e a fé salvadora sem obras meritórias ainda se conservam desconhecidos por milhares de católicos e protestantes de nossa Cristandade, ao mesmo tempo em que muitos se contentam em ficar brincando de ver quem vai ser a mulher do padre. Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

Título original deste artigo: A voz de D. Isnard e o silêncio de Jesus

Outros posts desta série:
 Teologia Negra?! (ou "Onde nascem os discursos equivocados")
Deus é pobre?!
A mui piedosa esquerda cristã?!

6 comentários:

♥♥ஐEli§@n§elaﻬ♥ disse...

oi querida to passando aqui pra dizer um oi e ler seus posts que são pra lá de legais e edificantes pois é sempre precisamos de uma reforma.
olha tem um selinho de presente pra vc em meu blog passa lá bjsss
http://soucristaoesirvoajesus.blogspot.com/2011/10/selinho-de-presente-para-meus-blogs.html

disse...

Muito bom Fábio!

Anselmo disse...

Quem se lembra da frase de infância:"Quem chegar por ultimo é mulher do padre!"Caramba, até os infantes perceberam que ninguém quer ser a mulher do padre?!
Concordo com você meu irmão,essas e outras discussões inúteis tem ocupado lugar e espaço onde não deveriam.
Assim tem acontecido também em relação a outras discussões.Lembra de sua observação sobre a questão do divorcio levantada em meu blog?
Perceba agora o seguinte; quando é o último escândalo, quando se aponta o tropeço de alguém que esta na mídia,aí,"chovem" comentários e irmão afeitos em mostrar seu ponto de vista ou dar mais um "chute no cachorro agonizante". É lógico que sabemos que essas são questões inerentes a alma humana."Todos adoram ver o circo pegar fogo"!
Minha pergunta:"Por onde andam aqueles que um dia foram remidos pelo sangue do Cristo e que se tornaram novas criaturas?"
As coisas velhas já se foram???
"Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz". Efésios 5:8
Creio que a advertência do Apostolo Paulo se faz necessária.
Um grande abraço.
Paz!

Casal 20 disse...

Olá, Pastor Anselmo. Verdade! Já brinquei muito disso e acabou que a Lu é quem quase virou mulher do padre (rsrsrsrs).

É, meu amigo, aguardemos crendo que ainda há sete mil silenciosos profetas em oração, mas que não dobraram o joelho para Baal.

Rô, minha amiga, você é sempre uma benção. Você e sua família estão sempre nas nossas orações. Obrigado por tudo!

Abraços sempre muito afetuosos.

Fábio.

Elizeu Rodrigues disse...

Eu estou acostumado a confrontar algo que alguém fala, escreve ou prega e que não sabe nada do que está falando, fala tudo somente por ouvir ou por ler algo que "talvez" fosse verídico.

Mas é o medo de uma analise mais filosófica (eu não sou filósofo) que mantém muitos acorrentados a uma ignorância tão comum do que se imagina..

Cacá - José Cláudio disse...

É, Fábio, eu parei de seguir religião (igrejas) por causa dessa ingerência humana no sagrado com fins nunca muito claros. Minha religião é Deus, criador de todas as coisas e evito até falar mais para não sofrer incompreensões, que geram insatisfações, que geram disciminações, que geram intolerância, que afastam as pessoas umas das outras. Sigo com Deus em paz. Um grande abraço. Paz e bem.

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