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30 de julho de 2015

Carta Aberta a Apologista do CACP!


Rev. Marcelo Lemos

Caros leitores, este blog tem esforçado-se para ajudar a difundir no Brasil a tradição anglicana, conforme a recebemos dos Reformadores Ingleses. Reconhecemos, como se sabe, dos problemas que afetam o anglicanismo no mundo, em nada diferentes dos problemas que afetam outras tradições cristãs como a presbiteriana, luterana, católica, batista, e assim por diante... Mas também destacamos o maravilhoso esforço mundial em prol do Cristianismo Histórico que qualquer pessoa pode ver dentro desse mesmo Anglicanismo.

O leitor minimamente informado a respeito do Anglicanismo vai reconhecer grandes heróis dessa luta como Bispo Robson Cavalcante (Igreja Anglicana do Recife), J. I. Paker, John Stott, Free Church of England (também conhecida no Brasil como Igreja Anglicana Reformada do Brasil), GAFCON, Reformad Episcopal Church, Church Society, ACNA, AMIA, e daí por diante. Ainda assim podemos compreender quando o evangélico mediano simplesmente ignora tais fatos; mas, que dizer quando um renomado apologista evangélico, membro de um dos maiores centros de estudos apologéticos do Brasil, revela tanta ignorância sobre o papel e a teologia da Igreja Anglicana no mundo? 

A carta aberta que agora publicamos é endereçada ao pastor batista João Flávio Martinez, pesquisador ou escritor do CACP, e foi motivada por um postagem esdruxula do mesmo no Facebook. Vejam (acima) a postagem publicada pelo mesmo, e a baixo confiram nosso desagravo ao autor. Por fim, verifique uma lista de artigos que revelam as falsidades do autor.



Caro irmão Martínez, paz e bem!

Desconheço seu trabalho, bem como desconheço tua pessoa, assim, ainda que desejasse, não poderia dirigir qualquer observação sobre seu valor como pessoa, ministro do Evangelho, ou mesmo enquanto apologista e escritor. Um amigo de ministério, tão anglicano quanto eu, assegura que exceto por alguns exageros, o senhor é um bom apologista da fé cristã. Deus seja louvado! Mas, isso não te exime de culpa pelas desinformações que o irmão, tendo ou não intenção, publicou em seu perfil no Facebook.

Sua intenção, ao que parece, foi alertar os evangélicos quanto ao saudoso Rev. John Stott que, como eu, era anglicano. De fato, como você observa, os evangélicos geralmente amam os escritos deste nosso irmão, o que é maravilhoso, afinal, suas obras são impactantes, bíblicas e de fácil leitura. Oxalá Deus nos permitisse outros escritores como ele. Talvez com leituras desse nível começasse a nos faltar aqueles que fazem "campanhas" com réplicas do Muro de Jericó construídas de papelão... Alguns leitores da tua cidade entenderão a piada!

Mas, o amor dos evangélicos pelo autor não te obriga, evidentemente, a gostar de Stott, nem te impede de questionar esse ou aquele escrito seu, ou alguma doutrina ou costume do qual discorde. Nem te impede de questionar a tradição a qual pertencemos, o Anglicanismo. Aliás, se estiver interessado no combate ao liberalismo teológico e moral, terá nesse anglicano um fervoroso companheiro de lutas. Por outro lado, teria o irmão o direito de publicar informações imprecisas, ou mesmo falsas, a respeito da denominação do irmão John Stott? Eu creio que não! Ainda mais em se tratando de alguém que é membro do CACP, cuja responsabilidade com a exatidão dos fatos deveria ser maior. E é exatamente a essas desinformações ou inverdades que irei responder a seguir.

I

A primeira afirmação tua que precisamos analisar diz “Stott, teólogo anglicano, comemorado por muitos, mas servo de uma Igreja putrificada pelo pecado!”

Observo aqui sua tentativa de taxar Stott como estando em subserviência para com uma Igreja que você chama de putrificada pelo pecado. Como se Stott não fosse, como de fato é, uma das vozes mais poderosas dentro do Anglicanismo contra o liberalismo teológico e moral que ameaça nossa tradição reformada. Isso por si só, em minha opinião,  poderia classificar sua fala  como falso testemunho, calúnia e difamação. A menos, claro, que o irmão tenha informações que desconheço. Talvez você possa provar que ele calou-se, ou aprovou os aloprados da Teologia Liberal. E caso tenha essas provas, eu gostaria de conhecê-las. Mas, se não as tem, e digo que não lhe é possível tê-las, então sua tentativa de taxa-lo de “servo” de alguma denominação não passa daquilo que eu disse que é: falso testemunho, calúnia e difamação. Mas não digo que o irmão tenha tido essa intenção.

Agora, me é deveras estranho que um ministro batista chame outro ministro de “servo” de alguma denominação. O irmão, por acaso, considera-se um “servo da Igreja batista”? Espero que não! E não deveria ser mesmo! Somos servos, mas de Cristo, através de nosso serviço ao povo de Deus. E só. Então, devemos ser julgados não necessariamente pelo nome da nossa tradição cristã (batista, presbiteriana, congregacional, metodista), mas sim pela nossa conduta pessoal no Evangelho. Portanto, se o irmão tem alguma discordância com Stott, faria maior bem tratando-as teologicamente, e não difundindo falácias ou calúnias, mesmo se não tem tais intenções.

II

Observo, em segundo lugar, que quando o senhor define a Igreja Anglicana como “putrificada pelo pecado!”, estás a fazer uma generalização no mínimo covarde, e certamente desinformada. E podemos pegar o próprio Stott como exemplo, já que nós anglicanos temos nele um dos maiores exemplos de baluarte do cristianismo ortodoxo, e que não se dobrou aos avanços do liberalismo moral e doutrinário. 

Estou a negar que os liberais estão fazendo estragos? De forma alguma! E não são poucos, e para combater um câncer o primeiro passo é reconhecer a presença do tumor. Mas é falso médico aquele que para matar o câncer resolve dar um tiro na cabeça do paciente. E me parece estar tal covardia presente em sua esdruxula postagem no Facebook, caro irmão.

Aí me vejo pensando: é possível que alguém que antes de escrever precisa verificar os fatos, por ser apologista de renome, desconheça nomes como o da Diocese de Sidney, Robson Cavalcante, ACNA, GAFCON, FCE, REC, Church Society, e milhões de outros anglicanos? Sim! Eu disse milhões de anglicanos que integram o maior esforço organizado que o mundo já viu contra o liberalismo! Será que tal apologista desconhece tais fatos? Se conhece, então mente descaradamente em sua postagem na rede social. Se não conhece, melhor teria sido ficar calado. Seja como for, sua postagem não condiz com o esperado de um apologista, especialmente de um ligado a órgão tão importante quanto o CACP.

Concordo com uma coisa na postagem que o irmão publicou: meias-verdades são odiosas!

III

Sua terceira afirmação é ainda mais tosca, obtusa e falsa: “Igreja que o adultero Charles é o Papa”. Não leve para o lado pessoal, mas tem tanta inverdade em uma única frase que dá até preguiça de responder. Mas farei isso porque afirmações tais são não apenas inverídicas, mas também um desserviço para a causa do Reino.

Em primeiro lugar, caro apologista, a Igreja Anglicana não tem a figura de um Papa. Por isso cada província anglicana é autônoma e autocéfala, respondendo apenas a si mesmas, através de seus ministros ordenados e representantes leigos. Como apologista o irmão deveria saber disso, uma vez que resolveu abordar a questão com tamanha liberdade e [supostas] desenvoltura e autoridade. Seja como for, também pode ser que, ao contrário de mim,o irmão conheça quem é o Papa do Anglicanismo. Aguardo as provas de tão fantástica descoberta. Mas acho que vou esperar sentado, pois o Príncipe Charles, como você verá, não serve para o posto.

Tanto é verdade não termos Papa, que a Comunhão Anglicana a alguns anos publicou um documento proibindo as Igrejas nacionais de ordenarem pessoas que são homossexuais assumidas, e isso não impediu a província americana (TEC) de seguir em frente em seu desatino. Por outro lado, a atitude dos liberais americanos não impediu os conservadores de criar oGAFCON, para combater o mau pela raiz. 

E por falar em GAFCON, estamos trabalhando tanto contra o liberalismo em nossas fileiras que, segundo alguns analistas, a própria Comunhão Anglicana pode estar com os dias contados (até os liberais já admitem isso). Os liberais também admitem que a liberal americana TEC possivelmente está morta nas próximas décadas. Ora, meu caro, tivéssemos um Papa, o mesmo falaria e o resto ficaria calado, ou falaria as escondidas, e não criticando os rumos abertamente como fazemos - só não vê aqueles que, como o irmão, estão desinformados. Felizmente, nem todos os desinformados resolvem criticar o que desconhecem.
Em segundo lugar, pastor Martinez, o príncipe Charles não pode ser Papa da Igreja Anglicana, já que não temos essa coisa de Papa, compreende? Seria como procurar chifres em uma galinha, ou penas numa vaca. Há quem tente. Talvez o renomado apologista esteja se confundindo, e tentando falar de algo presente apenas na Igreja nacional da Inglaterra, a saber, que o Monarca inglês é considerado o chefe da Igreja. Isso é fato. Trata-se de um Lei Cível, que nasceu nos dias da Reforma Protestante, e cujo objetivo era impedir que o Papa interferisse na Igreja Nacional. Mas, como Lei meramente cívil, o Monarca Inglês não tem nenhum poder doutrinário sobre a Igreja. E mesmo que tivesse, você deveria chamar a Rainha Elizabeth de “papisa”, mas não seu filho Charles, que de Rei não tem nada, é apenas um Príncipe. Mas, como o irmão é historiador, talvez saiba mais sobre a Grã Bretanha que eu; só espero que mais do que conhece sobre Anglicanismo.

Um exemplo pode nos ajudar a tornar a inverdade “apologética” ainda mais patente: a atual Rainha da Inglaterra é uma mulher sabidamente conservadora e contrária ao casamento homossexual. Quando o Parlamento resolveu votar a questão ela foi a público e demonstrou sua opinião contrária, no entanto, o Parlamento foi em frente e aprovou o que bem desejava, no que foi seguido por alguns bispos (não por todos). Ora, belo Papa é a Rainha, meu caro! 

IV

“Uma Igreja que faz o catolicismo corar de vergonha pelas suas heresias!”. Essa sua quarta, e final afirmação sobre o Anglicanismo realmente revela o nível... Acabei de escrever, caro pastor Martinez, um pequeno livro chamado “Quem São os Anglicanos?”, e modéstia a parte, lhe faria um bem danado lê-lo, ainda que eu não tenha a pretensão de ser um escritor renomado como o irmão. Caso tenha interesse estou deixando o link para consulta e compra:


Sempre que vejo algum apologista da fé cristã afirmando coisas desse tipo fico pensando se o mesmo alguma vez já deu-se ao trabalhado de ler o que a doutrina anglicana ensina, em seus formulários oficiais. Estou falando, claro, dos 39 Artigos de Religião, do Catecismo Anglicano, e do nosso Livro de Oração Comum. Não vou nem perguntar se leu o Book of Homilies, que seria pedir demais. Porque, caso tenha lido qualquer um destes formulários, certamente terá encontrado neles a condenação formal para as heresias ensinadas pela Igreja de Roma.

Para não ficar apenas no meu desagravo vamos aos fatos. Leia comigo, amigo pastor Martinez, um dos nossos artigos de fé: “a doutrina romana relativa ao Purgatório, indulgencias, veneração e adoração, tanto de imagens como de relíquias, bem como a invocação dos santos, é uma invenção fútil e vã, que não se funda em testemunho algum da Escritura, antes repugna à Palavra de Deus”. Eu até diria que este é o Artigo XXII de nossa confissão de fé, mas alguém tão bem informado sobre Anglicanismo já saberia. Também saberá que há muito mais em nossos artigos afirmando a fé reformada e evangélica.

Pode ser, no entanto, que o senhor não esteja falando da nossa fé, que é Bíblica, mas sim do liberalismo teológico que nos ameça, assim como ameça todas as demais denominações ocidentais. Mas, ainda assim, seria responsável não incluir John Stott na bagunça, nem a maioria esmagadora dos anglicanos presente no mundo (mais de 90 milhões de cristãos), que juntamente comGAFCON declaram que a criação por Deus da humanidade como macho e fêmea, e o padrão imutável do casamento cristão entre homem e mulher como o lugar apropriado para a intimidade sexual e a base da família. Arrependemo-nos por nossas falhas em manter esse padrão, e conclamamos uma renovação do compromisso de fidelidade duradoura no casamento e de abstinência para os em celibato”e juntamente com o Revdm. Peter Jensen, ex-arcebispo da Diocese de Sidney, esperam que nosso trabalho “pode ser o começo de algo tão grande quanto John Wesley”. Mas, um apologista renomado do CACP não deve desconhecer fatos tão importantes a respeito daquilo que fala. Será que não mesmo?

Como é mesmo a afirmação em sua postagem? Meias-verdades são odiosas! Assim, não me alongarei mais, quem sou eu para ensinar padre a rezar missa!

Honestamente estou bem acostumado a encontra pessoas desinformadas a respeito da tradição anglicana, mas é muito triste quanto vemos tamanha desinformação, como a revelada no post pelo irmão publicado no Face, vindo de alguém tão presente na vida intelectual de tantos evangélicos. Ora, se um dos maiores órgãos da apologética evangélica brasileira tem em seu hall alguém que fala daquilo que não conhece, onde iremos parar?


Pessoalmente seu post não me deixou ofendido, apenas assustado. A ignorância sempre me assusta, ainda mais de pessoas das quais esperamos um pouco mais. O convite para que leia meu humilde livro é sincero, e caso queria um bate-papo amigável sobre o assunto, minha casa estará sempre aberta, bem como este site. Mas, se desejar comprar a briga em prol da ignorância e falta de informação, lamento dizer, tem anglicano cabra macho no Brasil, e o senhor terá de lidar com os fatos. 

2 comentários:

Rafael disse...

O mesmo também fez críticas(infundadas) aos Reverendos Nicodemos e Hernandes. Se fossem críticas construtivas, plausíveis e fundamentadas eu concordaria com ele, no entanto a que ele fez com o Stott e a que eu citei, carece de autenticidade.
Parabéns ao Reverendo Marcelo, e estou no aguardo da plantação da Igreja Anglicana Reformada em Belo Horizonte.

Rafael

Cristao reformado Calvinista disse...

Graça e paz!
Não dêem ibope ao mentecapto do JFM, ele é um corvarde que exclui comentarios do seu face, quando está em outra pagina que não pode excluir os que lhe contraditam, foge para sua pagina pessoal e fica se passando por vitima. É um cidadão sem credito

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