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18 de novembro de 2015

Desconfiada, população de Governador Valadares rejeita água captada em rio












"Para arrumar a casa ou lavar a roupa, tudo bem. Mas, para beber, eu não confio nessa água, não". A declaração da microempresária Monique Silva, 27, serve como síntese do receio dos moradores de Governador Valadares (MG) com relação à captação de água do rio Roce, que começou a ser retomada gradualmente no último domingo (15), após uma semana de interrupção. O cheiro acentuado de cloro e a cor amarelada do líquido, em alguns locais, são apontados como os principais fatores para a repulsa à água recém-tratada.


Maior e mais importante manancial da região, o rio foi tomado por uma onda de lama de rejeitos de minério após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, em Mariana (MG), há 13 dias. Inicialmente, a Prefeitura de Governador Valadares, que decretou estado de calamidade pública, estimou em 30 dias o período de desabastecimento hídrico. A previsão foi revista, no entanto, após a adoção de um tratamento com um tipo de reagente providenciado pela Samarco.


A chegada de água às torneiras de quase 70% das casas da cidade, até a noite desta terça-feira (17), não foi o suficiente para convencer a população de que o líquido é potável, conforme afirma a prefeitura. "Eu não conheço ninguém que esteja tomando essa água. Eu morro de medo. Não bebo, não dou para a minha filha e nem para os clientes", diz Lucélia Silva Mesquita, 26, dona de um restaurante no centro do município, o mais populoso afetado pelos rejeitos, com cerca de 265 mil habitantes.


"A gente ficou uma semana, mais ou menos, sem água nenhuma. O povo buscou o máximo que pôde água de mina, de poços artesianos, de galão, em caixas d'água. Foi muita correria. No primeiro momento falaram que não ia ter mais água nem tão cedo e depois dizem que dá para tratar. É complicado confiar em uma água dessa para beber", comenta Monique Silva, que é proprietária de um armazém no bairro Cidade Jardim e viu seu estoque de galões d'água acabar.


O resultado da apreensão é visto em diversas esquinas da cidade. Caminhões-pipa trafegam carregados de água pelas ruas enquanto moradores de todas as idades carregam garrafas e galões. No fim da tarde desta terça, Fagner Alves, 34, que está desempregado, voltava de bicicleta para casa, no bairro Cidade Jardim, carregando quase 20 litros de água. Em um saco, levou seis garrafas de 2 litros cada uma. No guidão, pendurou um garrafão de cinco litros. Conseguiu a água no poço artesanal de uma fazenda nas redondezas da sua casa.


Lucélia conta que até os banhos em casa estão sendo tomados com água mineral, adquirida ao longo da semana passada. Os gastos aumentaram e o lucro diminuiu acentuadamente, segundo ela. E se a situação se prolongar indefinidamente? "É melhor gastar com água mineral ou ficar doente?", rebate. "O que mais incomoda é o cheiro de cloro muito forte. Eu acho que nem eles usam essa água para consumo", diz, referindo-se aos integrantes do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), autarquia municipal que realiza a captação e o tratamento da água.


Para tentar tranquilizar a população valadarense, a prefeita Elisa Maria Costa (PT) foi a um programa de TV nesta segunda (16) e bebeu um copo d'água ao vivo. O diretor-ajunto do SAAE, Vilmar Rios, afirma que o órgão fez testes com o polímero de acácia negra -- "mais caro e, por isso, inacessível para a Prefeitura de Governador Valadares anteriormente" -- e que os resultados se mostraram eficazes.


"Nós não seríamos irresponsáveis de fornecer água que oferece qualquer risco à população", declara. O cloro notado pela população, segundo Rios, está dentro dos padrões normais.


"Tivemos que clorar um pouco mais a água para fazer uma assepsia nas redes, que ficaram sete dias paradas e isso cria uma oxidação natural. Isso é normal."


Ele contou ainda ter bebido a água da "primeira leva" do tratamento "sem problema nenhum". "Posso até pegar verme. Eu bebi e não senti absolutamente nada", afirmou o diretor-adjunto.




Uol noticias.

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