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2 de março de 2012

Pedofilia e Internet: quando se quebra a confiança


“Confiar” (trust) é um filme forte e difícil de ser assistido, principalmente por quem é pai de meninas. Um filme que traz para as telas a vida como a vida é, ou melhor, a vida naquilo que a transformamos. Confesso que me identifiquei profundamente com o pai do filme, enquanto ele se imaginava comprando uma arma para fazer justiça pelas próprias mãos. Principalmente, após constatarmos que o Estado (FBI) sabe exatamente onde moram os molestadores sexuais, mas, por razões legais e burocráticas, nem sempre as prisões podem ocorrer conforme esperamos.

“Confiar” vai mostrar que criamos uma sociedade em que cada um de nós é um ilha de informação e como ilhas nos isolamos, mergulhados no mundo em que nos encerramos. Recebemos informações pelos celulares e nos comunicamos uns com os outros na mais tranquila privacidade... Nossos filhos se comunicam com o mundo numa avalanche de informações e os pais modernos ainda se consideram isentos de interferir até mesmo na educação virtual dos próprios filhos. É a falência da autoridade do pai e da mãe.

“Confiar” trata também do emprego do pai. Sim, perceba no que o pai trabalha. O diretor do filme construiu uma mensagem forte ali. Somos uma sociedade que alimenta a pedofilia o tempo todo e nem precisamos da Internet, pois não foi a internet que inventou a pedofilia, apenas facilitou o contato, o encontro. Mas precisamos nos questionar se não estamos alimentando o ladrão que invadirá a nossa própria casa. Veja o filme, procurando entender o que estou falando.

“Confiar” questiona o que afinal entendemos que seja um estupro. O que é que se pode considerar um estupro? Quando uma menina de 14 anos é seduzida e estuprada, poderíamos considerar um estupro sendo que ela consentiu em ter a relação sexual? O filme aborda magistralmente esta questão. Há, ainda, uma cena que revela como que é comum na nossa sociedade homens mais velhos, em posição de domínio econômico, se valerem disso para se envolverem com meninas mais novas, bem mais novas (repare a cena do bar entre o amigo do pai e a garçonete). Mas qual é o problema desde que haja consentimento? 

“Confiar”, além do eixo principal que é a internet e a pedofilia, aborda sutilmente a responsabilidade de cada um de nós na construção do que temos hoje. Responsabilidade é uma palavra cara à teologia que advogo, mas, também, é uma palavra caríssima a mim desde que, há muitos anos atrás, li o ótimo livro “A cura dos traumas emocionais” de David Seamands (Ed. Betânia). Este livro aborda, entre muitos outros assuntos, o incrível número de divórcios em famílias que enfrentam o problema do vício do álcool. Contudo, os divórcios não ocorrem durante o enfrentamento com o parente alcoólatra, mas, exatamente, quando este retorna do tratamento recuperado! O livro expõe o fato de que quando a família não tem mais o “bode expiatório”, porque o alcoólatra está curado, é o momento em que as tensões mais se revelam, pois boa parte dos problemas familiares continuam. A conclusão a que a família chega é que cada um (mãe, pai, filhos, etc) tem que agora assumir a sua parcela de responsabilidade tanto na criação como na manutenção dos problemas em que estão mergulhados.

Por sermos pecadores, totalmente depravados, a primeira atitude nossa é passar a responsabilidade dos nossos erros e problemas para o outro. Foi assim com Adão e com Eva, foi assim com Caim e tem sido assim até os dias de hoje. Vemos que muitas pessoas se habituaram a colocar a responsabilidade de seus fracassos e frustrações nos pais, na educação, na Escola, na política, no sistema capitalista ou socialista, enfim, estamos sempre procurando repassar a nossa responsabilidade para alguém ou alguma coisa. Somos assim. O pecado nos faz vítimas! “Confiar” tenta romper, embora o faça tenuemente, com esse empurra-empurra de nossas responsabilidades, essa terrível cultura da vitimização. Principalmente, quando chama à responsabilidade pessoal a vítima do filme. O que vemos hoje é uma tentativa de responsabilizar o outro e nos eximirmos daquilo que somos e fazemos. É como aquela velha ladainha freudiana: “a culpa é da mãe”!

"Confiar" é um filme de quebra de confiança, de raiva, ira, negligência, responsabilidade individual no tocante a como o mal vai seduzindo a cada um de nós até nos enganar e se instalar por inteiro em nossas vidas, mas também é um filme de restauração, perdão e re-encontro consigo mesmo, de auto-avaliação. Enfim, um filme para ser assistido pelos pais e líderes de Igreja na esperança de que possamos construir laços de confiança entre nós e nossos filhos. Última mensagem? O pedófilo é um homem comum, pode ter família, filhos e ser um ótimo vizinho (repare na última cena do filme).

Ironia do filme? A família em questão vive numa casa blindada por forte sistema de segurança contra invasão, mas que foi totalmente inútil contra a invasão que veio via internet. Segue abaixo o trailer. Bom filme. CASAL 20.

3 comentários:

disse...

Este filme deve ser ótimo.Mostra a fragilidade do ser humano, que mesmo vivendo em uma casa blindada, ainda sim foi invadida, o perigo veiopela internet.

Casal 20 disse...

Rô, foi muito forte para mim. Assisti ao filme do lado da Lu e depois ficamos conversando ainda por horas e horas sobre vários detalhes que foram deixados propositalmente.

Forte e imprescindível.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Vinícius Oliveira disse...

Esse filme é mais uma armadilha de Satanás por pelo menos dois motivos:

1) Não tem nada a ver com pedofilia. Pedofilia se refere a pré-púberes e a puberdade feminina começa por volta dos 9-10 anos.

2) Ataca o cristianismo. Maria, a mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, seria uma adolescente de 12-14 anos quando foi desposada por um homem bem mais velho, chamado José.
"Coincidentemente" relação como essa, típica adulto-adolescente, é que a mídia vive associando a "pedofilia".
Não precisa dizer mais nada numa sociedade onde o aborto na adolescência é visto como normal. E ainda querem aumentar a adolescência para 25 anos.
O Diabo é astuto e arrasta crente que não pensa.

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