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12 de novembro de 2013

Nicolaítas - Quem são eles?

Rô Moreira

Os nicolaítas: Apocalipse 2:6 - Tens, porém isto que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.
 Não há certeza absoluta quanto à identidade dessa seita, embora abaixo apresentemos as ideias centrais a respeito: O próprio vocábulo, no grego, significa “dominadores do povo”, Na opinião de alguns, o povo seriam os “leigos”. E dai tiram a suposição que está em foco a manifestação inicial das “ordens sacerdotais" ou “clero”, Nesse caso, seria aqui combatida a formação de um clero profissional; e, no décimo quinto versículo deste mesmo capitulo, estão em foco vários desvios da doutrina, em associação a essa circunstância.
Mas essa interpretação dificilmente se adapta à situação histórica em que as heresias sérias surgiram. Essa «seita» era de natureza libertina, que procurava solapar o imperativo moral do evangelho. Dificilmente poderíamos dizer que esteja em foco o clero, em seus primeiros passos.
Alguns estudiosos associam essa seita a Nicolau, prosélito de Antioquia, um dos sete discípulos originais de Jerusalém (ver Atos 6:5). Isso supõe que assim como os doze tiveram um apóstata dentre seu número, que outro tanto sucedeu aos sete. Em favor dessa interpretação há passagens em Irineu i.26 e III.11.1 e em Hipólito (Philos. vii.36). Mas este último dependeu de lrineu. Outros eruditos pensam que o Nicolau original foi meramente indiscreto, pois, possuindo uma bela esposa, e sentindo que outros lhe tinham inveja por essa razão, chamou os apóstolos e outros liderem e ofereceram-na a qualquer deles que a quisesse.
 No entanto, a maioria dos estudiosos o tem como um apóstata franco. Apesar de ser possível que Nicolau tenha estado associado à Ásia Menor, e com Éfeso em particular, também é possível que o próprio Irineu estivesse “esclarecendo” este versículo mediante uma conjectura, não havendo, portanto, qualquer confirmação histórica para tal ideia. O apóstolo Nicolau, conforme diz a própria narrativa, tomou-se líder de uma seita gnóstica antinomiana. Parece terem participado de festas idolatras, incorporando imoralidade e sensualidade em suas práticas, no que seguiam à tradição gnóstica comum.
 Em época posterior, houve uma seita gnóstica conhecida por os nicolaítas, a qual é mencionada por Tertuliano (ver Praer, Haer, 33; Adv. Marc. i.296 De Pudicitia, 19), que também era de índole gnóstica, Clemente de Alexandria ü.20.118; üi.4.25 e as Constituições Apostólicas vi.8, juntamente com Vitorisino, tentaram mostrar que essas duas seitas não tinham nenhuma vinculação entre isso, e essa posição quase certamente é a correta, ainda que alguns intérpretes tenham imaginado a identificação das duas.
O livro de Apocalipse foi escrito muito antes desse tempo, para referir-se à segunda dessas seitas do mesmo nome.  Ou, então, poderíamos pensar que o Nicolau em foco foi um personagem histórico, que residia em Éfeso ou naquela área em geral, embora não deva ser identificado com o homem do mesmo nome, que era de Jerusalém. Nesse caso, quase certamente, ele foi líder de uma forma de seita gnóstica, de tendências libertinas, embora ele mesmo não seja conhecido na atualidade, fora do presente contexto.
E finalmente, há aqueles que supõem que não devemos imaginar que Nicolau fosse o nome de alguma pessoa real e viva, mas que tudo não passa de um titulo-dominador do povo ou destruidor do povo, escolhido para representar a heresia que havia em Éfeso e que ameaçava à Igreja cristã dali. Até mesmo nesse caso, é Quase certo que alguma forma de gnosticismo esteja sob consideração. Muitos Intérpretes identificam os nicolaítas com os seguidores de Balaão, aludidos no décimo quarto versículo deste capitulo, ou supõem que ambos os grupos eram apenas representantes locais de uma mesma heresia gnóstica, Provavelmente essa posição é a correta. E algo que é quase fora de dúvida é que a heresia da Ásia Menor, quando foi escrito o livro de Apocalipse, e que era uma praga para as igrejas locais, era uma forma de gnosticismo, sem importar o que devemos pensar acerca dos titulas específicos dados a seus ramos. O segundo versículo explica alguns aspectos do gnosticismo. Nada menos de oito livros do N.T. foram escritos para combater ao gnosticismo, a saber: Colossenses, as três epístolas pastorais, as três epístolas joaninas e Judas.


Os gnósticos criam que a matéria é o principio mesmo do mal, e que o sistema deste mundo visa destruir finalmente à matéria. Poderíamos ajudar nesse processo, mediante o abuso contra o corpo, efetuado através do ascetismo (o tipo de gnosticismo combatido na epístola aos Colossenses), ou através da licenciosidade extrema (o tipo combatido nos outros sete livros mencionados, e que também é a variedade aqui focalizada).
Os gnósticos removeram do evangelho o “imperativo moral”, não vendo no mesmo nenhuma função santificadora. Em sua suposta elevada sabedoria (mediada pelas artes mágicas, pelo cerimonialismo e por um falso misticismo), imaginava-se isentos- das exigências morais. Não há que duvidar que muitos deles usavam passagens de escritos paulinos, como o décimo quarto capitulo da epístola aos Romanos ou o oitavo capitulo da primeira epístola aos Coríntios, para ensinarem que tudo era questão -indiferente, e não meramente a observância externa de dias santificados, carnes, bebidas, etc., conforme Paulo ensinara. Portanto, tinham tendências antinomianas extremas. Em outras palavras, não havia lei moral no evangelho deles. Os gnósticos levaram a tal extremo as suas perversões que chegaram a declarar que os anjos vinham assisti-los e influenciá-los a que participassem de todas as formas de deboche, a fim de ganharem “experiência” mediante a qual obteriam “conhecimento”. O termo Grego gnosis significa “conhecimento”; e desse termo é que o nome deles se derivava.

 O evangelho autêntico, naturalmente, se caracteriza por exigências morais mui rígidas. De fato, “...sem a santificação ninguém verá o Senhor..” (Heb, 12:14). E a “santificação.. é uma necessidade imprescindível para a salvação (ver II- Tes. 2:13). O gnosticismo contava com muitos erros doutrinários, além de erros morais. Ver sobre Gnosticismo, acerca desse falso sistema religioso. Se porventura o gnosticismo houvesse ganho a batalha, o cristianismo ter-se-ia tornado apenas em uma outra religião misteriosa, greco-romana oriental.
 Odeia as obras dos Nicolaítas; Essas “obras” eram suas ações pervertidas e imorais.

(Ver Apo. 2:14,20), Provavelmente, também devemos compreender aqui o fato de que procuravam solapar a unidade da Igreja, sendo essa uma das obras abominadas. A verdade é que essa heresia continuou solapando à igreja por cento e cinquenta anos. Eles semearam a contenda e a confusão na igreja. (Quanto a evidências acerca disso, na era apostólica, ver 1- João 2:18). Notemos a atitude correta para com o pecado.
 Os verdadeiros crentes “odeiam” á imoralidade, conforme aqueles crentes odiavam os ataques da citada seita. Portanto, em Apocalipse 2:2, lemos que os efésios não podiam suportar homens maus. Quando somos fiéis a alguém, precisamos repreender seus pecados e erros, mas isso deve ser feito com o intuito de conquistar tal pessoa, e não de afastá-la, pelo que não se pode usar de espírito orgulhoso e altivo, conforme, com frequência, se verifica. “Vós, que amais o Senhor, detestai o mal” (Sal. 97: 10). “Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; por isso detesto todo caminho de falsidade". (Sal. 119:104). “Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina... o que semeia contendas entre irmãos” (Prov. 6: 16-19). Outras Ideias sobre Apoc. 2:6 1. Dizem alguns que os nicolaítas eram idênticos aos seguidores de Balaão, porque Nicolau seria a tradução de Balaão, para o grego. Vários eruditos têm mantido esse ponto de vista, mas a maioria dos estudiosos modernos rejeita o mesmo. Contudo, não pode haver dúvidas razoáveis que tanto os seguidores de Balaão como os nicolaítas eram ramos representativos do gnosticismo. Não há motivo para duvidarmos da historicidade de tais seitas. Não são mencionadas neste capitulo meramente como símbolos com propósitos didáticos. A história mostra-nos a realidade histórica de variegadas seitas gnósticas. 2. É possível que um mesmo ramo antínominiano se tenha dividido em três formas: a. uma forma doutrinária{os nicolaítas); b, uma forma mundanizada (os seguidores de Balaão); e c. uma forma espiritualista (os seguidores de Jezabel) (Comentário de Lange). Embora talvez não tenhamos motivo para fazer tal divisão, é provável que os vários problemas enfrentados pelas igrejas da Ásia Menor tenham tido uma raiz comum. 3. A identificação de Nicolau, aludido em Atos 6:6, com a seita aqui mencionada, pode ter sido meramente uma conjectura, da parte de alguns dos primeiros pais da Igreja. Por outro lado, poder-se-ia argumentar, logicamente, que não era do interesse da tradição posterior destruir a reputação de qualquer crente neotestamentário revestido de autoridade na Igreja. B- é possível que o próprio Nicolau não fosse culpado de sensualidade, mas apenas indiscreto, porque seu oferecimento de sua própria esposa, a qualquer que quisesse possuí-la, pode ter sido interpretado como uma tentativa de estabelecer uma “comunidade de esposas.” (Ver Clemente de Alexandria, e Strong, 1:3, pár. 436 e Eusébio de Cesárea Historia Eclesiástica 1.3 capo 29; quanto à narrativa do ato indiscreto de Nicolau). Algumas seitas gnósticas, na realidade, tinham esposas em comum.

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