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1 de setembro de 2015

SIM!!! Romanos 9 é a Kryptonita dos defensores do livre-arbítrio.

    O Pr Ciro Sanches nesse dia 31 de agosto escreveu uma resposta sobre a "Kryptonita dos arminianos e semi-pelagianos (os defensores do livre-arbítrio)" mencionada pelo Pr Marcos Granconato em um debate, onde o mesmo se referia ao texto de Romanos 9. Segundo Ciro, esse texto não é suficiente para poder rechaçar a doutrina que defende haver uma livre escolha humana na salvação. Por que não? segundo ele os que se opõe ao livre-arbítrio usam versículos isolados e fazem uma interpretação errônea do texto. Será?

    A primeira acusação de uso isolado vem do texto de Romanos 9:16. Segundo Ciro os oponentes da doutrina do livre-arbítrio usam de modo isolado esse texto com o fim de defender sua visão. Ele diz:

"Os oponentes da doutrina do livre-arbítrio apegam-se, sobretudo, a frases isoladas de Romanos 9, como a do versículo 16: “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece”. De fato, essa passagem, isoladamente, parece sugerir que Deus ignora a livre-escolha humana." 

     No capítulo 9:14-18 Paulo está respondendo ao seu interlocutor uma suposta objeção sobre a injustiça da parte de Deus por ter rejeitado Israel, Paulo responde de forma negativa:  "De modo nenhum!" esse pensamento é tão intolerável que deve ser rejeitado de forma rude. No vers. 15 Paulo apela para as Escrituras do AT para responder a indagação a respeito da Justiça de Deus. Ele cita o texto de Êxodo 33.19. uma reposta Divina a solicitação de Moisés "Rogo-te que me mostre a tua Gloria" (Ex 33.18). como ressalta John Murray:

       
    "O favor demonstrado a Moisés é confirmado como procedente da Misericórdia soberana de Deus. Nem o próprio  moisés nem o povo de Deus com ele, podiam reivindicar para si mesmo qualquer favor Divino; porquanto tudo era uma questão que dependia da escolha e da outorga gratuita da parte de Deus."  

      Segundo Murray o termo ὃν ἄν "Não é bem expresso em português pela tradução "a quem lhe apraz", deveria ser traduzida por " a quem quer que lhe apraz". ressaltando a soberana e livre escolha de Deus." O aspecto mais importante do vers. 15 é este: em apoio a negativa " de modo nenhum!", no vers. 14, a misericórdia de Deus  não é uma questão de justiça para com aqueles que participam dela, pois tudo depende da livre e soberana graça Divina."

    Consideremos por um instante que a interpretação do Pr. Ciro esteja correta, em que a eleição seja algo apenas no modo coletivo e não em particular (o que pretendo tratar mais adiante), mesmo assim a eleição jamais dependeria de uma livre escolha de uma certa nação para ser eleita, como vimos, isso também dependeria da soberana graça de Deus em eleger tal nação. de cara, a ideia de livre-arbítrio cai por terra.

    Em fim chegamos ao vers. 16. Considerando a verdade afirmada no contexto, fica claro a intenção de Paulo nesse vers.  se Deus tem misericórdia de quem quer que lhe apraz, logo: " não depende de quem quer ou de quem corre" mas de Deus usar a misericórdia mencionada no contexto.  Podemos ver então que o contexto só reforça a ideia de que qualquer ênfase de uma determinação humana deve ser totalmente excluída.

QUEM SÃO ENTÃO OS VASOS DE IRA??

     Outra acusação de uso do texto isolado é o ver. 21 e 22 do romanos 9. Ciro diz:

      "Outras frases de Romanos 9 empregadas fora do seu contexto para “refutar” a doutrina do livre-arbítrio estão nos versículos 21 e 22: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou os vasos da ira, preparados para perdição”. Entretanto, quando a Palavra de Deus menciona a analogia dos vasos, a ênfase recai no fato de que, de acordo com a nossa resposta moral a Deus (cf. 2 Tm 2.20,21), o vaso poderá ser moldado ou desfeito nas mãos do Oleiro, como foi o caso de Israel (Os 8.8, ARC)."

    logo após ele usa o texto de Jr 18 para reforça sua ideia de que os vasos de ira não são indivíduos e sim uma nação, e que a rejeição vem por que tal nação se recusa a se arrepender e assim permanece no pecado. O problema é que Paulo não tem em mente o texto de Jr 18 mas sim o de Is 45.9 que diz: " Ai daquele que contende com o seu criador! E não passa de um caco de barro entre os outros cacos. Acaso dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: a tua obra não tem alça" Esse texto não se refere a uma nação, mas sim a um individuo que contende com o seu Criador. Nesse mesmo tópico o Pr. Ciro faz outra afirmação:

    "Segue-se que os vasos da ira são objetos da ira divina porque se recusam a se arrepender. Daí o fato de Deus suportá-los com longanimidade (Rm 9.22), isto é, esperar pacientemente por seu arrependimento (2 Pe 3.9)."

    Segundo ele, os vasos de ira são objetos da ira Divina por que se recusam a se arrepender. concordo com ele até certo ponto, por que ele diz que o meio para estes recusarem o arrependimento é o livre-arbítrio e não a condição pecaminosa a qual os homens estão entregues ( Ef 2.1). Os homens recusam a se arrependerem pois são "homens de dura servis e de duros coração (At 7:51)" por natureza, "tanto judeus como gregos estão debaixo do pecado, de modo que não há um justo se quer, quem entenda e quem busque a Deus (Rm 3:9-10)." Então o meio para os vasos de ira recusar o arrependimento é a sua natureza caída e depravada, e não seu "livre-arbítrio", pois após a queda, todos os sentimentos, desejos e vontades foram afetados pelo pecado, de tal modo que até o arbítrio ficou escravo das vontades pecaminosas , sendo escravo não pode ser livre. O texto de Rm 9:22 e o de 2 Pe 3:9
embora os dois fale de um atributo de Deus, a saber sua longanimidade, abordam propósitos diferentes. Em Rm 9:22 o propósito é mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, em 2 Pe 3.9 o propósito é que nenhum dos teus se perca, embora o evangelho seja pregado universalmente, somente aqueles que o Pai levar e quem pode ir a Cristo (Jo 6:37). Sobre isso Calvino em seu comentário de 2 Pe 3:9 disse:

  "Pois Deus ali estende sua mão a todos sem qualquer diferença, PORÉM segura, para atrair a si, somente aqueles quem escolheu antes da fundação do mundo"
  
POR QUE DEUS AMOU A JACÓ E ABORRECEU ESAÚ?

    Segundo o Pr Ciro, o texto de Rm 9 dos vers. 11 a 13, não se refere a uma eleição incondicional de indivíduos e sim de uma eleição corporativa e condicional, ele diz:

    "[...]Em primeiro lugar, o apóstolo Paulo não está falando de indivíduos! Jacó (Israel) e Esaú (Edom) representam duas nações. Basta lermos com atenção Gênesis 25.23 para chegarmos a essa conclusão: “E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor”.
   
    É bem verdade que no vers. 13 Paulo não trata de indivíduos e sim de dois povos, uma nação rejeitada e uma nação eleita, mas o que Paulo tem em mente com nação eleita é um Israel espiritual (Gl  6:16), a saber a igreja, o corpo de Cristo (Ef 1:23). Por isso ele ressalta: " Nem todos os de Israel, são de fato, Israelitas (vrs 6)". ou seja, nem todos os de Israel são eleitos. Asim como um corpo é feito de membros uma nação é feita de indivíduos, e uma nação eleita (Israel espiritual) só pode ser composta por indivíduos eleitos. Deus soberanamente elegeu cada indivíduo que fará parte do corpo de Cristo, ele não apenas predestinou o corpo, mas também cada membro desse corpo (1 Co 12:18, Ef 1: 4,5). Essa eleição não é com base no livre-arbítrio e sim segundo o propósito de Deus - "E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus segundo a eleição, prevalecesse, NÃO POR OBRAS [qualquer tipo de ação humana], mas por aqueles quem Deus chama (vrs. 11)."  No entanto, Deus elege indivíduos de cada nação do mundo, para poder fazer parte de uma nação eleita segundo o seu propósito, "Os quias não nasceram do sangue [segundo a descendência humana],  nem da vontade da carne [qualquer esforço humano], nem da vontade do homem [mediação humana] , mas de Deus [propósito soberano, segundo a eleição] (Jo 1:13)."

  Quanto a questão do ódio de Deus a Esaú Ciro diz:

"Outrossim, o ódio de Deus a Esaú (Edom) precisa ser entendido de acordo com o sentido original da palavra usada para “odiei” (ou “rejeitei”), que, no hebraico, significa “amar menos”. Trata-se do mesmo termo aplicado ao sentimento de Jacó por Léia, inferior ao que nutria por Raquel: ele amava muito esta e “desprezava” aquela (Gn 29.30,31)."

  Lembrando que o texto que Paulo tem em mente é o do Ml 1:,2. O contexto de Ml 1:1,2 é de juízo, castigo e indignação "...Odiei a Esaú, e fiz seu monte uma desolação...eles edificarão eu  porém destruirei." Então podemos concluir que "amou menos" não justifica Ml 1:3 e nem Rm 9.13. Pois estas passagens são referentes a nada mais do que condenação.

COMO ENTENDER O ENDURECIMENTO DE FARAÓ

   Nesse último tópico, Ciro usa o argumento de que não foi Deus quem primeiro endureceu o coração de faraó, mas o próprio faraó em quem obstinou em coração, Paulo não tem em mente o texto de Ex  7:13,14 e 22 como cita ele,  mas sim o texto de  Ex 9:16 que ressalta que Deus não apenas endureceu como manteve o coração de faraó endurecido afim de mostrar seu poder. Ele usa o texto de Ex 8:15 com o fim de provar que é o próprio faraó é quem endureceu pelo seu livre-arbítrio. Isso seria possível se não houvesse nenhum texto afirmando quem está por trás desse endurecimento do coração de faraó, o causador desse endurecimento não foi ninguém além do próprio Deus como diz Ex 4:20 " ... Mas Eu endurecerei o seu coração, e ele [faraó] não deixará o povo ir."

  Ciro por fim diz: 

"Finalmente, considerando que o termo hebraico usado para “endurecer” denota “fortalecer”, Deus apenas “fortaleceu” o desejo que já estava no coração de Faraó. Não foi Ele quem desejou que Faraó fosse obstinado, mas apenas o abandonou às suas paixões infames e o entregou a um sentimento perverso (Êx 8.15)..."  
  
   Apesar de concordar que o coração de faraó já é duro por natureza, o texto de Ex 4:20 e o do Rm 9:17  deixa claro que Deus não apenas fortaleceu mas ele próprio levantou a faraó e endureceu seu coração com um propósito X. No vers. 18 do cap. 9 de Romanos Paulo deixa claro que Deus endurece quem lhe apraz. 


  Concluímos então que o texto de Romanos 9 joga por terra qualquer possibilidade de livre-arbítrio na salvação, qualquer tipo de sinergismo é descartado a luz desse texto, não deixando brecha alguma para qualquer tipo de colaboração humana na salvação, pois é Deus quem escolhe, leva a Cristo e preserva até o dia do Senhor os teus Eleitos.

Ps: Esse texto não foi escrito para desmerecer a pessoa do Pr. Ciro Sanches, nem dos demais irmãos que compartilham da mesma ideia dele.

Em Cristo.

Hugo Ciel
Brasília 1 de setembro de 2015

3 comentários:

Anathallycio Nascimento disse...

Meu Deus! O que aconteceu com este abençoado blog?
Tenho certeza que este meu comentário não será publicado, mas pelo menos o moderador vai conhecer alguns versículos que falam claramente do amor de Deus por todos os seres humanos.
Os artigos sobre política são excelentes, já até repliquei alguns no meu blog: www.avozdosetor10.blogspot.com, citando a fonte, é claro. Mas quando o assunto é doutrina bíblica, vemos um "ar de superioridade", zombaria e ironia com quem não concorda com a dourina da predestinação.
Pois bem, Se a Bíblia traduzida por Almeida está correta, em Jo 3.19 Jesus fala assim: E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
Algum defensor da predestinação vai ter a coragem de dizer que foi Deus que colocou nos corações dos homens amarem mais as trevas do que a luz? Claro que sim". Quem entra pelo caminho do erro, que seguir em frente, não se importa com as contradições.
-...Quem quiser vir após mim, negue a si mesmo, TOME a sua cruz e...Mt 16.24
-Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e ABRIR...Ap 3.20
-que quer que TODOS os homens se salvem e venha ao conhecimento... 1Tm 2.4
-Porque a graça de Deus se manifestado trazendo salvação a TODOS os homens, Tt 2.11.

Há muito tempo ouço falar em predestinação, e sempre fiz esta pergunta: Se o próprio Deus já tinha escolhido as pessoas que seriam salvas, por que enviou Jesus para morrer na cruz? Sacrifício em vão? Espero que algum dia alguém tenha uma resposta convincente.
Bem... sobre a ironia deste blog, sempre leio artigos com fofocas sobre pastores da Assembleia de Deus(que ironicamente agora é BLÉIA), se algum de fato cometeu pecado, vai dar conta a Deus dos seus atos.
Por hoje chega, vou seguir o conselho de Paulo: Não convém ao servo do Senhor contender.2Tm 2.24
Como acredito no AMOR DE DEUS para todas as pessoas do planeta Terra, vou continuar pregando: Quem crer e for batizado será salvo;mas quem não crer será condenado.Mc 16.16.
O Deus de paz continue abençoado a todos.

Wilson P. Silva disse...

Convenhamos, como indivíduos somos livres para pensar, pensamos e temos o direito de discordância ou concordância. Devemos preservar o respeito e a ética para não decairmos na postura como servos de Deus.

As regras de hermenêutica tem sido desprezada por muitos, daí as interpretações descabidas. Ao defendermos o livre arbítrio deveríamos ao menos entender que é o direito de arbitrar. O termo aponta para a função de Juiz, aquele que tem o direito de julgar e decidir. No tocante a salvação ou perdição eterna a coisa complica, prefiro apelar para a "Livre agencia", ou seja: perdemos na queda o "Livre arbítrio" mas não a livre agencia, isto é a liberdade de ação. O versículo que diz: "Eis que estou a porta e bato, e se alguém ouvir a minha voz" não é um apelo à salvação, mas um apelo ao arrependimento direcionado a igreja de Laodiceia. Concordo que o texto em debate e refutado ferrenhamente pelo pr Ciro favorece mais ao pr Granconato.

Deus estará sempre no controle das situações, é presciente, isto é: conhece todas as coisas por antecipação, salva e condena quem quer, endurece para que não creiam ou faz com que creiam, e em Faraó Deus mostrou mais uma vez que é soberano dando livramento ao seu povo. Não há injustiça em Deus, entendamos antes o que é liberdade humana e o que é soberania de Deus, sem contudo negligenciar que no fim de tudo cada um dará conta de si mesmo a Deus.

Wilson P. Silva disse...

Concordo como pr Granconato.

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