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Faixa pró-militares causa confusão e Câmara encerra sessão sobre golpe



Atos lembram os 50 anos do golpe militar no Brasil33 fotos 2 / 33 31.mar.2014 - Parentes de desaparecidos políticos, estudantes e integrantes de movimentos sociais seguram cartazes de desaparecidos na época da ditadura militar durante ato no pátio do 36º DP, no Paraíso, zona sul de São Paulo, nesta segunda-feira (31), para lembrar os 50 anos do golpe que instaurou uma ditadura militar no Brasil. O local abrigou o antigo DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) durante o regime militar. Cerca de 1.000 pessoas participaram do evento, inclusive antigos presos políticos Leia mais Nelson Antoine/Foto Arena/Estadão Conteúdo Sessão solene realizada nesta terça-feira (1º) na Câmara dos Deputados para lembrar os 50 anos do golpe de 1964 foi encerrada após confusão no plenário. Uma faixa que dizia "Parabéns aos militares. Graças a vocês o Brasil não é Cuba!" foi estendida por militantes na galeria do plenário. Segundo a segurança da Câmara, a faixa foi trazida pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Pessoas contrárias e a favor ao golpe entraram em conflito. Houve gritaria e empurra-empurra. Uma mulher que defende os militares caiu no chão do plenário, mas aparentemente passa bem. Ela se recusou a deixar a sessão. A sessão foi interrompida por cinco minutos e retomada após a retirada da faixa. O evento foi retomado novamente, mas houve nova interrupção quando o deputado Bolsonaro começou a discursar. Manifestantes que ocuparam o plenário se viraram de costas, o que, segundo o deputado Amir Lando (PMDB-RO), que presidia a sessão, é proibido pelo regimento interno da Casa. A sessão chegou a ser retomada pela segunda vez, mas a confusão continuou e Lando encerrou a sessão. Acesso restrito causa polêmica O acesso à sessão foi restrito a princípio, mas após solicitação dos deputados Ivan Valente (PSOL-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ) e Alessandro Molon (PT-RJ), a entrada foi liberada. Segundo a Secretaria-Geral da Mesa Diretora, o acesso havia sido restringido por motivos de segurança. A sessão solene foi um pedido da deputada Luiza Erundina (PSB-SP). Ela foi aplaudida durante todo o evento. "Há meio século o povo brasileiro perdeu a liberdade sob um regime de opressão e violência institucional. Muitos morreram nas casas da morte, sob tortura ou situações obscuras. 173 deputados tiveram seus mandatos cassados. [...] É preciso virar a página desse vergonhoso capítulo da história brasileira." A deputada também defendeu a revisão da Lei da Anistia. A Anistia Internacional deve lançar hoje uma petição online que pede a alteração da lei que anistiou presos políticos e membros do regime militar que cometeram violações aos direitos humanos, como os torturadores. "O processo de redemocratização está inacabado", disse. Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (31) aponta que a maior parte da população (46%) é a favor da anulação da norma como ela é aplicada hoje. Durante a sessão solene, a Câmara decretou 2014 como o "Ano da Democracia, da Memória e do Direito à Verdade". A proposta, também de autoria de Erundina, é uma agenda de eventos políticos, culturais e educativos sobre o golpe, o período ditatorial e a redemocratização que ocorrerão durante todo ano. Ainda nesta terça-feira será aberta a exposição "Instituições Mutiladas, Resistência e Reconstrução Democrática (1964-2014)", que está no corredor de acesso ao Plenário. A mostra apresenta as instituições que sofreram a violência da ditadura e destaca as diversas formas de resistência ao regime militar e a luta pelo retorno da democracia. Também será reinstalada a Comissão Parlamentar da Verdade, vinculada à Comissão de Direitos Humanos e Minorias. O grupo foi criado em 2012 e promoveu a devolução simbólica dos mandatos dos 173 deputados federais cassados pela ditadura em dezembro passado.

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