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3 de agosto de 2015

Feministas evangélicas se unem contra duplo preconceito

Um grupo no Facebook debate temas ligados ao feminismo e religião
Feministas evangélicas se unem contra duplo preconceitoFeministas evangélicas se unem contra duplo preconceito
Gospel Prime


É possível ser feminista e cristã? Para um grupo do Facebook com cerca de 960 pessoas é possível sim e por isso elas se denominam como “Feministas Cristãs”.
Em uma entrevista à BBC Brasil, a publicitária Thayô Amaral, de 21 anos, criadora do grupo, explicou quais são os objetivos das feministas cristãs e ainda declarou sofrer duplo preconceito, tanto por parte das feministas, quanto por parte dos cristãos.
“Perguntam como podemos ser cristãs se as religiões cristãs oprimem as mulheres há milênios. Nós tentamos mostrar que existe a religião e existe a fé. A minha fé é a cristã, mas isso não significa que eu concorde com a opressão que a religião impõe às mulheres”, disse Amaral.
A publicitária goiana garante que o grupo existe para juntar mulheres cristãs feministas que não são aceitas no meio dos grupos feministas que existem aos milhares na internet.
“No grupo, podemos discutir coisas que não conseguimos nem no meio feminista, por sermos cristãs, e nem no meio cristão, onde sofremos bastante rejeição.”
Quem participa do grupo pode debater sobre trechos da Bíblia que são interpretados como machistas e através da rede social as participantes também compartilham vídeos com problemas das próprias igrejas.
“O mais frequente no grupo são meninas que não estão se encaixando (nas igrejas), mas não querem se afastar e deixar de praticar sua fé”, afirma a criadora do grupo.
Mulheres de diversas idades e denominações evangélicas participam do grupo e debatem assuntos diversificados.
“Desde adolescente, eu questionava o papel da mulher: por que tinha que ser criada para ser uma boa dona de casa se, na escola em que eu estudava, homens serviam o almoço e o jantar? Por que eu não podia usar calças jeans na igreja, se eram muito mais confortáveis? Por volta dos meus 16 anos, havia muitas cobranças para que eu andasse maquiada e soubesse cozinhar. E o meu questionamento causava espanto”, disse Jordanna Castelo Branco que frequentou as igrejas Batista e Assembleia de Deus e hoje é membro da comunidade Libertas, uma igreja alternativa ligada à Igreja Presbiteriana.

Feminismo luta contra a religião?

A BBC Brasil ouviu a cientista política Rayze Sarmento, da UFMG, para saber se existe mesmo um embate entre a religiosidade e o feminismo. A estudiosa afirma que esse estereótipo é causado pelas atitudes de algumas mulheres, mas que isso não significa que o feminismo é intolerante.
“É um pouco natural que esses embates ocorram. A própria história do feminismo é lidar com as diferenças e com questões muito sensíveis”, disse ela.
A fluminense Guísela Araújo, que faz parte do grupo Feministas Cristãs, entende que as mulheres evangélicas torcem o nariz para o feminismo porque não o conhecem.
“Eu até entendo as mulheres evangélicas que torcem o nariz para o feminismo porque não conhecem. E acho que poderiam ter mais paciência e boa vontade com as feministas. Mas acho também que falta às feministas mais paciência e boa vontade com as religiosas. A tolerância é algo que a gente vai construindo”.

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