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7 de fevereiro de 2014

Livre Graça VERSUS Livre-Arbítrio por W. E. Best - Depravação da Vontade (Tiago 1:14,15)


Há um relato proverbial que o pecado é uma criança a quem ninguém quer reivindicar. Nenhuma pessoa em seu estado de depravação quer admitir que a criança é sua. Os homens estão ansiosos por cometerem pecados, porém estão relutantes em admitir que eles conceberam ou o deram a luz.

O apóstolo Tiago traçou o pecado desde sua própria fonte até seu resultado final (Tiago 1:13-15). A tentação para pecar não é de Deus, porém da própria pessoa. Em toda sociedade, os homens começam muito cedo na vida o procurar arremessar o fardo do pecado de si mesmos para outro. “Andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras” (Salmos 58:3).

Tiago apontou a origem do pecado do homem quando ele disse que todo homem é tentado quando de sua própria concupiscência é atraído e seduzido. O apóstolo não disse que o homem é atraído por Deus, pelas circunstâncias ou por Satanás. A palavra tentação é usada de duas maneiras nas Escrituras: (1) Significa prova quando é atribuída a Deus. Deus provou a fé de Abraão (Gênesis 22:1-14). Por ser sobrenatural a fé de Abraão, ele foi capaz de suportar a prova. (2) Esta indica um esforço pela solicitação ou outros meios para atrair a uma pessoa para o pecado (Tiago 1:13-15). Essa tentação não é de Deus, porém do próprio coração do homem.

O homem é tentado quando é atraído por sua própria concupiscência. Aqui Tiago não somente estava se referindo à impureza sexual. Ele falava da corrupção que possuem todas as faculdades respectivas da alma – o entendimento, a afeição e a vontade.

Algumas pessoas têm se equivocado em tentar determinar as causas do pecado. Os homens culpam ao próprio Deus pelo pecado. O decreto de Deus não é a causa do pecado. A distinção apropriada deve ser feita entre o decreto de Deus e a ação real que trouxe o pecado à existência. O decreto de Deus não tem influência causal na ação pecaminosa, posto que um decreto não opera para efetuar a coisa decretada. O propósito de Deus é uma coisa e Sua ação em trazer à existência o que Ele tinha proposto é outra. O pecado entrou no mundo pela queda de Adão e não pela mão criativa de Deus.

Toda coisa decretada acontecerá no tempo, porém a presciência de Deus de uma ação não faz necessária a ação. O que quer que o homem faça, bem ou mal, o faz com tanta disposição como se realmente sua vontade estivesse livre. A presciência de uma ação não influi ativamente na ação em si. Deus permanece onisciente, e Ele sabe todas as coisas que o homem fará. Não obstante, devemos distinguir entre a presciência de Deus de uma coisa e a atividade da coisa pré-conhecida.

Os homens também têm culpado aos corpos celestiais pela maldade sobre a terra. Porém as estrelas e os planetas não influenciam em nada sobre os homens nem os impelem a fazer o mal. A astrologia é uma ciência falsa que professa interpretar a influência dos corpos celestiais sobre os assuntos terrestres. A assim chamada ciência da astrologia é um ataque direto a Deus. O relacionamento entre estrelas e uma alma humana é impossível porque o relacionamento entre objetos inanimados e animados é impossível. (O sol, a lua e as estrelas influenciam as coisas que têm uma natureza comum com eles mesmos.)

Os astrólogos nada sabem sobre a graça de Deus. A Bíblia os condena, classificando-os como magos e encantadores (Daniel 1:20; 2:2,10,27; 4:7; 5:7,15). Isaías os chamou de aqueles que observam as estrelas e que contam os meses para prognosticar (Isaías 47:13), e rogou ao povo que livrassem a si mesmos deles.

Nem são a providência, os tempos, as pessoas e as circunstâncias as causas do pecado. Eles são somente as ocasiões para pecar. Estes são meios indiretos pelos quais os homens acusam a Deus com seu próprio pecado. Um homem nega sua responsabilidade para o pecado quando ele culpa algo ou alguém pelo seu próprio pecado. Os Cristãos recusam atribuir seu pecado a Deus. Quando a providência de Deus pôs a Bate-seba ante os olhos de Davi, Davi não acusou a Deus com seu pecado de adultério. A providência de Deus pôs um barco à disposição de Jonas, porém Jonas não acusou a Deus com seu pecado de escapar no barco e de procurar evitar cumprir a comissão de Deus a ele. A corrupção dos tempos só serve como uma ocasião para trazer à luz a manifestação das vontades depravadas dos homens perdidos.

Nem é a constituição e o temperamento do corpo do homem uma causa do pecado. A reação a certos produtos químicos no corpo de uma pessoa não a faz pecar. O corpo foi feito para servir, não para ordenar. A causa da maldade se encontra mais profundo do que é revelado no ato do próprio pecado. Muitas irregularidades do corpo realmente vêm do coração, e não vice-versa: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” (Jeremias 17:9). Toda maldade procede do coração: “Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem...” (Mateus 15:18-20). O cometer real dos atos de pecado não causam a culpabilidade da pessoa por aqueles atos. Antes, a determinação da vontade do homem o faz um alcoólico, um adúltero, um ladrão ou um mentiroso: “Tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecar; engodando as almas inconstantes, tendo um coração exercitado na ganância, filhos de maldição” (2 Pedro 2:14). Uma pessoa com olhos cheios de adultério é uma que é totalmente presa e ocupada na mente, coração e vontade por contemplar com desejo. O mesmo é verdadeiro com todo tipo de pecado.



Nem pode o homem justamente acusar a Satanás por seu pecado. Satanás é o tentador, e ele é reconhecido como responsável pela tentação, porém aqueles que cedem à sua tentação não têm escusa. Um homem pode planejar um roubo e encarregar outro homem para realizar os seus planos, mas o segundo homem não é livre da culpa. Ele também é responsável pelo crime. Do mesmo modo, os indivíduos que cedem às tentações de Satanás são responsáveis por seu consentimento.

Qual, então, é a causa do pecado? Ela se encontra na vontade depravada do homem. Tiago Armínio (Jacobus Arminius) declarou que todos os homens não regenerados, por seu livre-arbítrio, têm o poder para resistir ao Espírito Santo, rejeitar a graça oferecida de Deus, condenar o conselho de Deus concernente a si mesmos, rejeitar o evangelho da graça e recusar abrir seus corações para Ele, que bate. Isto é heresia. Um Arminiano mais recente, seguindo o ensino de Armínio, corretamente afirmou que o homem é totalmente incapaz de salvar a si mesmo, porém hereticamente declarou que o homem é capaz de exercitar suas faculdades de raciocínio, de liberdade da vontade e de escolha.

O Arminiano grita, “Livre-arbítrio” como se somente a vontade tivesse escapado da queda – como se o pecado de Adão não houvesse afetado aquela faculdade nobre, virgem. Quando um Arminiano conversador e um liberal discutem o tema do livre-arbítrio do homem, o Arminiano afirmará que o homem tem um livre-arbítrio, e o liberal declarará que ele tem uma centelha divina. Contudo, livre-arbítrio e centelha divina não diferem essencialmente. Os dois pontos de vista são errôneos.

O homem é depravado – escravizado ao pecado. Se o homem tem um livre-arbítrio para escolher o bem ou o mal, porque universalmente os homens escolhem o mal? A razão é que sua depravação alcança até mesmo as suas vontades: “mas não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40).Os homens amam as trevas porque suas obras são más. Eles aborrecem a luz e a ela não vêm porque não querem que suas obras sejam expostas (João 3:19-21).

De acordo com os Arminianos, o pecador possui o livre-arbítrio somente enquanto ele é um pecador. Quando alguém chega a ser um filho de Deus, ele se sujeita à vontade de Deus. Os Arminianos dizem que todos os homens podem crer, porém a Bíblia ensina que eles não podem crer a menos que sejam ovelhas de Cristo (João 10:25-27). Os Arminianos afirmam que todos os homens podem vir a Cristo, porém a Bíblia ensina “ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer...” (João 6:44).

Os Arminianos fazem o maior subordinado ao menor, porém a Bíblia prova que Deus é maior que os homens. Portanto, não há compatibilidade entre as filosofias daqueles que crêem no livre-arbítrio e daqueles que crêem na livre graça. Todos que receberam a graça do soberano Deus seguem o ensino da Palavra de Deus sobre a livre graça.

O homem depravado é seduzido e enganado voluntariamente, atraído por sua própria concupiscência. Ele é molestado pela sua própria concupiscência: “...a corrupção que já no mundo através da concupiscência” (2 Pedro 1:4). O mundo é somente o objeto, não a causa de seu pecado. A concupiscência significa o desejo para e a inclinação para as coisas ilícitas. O desejo para os prazeres ilícitos é o vicio da sensualidade. O desejo para as riquezas ilícitas é o fundamento para a fraude. O pecado da ambição faz com que alguém use métodos corruptos. O desejo por uma religião sem Cristo é o fundamento da idolatria e da superstição.

Satanás sabe que a sugestão é impotente sem a concupiscência. A chama é do diabo, porém a madeira para o incêndio está no ser do homem. O homem tem o poder para desejar e fazer coisas naturais (mundanas), porém ele não tem o poder para fazer as coisas espirituais. Como uma meretriz, a concupiscência atrai sua vítima em seu abraço e então concebe, ou engravida. Todo homem é atraído por sua própria concupiscência e seduzido. Quando sua concupiscência concebe, dá a luz ao pecado. Quando o pecado é consumado, dá a luz à morte. A concepção é produzida pela união da concupiscência e a vontade. A sugestão passa para o propósito. O desejo passa para a determinação.

O homem depravado é pior do que um boneco ou um robô. Um boneco é guiado pela habilidosa mão do marionetista, porém o homem não salvo é guiado pela depravação de sua própria vontade escravizada. O homem é um agente livre, pois ele não é forçado exteriormente; mas ele não tem o livre-arbítrio porque ele está atado por dentro. A faculdade da vontade foi afetada na queda. Ele é capaz de raciocinar e entender as coisas naturais, porém não é capaz de entender as coisas espirituais: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).

O homem não pode determinar sua vontade para o bem; somente a graça de Deus pode determinar essa direção da vontade do homem. Uma vontade enferma não pode prover uma cura espiritual – a cura deve vir de fora do homem. Semelhança produz semelhança; portanto, uma vontade depravada produz uma vontade depravada.

Os advogados do livre-arbítrio crêem que a menos que o homem esteja completamente livre, Deus lhe manda fazer o que ele não pode. O pecado do homem deve ser considerado neste ponto. Deus não é a causa do pecado do homem; nem é a causa da condição caída do homem.

Todos nós estaríamos de acordo que uma pessoa tem o direito de demandar o pagamento de um ladrão pelas coisas roubadas de seu lar – ainda que o ladrão possa ou não pagar. Do mesmo modo, Deus tem o direito de demandar a retidão do homem que é incapaz de fazê-lo por causa de seu próprio pecado. Deus ordenou ao homem que tinha uma mão seca que a estendesse (Lucas 6:6-10). Embora Lázaro estivesse na sepultura há quatro dias e fedendo, o Senhor disse-lhe para sair para fora (João 11). Embora o homem seja impotente, ele é, todavia responsável. Ele é incapaz de arrepender e crer aparte da graça, mas Deus lhe ordena que faça ambos (Atos 17:30; 20:21), Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios (Romanos 5:6). O plano inteiro da graça é construído sobre o fato de que, embora todos os homens sejam incapazes, eles são responsáveis, e que Jesus Cristo morreu pelos Seus dentre eles.

A liberdade da coerção é uma coisa, porém a liberdade de dentro é outra. O homem caído está desprovido de poder espiritual, e a morte espiritual está escrita sobre toda pessoa. Como Nicodemus, o homem está preso ao novo nascimento (João 3:1-18); e como o leproso, ele está preso à vontade de Deus. A Bíblia sustenta a responsabilidade do homem, mas também tira do homem caído o poder espiritual. Toda jactância é excluída, e toda glória é concedida ao soberano Deus (Romanos 3:26-28).

O homem em seu estado natural é incapaz de estar disposto ou não disposto para ser capaz de vir a Cristo. Sua vontade é totalmente depravada, que é o resultado de sua condição caída. Deve estar claro o fato que a capacidade natural e a incapacidade espiritual diferem. A capacidade natural de uma pessoa lhe capacita a estar presente no lugar onde a Palavra de Deus é proclamada. A capacidade natural de Lídia lhe deu poder para ir ao lugar onde ouviu Paulo expondo a palavra de Deus. Contudo, foi um ato do soberano Deus que abriu seu coração para entender a proclamação por Paulo (Atos 16:13,14). A capacidade natural de um indivíduo lhe faz responsável por seu pecado, porém sua depravação lhe faz espiritualmente incapaz de vir a Cristo. A depravação da vontade se deve ao pecado, e o pecado é a causa da concupiscência do homem. Não há esperança para ninguém aparte da graça de Deus.

2 comentários:

Elizeu Rodrigues disse...

Como um escravo pode fazer as coisas que o seu senhor não permite? O mal está dentro das pessoas, como disse o ETERNO Deus a Caim. E Jesus Cristo diz: aquele que comete pecado é servo do pecado.

Contudo depois ele diz acerca do Espírito Santo: convencerá do pecado, da justiça e do juízo. Isso é espiritual e apenas o espiritual pode compreender isso.

Pb Fernando disse...

Excelente texto, e mais uma ótima refutação contra a livre vontade do homem.

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