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Merkel endurece, impõe privatização e corte de gastos à Grécia, vence o embate, humilha o esquerdista Tsipras e, na prática, o destitui do governo grego


Angela Merkel, a chanceler da Alemanha, venceu o embate e, na prática, destituiu do governo da Grécia Alexis Tsipras, o primeiro-ministro porra-louca da frente esquerdista Syriza, que achou que poderia dar um calote e propor um referendo para endossá-lo, o que foi saudado por idiotas, mundo afora, inclusive na imprensa e na política brasileiras, como a vitória da soberania contra o capitalismo. Merkel disse um “tudo bem se é assim, mas a Grécia deixa a Zona do Euro até se reestruturar”. Tsipras não tinha mais o que fazer. Capitulou e decidiu aceitar condições ainda mais duras do que aquelas que havia recusado.
Depois de 17 horas de negociação, foi anunciado nesta segunda o acordo de resgate da Grécia. Não se fala mais em “Grexit” — trocadilho em inglês para “Greek” (grego) e “exit” (saída) —, que se referia à saída da Grécia da Zona do Euro, mas a “aGreekment”, aí fundindo “Greek” com “agreement”, acordo. Sim, o acordo saiu, e o país receberá imediatamente um terceiro socorro, de 86 bilhões de euros. Mas o preço será altíssimo.
Em 48 horas, o país se compromete a votar leis que vão aplicar um severo corte de gastos, especialmente na área da previdência e do mercado de trabalho. Mais do que isso: vai ser criado no país um fundo de gestão para a privatização de empresas públicas que objetiva arrecadar 50 bilhões de euros. É com esse dinheiro que se pretende recuperar os bancos. Atenção! Embora este fundo vá ficar na Grécia, a sua gestão é internacional — isto é, não estará subordinado ao governo. Até o anúncio do acordo não estava claro se também os bancos ficariam sob gestão de um comitê europeu.
Para quem se elegeu com a plataforma de ultraesquerda, Tsipras passa por uma humilhação e tanto: não apenas terá de aplicar as medidas de austeridade como, na prática, perde a gestão sobre o centro do programa de reestruturação da economia. Era justamente esse fundo de privatização que estava atrasando a formalização do acordo. A França ainda tentou demover a Alemanha da exigência, mas Merkel foi irredutível. Ou por outra: Tsipras foi eleito prometendo mais estado na economia e terá de assistir ao processo de desestatização, no qual nem poderá interferir. Ou isso ou um caos ainda pior.
A Alemanha deixou claro que, na Zona do Euro, não há espaço para pistoleiros como Tsipras. A negociação evidencia também que é melhor não fazer chicana. Para primeiro-ministro grego, a emenda sai bem pior do que o soneto.
“O importante agora é pôr em prática rapidamente o acordo. É preciso recuperar a confiança e, para isso, a Grécia tem de assumir como seu esse acordo”, disse Merkel. A Alemanha exigiu que seja o FMI a supervisionar essa terceira fase, impondo a Tsipras uma derrota adicional, já que ele rejeitava esse papel ao Fundo.
“Eu disse que a situação ficaria mais difícil depois do referendo, e ficou demonstrando que sim. Mas saiu o acordo. Não há ganhadores nem perdedores. Não creio que os gregos se sintam humilhados nem que os outros sócios tenham perdido a fé. É um típico compromisso europeu”, afirmou Jean-Claude Junker, presidente da Comissão Europeia.
Mais ou menos. A Grécia, de fato, não foi humilhada porque sair da Zona do Euro teria sido muito pior. Tivesse Alexis Tsipras, no entanto, um mínimo de coerência, só lhe restaria o caminho da renúncia. A essa altura, suas promessas de campanha valem ligeiramente menos do que as de Dilma Rousseff no Brasil. Mas esquerdistas, como sabemos, não largam o osso de jeito nenhum.
Por Reinaldo Azevedo

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Informação do Jornal da Cidade