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30 de abril de 2012

Evangelista Billy Graham afirma que muitos evangélicos idolatram o dinheiro e o poder


O evangelista Billy Graham, que recentemente foi considerado um dos homens mais admirados dos Estados Unidos, afirmou essa semana que os evangélicos adoram a ídolos o dinheiro, o poder e as posses.
Em resposta à pergunta de uma leitora, em sua coluna no site Chicago Tribune, Graham comparou a idolatria à preocupação contemporânea com dinheiro e bens materiais. “Ambos podem facilmente tornar-se “ídolos” que seguimos servilmente e deixamos de lado as coisas mais importantes em nossas vidas. Em vez de servir a Deus, servimos ao dinheiro e às coisas”, ressaltou, citando em seguida o trecho do evangelho de Mateus no qual Jesus advertiu: “Ninguém pode servir a dois senhores …. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.
“Não podemos nos curvar aos ídolos feitos de pedra ou de metal, como as pessoas faziam antigamente (e algumas ainda fazem em diferentes partes do mundo). Mas isso não significa que nós [evangélicos] não temos nossos próprios ‘ídolos’ hoje. Ou seja, temo que ainda servimos a coisas com a mesma devoção que eles tinham” afirmou o evangelista.
Billy Graham prosseguiu listando outras coisas que podem ser consideradas ídolos nos dias de hoje: “Tenho certeza que você pode pensar em várias coisas que se tornaram ídolos para nós. Por exemplo, o prazer, o sexo, o entretenimento, o prestígio social, a beleza ou o poder. Contudo, a verdadeira questão é esta: A que a ídolos servimos? O que temos colocado em nossa vida no lugar que pertence somente a Deus?”
Aos 92 anos, Graham está afastado das cruzadas evangelísticas que o tornou mundialmente famoso. Ele completou seu texto dizendo: “Certifique-se de seu compromisso com Jesus Cristo, e procure segui-Lo todos os dias. Não se deixe influenciar pelos falsos valores e objetivos deste mundo, mas coloque Cristo e Sua vontade em primeiro lugar em tudo que você faz”.
Fonte: Gospel+

Quanto Custa Ser Um Homem?


Por Paul Washer

A perda da masculinidade nos nossos dias.



Nas escrituras e em muitas civilizações havia esta noção de que o macho ou era um menino ou era um homem. Não há muitos jovens que gostam de ser chamados de meninos. Então, havendo apenas duas opções, um jovem iria se esforçar para se tornar um homem, pois não quer ser um menino. Mas esta falsa idéia de “modelos evolucionários” trouxe uma terceira categoria: adolescentes.


Então agora quando um garoto atinge a idade de onze, doze anos, ele é chamado de adolescente. E é dito a ele que ele tem que se auto-descobrir, buscar autonomia, ser rebelde, etc.

Mas a bíblia não ensina que exista um período assim. E esta fase é perfeita para o cara preguiçoso, que quer experimentar os privilégios de um homem, mas não quer assumir as responsabilidades de um homem, e continua agindo como um menino, até a idade de trinta anos. A responsabilidade primordial de um homem santo é gerar homens santos. A responsabilidade primordial de um pai é investir sua vida, a todo custo, para criar seus filhos, de maneira que eles cheguem a idade de 17 ou 18 anos e possam assumir o título de homem.


Alguns jovens me perguntam: “Quando eu devo começar a namorar?”. O namoro é algo recente, cultural, que nasceu nos últimos cem anos para cá. É algo recreacional. Você quer sair com uma garota… por que? Porque você quer os privilégios de ter uma parceira ao seu lado mas sem assumir as responsabilidade de ter uma parceira. Então, quando eu posso começar a me relacionar com alguém do sexo oposto? Quando você se tornar um homem.

E o que quer dizer se tornar um homem?

De acordo com as escrituras, em primeiro lugar, é ser capaz de ser o líder espiritual de uma mulher e de uma casa. Antes disso, biblicamente, você não é considerado um homem. Não é apenas ter a capacidade de fazer isto, mas é assumir a responsabilidade, o peso nos seus ombros, de guiar espiritualmente sua família, ensinando e sendo exemplo.
Além disso, você estar pronto para proteger sua família. Não significa ser cheio de músculos, mas ter o caráter forte e necessário para enfrentar as adversidades que batem a porta. Não é obrigação da sua esposa fazer isto. É sua responsabilidade se colocar na porta para que sua mulher nunca tenha que enfrentar os problemas e seus filhos tenham um lugar seguro para crescer e se desenvolver.

Quando um rapaz pode iniciar um relacionamento?

Quando ele pode ser um provedor para aquela pessoa. Por exemplo, se seu pai e sua mãe ainda pagam suas contas, “você não tem o direito” de pensar em alguém do sexo oposto. Apenas porque você atingiu certa idade não quer dizer que pode participar de tudo o que diz respeito a um homem.Você pode ter vinte e um anos e ser ainda um menino. A bíblia sempre trata com homens: “e por esta razão o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir a mulher”.

Esta idéia de namoro recreacional, “estou com ela porque gosto dela”, não existe na bíblia, nem mesmo nas culturas dos povos, exceto na cultura moderna ocidental. Os cristãos tem pelo menos cinco relacionamentos antes de se casarem, então quando chegam no altar, cinco partes deles estão espalhadas por aí. Eles não são uma pessoa completa. Você não pode entrar em um relacionamento, de qualquer tipo de intimidade, sem deixar uma parte de você mesmo para trás.
Não existe na bíblia a idéia de um garoto, debaixo do teto de seus pais, se alimentando da mesa deles, sustentado por eles, que irá sair e se divertir com alguém do sexo oposto. Ela diz que para estar junto com alguém você deve deixar seu pai e sua mãe.


Então, tudo o que conhecemos terá que ser mudado? Exatamente. Mas se você é jovem, você crescerá rápido e se disser: “Eu não posso mais ser um garoto ou brincar com as coisas de garoto, e ao mesmo tempo esperar ter a permissão de participar nos privilégios de homens”.

Pais, é sua principal responsabilidade que quando seus garotos atingirem 18 anos, eles sejam homens. E por que a masculinidade bíblica se perdeu nos dias de hoje? Eu perguntava para um grupo de garotos: “Vocês estão no ensino médio. Vocês já escutaram seus amigos conversando sobre como crescer e se tornar um homem de verdade, desenvolver o meu caráter, ser capaz de tomar conta de mim mesmo, depois encontrar um esposa e criar uma família santa?” Não, eles estão todos brincando com Playstations e coisas assim.

Eu morei em uma tribo no Peru por muitos anos. Lá, quando um garoto tem 14 anos ele pode se casar, porque ele pode construir sua casa, pode fazer uma plantação, pode lutar para defender sua tribo de outras tribos. Mas na nossa cultura, a época do colégio é pura diversão, sem essa noção de “Eu tenho que me tornar um homem”. Depois, vem a universidade, que nada mais é que um colégio com pessoas mais velhas, onde o mesmo espírito permanece:
“Vamos pra festa! Vamos andar por aí com nossos amigos! Vamos continuar a nos divertir”.

E alguns, quando saem da universidade, continuam:

“Ótimo, agora eu tenho dinheiro, posso comprar mais Playstations! Posso ter mais hobbies e comprar brinquedos mais caros”.

E claro, eles querem sexo, então entram em um relacionamento. Mas, mesmo após o casamento, nunca assumem a responsabilidade de seu relacionamento. Pois não sabem que estão casando com uma esposa, acham que estão casando com uma “mãe”, então querem que o tratamento de “mãe” continue.



Os pais tem essa idéia de que quando seus filhos atingem a idade de 12 anos, 11 anos (e a idade continua diminuindo), e começam a pensar sobre o sexo oposto é chegada a hora deles entrarem em relacionamentos. Este não é o sinal de Deus de que seu filho deve entrar em um relacionamento, mas é o sinal de Deus que é hora de começar a trabalhar a sua masculinidade, para que com o tempo ele se torne um homem e possa entrar em um relacionamento. O mesmo vale para as meninas. A idéia de ter garotos e garotas de 12 e 13 anos se relacionando é doente.

O pior erro que você pode cometer é chegar para um de meus garotos e dizer: “Você é jovem, bonito, porque você não arranja umas namoradinhas?”. Eu vou lhe parar no mesmo instante e lhe manter distante dos meus filhos. Jovens garotos devem estar construindo castelos, lutando contra dragões e lendo Crônicas de Narnia.

O que acontece é que quando aquela faísca aparece, não há ninguém para direcioná-lo. Quem lhe ensina sobre isto é a televisão, revistas e outros garotos como você. É gasto muito tempo conversando sobre garotas, e jogos, e passeando por shoppings, e todo aquele tempo que deveria ser usado para desenvolver masculinidade e feminilidade é jogado fora.

Nos anos 60 e 70, nós quisemos dar ouvidos a grupos de feministas e homossexuais que queriam nos ensinar a como criar nossos filhos. Nós deveríamos ter ido nas escrituras, nas veredas antigas, nos caminhos do Senhor.

Houve o tempo em que os homens eram respeitados por colocarem comida na mesa. Agora, isto não é suficiente, você deve colocar dois carrões na garagem. E muitos homens e mulheres estão trabalhando e não é para colocar comida na mesa, é para comprar todos os brinquedos que a sociedade compra, pagar pelos seus hobbies e a crianças são esquecidas.

Sua obrigação não é dar as crianças todas as coisas que você nunca teve, pois foram as coisas que você nunca teve que fez de você o homem que você é hoje, e são estas coisas que você nunca teve e que você dá aos seus filhos que estão transformando-os em inúteis. Não devemos dar as nossas crianças tudo o que não tivemos, devemos dar a elas nós mesmos, um mentor, um pai, um líder.


Verso 19 de Gênesis 3 diz: “Do suor da tua face tu comerás o pão…”. Há tempos atrás, apenas pessoas milionárias viviam em mansões. Mas, na nossa sociedade moderna, achamos que qualquer pessoa que trabalhe meio-período tem o direito de morar em uma casa destas. Achamos que merecemos tudo, e que temos o dever de viver o estilo de vida que os ricos famosos vivem.

Não, não caiam na falsa idéia de que merecemos uma vida fácil, com várias férias, podendo viajar quando bem quisermos, que podemos terminar nosso trabalho no final do dia, trazer comida para casa, depois sentar na poltrona e ficar ali como um tronco de madeira morto, porque você merece. Isto está errado. Você deve viver do suor do seu trabalho. Esta é sua vida como homem. Você tem muitas obrigações a cumprir e pouco tempo para descansar. Sinto muito, isto é masculinidade.

Em suma, devemos acordar bem cedo, ir trabalhar, voltar para casa, e então nosso real trabalho começa. Temos uma esposa em casa para cuidar que precisa de muito mais do que apenas trazermos comida. E temos crianças que precisam ser discipuladas e mentoreadas. Então, desabamos na cama, para acordar no dia seguinte e fazer tudo de novo. Esta é a razão pela qual a mulher deve cuidar da casa e viver para seu marido, pois a vida dele é viver para eles.

Nossa cultura prega que devemos ter uma vida fácil. Quando a queda aconteceu, no jardim, a vida fácil foi embora. Muitos homens trabalham, e eles odeiam isso, e eles ficam com suas famílias apenas suficiente para fazer o mínimo, e então podem fugir de seus trabalhos e de suas famílias para fazer algo que realmente gostem, e suas vidas ficam sempre nestes hobbies, nos esportes, em descansar, e outras coisas.

A única maneira de achar contentamento nesta vida é vendo o seu trabalho e suas responsabilidades nesta terra como ordenanças de Deus e aguardando sua recompensa no céu, realizando o trabalho que lhe é proposto e tirando sua alegria do fato de agradar a Deus ao assumir a responsabilidade de sua masculinidade.

Então não podemos praticar esportes ou descansar? Podemos, mas não tanto quanto gostaríamos, ou tanto quanto meus amigos, que não são casados ou não tem filhos. Existem fases diferentes em nossas vidas. Onde está seu coração? A verdadeira alegria não está em continuar sendo um menino eternamente, apenas com brinquedos mais caros e continuamente sendo cuidado por uma mãe, seja ela sua mãe mesmo ou sua esposa. A alegria e o contentamento vem de assumir sua responsabilidade que lhe foi proposta por Deus, de prover para sua família, e não apenas coisas físicas, pois isso é apenas uma pequena parte da provisão.

A pessoa mais importante na face da terra para um homem deve ser sua esposa.

E vice-versa. Uma terrível ilustração para isto é que, se eu estiver em um barco com minha mulher e meus filhos, e o barco estiver afundando, e apenas eu souber nadar e for capaz de salvar apenas uma pessoa, eu devo salvar minha esposa. Você já deve ter escutado: “Não há amor como o de mãe”, isso é errado, a bíblia fala que não há amor como o amor de um pai.

Você sabe porque tantas mulheres são tão ligadas as seus filhos?

Porque suas necessidades emocionais que deveriam ser supridas por seu marido não o são, então elas buscam esse suporte emocional nos seus filhos. O problema é que as crianças não foram feitas para nutrir emocionalmente os pais. Se o marido amar a esposa mais do que tudo, as crianças olharão e dirão: “Meu pai ama minha mãe mais do que tudo neste mundo. Este lar está seguro como uma rocha, papai não vai a lugar nenhum”. E a filha dirá: “Então é assim que um homem deve tratar uma mulher. Meu pai trata minha mãe como se fosse uma rainha. Eu não irei aceitar nada menos do que isto”.

Tradução e transcrição pela Equipe BC Heart da pregação “What it takes to be a man?” – por Paul Washer

29 de abril de 2012

Botafogo é campeão da Taça Rio 2012


Botafogo x Vasco da Gama jogaram neste domingo (29) pela final da Taça Rio 2012. Fluminense x Botafogo disputarão a final do Campeonato Carioca.

Botafogo 3 x 1 Vasco

Por Rô Moreira


Começou a grande final da Taça Rio do campeonato carioca no estádio do Engenhão, o Vasco tenta imprimir a mesma  velocidade acompanhada de muita qualidade como fez  na partida contra o Flamengo, mas no seu caminho tinha uma gandula de nome Fernanda, que num contra-ataque rápido do Botafogo, repos a Bola que havia saído pela lateral com muita habilidade, proporcionando a continuidade do contra-ataque iniciado pela equipe do Botafogo. Conclusão: Goool do Loco Abreu, Botafogo 1 a 0 . Num primeiro tempo frenético e cheio de emoção de ambos  os lados, ainda estava reservado para torcida Alvinegra, mais um grande momento de alegria, outro gol de Loco Abreu, neste momento meu coração ja estava na ponta da chuteira.
No segundo tempo o Vasco começou quente, pressionando o Botafogo e já aos 2 minutos acertou uma bola no travessão. Mas não 
demorou muito para o Bota reverter a situação e  fazer outro goooool, com Maicosuel. A partir deste gol se começa a ouvir numa só voz a provocação da torcida alvinegra, que cantava assim: Ôôô, vice de novo... rsss. Na segunda parte do segundo tempo o vasco diminui com Carlos Alberto e só. Final de jogo, o Vasco perde mais um turno do carioca por 3 x 1 e torna-se vice de novo. Por tanto se falar da condição de vice para o Flamengo, ninguém percebeu que o Vasco é há muito mais tempo vice do Botafogo, já vive essa situação há quase meio século, das dez finais até agora entre os dois clubes só venceu a taça guanabara de 1965 e perdeu uma Rio/SP, quatro estaduais, três taças guanabaras e uma taça Rio. O Botafogo está invícto, 23 jogos sem perder, 22 neste ano.
Parabéns ao Botafogo campeão invícto, a todos os torcedores Botafoguenses inclusive "euzinha" rss. Fogooooo!!!





27 de abril de 2012

Hilda Hilst - uma bruxa em prosa e verso!


"Deus é muito complexo. É muito difícil falar de Deus. Só na poesia mesmo"
"Deus? Uma superfície de gelo ancorada no riso!"
“Posso blasfemar muito, mas o meu negócio é o sagrado. 
É Deus mesmo, meu negócio é com Deus.”
Hilda Hilst
Cadernos: Noutras palavras, a sua poética, de certo modo, sempre foi a do desejo?
Hilda Hilst: Daquele suposto desejo que um dia eu vi e senti em algum lugar. Eu vi Deus em algum lugar. É isso que eu quero dizer.
Cadernos: E a importância de Deus diminui também agora?
Hilda Hilst: Não preciso mais falar nada, entende? Quando a gente já conheceu isso, não precisa mais falar, não dá mais pra falar.
Cadernos: É, portanto, um esgotamento da linguagem, um impasse, digamos, "expressivo", que leva ao silêncio?
Hilda Hilst: É verdade. Leva ao silêncio. Eu fui atingida na minha possibilidade de falar. Lá do alto me mandam não falar. Por isso é que estou assim.
Cadernos: Sua obra, no fundo, então, procura...
Hilda Hilst: Deus.
Cadernos: Ele não significava o Outro, o outro ser humano?
Hilda Hilst: Deus é Deus. O tempo inteiro você vai ver isso no meu trabalho. Eu nem falo "minha obra" porque acho pedante. Prefiro falar "meu trabalho". O tempo todo você vai encontrar isso no meu trabalho.

(Cadernos de Literatura Brasileira - Hilda Hilst / Instituto Moreira Salles - São Paulo - SP: Outubro de 1999.)
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Para alguns críticos, como Léo Gilson Ribeiro, trata-se do "maior escritor vivo em língua portuguesa". Para outros, simplesmente ilegível, incompreensível em seu código expressivo pessoalíssimo e deliberadamente cifrado.
Caio Fernado Abreu à época da publicação de "A obscena senhora D"
 
Hilda Hilst me foi apresentada por professores de literatura na Faculdade. Creio que a obra dela seja ainda muito restrita ao público em geral e arrisco dois motivos para isso: é uma obra filosófica e também de forte apelo erótico. Para quem se aprofunda em seu trabalho, principalmente no que ela escreveu a partir do início da década de 70, sabe bem que tudo o que ela escreveu carrega uma forte carga blasfemadora. Então, uma escritora instigante e difícil. Mas, sem sombra de dúvida, Hilda Hilst é porta-voz da sua geração e admirada por muitos teólogos e filósofos pós-modernos. Hilda Hilst é autora de poesias, prosa de ficção e teatro, sendo que entre suas obras de ficção mais citadas está a “A obscena senhora D”.

Sei que muito já se escreveu sobre a poesia e a prosa de Hilda Hilst. No entanto, quero olhar hoje para a teóloga, a filosofa que discorreu em versos, em obras de ficção e no teatro sua luta contra o Deus judaico-cristão. A poesia de Hilda é fortemente marcada pela presença de Deus e pela luta travada contra esse Deus. Hilda Hilst não O aceita como Ele é, por isso ela se volta para desconstruí-lo pelo poder de sua palavra escrita para fazer dEle um novo ser à imagem e semelhança da poetisa (ou, pelo menos, fazer de Deus um Ser mais digerível ao seu paladar). E para operar tal reconstrução, ela precisa primeiramente atacá-lo, destruí-lo, reduzi-lo ao pó.

Então, o novo deus de Hilda é o deus do seu tempo. Ler Hilda Hilst é ler em verso a teologia do processo, a teologia da Libertação; é ler em estrofes e rimas Leonardo Boff, Ricardo Gondim e toda a perdição do descaminho da teologia liberal desde o século XIX. Se Boff e Ricardo Gondim são os profetas de uma teologia humanista e centrada tão somente no homem, Hilda Hilst, por sua vez, é a bruxa, é a sacerdotisa, é a serpente que repete o discurso da teologia liberal européia e que confunde o que se sabe sobre Deus, levando uma multidão à adoração de Gaia (a nova deusa de Boff, do Partido Verde e tutti quanti).

Hilda sabe que há uma outra tradição e que o que Boff e tantos outros estão fazendo no campo da teologia, ela deve fazer no campo das artes. O plano da mentalidade revolucionária é cultural. A pregação deve acontecer em todas as esferas da vida e assumir as roupagens necessárias para se infiltrar em todos os ambientes: o novo paradigma pagão precisa ser implementado não só na teologia e na filosofia, mas, principalmente, deve moldar a economia, as artes, as universidades, a música, a arquitetura, a escola, os casamentos, as famílias, enfim, a revolução pagã (como toda revolução) é sempre um fenômeno epistemológico.

E como Hilda Hilst colocou em prática a sua agenda artística pagã? Ela concentrou o seu trabalho literário na pessoa de Deus, confundiu as palavras da tradição judaico-cristã, esvaziando e dando a elas novos significados. Assim, quando Hilda fala de Deus, ela o está transmutando para que Ele se encaixe dentro da teologia da Nova Era. Quando ela fala do Pai, do Filho, do amor, do ódio, da violência, do sexo, enfim, todas as palavras são preparadas para que o efeito final seja o de destronar o Deus judaico-cristão. E Hilda Hilst escolheu o caminho do erotismo para isso: na busca pelo novo deus, ela o busca em um texto fortemente marcado pelo erotismo, pela espiritualidade erótica: uma espiritualidade da carne – da carne dela e da carne de Deus!

Aqui, Hilda revela toda sua mística à moda dos grandes místicos medievais como Tereza D'Ávila, Juan de La Cruz e São Bernardo, que, por exemplo, são místicos cristãos cuja espiritualidade também se manifesta escandalosamente por um viés erótico, amenizado sob a desculpa de que as descrições de suas orações e transes fossem simplesmente alegorias. Todavia, são verdadeiramente tão pornográficos como Hilda Hilst em suas buscas por Deus. Mas, enfim, que deus eles procuram? Para Hilda Hilst, sua espiritualidade é carnal, é pagã, é o retorno da figura da bruxa e dos seres incubus e succubus. E na sua busca por Deus, o seu desejo se manifesta numa luta contra e à favor do objeto do seu desejo: Aquele que crucificou tão sadicamente o próprio Filho, segundo Hilda compreendia. Mas, para Hilda, para que haja essa entrega mútua entre ela e Deus, Deus deve mudar primeiro! E mais uma vez, aqui, Hilda põe em versos as teologias de Rubem Alves e Leonardo Boff – ela é a sacerdotisa de uma cosmovisão, de uma Tradição, de uma mentalidade e de toda uma teologia liberal neopagã... Mas, enfim, que deus eles procuram?!

Por que escrever hoje sobre Hilda Hilst? Três são minhas razões: 1º) porque, se ela estivesse viva, teria completado 82 anos de idade no dia 21 de abril; 2º) porque ela é uma dos muitos que representam nas artes o equivalente ao que outros fizeram nas áreas da teologia liberal e filosofia pagã do século XX e 3º) sua obra tem profundo valor literário, mas é também um exemplo de que Satanás atua com criatividade em diversas áreas para destronar Deus da cultura humana. O ataque de Satanás não se restringe às teologias e filosofias heréticas, mas, todas as áreas da cultura estão no alvo da mentalidade revolucionária, desde as conversas de botequim, passando pelas novelas da tv e pelos magistrados do STF, até os verdadeiros detentores dos principados e potestades deste mundo tenebroso. É o que a Bíblia chama de mistério da injustiça (II Tessalonicenses 2:7ss). E nossa geração precisa, mais do que nunca, clamar a Deus por sabedoria para nós e nossos filhos para discernirmos o paganismo emergente que assola todas as esferas da nossa cultura cristã e que planeja tomar o trono de Deus. Casal 20.

 

Do desejo - V ( Hilda Hilst )

Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me 
De fidelidade e de conjura. O desejo
Este da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele. 
E dele também não fui lacaia. 
 
Leia também: Ayres Britto, Maquiavel e a mentalidade revolucionária 

26 de abril de 2012

SOLI BON SENSUS


Sabem as “cinco solas” da Reforma Protestante?  Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura, Soli Christus, Soli Deo Gloria? Esta semana senti falta de uma sexta sola... Não sou conhecedor da língua latina, mas quero chamá-la de Soli Bon Sensus, embora tenha certeza que não se escreve assim. Mas tenho certeza que vocês compreenderam o que eu quis dizer.

Tenho um conhecido na Internet, blogueiro, a quem respeito muito por sua inteligência, argumentação bíblica e eloqüência. Guardadas as devidas proporções, um apologista, com textos postados em defesa da sã doutrina que sempre me chamaram a atenção pela clareza e coerência. Temos diferenças, é claro, mas embora algumas sejam antagônicas, a sua clareza bíblica sempre me cativou... Mas esta semana esta admiração saiu arranhada, quando o mesmo tratou sobre música na Igreja.

Respondendo à pergunta de um internauta sobre o louvor nas reuniões de sua Congregação, ele afirmou que quando se reuniam não utilizavam instrumentos musicais no louvor, pois a Bíblia (o Novo testamento, que é a Doutrina dos Apóstolos, aplicável à Igreja) não dava margem para o uso de instrumentos na Igreja; a despeito disso, ele informou que sua Congregação dispunha de um hinário... É exatamente aí que surge minha indagação e indignação: se não há margem e base neotestamentária para instrumentos musicais no culto, aonde está a base para o hinário??

Não estou discorrendo e nem pretendo discorrer neste Artigo sobre o uso de instrumentos musicais no culto. Muitos de nosso meio preferem o canto a capela, que sem dúvida é belíssimo. Outros preferem bandas completas, com todos os instrumentos possíveis, de todos os naipes. Tudo uma questão de gosto!

Discorro sobre o BOM SENSO... Questiono a falta dele, como em se admitir que não há base bíblica para o uso de instrumentos, mas mesmo sem base para o hinário, ele está presente! Como em se repugnar o divórcio, mas o aceitarmos passivamente em nosso meio. Como em vivermos a Nova Aliança, mas insistirmos em elementos da Antiga...

O bom senso precisa ser aplicado no meio da Igreja, e com pressa!

Primeiro, a Igreja carece do bom senso de voltar urgentemente às Escrituras, mormente às neotestamentárias, aonde corretamente o admirado blogueiro busca base para a conduta da Igreja e da sua Congregação. Neste aspecto, ele está corretíssimo. Mas falta a muitos este senso inicial de que vivemos na Nova Aliança, aonde elementos judaicos (embora tenhamos respeito por esta religião, berço do Cristianismo) foram abolidos do culto e das normas de conduta, do corpo doutrinário e usos e costumes da Igreja, mormente a gentia.

Segundo, a Igreja precisa utilizar o bom senso nos casos aonde a Bíblia, e principalmente o Novo Testamento, não deixa claro qual seja a conduta a ser aplicada à Igreja. Precisamos compreender que nas coisas aonde a Bíblia não é clara, o Senhor nos deixou o arbítrio de escolhermos qual a melhor conduta a ser aplicada, desde que usado o bom senso! Um exemplo: a Bíblia nada fala acerca de o crente praticar esportes. Deixa-lhe a liberdade de escolher se o fará, ou não. Entretanto, os Atletas de Cristo passaram por grandes perseguições nos anos de 1970 e 1980, quando surgiram no cenário brasileiro... Quem os perseguia, criticava e condenava, embora sem base bíblica para isso? Os não-crentes? Não... Os crentes, as igrejas...

Terceiro, a Igreja do Senhor Jesus é terrivelmente ridicularizada nos meios ímpios exatamente por sua falta de bom senso... Fora de qualquer parâmetro escriturário são criadas formas de extorsão financeira, em forma de dízimos, trízimos, ofertas, campanhas e outros expedientes; cargos, posições e títulos são criados, e líderes inescrupulosos e com sede de poder, autoridade e intocabilidade se apoderam deles; pastores, bispos, “apóstolos”, televangelistas e outros enriquecem a olhos vistos, aproveitando-se do caixa da Igreja; doutrinas esdrúxulas, costumes estranhos e bagunça generalizada têm sido a marca registrada de muitas “denominações”; sincretismos, ecumenismo, mundanismo e idolatria já fazem parte de nosso meio; cantores e “levitas” conduzem, estimulam e fomentam o erro através de seus “hinos” e práticas. E os que se levantam contra tais coisas, tentando reconduzir a Igreja à sã doutrina, são execrados e xingados, muitas vezes com palavras de baixo calão mesmo...

Tudo por falta de uma coisa simples... BOM SENSO... O antigo e bom "Semancol", o medicamento fictício que, devidamente administrado, resolveria pelo menos 80% dos problemas da Igreja!

Há morte na panela!  Há profetas do naipe de Eliseu em nosso meio, para colocar farinha na panela, mas ninguém permite que isto seja feito!

Alguém aí pode me dizer como se escreve BOM SENSO em latim ??

Zilton Alencar (45) mora em João Pessoa – PB. Casado com Chirley Alencar, é músico, programador, webdesign e servo de Deus. É também colunista deste Blog às quintas-feiras, e esporadicamente em seu blog pessoal, o BLOG DO ESQUIZILTON.

25 de abril de 2012

O Religioso Pós Moderno ouve Rock n' Roll!




Por Marcello Vieira
Na minha compreensão a religiosidade é um demônio. Foi por causa da cegueira religiosa que os zelosos fariseus não conseguiram enxergar Deus em Jesus. 

Há seis anos, quando comecei minha caminhada na fé, inevitavelmente dei alguns passos dentro do infernal caminho da religiosidade. Por causa desse demônio, não conseguia carregar o peso leve que Jesus tinha reservado para mim, pelo contrário, me deram um fardo pesado e uma lente terrivelmente suja para enxergar a vida.

Pronto! Você está apto para caminhar no cristianismo Marcello! 

Queimou todos seus cds seculares, mudou toda a decoração revolucionária do seu quarto (a foto do Che Guevara era um portal dimensional para os demônios entrarem na minha vida), parou de cheirar a raspa da unha do capeta (cocaína) e de beber o xixi do satanás (cerveja)!

Oh Glória! Aleluia irmão! 

Nessa época eu já lia bastante a bíblia, mas não entendia nada direito. Era outra cultura, outro linguajar. Então, eu pedia para meu novos amigos me explicarem o quê eu não conseguia compreender, e era aí que eu era doutrinado religiosamente. Aos poucos fui sendo lobotomizado. Minhas preocupações com o social, com o pobre, com os órfãos como eu - e com as viúvas como minha mãe, foram perdendo lugar para ansiedade de ver anjos, subir montes, lutar com demônios em madrugadas inteiras de orações. Troquei minha literatura poética, filosófica e politica por Daniel Mastral, Rebeca Brown, Neuza Itioka, entre outros. 

Passei a ver demônios em todas as formas geométricas, abandonei toda manifestação artística que não tivesse o selo gospel de santidade. Fui transformado em nova criatura - nascia mais um religioso. Magoei gente amada que me tratou bem a vida toda por discordarem das minhas verdades. Lamento por saber que não poderei mais ser uma ponte entre elas e Deus.

Foi nessa época que descobri também que o religioso pós moderno não tem mais aquela aparência do inconsciente coletivo. Para a maioria das pessoas, o esteriótipo do religioso ainda é aquele perfil dos irmãos assembleianos. No inicio da minha conversão eu também pensava assim. Na verdade, eu não sabia direito o quê era uma pessoa religiosa. Na minha incauta compreensão da época, religiosidade se resumia a roupas e liturgia. Então, quando conheci uma igreja que tocava rock e reggae no louvor, que tinha uma prancha no altar como púlpito e que incentivava os esportes radicais, eu pensei: Estou no céu! 

Ledo engano!

Sei que houve um proposito especifico do Pai para me levar a passar dois anos servindo naquele lugar. Pude conhecer de perto essa artimanha demoníaca em alienar pessoas com uma roupagem moderna. 

Infelizmente, nas minhas andanças por aí, percebo que esse demônio continua a confundir muitos irmãos. A cada dia me deparo com mais fariseus tatuados, fãs de rock n' roll, skatistas, surfitas, lutadores de jiu-jitsu, entre outros. Existem até mesmo religiosos frequentadores de raves gospel.

Triste é vê-los em suas ignorâncias condenando os religiosos tradicionais sem perceber que são idênticos em suas essências. 

A cada dia surge um novo movimento underground cristão auto intitulado anti religião. Porém, basta dar uma olhada mais aprofundada para perceber que trata-se apenas de vinho velho em odre novo. Fiquei frustrado essa semana ao ver um vídeo de um proeminente movimento cristão que tem como slogan a mudança de mente. Fiquei triste ao constatar que trata-se apenas de mais um homem cego gritando contra o próprio espelho.

Nossa submissão dever ser somente aos ensinos do nosso Mestre. Toda religiosidade humana que tenta alienar o ser humano dentro de uma cultura exclusivista deve ser rejeitada. 

Fiquemos atentos!



22 de abril de 2012

MARCO FELICIANO PRESIDENTE — OU QUEM MAIS ?


Aos poucos surge na Internet uma nova campanha encabeçada por evangélicos — pastor Marco Feliciano para Presidente! Como era de se esperar, duas principais vertentes se apresentam neste instante: os favoráveis à candidatura, e os contrários, todos eles apresentando suas razões... Chamou-me a atenção um dos principais argumentos pró-candidatura: se um torneiro mecânico chegou à presidência do nosso país, porque não um pastor evangélico?

A princípio, concordo inteiramente com a argumentação. De acordo com a nossa Constituição, qualquer brasileiro que não possua restrições políticas pode ser Presidente da República, seja ele sacerdote, torneiro mecânico ou catador de materiais recicláveis. É direito legal de todo cidadão. Portanto, nada existe contra a candidatura de um evangélico para o cargo máximo do Executivo de nosso país, e muito menos contra a candidatura do pr. Marco Feliciano, ou de qualquer outro pastor que lance seu nome.

Recentemente, correu em todas as redes sociais a notícia de que na Alemanha um pastor luterano havia sido escolhido para ocupar tal posto naquele país europeu, o que foi amplamente louvado pelos crentes brasileiros. Bem, qual a diferença entre um crente na Alemanha ocupar o cargo presidencial, e o mesmo ocorrer nas terras brasileiras? Por que tamanho levante contra uma candidatura “evangélica”? E qual é o grande agravante que existe no nome de Marco Feliciano, senão as diferenças teológicas? Por acaso “diferenças teológicas” são critérios políticos para escolha ou descarte de um nome para uma pré-candidatura?

As únicas restrições devem ser políticas. Estaria o Marco Feliciano capacitado para ocupar tal cargo? Ou qual “evangélico” tupiniquim estaria igualmente capacitado? Afinal de contas, o cargo presidencial em nosso país é sério, e exige preparo político de seu ocupante. Não é um mero cargo que primeiramente e mormente enobrece seu possuidor, como os cargos “apostólicos” e “episcopais” tão comuns em nosso meio, que têm por maior objetivo conceder poder religioso ao seu possuidor... 

Lamentavelmente, embora completamente plausível e possível, tal pré-candidatura soa-nos a princípio como mais um caso de “salvadorismo da pátria”. Os “atos proféticos” (muito melhor qualificados se chamados de “patéticos”) que declaram que “o Brasil é do Senhor Jesus” e que “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” tentam associar a vertente política (os que governam nossa pátria) a grupos “evangélicos”, como se dentre nós viesse o candidato perfeito, o melhor líder executivo, que resolveria todos os problemas da nossa cidade, estado ou país, porque Deus está com ele. Há muito tempo corre em nosso meio que “irmão vota em irmão”, em uma interpretação distorcida e equivocada de Dt 14:14-15 e de Sl 33:12.

Entretanto, uma rápida olhada no cenário político-religioso de nossa nação mostra que ainda estamos MUITO LONGE da plena capacidade de governar um estado laico, como se denomina o Brasil. Na verdade, os “evangélicos” brasileiros gostariam muito mais de impor suas posições a toda a nação do que buscar um consenso político. Se como cristãos evangélicos temos posições bíblicas sobre temas polêmicos (como aborto, homossexualidade etc), queremos instituí-las e impô-las como verdades absolutas, e não estamos nem um pouco dispostos a abrir tais temas ao diálogo e à discussão pública, numa postura claramente política e democrática. Somos teocráticos, e queremos impor tal posição à democracia, independentemente das posições religiosas ou arreligiosas dos demais cidadãos. Entretanto, qualquer cargo político desempenhado em um estado democrático e laico foge destas características religiosas radicais e xiitas. Podemos defender nossas posturas religiosas, mas devemos estar abertos ao diálogo democrático...


E quando encontramos algum político "evangélico" que procura pautar sua conduta política sob estas premissas laicas, a Igreja é a primeira a se levantar contra ele, que está legislando ou abrindo debates de coisas que a Bíblia condena... Na última campanha, a assembleiana Marina Silva foi duramente criticada por se posicionar a favor de plebiscito sobre o aborto... 

Observem: não estamos descartando as posturas bíblicas acerca de tais assuntos, e sim mostrando que um Presidente da República não busca tratar toda a nação como se toda a sua população professasse a fé cristã “evangélica”. O Presidente não governa um estado “evangélico”, e nem busca transformá-lo em algo assim. Ele governa evangélicos, católicos, ateus, espíritas, candomblecistas e demais vertentes religiosas POR IGUAL, trabalhando em prol dos interesses comuns de TODOS, e não somente dos de seu gueto religioso.

Repito: não sou contrário a uma candidatura “evangélica”, muito menos contra a pré-candidatura de Marco Feliciano ou de qualquer outro pastor. Quem sabe, não é mais uma opção em uma completa falta de bons nomes para a sucessão presidencial. Aqui aonde moro, nem mesmo temos boas opções para candidaturas a prefeito e governador... Nomes como o de Marco Feliciano podem ser bem vindos neste cenário atual...

Mas sou contra a “teologia do irmão-que-vota-em-irmão”, sou contra a idéia de “salvador da pátria gospel”, a idéia tabajariana de que com um presidente crente todos os nossos problemas vão se acabar! Sou contra a idéia de votar em um crente despreparado, achando que o simples fato de ser crente o torna melhor que um ímpio preparado e capacitado.

Àqueles que discordam deste meu último ponto de vista, sugiro uma questão: se você estivesse com uma doença grave, com indicação cirúrgica imediata, com qual cirurgião você se submeteria a tal intervenção: um cirurgião crente, mas inapto e despreparado, ou um cirurgião ímpio e ateu, mas capacitado e preparado???

Entendam: a política não difere tanto assim da cirurgia! Já afirmou Berthold Brecht, discorrendo sobre o analfabeto político, que o bom e o mau político (seja ele cristão, ateu, ou professo de qualquer outra religião) são responsáveis pela condução de nossa vida social, pelo preço do feijão, da carne e da gasolina. O mau político se torna facilmente um lacaio de multinacionais e de grupos escusos   e um político "cristão" está igualmente sujeito a tais subserviências políticas. Se escolhemos com critério e cuidado quem vai nos extrair uma verruga em um procedimento cirúrgico, porque escolher qualquer um para conduzir a nação, usando apenas por critério o fato de ele professar a nossa fé religiosa???

É pra se pensar...


Zilton Alencar (45) mora em João Pessoa – PB. Casado com Chirley Alencar, é músico, programador, webdesign e servo de Deus. É também colunista deste Blog às quintas-feiras, e esporadicamente em seu blog pessoal, o BLOG DO ESQUIZILTON.

Ayres Britto, Maquiavel e a mentalidade revolucionária


Assisti estupefato à entrevista do nosso atual presidente do STF, Ayres Britto, no Jornal da Globo nesta semana. Minha perplexidade foi constatar, diante dos meus olhos, tudo aquilo que homens como Julio Severo e Olavo de Carvalho já nos têm alertado há mais de uma década.

O discurso de Ayres encarna perfeitamente o anti-cristo de Maquiavel, o Estado que se opõe a tudo aquilo que se chama Deus. A mentalidade revolucionária com todas as suas mais mesquinhas características estão ali presentes nas palavras ditas pelo Ministro. A conclusão infeliz é que nada mais há para esperarmos de um STF que há décadas tem sido montado para a defesa de uma visão revolucionária e maquiavélica e que, agora, será coroado pelo Príncipe que faltava para que o caminho seja finalmente desobstruído de todos os seus inimigos.

Antes de seguir adiante, preciso esclarecer uma diferença que é fundamental para a maioria dos leitores deste texto: profeta e revolucionário. Assumo aqui a diferença proposta pelo filósofo Olavo de Carvalho no seu ótimo livro “Maquiavel ou A confusão Demoníaca”. Profeta é aquele que vaticina o futuro revelado por Deus, enquanto o revolucionário o força, planeja o futuro e busca o seu advento por meio da influência intelectual exercida sobre um governante e sobre os candidatos a governantes. O revolucionário quer mudar a História e definí-la pela força do seu discurso. Mas o discurso é apenas o anzol com o qual se fisga o futuro, pretendendo-se instaurá-lo no presente, porque a instauração da revolução se dá pela força militar e pela imposição de leis que deflagrem essa Nova Era. E é aqui que vemos as palavras de Ayres se encaixarem perfeitamente não só com Maquiavel, mas com Gramsci e Hegel também. Do outro lado, o profeta é tão somente boca de Deus e não um usurpador do lugar de Deus pela força do Estado.

Sigo a linha de que o profeta e o revolucionário, histórica, biblica e filosoficamente, não são apenas contrários mas, principalmente, são inimigos um do outro. E, portanto, Ayres encarna a mentalidade revolucionária contra a qual os profetas são convocados por Deus a fazerem oposição. Ainda para esclarecer melhor, ofereço a definição de mentalidade revolucionária proposta pelo filósofo Olavo de Carvalho: “projeto de mudança social profunda a ser realizado mediante a concentração de poder numa elite revolucionária”. E seja o Nazismo, seja o Comunismo, seja a Nova Ordem que vem se implantando nos EUA, no Brasil e por vários outros países do mundo, esta mentalidade revolucionária é o que torna comum todos estes movimentos (que são mais do que movimentos, são uma mentalidade, uma cosmovisão).

O profeta, ao contrário do revolucionário, poderá ouvir de Deus: “Você falará, mas eles não se converterão”. E mesmo assim o profeta deve obedecer ao chamado feito por Deus. Já o revolucionário jamais dobrará a sua vontade pessoal, nem sua ânsia pela reengenharia social - esta sua cobiça por impôr o Reino de Deus pela força e pela espada - para se submeter ao controle de Deus. O anseio do revolucionário está para Barrabás, assim como o do profeta está para Jesus. O revolucionário destituirá todos os poderes vigentes, legítimos ou não, para impôr sobre o presente a sua certeza de futuro. O profeta, consciente de seu legado histórico, convencido de que há um lastro, uma tradição, uma presença histórica e interventora de Deus, ele se definirá na oposição ao revolucionário: o profeta sempre será um conservador, porque tem plena consciência de que vaticina as palavras do Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Porque, nas palavras do filósofo Olavo de Carvalho, o "conservador é aquele que legitima suas ações em função da autoridade do passado"E todo profeta sabe que o nosso Deus permanece sendo o Deus de nossos paisE o revolucionário, neste contexto, é exatamente aquele que não honra o seu e a sua mãe.

Então, quando Ayres diz que “O Supremo se tornou uma casa de fazer destino” e que a opinião pública, as controvérsias surgidas na imprensa sobre o papel do STF, não incomodam aos juizes, aos magistrados, é de se assustar tamanha independência de um poder que, numa democracia, tão conscientemente se desconecta do povo ao qual deveria servir e com o qual deveria se importar. 
A tragédia maquiavélica se instaura ainda mais quando Ayres diz, ao ser perguntado sobre o casamento gay e a questão dos aborto eugênico, para que serve o STF: Para arejar costumes, mudar paradigmas, inaugurar eras de pensamento, de sentimento coletivo, e nós somos submissos à Constituição” (grifo nosso). Ayres, com estas palavras, revela-se arauto da mentalidade revolucionária. Mas faz parte do embuste do revolucionário transvestir-se de profeta para enganar a muitos, por isso muitos entre os cristãos confundem os dois papéis e o revolucionário aproveita-se dessa confusão demoníaca. Sobre essa confusão tramada pelos revolucionários, que acabam assumindo um papel de anti-profeta, Olavo diz: “...investir-se da autoridade profética para lutar contra a Providência e tentar inverter o curso divino da História não é uma “moralidade”. Não é nem mesmo perversão política. É a rebelião metafísica, o pecado contra o Espírito Santo” (p. 46).

Assim, para que não haja dúvida da cosmovisão que molda a cabeça de Ayres, ele consegue ligar alhos com bugalhos, quando o repórter lhe pergunta o que pensa sobre a Ministra Eliana Calmon e suas duras palavras contra “os bandidos de toga”. Ayres diz: “Mas, no fundo, o que ela quer é o judiciário na vanguarda da renovação dos costumes”. A não ser que Ayres esteja afirmando que os costumes do judiciário são esses mesmos, isto é, os costumes são a bandidagem de toga e isso precisa ser renovado, na verdade, mais uma vez, ele faz um salto para nos indicar qual caminho ele seguirá à frente do STF: a revolução dos costumes. E como Ayres fará isso? Em determinado momento da entrevista, ele saca do bolso do paletó sua mont blanc e diz que ele tem apenas uma caneta e não uma varinha de condão. Mas sabemos que Ayres tem mais, muito mais do que apenas uma caneta em suas mãos. Há um STF montado para seguir adiante com a agenda revolucionária anti-cristã (e nem vou desenvolver o tema do sério risco que corre o mensalão de prescrever sem julgamento), há um Congresso fraco e débil em sua oposição ao Governo e uma “Presidenta” que corrobora com a agenda mundial do pós-cristianismo.

O caminho no Brasil e no mundo está aberto e a Mentalidade Revolucionária já faz parte da nossa cultura, mas ainda pouquíssimos acordaram para o que está acontecendo. Infelizmente, a Igreja se perde em discussões alienantes e que, na verdade, só corroboram com a mentalidade revolucionária. Um bom exemplo disso foi o artigo Deus é de Esquerda ou de Direita? Um texto de Hermes C. Fernandes e que menospreza os fatos da história, esconde escândalos terríveis muito mais satânicos e diabólicos do que qualquer mazela financiada pela chamada Direita e coloca, sorrateiramente, o comunismo como se fosse apenas o outro lado de uma moeda, uma simples outra opção. Todavia, essa manipulação absurda dos fatos também faz parte da mentalidade revolucionária. “O filósofo precisa falar da verdade com a qual ele mesmo se relaciona. Verdades que ele conhece e não um jogo de intelectualidade absurda. O filósofo deve voltar a apelar ao seu testemunho solitário e confessar da sua relação com a verdade. Precisamos voltar ao conhecimento sincero para podermos confrontar a rede de mentiras”, diz Olavo de Carvalho. É preciso discernir as mentiras e a manipulação dos fatos. Os fatos são os mesmos e eles estão à frente dos nossos olhos, mas nossos interesses pessoais, nossas ideologias, nossas cosmovisões podem manipular, distorcer e até mesmo usar os mesmos fatos ora a favor de um argumento, ora contra o mesmo argumento.

Enfim, o Príncipe já está assentado em seu trono e seus consultores e conselheiros lhe assediam diabolicamente para que ele arrogue para si não somente a autoridade de Deus, mas ele deve fazê-lo “com plena consciência de que esse Deus é inimigo dos cristãos e da humanidade em geral. Em bom português: ele deve fazer da imitação do diabo a nova forma da imitação de Deus, ao mesmo tempo que, posando ante as multidões como um novo Deus, as leve a crer que estão cultuando a Deus quando se prosternam ante o Príncipe-diabo” (p. 88).

Casal 20 

21 de abril de 2012

Deus é de Esquerda ou de Direita?


Definitivamente, não existem ideologias perfeitas. Todas têm suas virtudes e vicissitudes. Cada qual tem seu altar e seu sacrifício. O comunismo, por exemplo, sacrifica a liberdade de seus cidadãos no altar da justiça social. O capitalismo faz o inverso, sacrifica a justiça social no altar da liberdade.

Ora, se não há ideologias perfeitas, o que nos dá o direito de sacralizá-las? Não podemos diluir a mensagem do Evangelho, transformando-o num discurso ideológico. Ainda que cada uma delas tenha um ponto ou mais que coincidam com a proposta do Evangelho. Diluir uma gota de Evangelho num balde de ideologia acaba por corromper completamente seu conteúdo e subversividade originais.

Deus não é de esquerda, nem de direita. Se o Evangelho promove a justiça social, também não prescinde da liberdade individual.

Quando sacralizamos uma ideologia, geralmente, demonizamos as demais. Foi o que aconteceu com o comunismo a partir do golpe militar em 1964. Pregadores fizeram vista grossa às atrocidades cometidas pelo governo militar, enquanto identificavam o comunismo com o próprio diabo. Houve quem enxergasse um viés político-ideológico até na passagem em que Jesus descreve o juízo final, quando a humanidade será dividida em dois grupos. Os da esquerda, destinados à condenação, seriam os comunistas, enquanto que os da direita, destinados à vida eterna, seriam as nações que adotassem a ideologia importada dos EUA, a saber, o capitalismo. Igualmente, dos dois ladrões crucificados com Jesus, somente o da direita foi salvo.

Qualquer pregador que ousasse questionar a ditadura militar, corria o risco de ser preso, acusado de subversão. Há quem diga que muitos desapareceram...

Não devemos nutrir uma visão romântica de nenhuma ideologia. Em nome de todas elas, atrocidades foram cometidas.

Vamos focar as duas principais ideologias vigentes neste novo século, a saber, o comunismo (que resiste bravamente na China e em Cuba), e o capitalismo.

O comunismo, em sua essência, defende que os bens de uma sociedade deveriam ser partilhados igualmente entre todos os seus cidadãos. Isso parece coincidir com a proposta do Evangelho. Eu disse, parece. Teria o Estado o direito de apropriar-se de bens privados?

Temos um exemplo disso na Bíblia, quando um rei malévolo desejou acampar a vinha de um cidadão de Israel. Acabe conspirou contra Nabote, a fim de tomar-lhe a propriedade. É óbvio que Deus jamais apoiaria tal atitude. O mandamento que diz que não devemos cobiçar o bem alheio, bem como o mandamento que nos proíbe o roubo, são uma indicação de que a vontade de Deus é que a propriedade privada seja respeitada. Também encontramos nas Escrituras leis que regulam a hereditariedade de bens (Pv.13:22).

Entretanto a Bíblia incentiva a partilha de bens, desde que seja voluntária, fruto de uma consciência grata e generosa. Foi isso que aconteceu na igreja primitiva. O que vemos ali está longe de ser uma amostra grátis do que seria uma sociedade comunista. Em vez disso, trata-se de uma demonstração de como funciona uma sociedade erigida ao redor do Trono da Graça. Trata-se, portanto, de reinismo, em vez de comunismo. A partilha jamais foi compulsória, mas provinha do fato de todos terem um só coração (At.4:32). Não havia imposição por parte dos apóstolos. Tudo era voluntário. Portanto, diferente do que propõe regimes comunistas, a partilha dos bens deve ser voluntária, tanto quanto o celibato, equivocadamente exigido pelo Vaticano aos seus sacerdotes.

Chamamos “reinismo” a ideologia que deve reger a sociedade construída a partir de uma cosmovisão do reino de Deus. Reinismo, portanto, deveria ser o modus vivendis de toda comunidade legitimamente cristã.

De acordo com Paulo, o cidadão do Reino deve trabalhar, “fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade” (Ef. 4:28). Bem diferente da proposta do capitalismo que é fazer do trabalho um meio para adquirir e concentrar bens, no reinismo somos instados a trabalhar para ter o que repartir. Assim como o comunismo, o reinismo também valoriza o trabalho muito mais que o capital. Porém, cada qual deve desfrutar do resultado de seu próprio trabalho, e não usufruir ociosamente do trabalha alheio. Somente aqueles que estiverem impossibilitados de trabalhar, ou que houver sido vítimas de alguma injustiça, devem desfrutar da partilha comunitária. “Se alguém não quiser trabalhar, que também não coma”, sentencia Paulo (2 Ts.3:10-12).

Um Estado regido pela ideologia comunista tende a ser totalitário, intrometendo-se em questões que deveriam ser mantidas na esfera privada.

Qual seria o papel do Estado de acordo com a Bíblia?

“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal. Pelo que é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência. Por esta razão também pagais tributo; porque são ministros de Deus, para atenderem a isso mesmo.” Romanos 13:1-6

De acordo com este texto, o Estado recebeu de Deus autoridade para punir os malfeitores, ao mesmo tempo em que incentiva toda e qualquer boa iniciativa. Leis civis são implementadas para regulamentar a vida social. Quando estas leis são transgredidas, o Estado tem o direito de punir os transgressores. Mas não pára aí. O Estado também tem a obrigação de “louvar” quem faz o bem, o que pode ser interpretado como incentivar qualquer iniciativa que vise o bem comum. Isso pode incluir incentivos fiscais, como aqueles dados à cultura. Se o Estado extrapola sua esfera de atuação, seus cidadãos têm o direito de resisti-lo, denunciando-o e buscando sua reforma. O Estado deve servir como um facilitador de boas obras, oferecendo à sua população meios para tal. Desde infraestrutura para escoamento da produção, passando por incentivos fiscais, segurança, educação, saúde, saneamento básico, etc.

Já no Liberalismo/capitalismo, valoriza-se o capital em detrimento do trabalho. O consumo é incentivado a todo custo, a fim de manter a máquina a pleno vapor. Trata-se, portanto, de um sistema retroalimentado. O consumo estimula a produção, que por sua vez, promove a abertura de postos de trabalho. Segundo seus defensores, o resultado desta equação é a prosperidade da sociedade como um todo. Tudo parece muito bonito, até que nos deparamos com as palavras de Jesus: “Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui.” (Lc. 12:15). 

Como, então, poderíamos endossar o espírito consumista que justifica a ideologia capitalista? Um sistema erigido sobre esta ideologia só poderia está fadado a ruir.

No capitalismo a concentração de renda também é valorizada, em franca dissonância com os princípios da Palavra de Deus.

“Ai dos que ajuntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo, até que não haja mais lugar, de modo que habitem sós no meio da terra!”
Isaías 5:8

A justiça do reino de Deus nos impele à distribuição de renda, e não à sua concentração. Cartéis, monopólios, oligarquias, são alguns dos efeitos colaterais deste sistema capaz de corromper os valores essenciais da vida em nome do ganho.
O capitalismo também promove a exploração do trabalhador. 

Apesar do discurso afirmar que todos saem ganhando, não é isso que constatamos. Quem lucra, nunca se dá por satisfeito. Os detentores dos meios de produção, bem como os banqueiros e donos dos veículos de comunicação querem sempre mais, e mais, e mais.. E ao mesmo tempo, reduzir gastos, o que pode significar redução de salários, substituição de mão-de-obra humana por máquinas, etc. Investe-se em publicidade e lobby político, ao passo que reduz-se o gasto com aqueles que mantém a máquina, os empregados. Tudo em nome da eficiência e da otimização dos lucros. Não é à toa que grandes empresas de países ricos têm se mudado para países do terceiro mundo, por saberem que lá pagarão salários menores a seus empregados. O preço pago a médio e longo prazo será incalculável. E já começou a ser pago. Vide o altíssimo índice de desemprego nesses países.

Se por um lado o capitalismo promove competitividade, fazendo com que serviços e bens de consumo sejam aprimorados, por outro lado, atravancam o desenvolvimento. Dificilmente empresas petrolíferas apoiarão iniciativas que desenvolvam veículos movidos à água, por exemplo. A menos que descubram uma maneira de tirar proveito disso. Muita coisa já foi inventada, patenteada, porém, jamais chegou às mãos do consumidor, pois ameaçam produtos já consagrados. Eu mesmo conheci um professor universitário que já nos anos 80 havia desenvolvido um motor à água. Resultado: foi demitido e teve seu projeto abortado pela Universidade, que por sua vez recebeu uma enorme soma em doação da parte de certa empresa petrolífera. No sistema capitalista, tudo é movido pela ânsia do lucro.

Governos pautados nesta ideologia estão construindo sobre areia movediça. Bem fariam em dar ouvidos à advertência bíblica: “Ai daquele que edifica a sua casa com iniquidade, e os seus aposentos com injustiça; que se serve do trabalho do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário.” Jeremias 22:13

Tragicamente, esta ideologia demoníaca tem encontrado amparo no seio da igreja evangélica. A teologia da prosperidade é sua filha caçula. Sua mensagem, resultado da mistura de um gota de Evangelho com uma caixa d’água de discurso ideológico, tem sido responsável por tornar a igreja numa importante engrenagem do sistema, incentivando a alienação.

Todas as ideologias e seus respectivos sistemas estão fadados a desaparecer (1 Co.15:24-25; Hb.12:27-28). Por isso, perde tempo quem tenta conciliar a verdade do Evangelho com qualquer uma delas. Bom seria se déssemos ouvidos a Paulo, analisando tudo e retendo somente o que for bom. Nada de pacotes fechados!

Assim como não podemos sacralizar qualquer que seja a ideologia, também não podemos demonizá-la. Dos dois lados da trincheira ideológica há gente de bem, lutando pela justiça e pela verdade. Quem gosta de rotular os outros de maneira tendenciosa e preconceituosa está à serviço da discórdia, disseminando o ódio entre irmãos. Posso condenar uma linha de pensamento, mas isso não me dá o direito de sentenciar ou fomentar suspeitas sobre pessoas que pensem diferente de mim.

Cristãos que cerraram fileiras com a ala direita certamente o fizeram por identificarem naquela ideologia alguns elementos comuns ao Evangelho. O mesmo podemos falar dos que cerraram fileiras com a esquerda. Ambas as ideologias têm coisas em comum com a proposta do Evangelho, como também têm disparates que não podem ser ignorados. Há santos e pecadores de ambos os lados. Não sejamos tão severos... Nem tão ingênuos...

Em vez de lutarmos em nome de uma ou de outra, digladiando-nos uns com os outros, que tal lutarmos pela liberdade e pela justiça preconizadas na mensagem do Reino de Deus?

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