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9 de março de 2014

O cão voltou ao seu próprio vômito


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Por Frank Brito


Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama”. (II Pedro 2:20-22)

Na última postagem deste blog, comentei sobre outro texto de II Pedro que é frequentemente usado para defender que um verdadeiro salvo pode acabar perdendo sua salvação. II Pedro 2:20-22 também é frequente usado para defender o mesmo. O texto fala daqueles que escaparam “das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo” e depois foram “outra vez envolvidos nelas e vencidos”. Isto não é claramente a descrição de um salvo que perdeu sua salvação? Na verdade, quando entendemos o verdadeiro sentido de II Pedro 2:20-22, somos levados a concluir justamente o contrário, que é necessário ser um falso convertido para acabar se desviando para a perdição eterna.

Para entender o verdadeiro sentido das palavras de S. Pedro, temos que começar observando que ele cita passagens de outros textos bíblicos. Para entender o argumento de Pedro temos que analisar estas passagens que ele cita em seus respectivos contextos. Primeiro, Ele cita as palavras do Senhor conforme se encontram nos Evangelhos de S. Mateus e S. Lucas, “tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro”:

Ora, havendo o espírito imundo saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para minha casa, donde saí. E, chegando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entretanto, habitam ali; e o último estado desse homem vem a ser pior do que o primeiro. (Mateus 12:43-45; Lucas 11:26)

Aqui Jesus fala de um homem que teve um demônio expulso dele. Ele era endemoniado e deixou de ser. Ele foi espiritualmente liberto do poder que aquele demônio exercia sobre ele. Mas Cristo diz que o demônio, não conformado com o fato de ter sido expulso, decidiu voltar: “Voltarei para minha casa, donde saí. E, chegando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Quando Jesus diz que a casa estava “varrida e adornada”, Ele estava se referindo à libertação espiritual pela qual aquele homem tinha passado. Mas, ao mesmo tempo, a casa estava “desocupada”. O antigo inquilino havia sido expulso, mas, depois disso, ninguém passou a habitar na casa. Foi isso o que levou o demônio a levar “consigo outros sete espíritos piores do que ele” para morar ali. Se a casa não estivesse desocupada, ele não poderia voltar e muitos menos levar mais sete com ele. Como está escrito:

Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle”. (Rm 8:9)

Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós” (I Co 3:16)?

Aquele homem havia, em certo sentido, sido liberto por Deus. O demônio, afinal, havia sido expulso dele. Pela expulsão daquele demônio, ele havia, nas palavras de S. Pedro, “escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo” (II Pe 2:20) e é por isso que sua casa estava “varrida e adornada”. Mas, ainda assim, ele não era um verdadeiro salvo. Apesar dele ter sido externamente liberto, o interior sua casa continuava “desocupada”, isto é, o Espírito de Deus não habitava nele e “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle” (Rm 8:9).

Os ímpios, que nunca foram salvos, podem passar por uma experiência externa de libertação espiritual. Eles jamais creem de todo coração e, portanto, jamais se tornam habitação do Espírito Santo. Apesar tisso, eles ainda podem ser beneficiados espiritualmente por Jesus Cristo de muitas maneiras. Um homem endemoniado pode ser liberto do poder desse demônio sem ser salvo por Jesus Cristo. Com base nesta libertação, ele pode vir a abandonar determinadas práticas que faziam parte de sua vida por influência daqueles demônios. Pensemos, por exemplo, na situação de uma mulher verdadeiramente cristã que é casada com um marido bêbado e preguiçoso. Ele faz com que a família inteira passe por sérios problemas. A esposa sempre ora por ele. É possível que, por consideração à esposa que é uma cristã fiel, Deus liberte o marido da bebedeira e da preguiça e faça que ele se torne um marido sóbrio e trabalhador. É possível que Deus até o faça frequentar a igreja por um tempo. Mas isso, por si só, não significa que ele estará convertido, ainda que ele tenha sido espiritualmente liberto por Deus de alguns de seus vícios. Ímpios podem passar por libertações externas sem passar por uma conversão genuína. É sobre isso que Jesus falou Mateus 12:43-45 e este foi o texto que S. Pedro citou quando falou daqueles que “depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro” (II Pe 2:20). O texto que S. Pedro cita logo em seguida, do livro de Provérbios, comprova que é sobre isso que ele de fato estava falando:

Deste modo sobreveio-lhes o que diz este provérbio verdadeiro; Volta o cão ao seu vômito. (II Pedro 2:22)

Como o cão que torna ao seu vômito, assim é o tolo que reitera a sua estultícia. (Provérbios 26:11)

Quando Pedro fala do cão tornando ao seu vômito, ele esta se referindo ao tolo reiterando a sua estultícia. Ou seja, ele não era um sábio que se tornou tolo, mas ele já era tolo e ele reitera aquilo que ele já era. Ele não era um salvo que se tornou perdido, mas era um perdido que, ao se desviar, confirmou aquilo que ele realmente era. Essa é a mesma ideia da comparação que ele faz com o porco: “e a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal” (II Pd 2:22). O argumento de S. Pedro aqui é que a porca, mesmo sendo lavada, acabará querendo voltar para a lama. Essa é sua “natureza”. Da mesma forma, impios podem passar por libertações externas sem passar por uma conversão genuína. Ímpios podem ser “lavados” externamente, mas continuam com a mesma natureza e por isso voltam para a lama.

S. Pedro, então, longe de ensinar que um verdadeiro salvo pode acabar perdendo sua salvação, ensina justamente o contrário, que é necessário ser um falso convertido para acabar se desviando para a perdição eterna. É preciso ser um “porco” ou um “cão”. É preciso que casa esteja vazia, ainda que “varrida e adornada”.

***
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4 comentários:

alex silva disse...

Ao meu ver existe um motivo forte,para que parte dos crentes acabem abandonando as suas igrejas .
Alem do motivo apresentado pelo artigo "de verdadeira converção".
Hoje dentro das igrejas não existe um verdadeiro programa de ensino personalizado.
porque cada pessoa tem as suas fraquezas e virtudes diferentemente umas das outras ,o que é tentacão para um não é para outro.

´so a escola dominical não supre esta necessidade.
A pessoa não é acompanhada pelo seu pastor ou qualquer outro membro qualificado para que a ajude a progredir na fé, e ai fica por conta propria ,a maioria dos instrutores são mau preparados e não aplicam de forma prática a materia naõ sabendo nem para si mesmos.
A BIBLIA APONTA PARA ESTA NECESSIDADE DE ENSINO
(MAT 28;19-20) DIZ SOBRE PREGAR E ENSINAR, E PARA SER EFICIENTE É NECESSARIO "ARTE DE ENSINO"(2 TIM 4;2)DIZ;prega a palavra,+ ocupa-te nisso urgentemente, em época favorável,+ em época dificultosa,+ repreende,+ adverte,* exorta, com toda a longanimidade+ e [arte de] ensino.
Enquanto os homens de liderança deixaren os seus rebanhos a deriva e preocupados somente em apascentar a si mesmos em breve veremos um colapso da ´fe.

alex silva disse...

p. 8Preste atenção à sua “arte de ensino”

“Prega a palavra, . . . repreende, adverte, exorta, com toda a longanimidade e arte de ensino.” — 2 TIM. 4:2.

APESAR de todas as curas maravilhosas que realizou durante seu ministério terrestre, Jesus não era conhecido principalmente como alguém que curava ou fazia milagres, mas sim como instrutor. (Mar. 12:19; 13:1) Sua prioridade era declarar as boas novas do Reino de Deus, e o mesmo se dá hoje com seus seguidores. Os cristãos receberam a tarefa de continuar a obra de fazer discípulos por ensinar as pessoas a observar todas as coisas que Jesus ordenou. — Mat. 28:19, 20.

2 Para cumprirmos a tarefa de fazer discípulos, procuramos sempre melhorar a nossa habilidade de ensino. O apóstolo Paulo frisou a importância dessa habilidade ao escrever a seu companheiro de pregação Timóteo: “Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino. Permanece nestas coisas, pois, por fazeres isso, p. 9salvarás tanto a ti mesmo como aos que te escutam.” (1 Tim. 4:16) O tipo de ensino que Paulo tinha em mente não era a simples transmissão de conhecimento. Ministros cristãos eficientes tocam o coração das pessoas e as motivam a fazer mudanças na vida. Isso é uma arte. Então, como podemos desenvolver a “arte de ensino” ao divulgarmos as boas novas do Reino de Deus? — 2 Tim. 4:2.

alex silva disse...

Baseie seu ensino na Palavra de Deus

5 Jesus, o maior de todos os instrutores humanos, baseava seus ensinos nas Escrituras. (Mat. 21:13; João 6:45; 8:17) Ele não falava em seu próprio nome, mas sim no nome Daquele que o enviara. (João 7:16-18) Esse é o exemplo que seguimos. De modo que aquilo que dizemos, quer no ministério de casa em casa, quer em estudos bíblicos em domicílio, deve se concentrar na autoridade da Palavra de Deus. (2 Tim. 3:16, 17) Por mais inteligente que seja um argumento de nossa parte, não pode se comparar à eficácia e ao poder das inspiradas Escrituras. A Bíblia tem autoridade. Não importa o ponto que estejamos tentando ajudar o estudante a entender, o melhor método que podemos usar é fazer com que ele leia o que as Escrituras dizem sobre o assunto. — Leia Hebreus 4:12.

6 Naturalmente, isso não quer dizer que não seja necessário que o instrutor cristão se p. 10prepare para o estudo bíblico. Ao contrário, é preciso uma cuidadosa preparação para decidir que textos bíblicos citados o instrutor ou o estudante vai ler diretamente da Bíblia durante o estudo. De modo geral, é bom ler os textos que servem de base para as nossas crenças. Também é necessário ajudar o estudante a entender o sentido de cada texto que lê. — 1 Cor. 14:8, 9.

Bom uso de perguntas

7 O bom uso de perguntas estimula o raciocínio e ajuda o instrutor a tocar o coração do estudante. Portanto, em vez de explicar os textos para o estudante, peça que ele os explique para você. Às vezes pode ser necessário uma pergunta adicional, ou mesmo uma série de perguntas, para ajudar o estudante a chegar ao entendimento correto. Quando envolvemos o estudante no processo de aprendizagem dessa forma, nós estamos, na verdade, ajudando-o não apenas a entender as razões por trás de uma conclusão, mas também a fazer dessa conclusão sua própria convicção. — Mat. 17:24-26; Luc. 10:36, 37.

8 O método de estudo usado em nossas publicações é o de perguntas e respostas. Sem dúvida, a maioria das pessoas com as quais estudamos a Bíblia logo serão capazes de responder às perguntas impressas, usando as informações nos parágrafos correspondentes. Ainda assim, o instrutor que tem discernimento não ficará satisfeito apenas com as respostas certas. Por exemplo, um estudante talvez seja capaz de explicar de modo correto o que a Bíblia diz sobre fornicação. (1 Cor. 6:18) Perguntas de ponto de vista feitas com tato, porém, podem indicar o que o estudante realmente pensa sobre o que está aprendendo. Portanto, o instrutor pode perguntar: “Por que a Bíblia condena as relações sexuais fora do casamento? O que você acha dessa restrição imposta por Deus? Acha que há algum benefício em viver de acordo com os padrões de moral de Deus?” A resposta a essas perguntas pode revelar o que o estudante tem no coração. — Leia Mateus 16:13-17.

alex silva disse...

Ajude os estudantes a dar valor ao que aprendem

12 Para ser eficaz, nosso ensino precisa tocar o coração do estudante. Ele precisa entender como a informação se aplica a ele, como pode beneficiá-lo e como sua vida pode melhorar se seguir as orientações da Bíblia. — Isa. 48:17, 18.

13 Por exemplo, pode ser que estejamos considerando Hebreus 10:24, 25, que incentiva os cristãos a se reunirem com seus irmãos para encorajamento bíblico e amorosa associação. Se o estudante ainda não assiste às reuniões, podemos descrever brevemente como elas são realizadas e o que é estudado. Também é bom mencionar que as reuniões congregacionais fazem parte de nossa adoração e que nos beneficiam pessoalmente. Podemos então convidá-lo para assistir às reuniões. O que deve motivá-lo a corresponder às orientações da Bíblia é seu desejo de obedecer a Jeová, não de agradar o instrutor. — Gál. 6:4, 5.

14 Um benefício fundamental que os estudantes derivam de estudar a Bíblia e aplicar seus princípios é que eles vêm a conhecer e a amar a Jeová como pessoa. (Isa. 42:8) Ele não apenas age como Pai amoroso, Criador e Dono do Universo, mas também revela sua personalidade e suas habilidades aos que o amam e o servem. (Leia Êxodo 34:6, 7.) Quando Moisés estava para libertar a nação de Israel do cativeiro no Egito, Jeová identificou a si mesmo usando a expressão: “Mostrarei ser o que eu mostrar ser.” (Êxo. 3:13-15) Isso dava a entender que Jeová se tornaria o que quer que fosse necessário para realizar seus propósitos em relação ao seu povo escolhido. Assim, os israelitas vieram a conhecer a Jeová no papel de Salvador, Guerreiro, Provedor, Cumpridor de promessas e outras atribuições. — Êxo. 15:2, 3; 16:2-5; Jos. 23:14.

15 Nossos estudantes talvez não sejam alvo de uma intervenção de Jeová nas suas vidas de modo tão dramático como se deu com Moisés. Ainda assim, à medida que aumentarem em fé e em apreço pelo que aprendem e ao passarem a colocar isso em prática, sem dúvida verão a necessidade de recorrer a Jeová em busca de coragem, sabedoria e orientação. À medida que fizerem isso, também chegarão a conhecer a Jeová como Conselheiro sábio e confiável, Protetor e generoso Provisor de todas as necessidades deles. — Sal. 55:22; 63:7; Pro. 3:5, 6.

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