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22 de novembro de 2015

Evangelismo - Por: Lucas Rodrigues

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16. 15)
Introdução A palavra “evangelismo” é formada por dois termos. O primeiro termo é uma palavra grega que é a palavra “Evangelion” (do qual temos a palavra “Evangelho”) que significa “Boas notícias” e a palavra “ismo” que possui um significado muito amplo que pode ser “doutrina ou ensino”, “estudo ou ramificação”, “doença” ou ainda “prática, pregação ou crença”. Portanto, a palavra Evangelismo significa “pregação das boas notícias”. John MacArthur ensina que “todo cristão verdadeiro entende que o evangelho de Jesus Cristo é a melhor notícia de todos os tempos e da eternidade”. A ideia é que, quando alguém possui uma boa notícia este alguém não se contém e quer contar a todo mundo, pois é uma boa notícia. É desta maneira que John MacArthur ensina como devemos enxergar o evangelismo, como a proclamação da “melhor notícia de todos os tempos e da eternidade”. Ora, isto é baseado na maneira como Jesus via a missão que ele incumbe os discípulos quando Ele os vocaciona em Mateus 10. No versículo 27 ele diz: “O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que voz é dito ao ouvido, proclamai-o dos telhados”. E, é esta a alegria e convicção que deve estar em nosso coração ao cumprir o chamado da pregação evangelística. Além disto, o evangelismo é uma necessidade mundial desde os primórdios da Igreja. Inclusive, foi em cima desta necessidade que Cristo ordenou aos 11 discípulos (uma ordem que também é para todo cristão regenerado) em Marcos 16. 15: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. O “Ide” é um verbo que está no modo imperativo, portanto é uma ordem direta de Cristo, um mandamento, uma lei e como tal deve ser obedecido.
A Teologia Reformada e o Evangelismo
Infelizmente muitos dos que não conhecem a teologia reformada afirmam que os reformados não evangelizam. Isto é uma tentativa arminiana de dizer que se o reformado crê que Deus é Soberano, então Deus elege quem há de ser salvo e em seu tempo determinado a Graça Soberana de Deus constrangerá o coração do pecador a ponto de trazê-lo para si, então isto independe da pregação do calvinista o que faz supor que o calvinista não evangeliza, pois crê que tudo está determinado. Isto não poderia ser mais mentiroso do que é! Os Reformados sempre foram conhecidos na história como os maiores evangelistas de seus tempos. Ora, João Calvino foi muitas vezes chamado de “O mestre e praticante da Evangelização”. A pergunta que fica é: Porque este título? e a resposta se salta à vista. “Porque João Calvino foi grandemente responsável em acender a tocha do evangelismo bíblico durante a reforma (...) e pai teológico do momento missionário reformado” (Joel Beeke). Podemos achar traços de referências ao evangelismo nas Institutas de Calvino, em seus comentários, sermões e cartas. Além disso, Calvino foi evangelista “(1) em seu próprio rebanho; (2) na cidade de Genebra; (3) na Europa maior; e (4) nas oportunidades que ele teve de exercer missão além mar.” (Joel Beeke). Aos Huguenotes Franceses que sofriam severas restrições e perseguições das autoridades francesas Calvino escreve: “Que cada um se esforce por atrair e conquistar para Cristo tantos quanto possa” (Letters of Calvin, 3: 134). No seu comentário sobre “a Carta aos Hebreus” Calvino escreve: “Somos chamados pelo Senhor sob esta condição: que alguém doravante se esforce para conduzir outros à verdade, restaurar o perdido ao caminho reto, estender uma mão de socorro aos caídos, ganhar os que são de fora”. No seu sermão expositivo de Deuteronômio 33. 18 – 19 Calvino declara: “Nosso zelo deve estender-se ainda mais longe a atrair outros homens”. Avançando um pouco na História temos os Puritanos. Tais homens são descritos como os maiores homens de Deus da História, desde o tempo dos Apóstolos, e foram evangelistas natos. Joel Beeke, em seu livro “Espiritualidade Reformada” descreve o puritanismo desta maneira “O puritanismo se desenvolveu pelo menos três necessidades: (1) a necessidade da pregação bíblica e da pregação da doutrina sólida e reformada; (2) a necessidade da piedade bíblica e pessoal que põe em relevo a obra do Espírito Santo na fé e na vida do crente; e (3) a necessidade de uma restauração da simplicidade bíblica na liturgia, vestimentas e governo da igreja, de modo que a vida eclesiástica bem ordenada promova o culto ao Deus trino como prescrito em Sua Palavra. Doutrinariamente, o puritanismo era um tipo de calvinismo categórico e vigoroso; experiencialmente, ele era um tipo de Cristianismo ardoroso e contagioso; evangelísticamente, ele era, respectivamente, amável e agressivo.”
David Brainerd e Hudson Taylor são dois exemplos de puritanos missionários que deram tudo na Obra de Deus. Richard Baxter, outro puritano, diz: “Prego como se estivesse certo de jamais poder pregar outra vez, como um homem moribundo a homens moribundos". John Bunyan fora duas vezes para a prisão de Bedfurd por pregar o Evangelho, isolado de sua filha que era cega, de sua esposa e de seu filho fica 11 anos preso (período em que ele escreve o livro “O Peregrino”), ao sair de lá continuou a pregar o Evangelho e atraiu multidões à Cristo. William Perkins e William Ames na Inglaterra foram os luzeiros de Deus trazendo de volta a essência e o forte Puritanismo que o cristianismo calvinista Inglês havia perdido. No século XVIII um dos homens que ajudaram no grande despertamento da Grã Bretanha foi Gerge Whitefield com suas incansáveis e insistentes pregações ar livre contra o pecado e mostrando a necessidade de um Salvador. Jonathan Edwards além de ter sido um instrumento na mão de Deus no grande despertamento também foi missionário aos índios norte-americanos. A lista de homens puritanos é extremamente grande e todos eles foram exaustivamente evangelistas. Todos tinham em mente a Glória de Deus e que Cristo fosse Senhor em tudo, e que todos os membros em que, lá na eternidade, Deus havia escolhido para si (Efésios 1. 4), portanto possuíam grande ciência de que o Evangelho deve ser pregado “a todos os homens”, a semente deve ser lançada em todos os solos, a que cair em solo fértil (coração do eleito) esta dará “fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um” (Mateus 13. 8). Não só evangelizavam, mas oravam intensamente pelo evangelismo. O alvo de suas orações era que o Evangelho não só fosse semeado em todos os corações possíveis, mas que, pela Soberania de Deus, houvesse frutos no maior número de corações possível. O Reformador John Knox em suas orações dizia: “Dá-me a Escócia senão eu morro!”, da mesma maneira Hudson Taylor orava pela China.

A necessidade do Evangelismo
Ora, o Evangelismo é totalmente necessário. Uma análise de Romanos 10 pode nos mostrar o porque:
Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos. Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê. Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela. Mas a justiça decorrente da fé diz assim: Não perguntes em teu coração: Quem subirá ao céu? isto é, para trazer do alto a Cristo; ou: Quem descerá ao abismo?, isto é, para levantar Cristo dentre os mortos. Porém que se diz? “A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração”; isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, credes que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a Escritura diz: “Todo aquele que nele crê não será confundido”. Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Porém, como invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados?” Como está escrito: “Quão formosos são os pés dos que anunciam o evangelho!” Mas, nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: “Senhor, quem acreditou na nossa pregação?” E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de Cristo. (Romanos 10. 1 – 16)
Bom, no texto, podemos observar nitidamente que Paulo, apesar de ser chamado de apóstolo dos gentios (Romanos 11. 13; Atos 9. 15) nunca cessou nem diminuiu suas súplicas pela conversão dos judeus, e nem cessou seus esforços evangelísticos por eles (cf. Romanos 1. 16), que apesar de possuírem “zelo por Deus” não possuíam esse zelo com “entendimento”, pois eles “desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus”. O problema de não se sujeitar a Deus entra exatamente no assunto que Paulo vem desdobrando desde o primeiro capítulo da carta aos Romanos, em que, na verdade, o não sujeitar é apenas um sintoma de um mal muito maior dentro do homem, este mal é o pecado que traz uma depravação em todas as faculdades humanas, tornando o homem um ser desprezível (Romanos 1. 18 – 32). Ora, a doutrina da Depravação Total mostra que todos os homens sem exceção estão completamente corrompidos pelo pecado, em todas as a suas faculdades – sua mente, sua vontade e em todas as suas partes - corpo e alma. Como resultado dessa corrupção total, o homem natural é totalmente incapaz de fazer qualquer coisa espiritualmente boa. O pecador está tão espiritualmente falido que ele nada pode fazer com respeito à sua salvação. É evidente que muitas pessoas não salvas, quando julgadas pelos padrões humanos, possuem qualidades admiráveis e realizam atos virtuosos. Porém, no campo espiritual, quando julgadas pelos padrões divinos, são incapazes de fazer o bem, portanto, incapaz de fazer a vontade de Deus. Ora, as Escrituras afirmam que o cristão não regenerado é inimigo de Deus (Romanos 5. 10; Salmos 5. 5), cego pelo maligno (II Coríntios 2. 4) e morto em delitos e pecados (Efésios 2. 1). Também afirma que a consequência é uma só: Morte (Romanos 6. 23), juízo (Salmos 7. 11 – 16) e condenação (João 3. 18 – 19; Mateus 7. 23; Mateus 13. 30, 40 – 42). Portanto, em outras palavras, toda a humanidade está em perigo. O que Paulo, em Romanos 10 continuando sua argumentação, explica é que o problema do pecado é exatamente o fato de ele não se sujeitar a Deus, isto é, a sua Lei, e preferem ter por base a sua própria justiça e adaptar a Lei e a justiça de Deus à sua justiça própria (v. 3), mas mal sabem que o resultado da Lei é Cristo (v. 5). Ora, o homem não pode fazer nada para contribuir com a sua Salvação, visto estar morto, cego, débil e inábil espiritualmente, portanto somente Deus pode, por seu infinito e soberano Poder fazer no homem o milagre da regeneração pela Graça, assim dando ao homem o gracioso dom da Fé Salvívica (Efésios 2. 8) guiando o homem, irresistivelmente, para a Salvação (Romanos 8. 14), revelando-lhe as coisas de Deus (I Coríntios 2. 10-14), justificando-o em Cristo pelo Espírito de Deus (I Coríntios 6. 11) e somente pelo Espírito de Deus fazendo-o confessar a Cristo como Senhor (I Coríntios 12. 3). Ora, confessar a Cristo como Senhor é justamente o que Paulo tem em mente na sua argumentação. “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, credes que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (v. 9), este é o fruto que deve ser esperado do evangelismo. O pecador precisa confessar à Cristo como único e suficiente Salvador, porém, afirmar isto a alguns crentes hodiernos faz com que eles tenham uma visão distorcida do que é “confessar à Cristo”. Alguns entendem que o ato de responder a um apelo após uma pregação temática em um culto evangélico e indo à frente fazer o que eles chamam de “aceitar a Jesus” é o confessar à Cristo. Afirmo com todas as convicções que “responder” à um apelo “aceitando a Jesus” e “Confessar à Cristo” são coisas completamente diferentes e opostas. O apelo é uma prática relativamente nova, portanto completamente desconhecida dos apóstolos. Durante seus primeiros 1.800 anos, o cristianismo se desenvolveu sem a famosa ajuda do apelo, “Quem quiser aceitar Jesus, levante sua mão”. Segundo Frank A. Viola, foram os Metodistas e os reavivalistas do século XVIII que deram luz a esta novidade no cristianismo que se chama de “apelo”, mais tarde criaram o “banco dos penitentes” que era um local onde os pecadores vinham a frente e confessavam seus pecados. Nos Estados Unidos fora Charles Finney quem introduziu esta pratica nos seus cultos e nas suas famosas “cruzadas” e desde então a Igreja Evangélica tem seguido esses métodos. Todavia, por melhor intensão que seja este método não se enquadra nas Escrituras, nem sequer é o significado de “Confessar à Cristo”. Aaron Menikof se expressa da seguinte maneira: “estou convencido de que o apelo faz mais mal do que bem. A prática de conceder às pessoas imediata garantia de salvação — sem ter o trabalho de testar a credibilidade da profissão delas — parece, na melhor das hipóteses, insensata, e na pior, escandalosa. É insensata porque o pastor não é capaz de conhecer suficientemente a pessoa que ele está prestes a afirmar como cristã. É escandalosa porque substitui a porta estreita e apertada designada pelo nosso Salvador (Mc 8.34; Mt 7.14) por uma porta larga e espaçosa designada por nós. Com a melhor das intenções, aqueles que praticam o apelo deram a pessoas não salvas a falsa confiança de que elas realmente conhecem Jesus.”. Confessar a Cristo significa, em última análise, conhece-lo. Conhecer a Cristo envolve crer intimamente, confiadamente e convictamente em nEle como o único que pode salvá-lo (João 3. 16), é crer que Cristo morreu de uma vez por todas pelos seus pecados, assim dando vida à nós (I João 1. 25). Ora, crer em Cristo significa em crer que Cristo rasgou nosso escrito de divida eterna na Cruz (Colossenses 2. 13 – 14) perdoando nossos pecados e nos purificando de toda a injustiça (I João 1. 9), portanto o resultado final é que o pecador agora toma a vida de Cristo como exemplo para seguir e andar como Ele andou (I João 2. 6) para a Eterna Glória de Deus. É exatamente essa ideia que Paulo tem em mente quando ele argumenta “Porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (v. 10). Porém, Paulo apresenta um problema: “Porque: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Porém, como invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados?” A ideia que Paulo tem em mente é: Como alguém pode crer em alguém que sequer saibam que existem, nem nunca ouviram falar? O raciocínio dele é simples, para alguém invocar o nome do Senhor (Em outras palavras, confessar à Cristo) como diz em Joel 2. 32 (ele cita esse texto no v. 13) sem crer que Ele exista? (cf. Hebreus 11. 6), e como essa pessoa vai crer que o Senhor existe se nunca ouviram falar dele? Pra se ouvir falar dele, alguém precisa falar dele ou como outros ouvirão? Essa é a dúvida central e crucial do Evangelho: como crer naquele de quem nunca ouviu falar? Bem sabemos que toda a terra é cheia da Glória do Senhor (Isaías 6. 3), que os atributos de Deus, seu poder e sua divindade claramente são evidentes na sua criação (Romanos 1. 20), inclusive até os animais do campo, os chacais, avestruzes e os demais animais da criação louvam à Deus (Isaías 43. 20). Todavia, cabe a nós, como mensageiros, apregoar o Evangelho aos homens. Esta foi a resposta que Paulo deu a suas próprias questões, uma resposta citando Isaías 52. 7: Como está escrito: “Quão formosos são os pés dos que anunciam o evangelho!” (v. 15). Em uma sociedade corrompida, onde os homens vivem na promiscuidade, onde a injustiça comanda, onde a iniquidade reina, onde o Satanás impera nos é dada a missão de apregoar as boas novas. Onde homens, a cada dia que passa, estão mais próximos do inferno que o dia anterior. Sim, Deus possui seus eleitos (Efésios 1. 4) e sim, é Deus quem os trás à Cristo (João 6. 44), mas eles só crerão pela graça de Deus (Efésios 2. 8) se elas ouvirem o Evangelho. Exatamente por isso que Paulo vai dizer no versículo 17 “E assim, a fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de Cristo”. Ora, a pregação é o meio pelo qual Deus opera a fé nos seus eleitos. Enquanto Deus é quem dá o crescimento (I Coríntios 3. 6) somos nós é quem lançamos a divina semente (Mateus 13. 3 – 23). Descumprir este chamado é ser culpado pela condenação do ímpio, pois está escrito: “Quando eu disser ao perverso: Certamente, morrerás, e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrerá na sua iniquidade, mas o seu sangue da tua mão o requererei” (Ezequiel 3. 18). Veja quão grande é a nossa responsabilidade.
O Amor pela alma evangelizada
Quão fácil é ver um evangelismo totalmente sem qualquer comoção pela alma evangelizada o que resulta em um evangelismo feito de qualquer maneira, sem um pingo de amor e com descaso pela alma. Exatamente por este motivo que o Evangelismo moderno tem resumido apenas em entrega de panfletos com uma mensagem emocional e antropocêntrica, por apenas dizer as pessoas “Jesus te ama e tem uma obra na sua vida”, ou então assistindo algum vídeo. Ora, certa feita, há anos atrás, um pastor se orgulhava de um membro de sua igreja que entregava 2.000 folhetos por semana parado em frente ao mercado municipal de minha cidade, então resolvi pegar um desses folhetos que ele entregava e ler. Eram 4 tipos de folhetos que ele entregava, todavia todos eles falavam da mesma coisa de “Deus restaurar seus sonhos e lhe dar vitória” de “Deus te amar tanto que tem projetos enormes de vida para você”. O resultado disso é que a enorme maioria dos que vinham para a igreja jamais se arrependiam de seus pecados, pelo contrário, vinham por causa da promessa feita pelos folhetos de que “uma benção” ou “uma prosperidade financeira, material ou emocional” lhes seriam dada. Alguns se frustravam e deixavam de ir, outros insistentemente permaneciam porque acreditavam que Deus só estaria na vida delas se elas fossem abençoadas materialmente e financeiramente, e só seriam abençoadas desta maneira se permanecessem na igreja. No demais, o descaso e a falta de amor deste homem que se orgulhava de entregar 2.000 folhetos às pessoas sem nunca ter falado com elas nada produzia a não ser prosélitos, provavelmente não convertidos. Se voltarmos em Atos, por exemplo, veremos que o único método que os crentes usavam e faziam isso com todo amor e paixão era o de pregar biblicamente às pessoas, mostrando a elas verdades bíblicas (Atos 2. 40) e Deus concedia os salvos (Atos 2. 41 - 47). Ora, tudo isso eles faziam com extrema paixão pelos pecadores. Paulo, para a igreja da Galácia, escreve que “sentia dores de parto por” por eles até Cristo ser gerado neles (Gálatas 4. 19), ou seja, o desejo de Paulo era que os crentes da igreja da Galácia se tornassem semelhantes à Cristo. Este é o objetivo da salvação (Romanos 8. 29). Portanto, cabe a nós nos compadecermos pela alma evangelizada, isto inclui também orar pela semente lançada. Richard Baxter foi muito feliz em proferir a frase: “Prego como se estivesse certo de jamais poder pregar outra vez, como um homem moribundo a homens moribundos”, pois ela expressa o que verdadeiramente deve acontecer no Evangelismo. Devemos pregar às almas como se fosse a ultima vez que teremos oportunidade de pregar à elas. Exatamente esta comoção pelo estado moribundo do pecado que deve nos fazer pregar com mais veemência e consciência de que essas pessoas precisam urgentemente se agarrar à Cristo. Isto reflete o segundo maior mandamento que é “amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22. 39) Paulo, escrevendo a Timóteo diz: “Prega a Palavra. Insta, a tempo e fora de tempo. Corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina” (II Timóteo 4. 2)
Evangelismo Bíblico
O puritano William Perkins escreveu o seguinte: "A nossa pregação precisa ser direta e evidente. É um dito comum entre nós: este foi um sermão direto. "Eu digo que quanto mais incisivo e simples for o sermão, melhor". Henry Smith, outro puritano, disse o seguinte: "Pregar de uma maneira direta, não é pregar de uma maneira dura e cruel". O significado de pregar de uma maneira “direta” aos olhos dos puritanos significa, nas palavras de Joel Beeke “pregar o sentido pleno das Escrituras de uma maneira tão clara que o homem mais simples possa entender o que esteja sendo ensinado, como se ele estivesse ouvindo seu próprio nome ser chamado”. O Evangelismo Bíblico difere totalmente do evangelismo moderno. O evangelismo moderno visa colocar o homem como centro de tudo, enquanto o evangelismo bíblico visa colocar apenas Cristo como centro de tudo e Deus acima de tudo. Ora, enquanto o evangelismo moderno busca usar táticas modernas para alcançar o pecador o Evangelismo Bíblico busca usar apenas a verdade bíblica como meio de alcançar o pecador. O que Pregar? Em Mateus 3.2 vemos João Batista pregando exatamente àquilo que devemos pregar “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”. Quando Jesus terminou seu jejum no deserto e foi para a Galileia pregou a mesma mensagem “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mateus 4. 17; Lucas 13. 3). No livro de Atos vemos o Apostolo Pedro (Atos 2. 38; Atos 3. 19 – 21) e o Apostolo Paulo (Atos 17. 30) pregarem sobre Arrependimento. A pergunta que fica é: O que nos faz pensar que devemos pregar outra mensagem? O evangelismo moderno infelizmente trouxe-nos a ideia de que, se queremos que os pecadores venham à Cristo não devemos confrontar os seus pecados. Ora, isto é completamente antibíblico, pois a mensagem do Evangelho é exatamente esta: “não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento.” (Lucas 5. 32). Um evangelho light, divorciado das Escrituras que não confronta os pecadores jamais pode conduzi-los ao arrependimento. O Evangelismo que prefere começar com “Jesus te ama e tem uma obra maravilhosa na sua vida” do que começar com “Arrependa-se de seus pecados” não pode ser chamado de evangelismo segundo as Escrituras. Há quem dirá “A palavra Evangelho significa boas notícias, então devemos pregar apenas coisas boas”, e eu confronto um ecoante “NÃO”. A palavra Evangelho significa “boas notícias”, isto sem dúvidas, mas vamos para a pergunta chave: “Como dar boas notícias a quem nunca ouviu falar primeiro das más notícias?” Ora, damos boas notícias a quem já ouviu falar das más notícias. Um bom exemplo é quando um médico da alta a seu paciente, mas antes dele ter dado alta o médico teve que mostrar ao paciente a doença que tinha e lhe mostrar o diagnóstico, este paciente adoeceu primeiro, ouviu do médico sobre a sua doença e só quando foi curado de sua doença é que o paciente pode ouvir do médico a alta médica. Perceba que as boas notícias foram dadas somente depois do paciente já ter recebido as más notícias e é desta maneira que deve ser o Evangelismo centrado nas Escrituras. Há quem diga que pregar o Evangelho em sua forma pura e simples de maneira direta como nos é apresentado pelos homens das Escrituras pode ser muito antipático às pessoas e desagradá-las e isto lhes causam medo. O pastor americano John MacArthur é muito feliz em responder esta objeção da seguinte maneira: “Nunca suavize o Evangelho. Se a verdade ofende, então deixe que ofenda. As pessoas passam toda sua vida ofendendo a Deus; deixe que se ofendam por um momento”. Paul Washer, pastor americano batista itinerante e administrador da Heart Cry Missionary Society, em sua pregação sobre “as 10 acusações contra a Igreja Moderna” não difere muito do MacArthur quando diz: “Ninguém jamais pode resistir a pregação do Evangelho! Ou eles se revoltarão contra você como animais furiosos ou eles serão convertidos.” Retirar o arrependimento, a ira de Deus e o juízo vindouro da nossa apresentação do Evangelho não é a melhor maneira de se pregar ao pecador, pelo contrário, é um erro crucial. Na nossa apresentação Cristo não pode ser limitado apenas a uma satisfação pessoal humana. Um evangelismo que apenas foca em apresentar a Cristo apenas como uma satisfação do homem nada mais faz do que produzir dezenas ou centenas de falsos convertidos, pessoas decididas por Cristo, mas que nunca experimentaram uma convicção profunda de pecado e o arrependimento pelos seus pecados, voltando-se à Cristo. O pastor Diogo Carvalho, líder do movimento “Caravana do Arrependimento” diz assim: “O que Deus nos ensinou pela Sua Graça é que não existe Salvação sem arrependimento, não existe arrependimento sem convicção de pecado e não existe convicção de pecado sem o confronto do pecador com a Lei Santa de Deus”.
  • A Lei como ferramenta Evangelística

    “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa, mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5. 20)
    Segundo o texto supracitado a Lei veio para evidenciar e ressaltar o pecado, assim a Graça de Deus faz sentido ao pecador. Ora, quem precisaria de um Salvador se não estivesse correndo perigo? Joel Beeke coloca nestas palavras: “Manejada pelo Espírito de Deus, a lei moral serve também uma função crítica na experiência de conversão. Ela disciplina, educa, convence, amaldiçoa. A lei expõe não só nossa pecaminosidade; ela também nos condena, pronuncia maldição sobre nós, declara-nos passíveis da ira de Deus e dos tormentos do inferno. “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei, para praticá-las” (Gálatas 3. 10). A lei é um duro feitor; ela não conhece misericórdia. Ela nos terrifica, nos tira de toda nossa retidão e nos conduz ao fim da lei, Jesus Cristo, que é nossa única justiça aceitável junto a Deus. “De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé (Gálatas 3. 24). Não que a lei em si possa nos levar a um conhecimento salvífico de Deus em Cristo. Pelo contrário, o Espírito Santo usa a lei como um espelho para revelar-nos nossa impotência e nossa culpa, confinar nossa esperança tão-somente na misericórdia, induzir-nos ao arrependimento, gerar e suster o senso de necessidade espiritual do qual nasce a fé em Cristo” Martinho Lutero, em seu comentário sobre Gálatas 2. 17 diz: “O uso e alvo próprios da lei é tornar culpados os que são presumidos e tranquilos, de modo que percebam que estão no perigo do pecado, ira e morte, de modo que sejam terrificados e desesperados, empalidecendo-se e estremecendo-se ao farfalhar de uma folha (Levítico 26. 36)... Se a lei é um ministério do pecado, segue-se que ela é também um ministério de ira e morte. Pois assim como a lei revela o pecado, também desperta a ira de Deus para com um homem e o ameaça com morte” (Luther’s Works 26. 148, 50) Calvino vai um pouquinho mais a fundo: “De sorte, a lei é como um espelho no qual contemplamos nossa incapacidade, depois contemplamos a iniquidade que resulta desta e, por fim, a maldição proveniente de ambas, exatamente como o espelho nos mostra as manchas de nosso rosto” (Institutas 2. 7. 6 – 7) Todos esses homens tiveram plena consciência de que a Lei é deveras importante para a conversão do homem, pois é ela quem vai mostrar a situação pecaminosa do indivíduo e vai reprova-lo. O puritano John Bunyan no livro “O Peregrino” ilustra isto muito bem quando, em sua parábola, o jovem Cristão estava na casa de Interprete e o Interprete conduz o Cristão a uma sala empoeirada na qual nunca tinha sido varrida antes, então o interprete pediu que um de seus criados varresse a casa. Quando o criado começou a varrer subiu uma poeira tão grande que o Cristão quase morreu asfixiado. O Interprete pediu para que uma jovem borrifasse água na sala, a jovem borrifou solucionando todo o problema. O cristão perguntava ao interprete “O que significa isso?” e o Interprete responde dessa maneira: “A sala representa um coração que nunca foi santificado pela doce graça do Evangelho; a poeira é o pecado original e a corrupção interior, que contamina todos os homens; o homem a quem vistes varrer é a lei, e a jovem que trouxe a água e borrifou na sala é o Evangelho. Certamente notaste, quando o primeiro começou a varrer, que se levantou tanto pó que foi absolutamente impossível continuar, e estavas quase morrendo sufocado: isto significa que a lei, em lugar de limpar os corações do pecado, torna a trazê-los mais a tona (Romanos 7. 9), dá-lhes força (I Coríntios 15. 16), e te faz sentir medo com toda sua alma (Romanos 5. 20), ao mesmo tempo que o denuncia e o prescreve, sem dar a força necessária para o vencer. O fato de ter sido possível varrê-lo e limpá-lo depois de o ter a jovem regado, significa que, quando o Evangelho entra no coração, vence e subjuga o pecado com a sua doce e preciosa influência. Limpa a alma que nEle crê e torna-a digna de ser habitada pelo Rei da Glória (João 15. 3; Romanos 3. 25 - 26; Efésios 5. 26; Atos 15. 29).” Para todos esses homens a Lei, então, é de extrema importância no Evangelismo e isto reflete claramente a Palavra de Deus. Paulo, em Romanos 7. 7 diz: “Que diremos, pois? É a lei pecado? De maneira nenhuma! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois eu não teria conhecido a cobiça, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” Ora, em outras palavras, o que Paulo está querendo dizer é que ele nunca iria saber que ele quebra o 10º Mandamento se ele não existisse. Da mesma maneira, como saberíamos da existência do pecado sem uma lei? Como saber que tal pratica é errada se não existe uma lei que diga que tal prática é errada? A Bíblia diz que “Todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei; de fato, o pecado é a transgressão da Lei” (I João 3. 4). Usando a Lei (Os 10 Mandamentos) podemos apontar o pecado do pecador. No sermão do monte Cristo usou a Lei explicando o significado verdadeiro e espiritual dela: “Ouvistes o que foi dito aos antigos: “Não matarás”; e: “Quem matar estará sujeito a julgamento”. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento em tribuna; e quem lhe chamar “Tolo”, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mateus 5. 21 – 22), mais a frente Jesus também diz: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu porém vos digo que qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (v. 28).
  • Conduzindo o pecador até chegar á Lei
    A lei, portanto, deve ser usada como ferramenta de Evangelismo. Eu costumo dizer que o ápice do Evangelismo é quando a conversa chega definitivamente na Lei. Quando iniciamos uma argumentação com uma pessoa devemos conduzir nossa conversa até chegarmos a Lei de Deus. É aqui que começa o Evangelismo. Eu, particularmente, gosto de iniciar a conversa com o texto de Hebreus 9. 27: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” . Logo depois vou conduzindo a conversa. Geralmente, durante a conversa, faço perguntas a pessoa se ela se considera uma “pessoa boa”. As incríveis respostas que obtenho são: “Sim, sou uma pessoa boa!”. Quando eu pergunto o porque a pessoa geralmente responde sempre esta resposta: “Porque eu nunca matei, nunca fiz mal a ninguém, nunca roubei”. Com base nisso prossigo a conversa até chegarmos na Lei. Para quem tem dúvidas sobre a Lei que me refiro ela se encontra em Êxodo 20, ou seja, os 10 Mandamentos. Segue aí embaixo um resumo da lei:

    1 – Não terás outros deuses diante de mim 2 – Não farás para tí imagem de esculturas 3 – Não tomarás o Santo nome do Teu Deus em vão 4 – Lembra-te do Sábado para a santifica-lo 5 – Honra teu pai e tua mãe 6 – Não matarás 7 – Não adulterarás 8 – Não furtarás 9 – Não dirás falso testemunho 10 – Não cobiçarás
    Com base nestes 10 mandamentos eu mostro o quão pecador é a pessoa com quem converso. A partir daqui, o resto do trabalho é do Espírito Santo que convence o homem do “pecado, da justiça e do juízo” (João 16. 8). Então, conduzo o homem a passagens que mostram que o não cumprimento desta Lei revela uma impiedade no homem e esta impiedade será condenada por Deus. Apresentando, assim, o problema do pecador e ás más notícias.
  • Conduzindo o pecador convicto até chegar à Cristo
  • Por fim, tendo apresentado ao pecado ás más notícias agora apresento a ele as boas notícias. O texto que mais amo citar é este: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando na cruz” (Colossenses 2. 13 – 14) É tendo consciência do pecado que agora devemos apresentar à Cristo e sua Obra expiatória. O paciente tendo consciência das más notícias e da doença é que o médico agora pode apresentar a ele as boas notícias e a alta. A intenção é que o pecador se agarre a Cristo, assim como alguém que está se afogando em um grande mar se agarra a uma boia quando é jogada a ele, pois é sua segurança de salvação. O pecador precisa se render à Cristo e, do íntimo de seu coração, crer em Cristo (João 3. 18) com jubilosa alegria. Isto é trabalho do Espírito Santo, mas o seu trabalho de expor com clareza e simplicidade a Verdade Bíblica da Salvação é deveras importante. Uma criança precisa entender o que é dito à elas. A verdade mais maravilhosa de todas é essa: “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (I Coríntios 15. 3, 4)
    Conclusão
    Ora, o Evangelismo se faz mais do que necessário. É a nossa missão como cristãos e seguidores de Cristo. O “Ide” não deve ser restringidos apelas ao âmbito de missões transregionais, mas deve ser cumprido por todos os crentes à toda oportunidade de pregação da Palavra de Deus aos homens perdidos. Ora, feliz foi Dick Hills em afirmar: "Cada coração com Cristo é um coração missionário, e cada coração sem Cristo é um campo missionário". Este trabalho deve ser feito com o maior zelo e cuidado possível, pois é a obra e vontade de Deus. Que Deus, em sua infinita misericórdia, tenha usado deste meu humilde estudo para esclarecer algumas coisas a respeito desta que é a tarefa primordial da Igreja de Cristo, de todos os crentes como um todo, devemos anunciar a Palavra de Deus com fervor para a eterna Glória de Deus.
    Soli Deo Gloria

1 comentários:

Lu disse...

Olha que maravilhoso texto sobre evangelismo. Os pastores deveriam ter seus pensamentos voltados à essa obra que é totalmente relevante para a igreja, depois d o ensino da Palavra .

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