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27 de agosto de 2014

Duelo em 10 rounds: 1º debate tem ataques entre Dilma, Marina e Aécio





O segundo bloco do debate entre presidenciáveis na Band colocou os candidatos frente a frente. Os candidatos podiam perguntar para os adversários - a ordem das perguntas foi definida por sorteio e cada candidato só podia ser perguntado duas vezes.
A candidata Marina Silva abriu o bloco perguntando para a presidente Dilma Rousseff sobre os pactos apresentados por ocasião das manifestações de junho. "Nada disso funcionou. O que deu errado?", questionou Marina. "Eu considero que tudo deu certo, veja você". Dilma mencionou os cinco pactos - educação, em que citou a lei que dedica o dinheiro dos royalties do pré-sal para a área; saúde, em que ela mencionou o programa Mais Médico, que atende a 50 milhões de pessoas, segundo a presidente; estabilidade econômica, que a presidente afirmou que é atendida com a redução da inflação; e reforma política, que o projeto enviado pela presidência não foi aprovado pelo Congresso. "Acredito que reforma política no Brasil precisará da participação popular, de um plebiscito". O último pacto foi mobilidade e a presidente citou investimentos em BRT e outros meios de transporte.
"Esse Brasil que a presidente Dilma acaba de mostrar, colorido, quase cinematográfico, não existe na vida das pessoas", atacou Marina Silva, dizendo que o cidadão vive preso em engarrafamentos e na penúria da saúde. Dilma rebateu falando sobre a reforma política. "Só a força do povo brasileiro é capaz de transformar as instituições políticas que tanto precisamos", defendeu. "No que se refere a educação, eu considero que nós tivemos um grande salto. Por exemplo, vou citar o Pronatec. Oito milhões de jovens adultos fazendo cursos".
Dilma questiona Aécio
A presidente então questionou o candidato tucano, citando o governo de Fernando Henrique Cardoso, que deixou a presidência com alta de taxa de desemprego, e quis saber que "medidas impopulares" ele tomaria caso eleito. "Estamos preparados para fazer o Brasil voltar a crescer (...) Durante o governo da senhora, presidente 1 milhão e 200 mil vagas foram embora porque a indústria brasileira foi sucateada", afirmou. Ele usou dados do Caged para dizer que o país parou de crescer. "Tivemos mais uma vez um dos piores crescimentos entre todos os nossos vizinhos". Ele afirmou que "intervencionismo absurdo" em setores como energia atrapalham o crescimento. "A grande verdade é que o governo do PT surfou e se valeu de reformas do governo do presidente Fernando Henrique".
"A verdade, candidato, é que o governo do PSDB, que parece que o senhor não vai adotar, quebrou o Brasil três vezes", contra-atacou Dilma. "Na verdade, nós geramos mais empregos do que vocês em oito anos (...) Os número não podem ser enganosos". Dilma falou ainda em 'tarifaço' e 'arrocho' em governos do PSDB.
"Me permito ficar com a primeira presidente Dilma, que no início do seu mandato escreveu uma carta cumprimentando a estabilidade econômica do governo Fernando Henrique (...) Foram os programas sociais inciados no governo Fernando Henrique que levaram hoje ao Bolsa Família".
Pastor Everaldo ataca Dilma
Logo em seguida, o candidato Pastor Everaldo optou por questionar a presidente Dilma e atacou a proximidade do governo petista com Cuba. "Seu governo favorece a ditadura cubana, que não respeita os direitos humanos. Investiu na construção de um porto em Cuba. É justo fazer isso com o dinheiro, o suor, o sangue do trabalhador brasileiro?", quis saber o candidato.
Dilma afirmou que o governo financia empresas brasileiras. "O Brasil que antes só olhava para países desenvolvidos hoje olha para todo o mundo, países na África, vizinhos, e tem uma relação muito desenvolvida com os países BRICs (...) E isso permitiu que criássemos o banco BRIC", respondeu Dilma. 
"No meu governo, o dinheiro do trabalhador brasileiro vai ficar no Brasil", rebateu Pastor Everaldo. "Quando se financia empresa no exterior assegura empregos aqui. A mesa do trabalhador brasileiro tem padrão de consumo que nunca teve", afirmou Dilma, na tréplica. 
Cenário de debate na Band, antes da chegada de candidatos (Foto: Band)

Eduardo Jorge questiona Aécio
O candidato do PV quis saber de Aécio Neves se ele concorda com a legislação atual do país sobre aborto, que reduz as mulheres brasileiras a criminosas quando passam pelo procedimento. "Eu concordo com a política atual. Mas acredito que podemos aumentar o conhecimento, a educação", respondeu Aécio, "sobretudo para adolescentes de baixa-renda, e mesmo políticas preventivas para evitar a gravidez indesejada". "Eu tenho as minhas convicções, as defendo de forma absolutamente clara e nessa questão eu prefiro manter a legislação como ela está.
"A legislação é cruel. Ela coloca 700, 800 mil mulheres a sua própria sorte. Buscando clínicas clandestinas (...) É possível, senador Aécio, que o Brasil vai repetir sua posição como em relação à escravidão, quando foi o último país a abolir?", rebateu Eduardo Jorge, classificando de "reacionária" a lei atual do país.
Aécio usou sua fala então para atacar a diminuição do investimento do governo federal em saúde pública. 
Aécio Neves pergunta a Marina Silva
O candidato tucano questionou Marina Silva sobre a frase em que ela disse que não subiria em alguns palanques, mas depois voltou atrás e afirmou que gostaria do apoio de José Serra futuramente. "Candidata você tem falado sobre nova política. Quando foi lançada como candidata, apressou-se que não subiria a outros palanques, como do íntegro Geraldo Alckmin, depois disse gostaria de ter José Serra em seu governo. A nova política também não deveria ter uma boa dose de coerência?"
"Confesso, candidata, que sinto dificuldade em entender o que seria essa nova política (...) A boa política, senhora candidata, pressupõe coerência. Eu estou aqui acreditando no que sempre acreditei", afirmou Aécio. 
"Vejo que a sua fala, candidato, reforça exatamente o meu argumento. Eu acredito na política que pratiquei por 16 anos no senado federal", rebateu Marina. 
Levy questiona Marina sobre bancos
O candidato Levy Fidelix escolheu "bombardear politicamente" a candidata Marina, querendo saber sobre a "relação íntima" dela com os bancos e perguntando se iria governar para a agropecuária. "Eu quero combater essa visão de que devemos apartar o Brasil. Com essa visão que temos que combater as elites. O problema do Brasil não é a elite, é a falta da elite". Ela afirmou que a "visão tacanha" de que devemos dividir as pessoas por rótulos deve ser combatida no país. "É assim que eu quero governar o Brasil, unindo o Brasil, não apartando".
Levy então afirmou que Guilherme Leal, da Natura, que apoia Marina, "deve bilhões de impostos. E o Itaú/Unibanco não quer pagar R$ 18 bilhões (por conta da fusão". Marina disse não ver contradição em seu discurso ou parcerias. "Quem responde pelos interesses privados e empresariais são as pessoas que estão com os interesses citados pelos candidatos", disse. "Eu dialogo com pessoas", argumentou. Sobre o agronegócio, a candidata respondeu: "o agronegócio é importante para a balança comercial, mas deve ser feito com responsabilidade econômica e social".
Luciana Genro pergunta ao Pastor EveraldoA candidata do PSTU perguntou se Pastor Everaldo se sente responsável pela morte de homossexuais por conta do preconceito no país. "Vou perguntar para o Everaldo. Permita-me chamá-lo de Everaldo porque não costumo misturar política com religião. O senhor era da base do governo quando o governo suspendeu o programa "Escola sem homofobia". Isso gerou uma situação em que os professores não receberam os materiais. O senhor não se sente responsável pelas mortes devido a preconceitos?".
"Nunca tive preconceito. Nunca tive responsabilidade por morte nenhuma (...) Meu compromisso é com o restabelecimento da dignidade do professor", afirmou o pastor. "Não existe povo mais tolerante que o cristão. O cristão é um tolerante. É um ensinamento que Jesus no ensinou (...) Não discriminamos ninguém. Agora, para mim, a escola pública tem que cuidar da educação do cidadão brasileiro".

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