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13 de novembro de 2013

Que harmonia há, entre Cristo e Belial?


Diante de tanto sincretismo religioso, diante de tanta comunhão  da luz com as trevas  diante de declarações deturpadas de  alguns lideres que acabam associando  Jesus com as trevas, como temos visto e ouvido,  me lembrei desta parte de um sermão de Calvino e resolvi postar. Ele diz:
E que acordo há entre Cristo e Belial?  (2 Coríntios 6:14-18)

Nem mesmo os hebreus, entre eles, encontram concordância sobre a derivação etimológica do termo Belial; no entanto, o seu significado é plenamente óbvio. Pois Moisés fez com que uma palavra ou um pensamento de Belial significasse um pensamento ímpio e aversivo, e em muitas passagens, os criminosos, ou homens que se precipitavam no mal, são chamados filhos ou homens de Belial. Isto é o que levou Paulo a fazer, aqui, uso do termo, aplicando-o ao diabo, o principal de todos os praticantes do mal. Desta comparação entre dois cabeças, ele passa imediatamente aos membros, ou seja: "Assim como existe inimizade irreconciliável entre Cristo e Satanás, também deveis manter-vos livres de toda e qualquer conexão com a impiedade." Porém Paulo, ao dizer que o cristão não tem nada em comum com o descrente, não se refere a coisas tais como comida, vestuário, terra, sol, ar, como já ficou esclarecido anteriormente, senão que se refere àquelas coisas que pertencem particularmente à vida dos incrédulos, e das quais o Senhor nos separou.

E que concordância existe entre o templo de Deus e os ídolos? Até aqui Paulo tem proibido os crentes, em termos gerais, de associar-se com a impiedade. Agora ele cita a principal razão para tal proibição, ou seja, eles tinham cessado de considerar pecado a prática da idolatria. Em sua primeira epístola, Paulo atacara esta atitude licenciosa em Corinto, mas, provavelmente, nem todos eles haviam logrado êxito em levar a bom termo seus conselhos. Esta é a razão por que Paulo se queixa da dureza do coração deles, como a única coisa que os mantém afastados dele. Não obstante, ele não suscita novamente este assunto, mas se contenta com um pequeno lembrete, assim como fazemos com frequência quando tratamos com algo bem familiarizado. Porém, apesar de tudo, sua concisão não o impede de provocar um impacto contundente. Esta frase singular, na qual ele explica que não existe acordo entre os ídolos e o templo de Deus, está entremeada de veemência. Porquanto, é uma profanação sacrílega introduzir um ídolo ou qualquer espécie de culto idolátrico no templo de Deus. Ora, nós somos os genuínos templos de Deus, portanto é sacrilégio macular-nos com qualquer contaminação advinda da idolatria. Eis uma consideração que deveria ser recebida como se tivesse o peso de mil: "Se você é cristão, que interesse o prenderia aos ídolos, uma vez que você é templo de Deus?" Entretanto, Paulo, aqui, está combatendo a idolatria mais a nível de exortação do que de doutrina, como já disse, já que teria sido supérfulo tratar dela em toda a extensão, embora a atitude cristã para com ela sempre foi duvidosa e obscura.

Que comunhão há entre a luz e as trevas? – João Calvino (1509-1564)

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