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12 de novembro de 2011

Teologia Negra?! (ou "Onde nascem os discursos equivocados")

Neste mês, todas as sextas-feiras aqui no blog da Rô, estamos comemorando o aniversário de 1 ano do nosso blog pró-família, publicando uma série de artigos escritos por nós e que foram muito importantes na nossa formação, porque foram textos escritos na ebulição de ideias que nos apaixonam. Abraços sempre afetuosos. Casal 20.
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Por seus frutos os conhecereis.
Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
Mt 7:16

Nas aulas de fonética do CLM, íamos ao quadro para desenhar o aparelho fonador humano e escrever o nome de cada uma das suas partes. Ao finalizarmos aqueles desenhos, a professoraos olhava com um ar muito meigo e alguns de nós terminávamos ouvindo dela: "Está bonitinho, mas totalmente errado!".Pensava comigo: como algo poderia estar "bonitinho", mas totalmente errado? Descobri com o passar dos anos que há muitas coisas "bonitinhas" nos púlpitos de muitas igrejas e escritas em muitos artigos e livros do meio evangélico, mas profunda e perigosamente equivocadas.

Pensando no que disse acima, pergunto-me o que deve surgir na mente dos leitores diante de uma expressão como "teologia negra". Se teologia é o resultado confessional de nossa cosmovisão (segundo Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki), deduz-se que toda teologia é um discurso sobre a divindade, sobre Deus, mas sempre como fruto de uma sistematização construída a partir de determinados pressupostos. Mas quais pressupostos?

Pressupostos podem se revelar teístas, deístas, marxistas, antropocêntricos, humanistas, animistas, etc.Daí, ao ouvir sobre uma “teologia negra”, imagina-se haver um discurso negro sobre Deus construído sobre pressupostos raciais? Seria isso? Sendo assim, haverá tantos discursos sobre Deus quanto há etnias e outros grupos sociais no mundo que então sedimentariam teologias negras, brancas, amarelas, vermelhas e - por que não? - gays, pobres, ricas,feministas também? Entretanto, seriam todos esses discursos válidos?Estariam todos esses grupos discursando sobre o mesmo conteúdo?Duvido. O que decorre é que o espaço à Teologia Gay deveria ser o mesmo dado a uma Teologia Negra ou a uma Teologia Feminista. Obviamente, haver uma Teologia Negra implica na existência de outras teologias disputando espaço seja numa feira de ideias seja numa lutade ideologias, ou pior, de raças!

Ora, no areópago pós-moderno todos os discursos são válidos, todos são “politicamente corretos”, todos são cobertos pelo verniz do apresentável, do “bonitinho”, ainda que possam ser retóricas perigosamente equivocadas.

O que seria umaTeologia Negra? Se não é outra coisa senão a própria teologia cristã, então por que ser negra? É um novo discurso sobre um Deus negro? Ou o discurso de um teólogo negro sobre Deus? Ou seria a Teologia Negra o discurso de Deus sobre os negros? Sendo isto, é uma teologia desnecessária, visto que Deus fala a todos e acerca de todos independente se somos negros, brancos, indígenas, gays, heterossexuais e até mesmo flamenguistas! Sendo um novo discurso sobre adivindade, equipara-se, como já disse, a tantas outras teologias que não necessariamente são cristãs – são apenas geiseritas sedimentadas à margem da fonte da água viva a jorrar, que é o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo.

Mais uma vez ainda, o que seria uma Teologia Negra? Pode-se crer que seja uma teologia em oposição ou diferente a uma Teologia Branca? E esta existe? Se, por exemplo, a teologia branca for a teologia dePipper, Washer, Spurgeon, Calvino, Lutero, Wycllif, Agostinho, Atanásio, seria a teologia negra uma oposição a eles (ou diferente deles)? Julgava que a teologia cristã fosse tão somente supracultural, suprarracial, supragênero, supraeconômico, mas não é o que parece ao lermos o texto de GercymarWellington Lima e Silva (Ultimato online de 18/11/2008), que cita que o melhor exemplo de referência imediata da negritude brasileira é o candomblé!

Ora, é esdrúxulo usar o espaço de uma revista cristã evangélica para discorrer sobre teologia negra e citar que o ponto máximo da cultura negra no Brasil é o candomblé e, ainda,pensar que, como cristãos, deveríamos apoiar as tais “políticas de ação afirmativa” que incentivam um sistema religioso (o candomblé) que produziu grandes teólogos e líderes espirituais de envergadura como... Como... Como quem mesmo?

Os adeptos do Candomblé,da Umbanda e outras quaisquer manifestações religiosas têm toda liberdade de participarem de seus cultos e de promoverem os mesmos como bem entenderem. O que não se pode apoiar é que o dinheiro do povo de Deus seja usado para promover uma cultura anticristã, como já tem sido usado para promover mudança de sexo no SUS, promoverkit-sodomia nas escolas públicas, e as cotas da desigualdade nas Universidades, entre tantas outras bizarrices federais financiadas com dinheiro de nossos impostos (dinheiro que declaramos ter sido dado a nós por Deus!). Tudo isto sob a desculpa da laicidade do Estado.

Deus tem uma interpretação sobre nós, sobre nossa natureza e nossas responsabilidades coletivas e individuais, já escrevi sobre isso no artigo "Deus é pobre?!". O mundo precisacompreender que não é a sua interpretação sobre a divindade ocerne da questão, mas a interpretação de Deus acerca de cada um denós. Esta, sim, é a teologia fundamental e cristã diante da qual devemos tremer e temer. Quando destruirmosas grades teóricas com as quais nos prendemos e passarmos tãosomente a viver o Evangelho puro e simples, surgirão maistestemunhos maravilhosos de transformação cultural como o narradono ótimo artigo “Receitaafro-brasileira: uma boa alternativa para igreja” (EdiçãoNovembro-dezembro/2008) de SílviaNassif Del Lama: um ótimo exemplo de uma igreja que não serende ao contexto em que está inserida, mas o transforma aplicando“sermões, publicações, teatro, aconselhamento e programas deoração”. Uma Igreja que simplesmente crê que o Evangelho é opoder de Deus e não discursos humanos!

Teologia Negra... Teologia Gay... Teologia Feminista... O vão escuso dos discursos criados pelo perigo de palavras que, além de informações, estão carregadas de ideologias e bandeiras partidárias. Discursos que pregam mais descontinuidade do que estabelecem pontes entre pecadores e a redenção encontrada nas Sagradas Escrituras. Enfim, discursos bonitinhos, mas, exatamente por causa dos pressupostos que os deu à luz, revelam-se perigosamente equivocados.

Os outros artigos desta série:

"A mui piedosa esquerda cristã?!"
"Deus é pobre?!"

13 comentários:

Casal 20 disse...

Queridos, há alguns links que merecem ser visitados para completar o arcabouço do texto.

Em especial, o do próprio texto refutado, o que dirigirá o leitor à ótima entrevista com o Professor Walter Willians sobre as cotas nas Universidades e o outro sobre a experiência da "receita afro-brasileira", que se revela como um ótimo texto propositivo.

No mais, espero abençoar a todos os leitores e todos que deixarão seus comentários por aqui.

Abraços sempre muito afetuosos.

Fábio.

disse...

Maravilha!

disse...

Muito Bom Fábio. Pena que muitos só lêem, seria bom um debate sobre. Mas valeu meu querido. Continue. Paz!

Casal 20 disse...

Eu sei, Rô.

Vejo também que as eleições do ano que vem chegarão e as pessoas voltarão a discutir esses temas, mas induzidas pelo momento e pela paixão. Por isso muitos serão mais uma vez ludibriados, porque não se deram a chance de pensar à longo prazo.

A tentativa é que discutíssimos tais assuntos sem o afã do momento. E não pela moda e sob a pressão da urna. Mas as ideias ficarão aqui na sua casa para, quem sabe, voltarem mais tarde à mente das pessoas.

Minha amiga, abraços sempre muito afetuosos.

Sigamos salgando.

Fábio.

disse...

Fabio, tô contigo e não abro maninho. Paz e sigamos salgando!

Pastor Jesiel Padilha disse...

a teologia negra nasceu em decorrencia da intolerancia e do odio produzido pelos protestantes americanos brancos em relacao aos negors. O Pr. James Cony para contrapor a revolta de Malcon X que pregava o islamismo dizendo: nao queremos um Jesus loiro protestante que odeia negros. Foi o pai da teologia negra junto com o Pr. martin Luter King. O Objetivo era estancar o exodo de negors para o isla. Dai que ele propos que se nao existe judeu loiro, ja que todos os judeus sao morenos na essencia. E os americanos nao aceitam morenos, ja que morenos la sao considerados negros. se nao ha judeu loiro , Jesus nao e loiro, se nao e loiro 'e negro. Pois naquele pais nao existe meio termo como no Brasil. La se vc nao e loiro vc e negro e portanto uma raca inferior.

disse...

Eu li sobre a teologia negra na Ultimato, e concordo plenamente contigo. Principalmente nesta parte do teu texto:
"O mundo precisacompreender que não é a sua interpretação sobre a divindade o cerne da questão, mas a interpretação de Deus acerca de cada um de nós. Esta, sim, é a teologia fundamental e cristã diante da qual devemos tremer e temer". Muito bom!

Dani disse...

A questão é que a teologia de hoje esta cada vez mais hedonista. Cristo Jesus deixou de ser o foco, o alvo, e o que importa é a satisfação dos desejos do homem. A teologia está sendo moldada à cultura e o racionalismo do homem está "matando Deus" na sociedade (como prega Nietzsche). É a teologia da Nova Era...
(Daniela Cristina Martins Pinto)

disse...

É bem por aí, a busca e a satisfação do homem que importa, isso já tomou conta do púlpitos a muito tempo!

silhuetaecia disse...

Rô, queria seu e-mail pra trocar uma palavrinha contigo. Pode ser?
Me escreva: jumarlim@sapo.pt

Beijinho!

Sérgio Oliveira disse...

SEU BLOG ESTÁ MUITO BOM COM ARTIGOS QUE NOS LEVA A REFLETIR E MEDITAR.DEUS ABENÇOE SUA VIDA.TO TI SEGUINDO.SE PUDER NOS VISITE:
SERGIOOLIVEIRA30.BLOGSPOT.COM

Monja de Clausura Orden de Predicadores disse...

Mi entrañable Ro,vengo a decirte que mi blog está de fiesta por llegar a 1000 seguidores,doy un premio y os dejo un vídeo com mi voz dedicado a una gran poeta y amiga que admiro y quiero Alma Mateos Taborda.
Si puedes te pasas
Te dejo mi ternura
Sor. Cecilia

Pr. Robson Rene disse...

Olá Rô,

Parabéns pelo blog, iniciativa e pessoas (links) que você acompanha, contudo, para o comentário sobre teologia negra, pareceu-me pobre, infeliz e desinformado. Se a idéia era reagir a “Ultimato” deveria se limitar a “Ultimato”.

Deus é Perfeito, a Bíblia é a verdade, mas seus interpretes erram, infalibilidade humana não é nosso mote. O Êxodo sempre esteve registrado, o Deus que não faz acepção de pessoas também, assim como os valores de Deus ligado a pessoa humana, justiça, misericórdia, oprimidos etc. Interpretes resolveram não privilegiar tal fala, mostraram-se tendenciosos e fizeram a manutenção do “status quo” , por conta disso a história registra representações da igreja mancomunadas com regimes totalitários, políticas escravagistas, lideres tiranos opressores e cruéis até o próprio Adolph Hitler.

Uma Teologia Negra não visa imprimir distorções antes corrigi-las. Por conta desta releitura DO DEUS QUE É ESPIRITO valores reais do Cristianismo podem ser destacado, vidas preservadas e a verdade propagada, o que seguramente é seu objetivo. Por conta desta nomes brilhantes como Dr. Martin Luther King (Batista) , R ev. Desmond Tutu (Anglicano) , Nelson Mandela (Metodista) apresentam sua contribuição cristã e fazem a voz avançar para além de suas comunidades, promovendo valores do Reino – Justiça e Paz.

Não se trata de um capricho ou iniciativa de “segmento de mercado” como compreendeu uma das comentaristas do Blog, trata-se, como fora dito, de corrigir distorções, mostrar que o Reino esta entre nós e que o próprio Deus está formando um povo para si, não classificado pela cor de sua pele ou conta bancaria.

Penso que uma matéria de revista é pouco para se optar sobre um tema cuja história se estende por quase seis décadas, valeria ler J. Washington “Black Religion” J. Cone “Black Theology and Black Power” D. Robert “Liberation and Reconciliation: a Black theology” M.L.King, “La forza di amare” entre outros só em nível de sugestão.

Obrigado por abrir um canal de dialogo para juntos crescermos.

Respeitosamente,

Robson Rene, pr. (robsonrene@hotmail.com)
Pastor da Igreja Batista de Arthur Alvim – SP Professor de Teologia Contemporânea e Pós-modernidade FABTEO - SP

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