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Nascido Escravo



A questão é: Possui o homem algo chamado "livre-arbítrio"? Pode um ser humano, voluntariamente e sem qualquer ajuda, voltar-se para Cristo, para ser salvo de seus pecados? Erasmo respondia com um "Sim!" Lutero, com um ressoante "Não!" Lutero estava convencido de que o conceito do "livre-arbítrio" fere no âmago a doutrina bíblica da salvação exclusivamente pela graça divina. Necessitamos ter a mesma convicção. Precisamos combater o "livre--arbítrio" tão vigorosamente quanto o fazia Lutero. Erasmo, o seu opositor, dizia: "Posso conceber o 'livre-arbítrio' como um poder da vontade humana, mediante o qual um homem pode aplicar-se àquelas coisas que conduzem à eterna salvação, ou pode afastar-se delas". A isso devemos replicar com um resoluto "Não! O homem já nasce como escravo do pecado!" O homem não é livre.

O Que Ensinam as Escrituras. 

 Argumentos.
1: A culpa universal da humanidade prova que o "livre-arbítrio" é falso.
2: O domínio universal do pecado prova que o "livre-arbítrio" é falso. 3
: O "livre-arbítrio" não pode obter aceitação diante de Deus através da observância da lei moral e cerimonial .
4: A lei tem o propósito de conduzir os homens a Cristo, dando-lhes o conhecimento do pecado .  
5: A doutrina da salvação pela fé em Cristo prova que o "livre-arbítrio" é falso. 
 6: Não há lugar para qualquer idéia de mérito ou recompensa pelas boas obras.
 7: O "livre-arbítrio" não tem valor porque as obras nada têm a ver com a justiça do homem diante de Deus
 8: Paulo é absolutamente claro ao refutar o "livre-arbítrio".
 9: O estado do homem sem o Espírito de Deus mostra que o "livre-arbítrio" nada pode fazer de natureza espiritual.
 10: Aqueles que chegam a conhecer a Cristo não pensavam previamente sobre Cristo, nem o buscavam,
nem se prepararam para conhecê-lo. 
 11: A salvação para o mundo pecaminoso é pela graça de Cristo, exclusivamente me diante a fé . 12: O caso de Nicodemos, no terceiro capítulo de João, opõe-se ao "livre- arbítrio".
Argumento 13: O "livre-arbítrio" não tem utilidade, pois a salvação vem somente por meio de Cristo.
 14: O homem é incapaz de crer no evangelho, por isso todos os seus esforços não podem salvá-lo. 
15: A incredulidade universal prova que o "livre-arbítrio" é falso.
 16: O poder da carne, mesmo em verdadeiros crentes, mostra a falsidade do "livre-arbítrio' '
 17: Saber que a salvação não depende do "livre-arbítrio" pode ser muito reconfortante.
 18: A honra de Deus não pode ser maculada. As Escrituras são como diversos exércitos que se opõem à idéia de que o homem tem um "livre-arbítrio"para escolher e receber a salvação. Porém, basta-me trazer à frente de batalha dois generais — Paulo e João, com algumas de suas forças.

A culpa universal da humanidade prova que o "livre-arbítrio" é falso. Em Romanos 1.18, Paulo ensina que todos os homens, sem qualquer exceção, merecem ser castigados por Deus. "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça." Se todos os homens possuem "livre-arbítrio", ao mesmo tempo em que todos, sem qualquer exceção, estão debaixo da ira de Deus, segue-se daí que o "livre-arbítrio" os está conduzindo a uma única direção — da "impiedade e da iniquidade". Por tanto, em que o poder do "livre-arbítrio" os está ajudando a fazer o que é certo? Se existe realmente o "livre-arbítrio", ele não parece ser capaz de ajudar os homens a atingirem a salvação, porquanto os deixa sob a ira de Deus. Algumas pessoas, no entanto, acusam-me de não seguir bem de perto a Paulo. Eles afirmam que as palavras dele, "contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça" não significam que todos os seres humanos, sem exceção, estão culpados aos olhos de Deus. Eles argumentam que o texto dá a entender que algumas pessoas não "detêm a verdade pela injustiça". Entretanto, Paulo estava usando uma construção de frase tipicamente hebraica, que não deixa dúvida de que ele se referia à impiedade de todos os homens. Além do mais, notemos o que Paulo escreveu imediatamente antes dessas palavras. No versículo 16, Paulo declara que o evangelho é "o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê". Isso significa que, não fosse o poder de Deus conferido através do evangelho, ninguém teria forças, em si mesmo, para voltar-se para Deus. Paulo prossegue, asseverando que isso tem aplicação tanto aos judeus quanto aos gentios. Os judeus conheciam as leis divinas em seus mínimos detalhes, mas isso não os poupou de estarem debaixo da ira de Deus. Os gentios desfrutavam de admiráveis benefícios culturais, mas esses não os aproximaram em nada de Deus. Havia judeus e gentios que muito se esforçavam por acertar a sua situação diante de Deus, mas, apesar de todas as suas vantagens e de seu "livre--arbítrio", eles fracassaram totalmente. Paulo não hesitou em condenar a todos eles. Observemos igualmente que, no versículo 17, Paulo diz que "a justiça de Deus se revela". Por conseguinte, Deus mostra a sua retidão aos homens. Deus, porém, não é um tolo. Se os homens não precisassem da ajuda divina, Ele não desperdiçaria o seu tempo prestando-lhes tal ajuda. A conversão de qualquer pessoa acontece quando Deus vem até ela e vence-lhe a ignorância ao revelar-lhe a verdade do evangelho. Sem isso, ninguém jamais poderia ser salvo. Ninguém, durante toda a história humana, concebeu por si mesmo a realidade da ira de Deus, conforme ela nos é en sinada nas Escrituras. Ninguém jamais sonhou em estabelecer a paz com Deus por intermédio da vida e da obra de um Salvador singular, o Deus-Homem, Jesus Cristo. De fato, o que ocorre é que os judeus rejeitaram a Cristo, apesar de todo o ensino que lhes foi ministrado por seus profetas. Parece que a justiça própria alcançada por alguns judeus ou gentios levou-os a deixarem de buscar a justiça Divina através da fé, para fazerem as coisas à sua própria maneira. Portanto, quanto mais o "livre-arbítrio" se esforça, tanto piores tornam-se as coisas. Não existe um terceiro grupo de pessoas, que se situe em algum ponto entre os crentes e os incrédulos — um grupo de homens capazes de salvarem-se a si mesmos. Judeus e gentios constituem a totalidade da humanidade, e todos eles estão debaixo da ira de Deus. Ninguém tem a capacidade de voltar-se para Deus. Deus precisa tomar a iniciativa e revelar-Se a eles. Se fosse possível ao "livre-arbítrio" dos homens descobrirem a verdade, certamente algum judeu, em algum lugar, tê-lo-ia feito! Os mais elevados raciocínios dos gentios e os mais intensos esforços dos melhores dentre os judeus (Rm 1.21; 2.23,28 29) não conseguiram aproximá-los nem um pouco sequer da fé em Cristo. Eles eram pecadores condenados juntamente com todo o resto dos homens. Ora, se todos os homens são possuidores de "livre-arbítrio", e todos os homens são culpados e estão condenado, então esse suposto "livre-arbítrio" é impotente para conduzi-los à fé em Cristo. Por conseguinte, a vontade dos homens, afinal, não é livre.

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Informação do Jornal da Cidade