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19 de novembro de 2013

"Por quem Cristo morreu?"



Você pode saber que há aqueles, algumas vezes chamados “arminianos” (ou “livre-arbitristas”), que ensinam que Cristo morreu por todos os homens sem exceção. Esta idéia se tornou muito popular—mesmo dentro de círculos reformados onde ela foi historicamente condenada. Ela é popular porque ela apela ao homem—apesar de não ser baseada na Escritura.

O segundo dos “Cinco Pontos do Arminianismo,” escrito em 1610 na Holanda, declara isso sobre a expiação de Cristo, “Que, em concordância com isso, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens, de modo que obteve para todos, por sua morte na cruz, reconciliação e remissão dos pecados; contudo, de tal modo que ninguém é participante desta remissão senão os crentes, segundo a Palavra do Evangelho em João 3:16: 'Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.'” E, na Primeira Epístola de João 2:2, 'E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.'”

O arminiano entende a expiação da cruz assim: ela é universal, isto é, por todos. Um vasto número de hinos evangélicos inclui esta mesma idéia. Estes retratam um Cristo que morreu por todos os homens—e agora Ele espera a reação e resposta do pecador.

Este erro do arminiano, contudo, não é ensinado na Bíblia. Que Cristo morreu somente por um grupo específico, chamado na Escritura de “os eleitos,” é evidente de muitas passagens da Sagrada Escritura. Uma declaração clara com respeito à extensão da obra de Cristo foi dada por José, o marido de Maria, num sonho. O anjo disse a José, “E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:21). O próprio nome “Jesus” é derivado de duas palavras significando “Jeová salva.” O nome “Jesus” é, portanto, um nome extremamente belo e descritivo. Ele lembra da verdade escriturística de que se um povo há de ser salvo dos seus pecados, é Jeová quem deve salvá-los. Nenhum pecador morto pode se livrar por si só dos seus pecados. Somente Jeová, o Deus imutável, pode fazê-lo. Agora o anjo informa especificamente José de que o bebê que nasceria da Virgem Maria seria chamado “Jesus”, porque Ele salvaria o Seu povo dos seus pecados. Sua obra seria libertar um povo específico, o Seu povo. A obra da salvação, então, não cobre todos os homens, mas é limitada ao Seu povo.

Outra passagem da Escritura que indica a extensão da expiação da cruz é João 10. No verso 11 Jesus diz, “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” Novamente no verso 15 Jesus declara, “Eu dou a minha vida pelas ovelhas.” E em contraste com este sacrifício voluntário por Suas ovelhas, há o fato apresentado no verso 26 de que algumas pessoas não são ovelhas de Jesus. Jesus diz, “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.” A distinção que Jesus faz é muito clara. Ele fala de dois grupos de pessoas: Suas ovelhas e aqueles que não são Suas ovelhas. Pelo primeiro grupo, Jesus deu a Sua vida; Ele morreu pelas Suas ovelhas. Pelo último grupo, Jesus não morreu; eles não são Suas ovelhas. Portanto, também, eles não creêm nEle. Novamente aqui é muito claro que o pagamento que Jesus fez pelo pecado na cruz é um pagamento por um grupo específico de pessoas—não um pagamento pelos pecados de todo mundo.

Novamente lemos em João 17:9, “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.” Jesus não está falando aqui somente dos Seus discípulos, mas também de todos aqueles que creriam em Seu Nome através da palavra deles (veja verso 20). Jesus insiste que Ele ora somente por aqueles que o Pai Lhe deu. Ele não ora pelo mundo. A conclusão deve ser óbvia. Aqueles por quem Jesus ora são aqueles por quem Ele estava prestar a ir até a cruz. Ele não ora pelo mundo porque Ele não morreu por eles. Certamente, tivesse Ele morrido por todos os homens, Ele oraria por eles também.

Eu chamo a sua atenção para o final da passagem. Lemos em Romanos 8:32, “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” Note que o apóstolo enfatiza que Deus não deu o Seu Filho por todos, mas por nós todos. Esta é uma diferença óbvia. O “nós” refere-se à igreja em Roma—e por extensão, às igrejas de todas as eras. O “todos” neste texto representa o número total da igreja de Deus. Cristo morreu por eles.



O Que Dizer de Certos Textos da Escritura?

Há, contudo, um grupo de passagens na Bíblia que parecem substanciar a idéia de uma expiação universal. Uma das mais freqüentemente citadas é 1 João 2:2: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” Um outro texto que é bem conhecido é o de João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” E em João 6:51 Jesus diz, “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.” Há outras passagens que expressam um pensamento similar.

A questão em cada um destes textos é a interpretação apropriada das palavras “todos” e “mundo.” Alguém que estude a Escritura, mesmo que superficialmente, logo descobrirá que estas duas palavras nem sempre significam cada indivíduo que vive ou viveu na terra. Repetidamente as palavras são usadas para apontar um grupo definido e limitado. Eu darei somente algumas poucas ilustrações disso. Eu já citei João 17:9, onde Jesus declara, “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo.” Obviamente o termo “mundo” nesta passagem refere-se somente ao número total dos ímpios réprobos. Jesus não ora por este “mundo.” Mas o termo “mundo” refere-se também, na Escritura, à totalidade do povo escolhido de Deus. Isto é verdade em João 3:16 e passagens similares. Assim lemos em Romanos 5:18, “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.” Agora, obviamente o “todos os homens” que recebem o dom gratuito da justificação não inclui todo homem sobre a terra. Este é um grupo particular; é todo membro do corpo de Cristo. Assim também deve ser interpretada a passagem de 1 João 2:2. Cristo é apresentado ali como a propiciação para os nossos pecados, isto é, pelos pecados do apóstolo e daqueles a quem ele se dirigia; mas Cristo é também a propiciação para os pecados de todo o mundo—de todos aqueles de todas as eras que foram dados a Ele pelo Pai.

Porque a doutrina da expiação “limitada” é uma verdade escriturística, achamo-la expressa também nas confissões das igrejas reformadas. O Catecismo de Heidelberg, por exemplo, diz isto na Pergunta e Resposta 40: “Por que Cristo devia sofrer a morte? Porque a justiça e a verdade de Deus exigiam a morte do Filho de Deus; não houve outro meio de pagar nossos pecados.” E a Confissão de Westminster, capítulo 8, parágrafo 5, diz, “O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.”



A Importância da Expiação Limitada

Esta verdade é significante e importante na vida da igreja e nas vidas de seus membros individuais.

Em primeiro lugar, ela dá ao filho de Deus a plena certeza de sua salvação. Se Cristo morreu deveras por todo homem que já viveu, eu nunca poderei estar certo de minha própria salvação. Se Cristo morreu por todos, e mesmo assim muitos perecem, que certeza eu posso ter de que serei salvo? Veja que tal visão, que além de tudo é anti-escriturística, pode levar somente alguém a duvidar sobre sua salvação.

Mas agora, à luz do testemunho da própria Escritura, alguém pode saber com certeza se ele é salvo e se entrará na glória celestial. Jesus morreu pelos pecados do Seu povo—aqueles dados a Ele pelo Pai. Quando Jesus morreu por eles, eles também receberam o Seu Espírito, que opera nos seus corações aquela vida que Cristo mereceu por eles. Tais pessoas são convertidas, confessando diante de Deus e dos homens que pertencem a Cristo. Estes são aqueles que clamam em arrependimento sincero, “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lucas 18:13). E estes têm a certeza do perdão dos pecados e a certeza da vida eterna no céu. Ninguém pode tomar esta certeza deles. Ninguém pode destruir a fé deles. Estes não cairão da graça de Deus uma vez lhes dada. Estes encontrarão conforto e segurança em sua confissão, “Jesus morreu por mim.”

Mas ainda mais importante, esta verdade da Escritura de que Jesus morreu somente pelos pecados do Seu povo, é a única verdade que exalta o poder e a glória do Nome de Deus. Qualquer outra visão divergente detrata a glória do Seu Nome. Qualquer visão da expiação que sugira que a decisão final com respeito à salvação de alguém descansa no homem, detrata o poder e glória de Deus. Deus não compartilha Seu poder e glória com ninguém! Somente Ele é Deus! Ele tem poder absoluto. Ele determina do princípio ao fim. Ele determina o destino final de toda criatura—e Ele assim o faz em harmonia com Sua perfeita justiça.

Quando alguém considera apropriadamente o fato da expiação; quando alguém entende que aquele por quem Cristo morreu será certamente salvo—ele não pode fazer nada, senão glorificar o Nome de Deus que opera tais maravilhas!

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto

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