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29 de novembro de 2013

A EXCLUSÃO DOS NÃO-ELEITOS


Não era, então, um amor geral e indiscriminado do qual todos os homens eram igualmente os objetos, mas um peculiar, misterioso, e infinito amor por Seus eleitos, que fez Deus enviar Seu Filho ao mundo para sofrer e morrer. Toda teoria que negar esta grande e preciosa verdade, e que explicar este amor como benevolência meramente indiscriminada ou filantrópica, a qual teve todos os homens por seus objetos,
muitos dos quais são permitidos perecer, deve ser anti-Escriturística. Cristo não morreu para uma multidão desordenada, mar por Seu povo, Sua noiva, Sua Igreja. Um fazendeiro estima seu campo. Mas ninguém supõe que ele se importa igualmente por cada planta que cresce ali, pelas "ervas daninhas" assim como pelo "trigo". O campo de Deus é o mundo, Mateus 13:38, e Ele o ama com um olho exclusivo para sua "boa semente", as crianças do reino, e não as crianças do maligno. Não é todo da humanidade que é igualmente amado de Deus e confusamente redimido por Cristo. Deus não é necessariamente comunicador de Sua bondade, como o sol de sua luz, ou a árvore de sua sombra refrescante, que não escolhe seus objetos, mas serve a todos indiferentemente sem variação ou distinção. Isto seria fazer Deus de não mais entendimento do que o sol, que brilha não onde lhe agrada, mas onde deve. Ele é uma pessoa compreensiva, e tem um direito soberano de escolher Seus próprios objetos. Em Gênesis lemos que Deus "colocou inimizade" entre a semente da mulher e a semente da serpente. Agora quem foram significados por semente da mulher e semente da serpente ? No primeiro pensamento, podemos supor que a semente da mulher significa a raça humana inteira descendente de Eva. Mas em Gálatas 3:16 Paulo usa este termo "semente", e o aplica a Cristo como um indivíduo. "Não diz: E às sementes, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua semente, que é Cristo." Em uma investigação mais avançada, nós encontraremos também que a semente da serpente não significa descendentes literais do Diabo, mas aqueles membros não-eleitos da raça humana, que participam de sua natureza pecaminosa. Jesus disse de Seus inimigos: "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai" (João 8:44).Paulo denunciou Elimas, o encantador, como um filho do Diabo e um inimigo de toda justiça. Judas é até chamado de um diabo (João 6:70). Então, a semente da mulher e a semente da serpente são cada uma parte da raça humana. Em outras partes das Escrituras, encontramos que Cristo e Seu povo são "um", que Ele habita neles e é unido com eles assim como a videira e os ramos são unidos. E desde que no extremo princípio Deus "colocou inimizade" entre estes dois grupos, é claro que Ele nunca amou todos igualmente, nem intentou redimir a todos igualmente. A redenção universal e a sentença de Deus na serpente não podem nunca andar juntas. Há também um paralelo para ser observado entre o sumo sacerdote do antigo Israel e Cristo que é o nosso sumo sacerdote; porque o primeiro, como sabemos, era um tipo do último. No grande dia da expiação, o sumo sacerdote oferecia sacrifícios pelos pecados das doze tribos de Israel. Ele intercedia por eles e por eles somente. Semelhantemente, Cristo não orou pelo mundo, mas pelo Seu povo. A intercessão do sumo sacerdote assegurava para os Israelitas bênçãos das quais todos outros povos estavam excluídos; e a intercessão de Cristo, que também é limitada porém de uma ordem muito maior, certamente será eficaz em elevado sentido, porque Ele, o Pai sempre ouve. Além do mais, não é necessário que a misericórdia de Deus se estenda a todos os homens sem exceção para que possa ser chamada verdadeiramente e propriamente infinita; porque todos os homens tomados juntos não constituíram uma multidão estritamente e propriamente infinita. A Escritura claramente nos ensina que o Diabo e os anjos caídos foram deixados fora de Seus benevolentes propósitos. Mas Sua misericórdia é infinita nisso: ela resgata a grande multidão de Seus eleitos do indescritível e eterno pecado e miséria para a indescritível e eterna bem-aventurança. Enquanto os Arminianos sustentam que Cristo morreu igualmente por todos os homens e que Ele obteve suficiente graça para capacitar todos os homens a arrepender-se, crer, e perseverar, se eles conseguem somente cooperar com ela, eles também sustentam que aqueles que recusam a cooperar, deverão prestar contas e através de toda eternidade serem castigados mais severamente do que se Cristo nunca tivesse morrido por eles de nenhuma maneira. Nós vemos que até aqui, na história da raça humana, a larga proporção da população adulta tem falhado em cooperar e tem dessa forma sido permitido trazer para si mesmogrande miséria do que se Cristo nunca tivesse vindo. Certamente, uma visão que permite a obra da redenção de Deus ser lançada em semelhante falência, e que projeta tão pequena glória na expiação de Cristo, não pode ser verdadeira. Vastamente, mais do amor e misericórdia de Deus pelo Seu povo é visto nas doutrinas Calvinistas da eleição incondicional e expiação limitada do que é vista na doutrina Arminiana da eleição condicional e expiação ilimitada.

Loraine Boettner

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