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12 de novembro de 2014

PF suspeita de elo entre tráfico de drogas e esquema de desvios na Petrobras

Investigações apontam que contas de posto de gasolina controlado por aliado do doleiro Alberto Youssef fazia pagamento a traficantes bolivianos de entorpecentes

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) investigam a possibilidade de que contas utilizadas para lavar dinheiro do tráfico de drogas, descobertas na Operação Lava-Jato, também eram usadas para abastecer pagamentos a políticos envolvidos no esquema de desvio de recursos da Petrobras.
Jeso Carneiro/Agência Senado
Em depoimento, Alberto Youssef disse que repassava valores por meio de envolvido com tráfico
Em depoimento prestado nesta semana, o doleiro Alberto Youssef, acusado de ser o comandante do esquema de lavagem de dinheiro da Lava-Jato, afirmou aos investigadores que repassava valores a “agentes públicos” por meio do Carlos Habib Chater – também indiciado na operação –, a pedido do ex-presidente do PP José Janene. Parte do dinheiro entregue a políticos por Chater vinha de empreiteiras que tinham contratos com a administração pública federal.
Carlos Habib Chater, também conhecido como Habib, é dono de um posto de gasolina de Brasília chamado Posto da Torre LTDA e, durante a fase inicial da Operação Lava-Jato, a PF descobriu que algumas transferências bancárias eletrônicas originárias da empresa foram destinadas ao pagamento de carregamento de cocaína. As drogas, vindas da Bolívia, tinham como alvo o consumo interno brasileiro.
Agora, os investigadores apuram se as contas utilizadas pelo Posto da Torre para transferência de recursos a traficantes também foram utilizadas para alimentar cofres de partidos envolvidos tanto no mensalão quanto no esquema de desvio de recursos da Petrobras.
Um exemplo do uso das contas da empresa controlada por Habib para o pagamento de drogas ocorreu no dia 13 de setembro de 2009, data na qual foi registrada uma transferência bancária do Posto da Torre LTDA a um boliviano identificado apenas como Navo, no valor de R$ 40,5 mil. Os investigadores acreditam ser esse o pagamento de um carregamento de drogas da Bolívia.
A mediação dos depósitos foi feita por Rene Luiz Peirera, o “Rene”, auxiliar de Habib. Essa transferência falhou, o que obrigou Rene a realizar outro depósito três dias depois, no mesmo valor. No pagamento dos carregamentos de drogas a PF detectou o uso de cheques no valor de R$ 85 mil, também oriundos do Posto da Torre LTDA. Esses valores (R$ 125 mil ao todo) seriam referentes ao pagamento de 55 kg de cocaína pura.
“O Posto agrega um ‘complexo empresarial’ gerido por Chater (o ‘Habib’), que abrange Posto de Combustíveis, loja de conveniência, lavanderia, shawarma, pastelaria, etc, bem como, para não fugir a regra, uma casa de câmbio. Sediado ali também o ‘escritório’ de Chater, onde o mesmo atende com frequência seus clientes, quando não se encontra no flat que ocupa no complexo hoteleiro localizado em frente ao posto de combustíveis”, apontam os investigadores do Ministério Público Federal na denúncia relacionada ao tráfico de drogas da Operação Lava-Jato.
BBC Brasil
Paulo Roberto Costa, um dos envolvidos: diretor de abastecimento da Petrobras durante 8 anos
“Tem-se assim os depósitos, em conta ‘laranja’, em 13/9/2013 e 16/9/2013, por Habib, com o auxílio de André (Catão Miranda, integrante do grupo de Youssef) e a favor de Rene e Sleiman (Nassim El Kobrossy, outro integrante do grupo de Yousseff), do restante do valor (dois cheques, no valor total de R$ 85 mil, e duas TEDs, no valor total de R$ 40,5 mil, respectivamente), seguidos da remessa do montante ao exterior – Bolívia - e de sua entrega a fornecedores ou produtores de drogas daquele país, em 17/9/2013 e 19/9/2013”, apontam os investigadores.
“Rene e Sleiman integram uma organização transnacional dedicada ao tráfico de cocaína adquirida de produtores ou fornecedores da Bolívia e do Peru, droga essa geralmente embarcada no Porto de Santos com destino à Europa. Eles fazem parte do núcleo operacional e financeiro da organização, responsável pela circulação dos ativos ilícitos e seu ‘reinvestimento’ na aquisição de novas cargas de droga”, esclarecem os investigadores no inquérito da Operação Lava Jato.

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