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5 de fevereiro de 2012

Uma parábola para minhas filhas...

    Nestas férias, minhas meninas apareceram um dia com um ninho em suas mãos. O ninho fora encontrado no chão após uma chuva. Elas estavam elétricas diante da possibilidade de pegarem o filhote de passarinho para criá-lo.

    - Pai, a tia disse que a gente poderia criá-lo. Pode?
    - Creio que não - disse, jogando logo um balde de água fria em suas intenções infantis – até mesmo, porque acho que não vai sobreviver sem a mãe. Acho que o melhor seria retornar com o ninho e colocá-lo na árvore em que vocês o encontraram...
    - Meninas, não fiquem pegando assim não - disse a Lu – porque eu ouvi dizer que na natureza, quando os filhotes ficam com outro cheiro, a mãe rejeita e não cuida mais...
    - Mas, pai - insistiu Aninha - a gente pega e leva para nossa casa, cuida dele e ele vai crescer...
    - Aí, você vai colocar esse passarinho em que lugar?
    - Na gaiola, pai, aí ele fica cantando para nós!

    Criança é assim mesmo: tudo simples, claro, objetivo, mas, quando eu ouvi Aninha dizer sobre colocar o passarinho na gaiola e que ele iria crescer e ficar cantando para gente, deu-me um estalo e lá do fundo das minhas memórias, emergiram algumas imagens: vi-me criancinha, vestido com aquela camisa amarela e o short azul do antigo colégio Maristinha; eu estava sentado numa cadeira da biblioteca com um livro na mão, lendo pela primeira vez na minha vida uma história completa, deliciando-me com as imagens diferentes, a história fascinante e aquelas letras que já não me ofereciam mais quaisquer dificuldades. Era o meu primeiro livro! Então, perguntei para Ana:

    - Será que é simples assim, Ana? Acabei de lembrar de uma história que li quando eu era bem pequeno, acho que da idade da sua irmã, uns 6 anos. Venham aqui. Quero contar essa história, a história do pássaro da chuva... Pelo que me lembro, é uma história passada na África, numa tabanca (nome dado às aldeias africanas). Havia um menino e seu avô. Eles estavam aguardando o canto do pássaro da chuva. O tempo da seca já havia se estendido demais e, certamente, faltaria pouco para ouvirem o pássaro da chuva, cujo canto trazia as águas do céu sobre a terra. O seu avô dizia que o canto era o mais belo que se poderia ouvir, não havia nada igual. Contudo, o menino resolveu que iria capturar o pássaro da chuva e prendê-lo para que o pássaro cantasse somente a ele. Dito e feito, armadilha preparada, menino na tocaia, finalmente, o pássaro lhe caiu nas mãos. O menino colocou o pássaro dentro da gaiola em sua casa. Os dias passaram e nada do pássaro cantar. As pessoas na aldeia já estavam muito preocupadas, porque tardava a chuva e toda a plantação estava ameaçada e a fome já começava a fazer suas vítimas.
    - Ele prendeu o pássaro numa gaiola? - interrompeu Gisele.
    - Sim, filha. O pássaro estava preso numa gaiola e ninguém sabia disso. Mas a chuva não veio e veio a fome e a seca piorou. O avô do menino, velho muito sábio, observara a mudança do seu neto naquelas semanas e resolveu ir até à casa dele para visitá-lo. Qual não foi a surpresa do avô quando viu o pássaro da chuva triste e de cabeça baixa preso numa gaiola na casa do neto.
    - O avô soltou o pássaro? Perguntou Aninha.
    - Que eu me lembre, não. Ele saiu dali, procurou o neto dele, puxou-o à força e o trancou dentro da casa junto com o pássaro da chuva. E o menino ficou ali dentro na escuridão, porta fechada e sem poder sair. No dia seguinte, o avô voltou e se aproximou da casa e pode ouvir o neto chorando. Então, ele disse: “Meu neto, vovô está aqui. Canta, canta para mim, que eu quero ouvir”! O menino sem entender respondeu: “Como posso cantar, vovô, se estou preso. Só tenho vontade de chorar. Eu não nasci para ficar preso, nasci para ser livre”! Naquele momento, o avô abriu a porta e seu neto correu para os seus braços, dizendo: “Eu entendi, vovô, eu entendi. O pássaro não cantou todos esses dias, porque ele foi feito para voar, para ser livre”. O menino pegou a gaiola, levou para fora da sua casa e soltou o pássaro, que voou. E lá no alto do céu, livre e feliz, ele começou a cantar o canto mais lindo que jamais o menino poderia pensar existir. E o menino chorou e junto com as lágrimas do menino a chuva finalmente veio também!
    - Uau! Que história linda! Foi assim mesmo que o senhor leu, papai?
    - Acho que não, Ana. Floreei um pouquinho, mas a mensagem certamente é essa.
    - Entendi, pai. Vou já pegar o ninho do passarinho e colocá-lo no lugar. Ele não nasceu para gaiola... Entendi, pai.
    - Mas, filhas, eu não contei essa história só por causa do filhote que vocês queriam colocar na gaiola.
    - ?!!!
    - Eu contei essa história para dizer que o pecado é uma gaiola! E Deus não criou vocês para viverem dentro dessa gaiola, mas para serem livres, livres em Jesus. O diabo enganou a todos nós e todos caímos dentro da gaiola dele, mas Jesus pode nos libertar verdadeiramente. E tem mais: um dia, estaremos totalmente libertos dos nossos pecados e voaremos altaneiramente e livres juntamente com Jesus. Vocês entenderam? Fiz da história uma parábola, a parábola da nossa liberdade em Cristo. Papai quer que vocês sejam livres e há uma saída da gaiola: Jesus.

    Terminei de contar tudo isso a elas e oramos. Naquela tarde gostosa de férias, deitados na rede, um beija-flor nos visitou e ficamos ali, os três vendo a beleza da Criação de Deus, enquanto conversávamos sobre a nossa liberdade em Cristo Jesus.

Casal 20

9 comentários:

CORAÇÃO QUE PULSA disse...

Meu amigo...Minha amiga Zoinho Verde...saudades.
Quase choro aqui com este ensinamento.
E sabe o que DEUS me fez lembrar?!
QUE NÃO PODEMOS PERDER O NOSSO CHEIRO CARACTERÍSTICO...ÚNICO...CHEIRO DE FILHO.
Se somos PEGOS...ENGAIOLADOS...perdemos a identidade...o cheiro de FILHO.
E...como poderemos CANTAR em TERRA ESTRANHA?!
Isso é profundo demais...
Um abraço amigo e...beijos nas suas 3 meninas( A primeira é Zoinho...rsrsrs)

Beijos RÔ...

Casal 20 disse...

Clélia, que ensino lindo! Aprendi com você mais essa pérola de sabedoria. Essa é a graça da parábola, com olhos abertos, conseguimos ver ensinos lindos para nós.

Saudades!

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Agnes Priscila disse...

Ow... *__*
Que texto mais lindo, lembrei muito da minha infância, tbm era louca com passarinhos...hahaha
Uma das coisas que Deus usa muito pra tocar meu coração é a natureza, acho impossível não ver Deus nela, em todas as formas, cores, odores e sons...
Deus usou vcs pra falar comigo hj... =)
Deus abençoe o casal 20!!!

Casal 20 disse...

Agnes, querida, que bom te ver aqui e compartilhar contigo as belezas do nosso Deus Criador! Também sou fascinado pela beleza da criação de Deus. Sempre fui ligado à paisagens, cores, sons... Deus é lindo!

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Anderson Andujar disse...

Belíssima lição Fábio e Lu.

Algum tempo atrás também tive uma experiência que me chamou a atenção com um pássaro.

Fui convidado para almoçar na casa de um novo convertido aqui da igreja.Ele mora no sítio e durante o almoço percebi um pássaro assentado em um tronco de árvore próximo a área onde almoçáva-mos. Me chamou a atenção o seu canto e qual a minha surpresa ao irmão me relatar que aquele pássaro esteve durante muito tempo preso em uma gaiola ali mesmo próximo aquela área e que esse mesmo irmão o havia soltado depois de ter aceito ao Senhor porque, segundo as palavras dele, "não acho justo ver o pássaro preso quando eu fui liberto pelo sangue de Cristo".

O pássaro mesmo tendo a oportunidade de voar pra qualquer lugar preferiu cantar ali por amor ao irmão que o havia liberto.

A lição que tirei é que o pássaro agora cantava ali não mais porque estivesse preso e não tinha alternativa, mas cantava ali agora por amar o seu dono que lhe deu a liberdade.

Assim somos em Cristo, não O servimos e O adoramos por imposição d'Ele, mas porque Ele nos libertou e o nosso prazer é adorá-Lo por aquilo que Ele é.

Abraços, Fábio, Lu e rô...

Anderson Andujar disse...

Vou indicar o link lá no blog. Posso?

disse...

Claro Anderson!

É lindo demais!

Casal 20 disse...

Anderson, gostei muito da sua história e da lição que você tirou dela: verdade pura!

É muito bom estarmos de volta por aqui e revermos os amigos.

Abraços sempre muito afetuosos.

Fábio e Lu.

Casal 20 disse...

Wow! Quase 3 anos depois, postei este texto novamente na minha timeline do face. Estou lembrando de coisas da minha infância. Abraços, Rô.

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