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Da Cruz à História: Um Ensaio Teológico! “Uma Teologia da História

 
É a “cruz da historia” que faz nascer a pergunta sobre o seu significado: as interrupções e as quedas, os retomadas e os novos inícios propõem a interrogação inevitável sobre um possível sentido de tudo isso, estimulando a busca de uma espécie de “filão vermelho” que unifique a fragmentariedade das obras e dos dias dos homens e alimentando o desejo de meta que de certo modo torne aceitável a fadiga de viver. “A interpretação da história é, em última análise, a tentativa de compreender o sentido do agir e do sofrer dos homens dentro dela”. A mensagem cristã – com o anúncio inaudito do Deus que fez sua morte, assumindo a fundo a “cruz da história” por amor do mundo infunde luz sobre a busca e significado: é do próprio cerne da “boa nova” que nasce a possibilidade de uma “teologia da história”. Sem a fé no Crucificado ressurreto, para a consciência daquele que crê, as interrupções continuariam não menos inexplicáveis do que os novos inícios; tudo seria abandonado à vitoria final da morte e o triunfo do nada se apresentaria como a única solução possível para o problema de existir. Resistir e, não obstante, tudo suportar, apesar da envolvente onipresença do nada, continuaria sendo o único desafogo do desejo, seria a forma do último heroísmo trágico capaz de dar sabor à fadiga dos dias. “Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia também é a vossa fé” (1Cor 15,14.17). O anúncio da Páscoa nega, portanto, a vitória final do nada; a última palavra da vida e da história não é a dor e a morte, mas a alegria e a vida abundante a partir da cruz e da ressurreição à vida. A morte do Crucificado é a morte da morte porque Ele é o Senhor da vida: A “teologia da história” a partir da cruz, não é senão o esforço de justificar – ante a “cruz do tempo” essa esperança suscitada pela cruz do Filho de Deus. “Não tenhais medo de nenhum deles, nem fiqueis conturbados, antes, santificai a Cristo, o Senhor, em vossos corações, estando sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede” (1Pd 3,14s). O silêncio da sexta-feira santa é o local em que o advento, com toda a indedutível novidade que o caracteriza, encontrou-se com o êxodo da condição humana e com toda a profundidade e peso de suas contradições e imperfeições, resumidas na “palavra resumo” da finalidade humana: a morte. A eloqüência do silêncio do Crucificado ante a “cruz do tempo” é que dará origem a qualquer possível “teologia da história – a partir da cruz”. No entanto, esse empreendimento não se desenvolverá em vão: se a interrogação que nasce da dor é tão antiga quanto as vicissitudes do homem sobre a terra, não é menos antiga do que essa interrogação a necessidade de “redimir” o tempo histórico. Foi essa necessidade que fez nascer entre os homens das sociedades arcaicas o “mito do eterno retorno”; foi essa mesma necessidade que encontrou a concepção hebraico-cristã da história uma resposta nova e revolucionária, que com o tempo seria desenvolvida de maneiras diferentes; e é ainda ela que, no fundo, motiva as modernas “filosofias da história e da cruz”, cuja palavra de triunfo e decadência reapresenta com nova atualidade e renovado interesse o escândalo da cruz do Filho de Deus como único sentido possível para a “cruz do tempo” e, por isso, como fundamento e conteúdo central da missão do mundo e da vida que possa dar significado e esperança à história.

Bruno Forte
Em Teologia da Historia


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