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26 de novembro de 2014

Carta aberta a Luciana Genro pt. 2: nazismo (nacional-socialismo) é socialismo. E ponto final.

Por 

A professora volta do recreio e diz: “Quero que cada um venha aqui na lousa e escreva com o que brincou no recreio. Joãozinho, o que você fez?”
— Eu brinquei com a bola, tia!
— Muito bem, então venha na lousa e escreva “B-O-L-A”. Muito bem, ficou com 10! E você, Pedrinho, com o que brincou?
— Eu brinquei no tanque de areia, tia!
— Ótimo, então escreva “A-R-E-I-A”. Parabéns, também tirou 10!
Nisso entra Jacózinho, a única criança judia da sala, chorando, ensangüentado e mal conseguindo ficar de pé. A professora de prontidão pergunta:
— Jacózinho, mas o que foi que aconteceu?!
— A meninos, prrofessorra… A meninos brrigarram, me chutou, me bateu, não deixar eu brrincar com o bola…
A professora então estrila:
— Mas… mas… mas o que que é isso?! O que que é ISSO?! Isso é uma agressão covarde! É um abuso! É uma discriminação injustificada contra um grupo étnico minoritário! Mas eu não deixarei essa injustiça impune. Tome o giz, Jacózinho. Se você escrever corretamente na lousa “discriminação injustificada contra um grupo étnico minoritário”, você também fica com 10!
Por algum mistério insondável, pensei em Luciana Genro quando me lembrei desta piada.
É melhor deixar passar as paixões do debate eleitoral para nos voltarmos a assuntos de valor eterno. Com os candidatos minoritários excluídos do segundo turno, podemos falar de pensamentos que movem uma parcela menor mas barulhenta da população e dos riscos eternos que é voltar à Idade das Trevas do pensamento.
Luciana Genro, conforme já contamos , foi entrevista pelo humorista Danilo Gentili no programa The Noite, quando ainda era a candidata do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) à presidência.
Inquirida sobre suas posturas socialistas, Luciana partiu para a agressividade. Sem explicar o que é o socialismo que defende, e no que ele difere das experiências totalitárias e genocidas do século XX, apenas deu a entender que Danilo Gentili não havia estudado o assunto, batendo o pé no clichê de que o socialismo real não é o real socialismo. Já refutamos toda essa logorréia.
No dia seguinte, Gentili postou em sua conta no Facebook uma imagem com nítido caráter humorístico (nestes tempos de polícia política disfarçada de “politicamente correto”, sempre querendo criar leis para proibir opiniões divergentes, urge frisar o fato). Gentili comparou a grosseria e cólera de Luciana defendendo o socialismo, regime genocida onde quer que tenha sido implantado, com uma imagem de Adolf Hitler no lugar, propagador de outro regime genocida e em menor escala, imitando a mesma fala da socialista: o nacional-socialismo.
luluadolf
Luciana, então, replicou em sua própria conta no capitalíssimo Facebook, proibido em todos os países socialistas, uma admoestação esquisita:
luluapologia
Ora, talvez a candidata, além de precisar estudar socialismo, também precise estudar nacional-socialismo. Mas, antes de qualquer um dos dois, precisa estudar interpretação de texto: se Gentili comparou seus “argumentos” para defender um regime genocida com os mesmos argumentos usados por um outro genocida, ele está criticando o nazismo, e não fazendo “apologia”. Do contrário, se Hitler e Luciana foram colocados no mesmo patamar argumentativo e Luciana considera isso “apologia”, significaria que Gentili estaria fazendo apologia… de Luciana Genro. O que é uma ofensa bem menor do que fazer apologia de Adolf Hitler, mas ainda algo recriminável a qualquer um que tenha ojeriza por genocídios.
Pior: se apologia ao nazismo é crime, afirmar que alguém pratica um crime sem esta pessoa cometê-lo é calúnia (artigo 138 do Código Penal), que é, ipso facto, um crime. O apresentador, portanto, possui ensejo para processar Luciana Genro. Aproveite-se o fim do primeiro turno para poder falar verdades.
Portais de notícias “sérios” postaram o caso de maneira sensacionalista:
getiliportais
Todavia, isto suscita um segundo tema em discussão. Luciana Genro possui raízes judias e repudia a tragédia do nazismo? São duas características bastante admiráveis (o povo com o maior número de Prêmios Nobel e produtor de mais patentes, porém perseguido insanamente pelo mundo inteiro, merece minha admiração por si).
Não seria o caso de Luciana Genro repudiar também seu companheiro de partido, Babá, por queimar a bandeira de Israel em público, num nítido simbolismo da impossibilidade de o povo judeu possuir um país próprio – e que nunca significou senão o extermínio de judeus pelo mundo?
psolisrael
Um alienígena recém-chegado à Terra que ouvisse os discursos dos que criticam Israel hoje e que conhecesse a história do nacional-socialismo e como eram os discursos de Hitler, Goebbels, Himmler, Bormann ou Hess contra os judeus saberia perceber que são a mesma coisa. Muda muito mais a época do que o conteúdo, o alvo, os motivos, o método – e o fim almejado.
Ora, cara Luciana Genro, quem critica Israel hoje, como seu companheiro de partido atesta, é a esquerda. Sobretudo a esquerda socialista. Quem perseguiu judeus foram os nacional-socialistas. Qual a grande dificuldade em entender?
Ideologia, não queira uma para viver
“Como socialistas, somos adversários dos judeus, porque vemos, nos hebreus, a encarnação do capitalismo, da utilização indevida de bens da nação.”
- Joseph Goebbels

Por que as pessoas não percebem essa óbvia conexão entre o discurso da esquerda anti-judeus hoje e o discurso anti-judeus que juram que não é de esquerda dos nazistas? Por causa do maior cabresto já inventado no mundo: a ideologia.
Não é curioso que Karl Marx seja o maior crítico da ideologia, por supostamente ser a mantenedora da superestrutura, mas ele próprio cria uma ideologia ainda mais férrea, que impede que se veja até a infraestrutura de discursos óbvios?
A história do fascismo, mormente do nacional-socialismo, é marcada pelo Holocausto, campos de concentração, totalitarismo, censura, bode expiatório para todos os problemas (os judeus), genocídio na casa dos milhões, total poder ao Estado e ódio à liberdade individual, inclusive econômica e, por alguma razão o que se vai é escondido dos estudantes de História brasileiros, profundamente sindicalista e com ódio mortal ao capitalismo.
Para quem não acredita, basta ver quais são os seus ideólogos, como José Luis Arrese, um dos líderes da Falange Española de Francisco Franco – ou, sem abreviações, Falange Española Tradicionalista y de las Juntas de Ofensiva Nacional Sindicalista (FET y de las JONS). É ele quem discursa com ódio contra o capitalismo (o principal inimigo do fascismo é o capitalismo, não o socialismo – este é apenas concorrente):
Também o próprio nazismo é abreviatura de Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, ou “Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães”.
Trabalhismo e sindicalismo, cara Luciana Genro, a senhora deve saber que são sinônimos em termos políticos: um aparato político dominado por sindicatos, ou “trabalhistas”, é o modelo comum de autoritarismos tanto na Turquia do partido dos Jovens Turcos (Jön Türkler), responsável pelo primeiro genocídio na História mundial a ultrapassar a casa dos 1,5 milhão – os odiados cristãos armênios – quanto do fascismo e do nazismo. Inspiração também do Estado Novo de Getúlio Vargas no Brasil, ditadura muito mais cruel e mortífera do que a ditadura militar, e cujos caudatórios sindicalistas disputam o poder até hoje no Brasil.
Socialismo = nacional-socialismo = sindicalismo
“Se nós somos socialistas, nós precisamos ser anti-semitas. Como, se você é um socialista, você pode não ser anti-semita?”
- Adolf Hitler

O sindicalismo, para quem ainda não percebeu em sua realidade próxima, quer sempre controlar a economia (aquilo que chamam de, a senhora deve conhecer o termo, “capital financeiro”) em prol de uma economia dirigida. Tal como a Venezuela de Hugo Chávez produz racionamento de alimentos seguindo o modelo do totalitarismo de Cuba (que a senhora, socialista, aplaude), o fascismo também provocou racionamento de comida.
luluche
E não apenas em termos econômicos: o modelo político quer obrigar que os “operários” continuem sendo operários. Isto é trabalhismo: manter os trabalhadores trabalhando onde estão, sem possibilidade de mudança. Ao menos “zera-se” artificialmente o desemprego. Como disse P. J. O’Rourke, “A constituição da União Soviética garante a todos um emprego. Uma idéia bastante assustadora, eu diria”.
Sem liberdade de produção, produz-se pouco. O resultado é fome. No sindicalismo que gera o fascismo e no sindicalismo que gera o socialismo.
Não apenas isto: a economia é dirigida. Socialistas e fascistas, por sinal, fizeram um mútuo acordo contra o “imperialismo”, lembra-se? Aquele famoso Pacto Molotov–Ribbentrop, entre Stalin e Hitler; alguém poderia imaginar um acordo entre Hitler e Churchill, já que vocês, comunistas, adoram associar o socialismo nacionalista à… direita capitalista?!?!
Os comunistas franceses, por sinal, culpavam a “Inglaterra imperialista” pela Segunda Guerra, silenciando sobre seus pactuantes nazistas; tal foi o motivo para um comunista histórico, o helenista Jean-Pierre Vernant, romper com o Partido Comunista, como conta emMito & Política.
Com uma economia que precisa ser centralizada, é natural, mandatório e inevitável que o sindicalismo, socialista ou fascista, tente transformar o partido em Estado, deixando de ser um partido (uma parte de um todo) imediatamente, tornando-se um Partido-Estado, um Partido Único que deve ser obedecido e não pode ser contradito, questionado – até piadinhas se tornam motivo para censura e cadeia, como mostra Ben Lewis, em Foice o Martelo: A história do comunismo contada em piadas.
Foi assim com o Partido Bolchevique, com o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, com a Falange Española, com o Partido Nacional-Fascista de Mussolini etc etc etc.
Para piorar a familiaridade, reconhecida até por intelectuais simpáticos ao comunismo como o pacifista Hermann Hesse (ver Para ler e pensar), e agravada por críticos sem apreço por totalitarismos, indo de Hannah Arendt a Eric Voegelin, de Pierre Chaunu (que os chama de “gêmeos heterozigotos”) a Alain Besançon, de Jouvenel a Sowell, temos um componente macabro: os socialistas vêem no “burguês” o mal (atualmente o termo está “reconfigurado” para classe média), enquanto entre os fascistas apenas os nazistas encontraram essa “burguesia” na própria “raça” dos judeus – todos os outros criticaram apenas a mesma burguesia.
Toda a economia dirigida do fascismo é uma espécie de “terceira via” (até admirada pelo inventor da social-democracia moderna, John Keynes), em que empresas não precisam necessariamente ser expropriadas e estatizadas, mas são controladas “de fora” por sindicatos. Basta ler (estudar o assunto, cara Luciana Genro!) o imprescindível livro de John T. Flynn, As We Go Marching. Em caso de preguiça, comece pelo melhor resumo do assunto, o artigo do ultra-liberal Llewellyn H. Rockwell Jr, “A ameaça fascista” [The Fascist Threat].
Note, por exemplo, cara Luciana Genro, que o “socialismo do século XXI” (por que vocês precisam sempre esconder o modelo do passado?), como o bolivarianismo de Chávez, Maduro, Morales, Kirschner etc, apesar da inspiração socialista, se parecem muito maiscom o fascismo do que com o próprio socialismo.
Afinal, funcionam sem o Gulag (o equivalente socialista dos campos de concentração – muitos até serviram de inspiração para os nazistas), sem os kulaks (o equivalente socialista aos judeus, os “ricos proprietários” que precisavam ser expurgados – embora logo o termo fosse usado para qualquer um, inclusive miserável, desde que fosse inimigo), sem o Holodomor (apenas um das dezenas de equivalente socialistas ao Holocausto, afinal, o socialismo matou muito mais do que o nazismo), embora transfiram a matança para uma criminalidade crescente (FARC, PCC, CV e afins são todos mancomunados com partidos políticos). É a única “privatização” permitida no socialismo moderno: a privatização de assassinatos.
Como, então, Luciana Genro, afirmar que repudia tanto o fascismo e seu non plus ultra, o nacional-socialismo de Adolf Hitler? Será que o “novo socialismo” criado pela senhora descambará em algo diferente do que o novo fascismo?
novofascismo
Note, ainda, que apesar de toda a esquerda mundial (que controla com mão de ferro a maioria absoluta das aulas de História, embora ela própria, quod erat demonstrandum, conheça tão pouco de História) clamar que o nazismo é algo próximo da “direita” (ou seja, do capitalismo), além de mesmo método do fascismo (afinal, vocês também não querem tudo dentro do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado, nem mesmo as piadinhas do Danilo Gentili ou as idéias igualmente risíveis de Levy Fidelix?), possui os mesmos inimigos: quem vive do próprio trabalho, e quem quer trocá-lo livremente pelo trabalho de outros. E Hitler encontra tais inimigos nos judeus, por geralmente viverem de comércio. Não é o que você também repudia, Luciana Genro?
Foi o liberalismo, quando ensinou que os juros (“usura”, em termos anti-semitas) são lícitos, e não “exploração do trabalhador”, que acabou com o anti-semitismo na Europa. E foi um liberal que frequentava círculos judeus, Ludwig von Mises, que ensinou isto. Vamos repudiar o anti-semitismo? Então vamos apoiar Israel e sermos liberais!
Sei que o historiador comunista Eric Hobsbawm (aquele que era judeu e não queria nem pegar voo que fizesse escala em Tel-Aviv, além de afirmar que Stalin estaria correto em matar mais de 30 milhões – trinta milhões, Luciana! 5 holocaustos nazistas! – de pessoas se conseguisse instaurar o comunismo) é um dos responsáveis por esta confusão típica de quem pensa apenas em termos de senso comum. “Se fascistas concorriam com socialistas, e socialistas são de esquerda, logo, fascistas são de extrema-direita!”
Assim, é fácil pensar por um maniqueísmo infantil e bobo e concluir que os fascistas e os nazistas são “direitistas”, forçando um parentesco com a direita liberal ou conservadora – com o capitalismo que é seu maior inimigo. Entretanto, os nazistas nunca se consideraram de direita, ou de extrema-direita. Isto é propaganda de comunistas: por que acreditar na própria mentira?
Acaso quem se parece mais: Stalin com Mussolini, ou Mussolini com Reagan? Pol-Pot com Hitler, ou Pol-Pot com Thatcher?
Dizer isso choca o senso comum de soluções fáceis e platiformes (vide os comentários indignadíssimos em minha última carta aberta à senhora, Luciana Genro), mas não creio que seja a senhora que tenha medo de chocar o senso comum. Resta apenas fazer isso conhecendo a verdade.
Que tal abandonar de vez os círculos aparentados ao anti-semitismo, ao totalitarismo e ao genocídio e estudar idéias liberais que promovam riqueza aos pobres, fartura e paz, Luciana?
Nunca precisamos construir um Muro de Berlim e nem campos de trabalho forçado para impedir as pessoas de fugirem do nosso capitalismo, afinal.

Flavio Morgenstern
Analista político, palestrante e tradutor. Escreve para jornais como Gazeta do Povo, além de sites como Implicante e Instituto Millenium. Em breve lançará seu primeiro livro pela editora Record.

Fonte

1 comentários:

marcosomag disse...

Não foi à toa que não mereceu nenhem comentário. Texto sem pé ou cabeça. Não surpreende que seja de um boneco de ventríloqüo dos EUA via Instituto Millenium, o novo IBAD.

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