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Ronaldo critica atrasos na Copa: 'Me sinto envergonhado'

Ex-jogador reclama dos problemas enfrentados pelo Brasil nos preparativos para a competição, mas afirma que o Mundial não deve ser alvo de protestos

Ronaldo no anúncio das sedes da Copa das Confederações de 2012, no Museu do Futebol, em São Paulo
Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa (Paulo Whitaker/Reuters)
"É uma pena. Eu me sinto envergonhado porque é o meu país, o país que eu amo. A gente não podia estar passando essa imagem", disse Ronaldo
Integrante do Comitê Organizador Local (COL) da Copa, Ronaldo disse estar envergonhado pelos atrasos e problemas enfrentados pelo Brasil às vésperas do início do Mundial. Em entrevista à agência Reuters na sexta-feira, o ex-jogador culpou os governantes pelos projetos que só ficaram no papel e defendeu que o torneio não é o "grande vilão" do país.

Ronaldo acredita que as críticas feitas pela Fifa ao Brasil pelo não cumprimento de prazos são justas, já que o país sabia desde 2007 das exigências da entidade. “De repente chega aqui é essa burocracia toda, uma confusão, um disse me disse, são os atrasos. É uma pena. Eu me sinto envergonhado porque é o meu país, o país que eu amo. A gente não podia estar passando essa imagem”, lamentou.

Apesar dos atrasos, Ronaldo confia que todos os estádios estarão prontos para a Copa. O ex-jogador, no entanto, criticou os governantes do país, que ele apontou como responsáveis pelos problemas enfrentados nos preparativos para o torneio. “A Copa do Mundo é uma ferramenta que trouxe uma série de investimentos para o nosso país. Poderia ter sido perfeito, se fizessem tudo o que prometeram, mas isso não tem a ver com Copa do Mundo, tem a ver com os governos que prometeram e não cumpriram.”

Protestos – Para Ronaldo, a realização do torneio no Brasil não deveria ser alvo de protestos. Desde junho do ano passado, manifestantes criticam os gastos do país com a organização do Mundial. A possibilidade de protestos violentos durante a Copa é uma das maiores preocupações da Fifa e do governo. “As pessoas olham o Mundial como o grande vilão do nosso país e não é. A gente não pode esquecer que o nosso Brasil não era essa maravilha toda antes da Copa do Mundo. Era igual ou pior”, afirmou Ronaldo.

A cadeia de erros do Brasil na Copa

Como poderia ter sido: A Fifa ficaria satisfeita com apenas oito estádios, o suficiente para o evento
O que o país fez: Para aumentar o número de cidades envolvidas – e atender aos pedidos do maior número possível de governadores e prefeitos –, ampliou o número para doze arenas
Qual foi a consequência: Além de encarecer todo o evento, criou dois problemas. Sem investidores privados para bancar estádios em capitais sem clubes de grande torcida, usou-se dinheiro público. Além disso, algumas das arenas poderão virar elefantes brancos depois do Mundial

Estádios privados

O Estádio Nacional de Brasília: o custo se aproxima dos 2 bilhões de reais em verba pública O ministro do Esporte do governo Lula prometia uma Copa totalmente privada, sem uso de dinheiro público nas arenas. Entre as doze sedes do Mundial, porém, só três (São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) são empreendimentos particulares - e mesmo essas obras dependem de financiamento de bancos estatais e generosos incentivos públicos.

(Com Gazeta Press e Estadão Conteúdo)

Veja Abril

Comentários

Joab Barros disse…
"Os ratos são os primeiros a abandonar o navio"

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