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6 de agosto de 2014

Refletindo sobre Cessacionismo e Continuísmo.

 
 
Caros amigos do Blog, semana passada postei no “Livros Reformados” links para um texto do "Cristão Reformado", blog do Pr. Alan Rennê com o título: O que o Cessacionismo não é,  de autoria de Nathan Busenitz. Tal texto gerou um interessante diálogo no grupo do Facebook “Justificação pela Fé” sobre o Cessacionismo e Continuísmo. Um querido irmão apresentou-me algumas questões interessantes sobre o tema o que me deu a oportunidade de escrever um pouco sobre o assunto. Fiz uma adaptação do material e o apresento a seguir. Espero que contribua para a reflexão de todos, sejam estes cessacionistas ou continuístas. 
  
1 - É verdade que a Bíblia não nos diz nada que possa fundamentar o Cessacionismo, mas apenas que os dons cessarão quando vier o que é “perfeito” (I Co 13)?

Bem, o argumento cessacionista não depende de I Co 13, pois existem cessacionistas que concordam com os continuístas sobre esta passagem e ainda assim permanecem cessacionistas. Quanto ao que já percebi na questão, entendo que a base principal e plenamente bíblica do cessacionismo é a que expressa Samuel Waldron na seguinte citação: “Não estou negando os milagres no mundo de hoje no sentido mais amplo de ocorrências sobrenaturais e providências extraordinárias. Estou apenas dizendo que não existem milagres no sentido mais estrito dos operadores de milagres, que se utilizam de sinais miraculosos para atestar a revelação redentora de Deus. Embora Deus nunca tenha se colocado para fora do Seu mundo, e ainda tenha liberdade para fazer o que Lhe apraz, quando Lhe apraz, como Lhe apraz, e onde Lhe apraz, Ele deixou claro que o progresso da revelação redentora, atestada por sinais miraculosos feitos por operadores de milagres, terminou na revelação apresentada no Novo Testamento.”. Assim, se a revelação está completa com o Novo Testamento, e os dons foram dados para confirmar a revelação, qual seria o sentido dos dons permanecerem hoje? Se existem dons hoje, também devem existir revelações de Deus hoje que precisem ser atestadas pelos mesmos dons. Mas evidentemente, pelo fato de a Bíblia está completa, não há novas revelações e nem dons. Dessa forma o argumento cessacionista é bíblico, pois se baseia na própria natureza da revelação bíblica. De fato são os continuístas quem têm que resolver este dilema: Revelação completa coexistindo com a contemporaneidade de dons e ainda assim permanecerem bíblicos. Penso que os continuístas nunca conseguem resolver o dilema sem cair em algum tipo de “Nova Revelação”, pois se existem dons hoje, também deve existir algum tipo de “nova revelação”. Consequentemente tornam-se não bíblicos, visto que atentam contra a natureza da Bíblia. Os cessacionistas, ao contrário, são bíblicos, pois sua fé na cessação de dons está atrelada a fé em uma Revelação Completa, em uma Escritura Inspirada e Suficiente.
2 - A falta de fé é a razão da diferente manifestação de dons em nosso tempo?

Hoje sou cessacionista e batista reformado. Mas, já fui um continuísta pentecostal. Em meus tempos de crença continuísta e pentecostal observava a “fé” das pessoas ao orarem pedindo manifestação de dons. E eu mesmo cria. Todavia, o fato é que o que ocorre nestes ambientes não tem nada a ver com os dons do Novo Testamento em natureza, em grau, e em propósito. Alguém pode crer sinceramente que dons ainda existem, mas não consegue observar tais dons bíblicos hoje. Assim a “fé” não é relevante na questão, mas sim o “tempo dos dons” que é determinado exclusivamente por Deus e que o cessacionista, em concordância com a natureza da Bíblia, afirma que pertence a era apostólica. 
3- Mas no final das contas o Cessacionismo ao crer que os dons não têm sentido hoje, visto que não há Revelação para ser confirmada, não está apenas baseando-se em pressupostos e não realmente na Bíblia?

Quanto a isso posso dizer que Inevitavelmente todos temos pressupostos. O problema não é ter pressupostos, mas se os mesmos  estão coerentes com as Escrituras. Acredito que o pressuposto cessacionista é o “Sola Scriptura” que está alinhado com a Bíblia conforme vemos em II Tm 3:16, 17. Penso que exatamente aqui os continuístas ficam em dificuldade, pois acabam por negar o importante pressuposto do “Sola Scriptura”.
4 - Mas nem todos os que creem em dons atuais aceitam revelações atuais. Portanto, é possível conciliar a crença em dons contemporâneos com o “Sola Scriptura”, não é mesmo?

Quanto a isso posso concordar que de fato vemos continuístas defenderem o “Sola Scriptura”. Acredito que estes irmãos estão sendo sinceros. Não duvido disso. No entanto objetivamente eles acabam por negá-lo. Permita que eu me explique. O Pr. MoisésBezerril em seu texto sobre os dons espirituais assim nos diz: “Dons apostólicos são dons dados por Deus a um grupo de indivíduos que foram chamados para a atividade profética de receber a revelação da Nova Aliança, transmití-la e inscriturá-la infalivelmente, sendo assistidos com credenciais miraculosas para atestar como verdade os oráculos divinos para judeus e gentios agora dentro de uma única Igreja. Na Nova Aliança Deus escolheu os ofícios de apóstolo e profeta para lançar o fundamento canônico dessa aliança, (Ef 2:20; 3:5), e escolheu os espirituais (pessoas que tinham dons apostólicos sem ofício) para revelar e ensinar os oráculos divinos infalivelmente,(I Co 12: 37). Para isso Deus deu dons de palavra para a comunicação da verdade revelada, e dons de milagres para a atestação da verdade revelada. Esses dons de milagres foram chamados também de credenciais apostólicas, (II Co 12:12). Com exceção dos dons de “socorros” e “governos”, o restante da lista dos dons de I Coríntios são dons apostólicos. Dessa forma os dons espirituais apostólicos obedecem ao seguinte ordem:
DONS DE PALAVRA DE COMUNICAÇÃO INDIRETA: dom inspirado para revelar idéias e produzir Escritura. Esses são: sabedoria e conhecimento.
DONS DE PALAVRA DE COMUNICAÇÃO DIRETA: dom inspirado de comunicão verbal para revelar palavras e produzir Escritura. Esses dons são: profecia, linguas, interpretação de linguas, discernimento de espírito.
DONS DE CREDENCIAIS: dom inspirado, que revela a certeza do milagre, faz do crente um canal do poder miraculoso para realizar a vontade de Deus e atestar como verdade infalível a mensagem apostólica entre judeus e gentios; não produz Escritura porque é credencial da Escritura. Nessa classe estão: dons de curar e operações de milagres”. Creio que a afirmação de Bezerril é facilmente constatada no Novo Testamento. Podemos então afirmar que os dons estão intimamente ligados as Revelações de Deus. Como não há hoje “novas revelações” os continuístas ficam em dificuldade em sustentar o “Sola Scriptura” e a contemporaneidade dos dons ao mesmo tempo. Subjetivamente eles podem crer no “Sola Scriptura”, mas objetivamente não conseguem uni-lo a sua fé nos dons atuais. Penso que isso é um fato inegável.
5 - Nem todos pentecostal ou continuístas chega a aberrações, não é verdade?

É verdade que não são todos os continuístas e pentecostais que se enquadram em aberrações. Conheço continuístas históricos e pentecostais serenos Mas ainda assim vejo o continuísmo e o pentecostalismo como uma semente perigosa que pode ocasionalmente brotar em todo o tipo de aberração. Acredito que a história nos prova o fato. Hoje vamos “apóstolos” e “milagreiros” modernos no Neopentecostalismo. Tais homens estão causando grande dano. Meu ponto é o seguinte: Acredito que o Neopentecostalismo com todas as a suas loucuras é um exemplo atual deste brotar da semente continuísta e pentecostal. Assim afirmo: Pode ser que a semente nunca brote, mas ainda assim oferece perigo constante e sempre em algum grau produz prejuízos. Por isso acredito que devemos avaliar com cuidado o continuísmo e suas implicações.
6 - Mas se cremos no “Sola Scriptura” não deveríamos crer que os dons não cessaram, visto que apenas cessarão quando vier o que é “perfeito” (I Co 13:8,10), o que claramente ainda não ocorreu?

Bem, eu acredito exatamente no contrário, isto é, é porque cremos no “Sola Scriptura” que afirmamos que os dons já passaram. Sobre isso já tentei explicar anteriormente. Em resumo: Objetivamente ou você crê no “Sola Scriptura” ou crê na contemporaneidade dos dons. Quanto ao termo “cessarão” de I Co 13: 8 devemos interpretá-lo a luz do “perfeito” de I Co 13:10 e do próprio “Sola Scriptura” de II Tm 3:16, 17. Dividamos a resposta em duas partes: 
A - À luz do “Sola Scriptura”de II Tm 3:16, 17 não podemos entender que “cessarão” indica que os dons permanecem após o fechamento do Canon deixando de existir apenas na volta de Cristo. O “Sola Scriptura” nos leva a crer que os dons existiram por ocasião da Revelação para que a mesma fosse atestada. Findando a revelação, findam-se os dons. 
B – Em relação ao “perfeito” de I Co 13: 10 dizemos: Se o interpretamos como significando “o cânon completo da Escritura” a questão do termo “cessarão” naturalmente fica resolvida a favor do cessacionismo sem mais necessidade de discussão. Isto é, “cessarão” indica que os dons iriam cessar com o fechamento do Canon. Se interpretarmos “perfeito” como a “morte do crente” o termo “cessarão” simplesmente quererá dizer que os coríntios ao morrerem não precisarão mais dos dons, visto que estarão na presença do Senhor. Lembremos que Paulo escrevia na época da manifestação dos dons, pois a revelação ainda estava sendo dada. Naquela época um crente ao morrer não viria nem precisaria mais dos dons, pois chegaria ao “perfeito”. Agora se interpretarmos o “perfeito” como o “o retorno de Cristo”, o termo “cessarão”, naquele contexto histórico, simplesmente significaria que se Cristo voltasse no mesmo momento os dons cessariam, pois no estado eterno não haveria necessidade de dons. Lembremos que em todos os tempos, como também entre aqueles antigos irmãos de Corinto, a volta de Cristo era sempre esperada pelos cristãos, pois ninguém sabe o Dia em que Ele virá. Voltando Cristo os dons cessariam. Assim não devemos interpretar o “cessarão” como se Paulo quisesse passar a idéia de que haveria um tempo de continuidade de dons após o fechamento do Canon. A forma correta de interpretar leva em conta o contexto histórico.
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