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5 de fevereiro de 2015

A polêmica calvinista na Assembleia de Deus - Leiam isso!

As recentes discussões na internet de pastores assembleianos sobre a
 teologia arminiana e calvinista, têm gerado algumas polêmicas, principalmente após  o conhecido pastor e escritor  Geremias do Couto posicionar-se como "calvinista convicto".

Porém, na década de 1930, as Assembleias de Deus já haviam se deparado
 com essa problemática. Segundo consta em sua história, no ano de 1932, 
Manoel Hygino de Souza, pastor da AD em Mossoró (RN) aderiu a "predestinação
 calvinista", sendo acompanhado por Ursulino Costa.
 Tempos depois, seu irmão Luiz Hygino também se incorporou ao grupo. 
A Convenção Geral chegou a enviar uma comissão de obreiros para tratar do caso,
 mas sem sucesso, pois Manoel Hygino afirmou  manter integralmente seu ponto de vista 
teológico. Segundo a história oficial,  uma vez excluídos,  os "rebeldes"
 iniciaram em Mossoró a Assembleia de Cristo
 (atualmente Igreja de Cristo).

Entretanto, outra é a versão apresentada para o desentendimento dos obreiros 
por um site da Igreja de Cristo. Segundo os membros do grupo dissidente teria sido uma
 "divergência doutrinária" entre Gunnar Vingren e Samuel Nyströn a respeito
 da salvação, o real motivo desencadeador das discussões soteriológicas.
 Em continuação se afirma que,  a CGADB em Natal (RN) em 1930 foi
 o "primeiro passo histórico, que evidenciou
 a divergência  doutrinária existente". Divergência essa comprovada pelo fato de Vingren
 no Rio de Janeiro criar o jornal Som Alegre e o hinário Saltério Pentecostal.

Contornados os problemas entre Vingren e Nyströn - segundo essa versão -
 as contradições teológicas ainda continuaram no Mensageiro da Paz com textos
 que, ora defendiam a segurança da salvação através da fé, ora colocavam
 em dúvida essa mesma salvação. 
Um exemplo citado é um texto do missionário Nils Kastberg, onde o mesmo
 dá a entender que a salvação estaria  condicionada ao dízimo. Hinos também são
 citados como fonte de confusão  doutrinárias, causando "um grande choque
 entre os irmãos que pediram uma explicação".
Manoel Hygino: calvinismo e exclusão
Temerosos de errar na doutrina da "segurança e salvação eterna do crente genuíno", 
os irmãos elegeram Manoel Hygino como mediador, o qual em carta enviada ao 
missionário Kastberg,  sugere uma convenção para tratar do assunto. 
Mas a resposta, além de demorada foi negativa.
 Na missiva Nils Kastberg, teria escrito que estava "de acordo com os ensinos da salvação 
condicional, e quem estivesse aborrecido que saíssem para onde quisessem...”

Como não poderia deixar de ser "diante desse impasse, e por não ter outra 
alternativa, todos os líderes acima mencionados, devolveram voluntariamente
 suas credenciais de  Obreiros, à liderança da Assembleia de Deus, respectivamente
 de Pastores,  Presbíteros e Evangelistas". No dia 13 de dezembro de 1932, o grupo dissidente
 fundou a Assembleia de Cristo em Mossoró.

Toda essa história evidentemente se choca com os relatos oficiais da CPAD.
 A versão, um tanto inusitada dessa questão foi dada pelo pastor João Vivente de
 Queiroz, o qual foi pastor da Igreja de Cristo em Fortaleza de 1946 a 1997.
 O depoimento coletado  por David Marroque  Teixeira foi publicado no 
Boletim Informativo da Região Oeste-RN., nº 09  de fevereiro de 1985.

Segundo os estudiosos das ADs no Brasil, a CGADB de 1930 tratou 
principalmente da questão do ministério feminino, o qual foi o grande 
desentendimento entre Vingren, Nyströn e os obreiros brasileiros.
 Mas é certo que Gunnar no Rio de Janeiro estava dando outros rumos 
para a igreja carioca, fato esse que estava desagradando os demais líderes
 da AD.

Mas também é fato que muitos dos primeiros crentes da AD tinham  origem em
 igrejas evangélicas tradicionais como a Presbiteriana,  conhecida por defender 
a doutrina calvinista. Manoel Hygino, além de ser pioneiro na região norte e
 nordeste era também muito próximo a Gunnar Vingren no início do seu ministério, 
e como os outros líderes era experiente na liderança ministerial. Sua adesão ao
 calvinismo causou surpresas.

Agora, após sete décadas da questão calvinista na AD, o tema ressurge com força nas
 redes sociais e blogs. O assunto talvez nunca tenha desaparecido, mas simplesmente
 abafado pelos principais pastores e expoentes das ADs. Em tempos de internet, aquilo
 que no passado era "tratado e resolvido", agora é fonte de debates abertos entre os
 estudiosos dos temas soteriológicos. Um bom debate com certeza.

Fontes:

ALENCAR, Gedeon Freire de. Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de
 Deus 1911-2011. Rio de Janeiro: Novos Diálogos, 2013.

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro:
 CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus

 no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

www.genibau.com.br/principal/nossa_historia_nacional.htm

Fonte

4 comentários:

evandro Cavalcante disse...

O problema Rô é que esses fatos são omitidos e as vezes escondidos dos olhos dos irmãos.
Eu acredito que existem muitos irmão Calvinistas na AD, porém não podem se impor para não sofrerem represarias. Acredito que muitos também são presos a laços familiares. Abraço Rô

Pb Fernando disse...

Realmente a AD-RN jamais contou a verdadeira história a respeito do irmão Manoel Hygino a seus fiéis. Uma das histórias que ouví foi a de que o mesmo era um estudioso das Escrituras e bastante usado por Deus, e isso subiu ao seu coração de tal forma que a vaidade e o orgulho distorceu o seu caráter. E certa vez ouví um pastor dizer no púlpito da igreja que o irmão Hygino no leito da morte ao ser visitado por uma comissão de pastores suas últimas palavras foram essas "sou consciente de que irei para o inferno e jamais quero nada com Jesus". Finalizo dizendo mana de que já é de praxe na AD as lideranças distorcerem as verdades para permanecerem intocáveis por alguém que ouse os confrontar.

Joel Medeiros disse...

Sou Pastor da Igreja de Cristo a 25 anos, ouvi essa história ser contada uma centena de vezes, minhas conclusões sempre foram de que: se focemos dotado de um pouco mais de tolerância muitos conflitos teriam sido evitados na época, bem como no presente também. A não aceitação categórica, automática e imediata do contraditório é fruto de nossa arrogância, fruto esse extremamente venenoso a comunhão, a saúde teológica e a descoberta da verdade.

severino Biu disse...

Parabéns pastor as ADs precisam de mais pastores como o sr

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