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3 de outubro de 2013

"O Jejum que nos aflige e o jejum de Isaías 58"



Rô Moreira

Para algumas pessoas o jejum tem poder de mudar tanto sua espiritualidade quanto situações especificas de sua vida, e atribuem ao jejum um significado e poder espiritual na abstenção de certos alimentos, pois equivocadamente acreditam que as janelas do céu se abrem por meio, ou somente através do jejum de alimentos, caso contrário nada acontecerá, e a vida espiritual poderá até ser medíocre, ou seja, as benção do Senhor, não virão sem a “penitencia” da abstinência, como se Deus somente ouvisse seu clamor e abrisse as portas e janelas do céus a elas, quando estiverem sem comer ou beber, para eles o jejum vai além do impossível, cancela a lei natural, faz o impossível tornar-se possível. Quando na verdade Jesus disse que “...tudo é possível ao que crê", não somente ao que jejua..! Marcos 09:23. Basta somente crê. O poder não esta no flagelo, na prática da abstenção de prazeres e até do conforto material, adotada com o fim de alcançar a perfeição moral, espiritual e material, praticas comuns aos cristãos antigos que se sujeitavam a castigos físicos como flagelação. O Poder esta no nome de Jesus e na sua graciosa bondade, ministrada a nós pela fé. Para alguns só é possível pregar o Evangelho ou orar por alguém se estiver em jejum, caso contrário sua oração não terá efeito algum. Para estes o poder não esta no nome de Jesus, mas no jejum que praticam, oram como se tudo fosse feito em nome do jejum. Devemos ter cuidado para não cairmos no asceticismo, pessoas que se submetem ao flagelo e dietas rigorosas e acabam se enfraquecendo e ficando doentes. Para estes quando a oração para, o Jejum prossegue, como se certas montanhas fossem removidas somente através do jejum que elas fazem. Mas sabemos que a oração não muda Deus e seus desígnios, a oração muda o homem em relação à Deus e a ele mesmo,  o fortalecendo para as lutas de cada dia.
Mas Rô, então não devo jejuar? O problema não é que você não deva jejuar, mas se você sabe qual é o valor do jejum na espiritualidade cristã.
O jejum é difícil para quem não compreende o seu significado. Quem não entende direito as circunstâncias e os propósitos do jejum tem enormes dificuldades de praticá-lo.
Via de regra, tal pessoa sente muita fome e seu jejum é para alcançar bens próprios e não bem ao próximo será que alguém pode crescer espiritualmente e agradar ao Senhor com esse tipo de jejum? A Bíblia explica muito bem qual é a forma correta e a errada de jejuar.

As Sagradas Escrituras ensinam que o jejum é uma prática muito valiosa para a espiritualidade cristã. Mas existe uma forma correta e uma errada de jejuar. Por isso, esse exercício de abstinência pode não ter nenhum valor se estiver fora dos padrões divinos que de forma muito Cristã encontramos em (Isaías 58).
 Não adianta altos flagelos se você não sabe qual é o jejum que agrada a Deus. Tem gente que acha que o jejum é uma forma de obrigar ou sensibilizar Deus a atender aos seus pedidos ou necessidades, mas os textos sagrados deixam claro que o Senhor não comercializa suas bênçãos. É inútil usar qualquer artimanha contra o Senhor para convencê-lo a satisfazer nossas vontades. O Pai Celeste não se relaciona com seus filhos através de negociatas, mas somente de forma relacional entre nós e em nossa individualidade comunitária, ou seja: estando atento com justiça a socorrer o que sofre (Isaías 58.3 e Mateus 6.7,8).

 Tem gente que pensa que jejuar é martirizar-se para agradar a Deus, mas... Deus é um pai amoroso que age através de cada um de seus servos, e filhos, sendo justiça no mundo através de nós, dando a quem tem fome através dos seus abençoados e prósperos filhos. Ele não deseja nenhuma espécie de prática que cause martírio a seus filhos para alegrar-se na vida deles (Isaías 58.5). Tem gente que acredita que o jejum,  é em si mesmo o purificador, mas... a crença de que o jejum tem poder de tirar as culpas de seu praticante é falsa. Sem arrependimento e mudança de atitude ninguém é aceito perante a face de Deus. Por essa razão, o Senhor condena o religioso e praticas religiosas que lhe ofereçam sacrifícios de jejum, enquanto sua vida está cheia de pecados (Isaías 58.1-3).
 Tem gente que jejua só para ter aparência de grande espiritualidade, mas o Senhor rejeita veementemente qualquer coisa que se origine da vaidade humana. Quem jejua para ser superior aos outros pode até iludir a todos com sua máscara de devoto ou piedoso, porém não consegue ocultar de Deus o seu orgulho religioso e seu pecado (Isaías 58.4 e Mateus 6.16-18). Se o jejum não é um jeito de obrigar Deus a atender aos nossos pedidos; não serve como martírio para agradar a Deus; não é poderoso, em si mesmo, para remoção de pecados; e nem pode exibir aos outros o quanto somos espirituais.
 Então, para que serve o jejum?? O jejum é o gesto através do qual o homem declara sua completa dependência de Deus. Ao se consagrar, em jejum, Cristo não se absteve apenas do alimento físico para buscar a face de Deus. Ele foi além: rejeitou a glória humana, as riquezas materiais e o poder mundano que lhe foram ofertados. 

Essa atitude expressa que não há nada em todo o Universo que possa nos satisfazer, a não ser a comunhão íntima com o Pai (Mateus 4.1-11). O verdadeiro jejum é uma atitude espiritual e, não, propriamente física. Apenas deixar de comer não é jejum espiritual. Em nada adianta abster-se das refeições e, por exemplo, assistir a certos programas na televisão. Nesse caso, o corpo fica sem comida enquanto o espírito é contaminado pelo alimento do mundo. O jejum bíblico é uma prática espiritual em que a pessoa se afasta de tudo, o máximo que pode para consagrar sua vida inteiramente ao Senhor, ou também, como uma vida diária de adoração e justiça como estilo de vida. (Salmos 35.13 e 69.10). Através do jejum, o crente pode ouvir a voz de Deus e conhecer a Sua vontade. Quando alguém se afasta das coisas do mundo e busca ao Senhor em jejum, distancia-se das influências que recebe no cotidiano. A oração e a leitura bíblica são práticas indispensáveis durante esse período de consagração, pois permitem que o crente estabeleça um diálogo com o Pai.

Assim, silenciado para tudo e numa conversa íntima com Deus, o homem pode abrir seu interior e receber as palavras divinas necessárias para direcionar seu caminho (Atos 13.1-3). O jejum é uma forma de expressão de arrependimento sincero perante Deus. Embora o jejum, em si mesmo, não purifique das transgressões e nem torne mais poderoso quem o pratique, ele pode ser um gesto conveniente para demonstrar forte arrependimento por causa de um pecado. Em tal situação o homem se entrega perante o Altíssimo e expõe toda a sua fragilidade e fraqueza, suplicando perdão e auxílio divino para romper as cadeias malignas que o dominam .
(Neemias 1.4-7). O jejum é um meio pelo qual as ansiedades e carências são entregues à Deus. O cristão, no jejum, expõe sua insuficiência para encarar os desafios da vida. Ao fazer isso ele entrega nas mãos do Todo Poderoso os seus problemas e aflições, permitindo que Deus tome conta de tudo e faça o melhor (II Crônicas 20.1-30). Isso quer dizer que o jejum é um gesto em que declaramos nossa inteira dependência de Deus, é verdadeiro somente como atitude espiritual e, não, física, é um tempo íntimo com o Pai Celeste em que Ele nos revela Sua vontade; é uma maneira de expressarmos nosso arrependimento sincero perante Deus; é uma forma de demonstrarmos nossa total confiança no Senhor.
 Agora que você já sabe... Creio que você terá mais convicção e certeza de que o resultado do jejum não está na sua pratica em si, mas na vontade soberana de um Deus presente e amoroso que nos fortalece nas lutas diárias de cada dia, e nos capacita a sermos justos em estarmos presente junto dos mais necessitados, levar libertação aos cativos, alimentar o famintos; o jejum espiritual traz crescimento edificante e disposição de utilizar nosso tempo e energia ajudando aqueles que necessitam, o jejum que aflige a alma pela abstinência tanto de alimentos quanto de algo que nos faça falta, como água etc, não pode ser o mesmo jejum, e com as mesmas intenções que o Profeta Isaias menciona nos versos 6 a 10 do capitulo 58.
Paz a todos!

1 comentários:

Lúcio Candido disse...

Numa outra época de minha vida,em que a maturidade era menor;fiz um jejum total de alimentos, durante 25 dias. O jejum podia demorar até mais tempo, mas percebi quanto era inutil. Queria que uma namorada reatasse comigo.Após esse tempo, simplesmente deixei que Deus fizesse o que ele julgasse ser o melhor. Acordei cedo no 26º dia, sai para comprar uma roupa bonita para ir à igreja,fui e agradeci a Deus pelo que havia "perdido". Avida seguiu, e eu estou aqui, 20 anos depois, mais maduro, confiante em Deus, e tranquilo.

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