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3 de outubro de 2014

Dilma, Marina e Aécio partem para o ataque no debate da Globo

Embate intercalou momentos de tensão com passagens cômicas

Atualizada em 03/10/2014 | 04h5803/10/2014 | 01h35
Dilma, Marina e Aécio partem para o ataque no debate da Globo Diego Vara/Agencia RBSDebate foi o último entre os presidenciáveis antes do primeiro turno, no próximo domingo Foto: Diego Vara / Agencia RBS

A dois dias da votação, os principais nomes na briga pela Presidência da República subiram o tom e partiram para o ataque no último debate antes do primeiro turno, realizado pela TV Globo, na noite de ontem, no Rio de Janeiro.

Os momentos de maior tensão, intercalados por passagens cômicas protagonizadas pelos nanicos, envolveram a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), que lidera as pesquisas de intenção de voto, e os oponentes Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). Ambos elegeram a atual presidente como alvo na tentativa de levar a disputa para o segundo turno. Mas também digladiaram entre si.

A indefinição no cenário eleitoral com Marina e Aécio, praticamente empatados em segundo lugar e Dilma com chances de celebrar a vitória já no próximo domingo, amplificou o clima de “tudo ou nada” diante das câmeras.

Datafolha: Dilma aparece com 40%, Marina tem 24%, e Aécio, 21%
Ibope: Dilma tem 40%, Marina, 24%, e Aécio, 19%

Dilma, quando pode escolher, optou as três vezes por Aécio, num indicativo de que poderia preferir disputar um eventual segundo turno com Marina. Pressionada pela queda nas intenções de voto, a candidata do PSB abandonou o discurso de vitimização e decidiu contra-atacar. Dilma rebateu. As duas dividiram algumas das situações mais críticas do debate. Em uma delas, discutiram o futuro do Banco Central. Marina lembrou que a petista defendeu a autonomia da instituição em 2010 e que hoje diz ser “contra”.

— Qual é a Dilma que está falando agora? — questionou.

Irritada, a presidente rebateu, argumentando que a opositora estaria confundindo “autonomia e independência” e sugerindo que ela lesse “o que escreveram” no programa dela. Em outra situação, o jornalista William Bonner teve de interferir na discussão para encerrar a troca de farpas entre as rivais, que não respeitaram o fim do bloco. Marina acusara Dilma de não ter cumprido o que prometeu, e a presidente rebateu.

Aécio também mirou a artilharia em Dilma. Como era esperado, voltou a tocar no esquema de corrupção da Petrobras. Recebeu respostas no mesmo tom. O tucano também não poupou Marina de críticas. Fez isso ao perguntar os motivos pelos quais a ex-ministra não se afastou do PT na época do mensalão e ironizou a “nova política”. Nos corredores dos estúdios do Projac, ao final do encontro, quem estava na plateia seguiu debatendo a sucessão. A sensação predominante foi a seguinte: até domingo, tudo pode acontecer.

Datafolha: Tarso tem 32%, Ana Amélia 28% e Sartori sobe para 23%
Senado: Lasier tem 31%, Olívio aparece com 30%
Rosane de Oliveira: quadro indefinido no RS às vésperas da eleição

Torre de Babel

Uma centena de jornalistas acompanhou o debate no Projac, no Rio. Em uma sala anexa ao estúdio havia telões, e foram servidos petiscos.

Repórteres, fotógrafos e cinegrafistas começaram a chegar antes das 20h e lotaram o espaço. Em meio ao burburinho, ouviam-se profissionais falando diferentes idiomas, entre os quais português de Portugal, espanhol, inglês e até chinês. Eram enviados especiais da TV estatal da China.



Olha a pergunta

No segundo bloco, os candidatos tinham de fazer perguntas sobre um assunto. Para o Pastor Everaldo, coube o tema previdência. Mas perguntou sobre o PAC para Aécio. O mediador William Bonner demorou para interromper:

— Candidato, desculpe, o senhor precisa fazer uma questão sobre o tema determinado.
Pego de surpresa, o pastor saiu com essa:

— Então, senador, o que o senhor tem a me dizer sobre a Previdência?

Cara a cara

Aécio, Dilma e Marina elevam o tom nas perguntas e respostas no último debate antes da eleição no domingo. Candidatos de partidos pequenos também tiveram chance de apresentar propostas e partir para diálogos ríspidos


Foto: Diego Vara / Agência RBS

PSOL ataca alianças do PT

As denúncias de corrupção na Petrobras abriram o debate. Luciana questionou Dilma se os escândalos eram fruto das alianças que o PT havia feito. A petista afirmou ter apresentado, durante a campanha, propostas de combate à corrupção e ressaltou ter autorizado investigações sobre o suposto esquema na estatal.

— Demiti esse diretor (Paulo Roberto Costa) que está envolvido nesse escândalo – afirmou.

Luciana rebateu:

— O mensalão foi o primeiro episódio que mostrou aonde levam as alianças com a direita que vocês estão fazendo. E o Aécio, que tanto te acusa, não tem autoridade para falar, porque esse é mesmo método do PSDB.

Dilma defendeu que as instituições sejam capazes de investigar:

— Não acho que sejam alianças que definem corruptos. Corruptos existem em todos os lugares. Não acredito que tenha alguém acima de corrupção. As instituições é que têm de ser virtuosas e impedir que isso ocorra.

Dilma sobre corrupção na Petrobras

Em pergunta sobre o suposto uso dos Correios pelo PT, Aécio aproveitou para relembrar as denúncias de corrupção na Petrobras e disse que Dilma se contradiz ao afirmar que demitiu o ex-diretor Paulo Roberto Costa:

— Não é o que diz a ata do conselho da Petrobras. Diz que o diretor renunciou ao cargo e recebeu elogios pelos relevantes serviços prestados à companhia no desempenho das suas funções.

Em outro momento do debate, Dilma rebateu o tucano e disse que o ex-diretor, em depoimento à CPI da Petrobras no Senado, em 10 de junho, relatou o contexto de sua exoneração. Segundo o depoimento, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, comunicou a decisão do governo de colocar “nova pessoa na diretoria de Abastecimento” e pediu que escrevesse uma carta de demissão.

Aécio questiona Nova Política de Marina

Ao levantar as críticas que Marina recebe do PT, Aécio parecia que iria defender a adversária, mas lançou um ataque direto:

— A senhora entrou com ação na Justiça Eleitoral para tirar minha propaganda do ar, simplesmente porque lembrava que a senhora militou durante 24 anos no PT e, durante o mensalão, lá permaneceu. Onde estava a nova política naquele instante? — questionou Aécio.

A candidata do PSB acusou o PSDB de ter criado o mensalão:

— No entanto, vossa excelência também permaneceu nesse partido e nunca o vi fazer crítica à origem do mensalão. A gente pode estar dentro de um partido e não compactuar com os erros que são cometidos.

O tucano citou integrantes da equipe de Marina no Ministério do Meio Ambiente, petistas que teriam perdido eleições, e questionou os critérios de escolha da ex-senadora.

— Nada mais velho do que nomear para cargos públicos aqueles que foram demitidos nas urnas pelo povo — disse Aécio.

A ambientalista afirmou que há muitas pessoas competentes nos partidos, inclusive no PSDB, que podem ser derrotadas nas urnas:

— Se algum deles perder a eleição, você vai chamá-los de velha política? É nisso que dá a visão de poder pelo poder.


Foto: Diego Vara / Agência RBS

Candidatos condenam declarações de Fidélix

As declarações polêmicas de Levy Fidelix no debate de segunda-feira na TV Record, apontadas como homofóbicas por defensores dos direitos dos LGBTs, resultaram em um dos momentos de maior tensão. Fidelix foi questionado por Eduardo Jorge e Luciana por ter dito, entre outras frases controversas, que “aparelho excretor não reproduz” e que a “maioria precisa enfrentar a minoria homossexual”.

Segundo o candidato do PV, o adversário “extrapolou todos os limites, agredindo a população LGBT e 99,9% da população”. Levy acusou o rival de promover a “apologia a crimes” como o aborto e o consumo de drogas.

— O senhor não tem moral para me falar disso. É apologia ao crime. Propõe o aborto. É apologia ao crime. Está lá no Código Penal.

Em seguida, foi a vez de Luciana. Para a candidata do PSOL, o concorrente “apavorou, chocou, ofendeu e humilhou milhares de pessoas com aquele discurso homofóbico que incitou ao ódio, e mais, incitou o direito de uma suposta maioria enfrentar os direitos de uma minoria”.

— Estamos lutando lá na Câmara para que a homofobia seja crime, e que pessoas que façam um discurso como o teu saiam algemadas. Era assim que tu deverias ter saído daquele debate: algemado diretamente para a prisão.

Levy negou que tenha feito apologia a uma suposta reação da maioria heterossexual contra os LGBT:

— Mentira sua. Em nenhum momento fiz apologia. Meu legítimo direito de expressar, a minha posição cristã, católica especialmente, é dizer o que eu penso.

Marina, Dilma e o Banco Central

Questionada por Marina por ser “contra a autonomia do Banco Central”, Dilma afirmou que a adversária estava “deliberadamente, confundindo autonomia e independência”:

— O que está escrito no seu programa é a defesa da independência do Banco Central. E aí, candidata, tem um problema: independentes, só temos os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Independência do BC é dar um quarto poder aos bancos. Respeito a autonomia do Banco Central. A autonomia do BC tem de ser uma opção que os governos fazem em defesa de uma política econômica de combate à inflação.
Marina afirmou que a resposta fora dada pela “Dilma das eleições, não a das convicções”. Aécio cobra autoria de programa social

Dilma e Aécio discutiram a implantação de programas sociais. A petista afirmou que, em seu governo, implantou o “maior programa de habitação popular da história do país”, em referência ao Minha Casa Minha Vida, e questionou a opinião do tucano sobre o programa. Aécio afirmou que as boas iniciativas devem ser aprimoradas e reconhecidas, e acusou o PT de não reconhecer que a origem do Bolsa Família se deu na gestão de Fernando Henrique Cardoso:

— Os bons programas do governo do PT vão continuar, vão ser aprimorados. Administração pública, Dilma, é isso. É você copiar as boas ideias, aprimorá-las, reinventá-las, mas com generosidade, sem achar que descobriu a roda.

Sobre o Bolsa Família, Dilma afirmou que o programa alcança 14 milhões de pessoas e negou relação com iniciativa semelhante do PSDB, que alcançava apenas 2 milhões de beneficiados. A petista ainda disse que Aécio desconhece o Minha Casa Minha Vida.

— Quem não conhece o seu programa é você — rebateu Aécio, afirmando que o déficit habitacional não diminuiu.


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