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12 de maio de 2015

Por que eu não fiz uma tattoo

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Por Rev. Allen Porto

Durante algum tempo, na adolescência, eu tive dois desejos: fazer uma tatuagem e 
colocar um brinco. Para uns, algo banal; para outros, um escândalo, eu sei… 
Mas foi assim.

Meus pais seguraram a minha onda, que nunca foi lá muito forte. Sempre que eu mencionava
 a idéia, a minha mãe soltava uma frase do tipo “não vai fazer isso…” e desconversava. 
Meu pai, volta e meia, olhava alguém de brinco e demonstrava grande surpresa. 
Eu entendia o recado.

Por algum tempo eu sosseguei o coração com o sonho de uma liberdade futura:
 “Quando eu for maior de idade, poderei fazer minhas escolhas e mandar ver na body art”.
 Mas algo engraçado aconteceu: eu fiz 18, e nada de tattoo. Fiz 19, sem brinco. Fiz 20, e o
 corpo permanecia intacto. Hoje tenho 29, e continuo clean: virei um “careta” assumido.

Por que eu não fiz uma tatuagem? Por que não furei a orelha? Talvez você espere uma
 grande justificativa teológica, que afirme ser pecado marcar o corpo, ou algo nessa linha. 
Não vou por aí. Não creio que o gesto de fazer um desenho no corpo seja pecaminoso em si
 (acredito que há circunstâncias nas quais isso se torna pecado).

Minha escolha por permanecer ileso se deu na base de um uso responsável da liberdade. 
Com 18 eu ainda tinha idéias típicas de um garoto, mas sabia que decisões maiores,
 com implicações para o futuro, deveriam ser bem pensadas – algumas, postergadas. 
À medida que o tempo passava, percebi que fazer qualquer das marcações — orelha 
ou pele em geral — poderia fechar algumas portas para o meu contato com as pessoas. 
Eu estava entrando na vida ministerial, e entendi que seria mais proveitoso permanecer 
sem marcas, a fim de evitar quaisquer barreiras que pudessem ser criadas. Eu, que possuía
 liberdade para me marcar, preferi não fazê-lo. Para alguns, isso é a perda da liberdade; 
para mim, é o verdadeiro desfrute dela.

Creio que essa é a lógica do apóstolo Paulo, ao afirmar que se fez “tudo para com todos” 
(1Co.9.22).
 Ele abriu mão de desfrutar muitas práticas, para não criar barreiras ao evangelho e complicar 
a sua vida.

O meu caminho não é a regra. Você não precisa tomar a mesma decisão que eu diante de tais 
escolhas. O meu ponto é que precisamos de um uso da liberdade que perceba o impacto 
de nossas decisões no futuro, bem como o seu efeito sobre aqueles que nos cercam.
As aplicações são diversas.

Comigo foi a tatuagem. Com você, pode ser aquele post no facebook. Você tem liberdade 
para
 escrevê-lo, mas provavelmente o melhor uso de sua liberdade é usar o a tecla delete.

Em uma cultura na qual liberdade cada vez mais se mescla com irresponsabilidade, precisamos 
de mentes livres que demonstrem o quão mais saudável e belo é ser responsável.

PS: Quem sabe na velhice não rola uma tatuagem? =)

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