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5 de janeiro de 2016

Corajoso, Leite evita o populismo ao cortar fogos e verba do Carnaval

Num ano de crise, o prefeito preferiu transferir a verba das festas para a saúde

Leite: decisão racional
Como sempre, as opiniões da sociedade se dividem diante das decisões oficiais. Tem sido assim, por exemplo, com relação à suspensão pelo prefeito Eduardo Leite da queima de fogos na virada deste ano e à redução dos subsídios oficiais concedidos habitualmente para as hoje 35 entidades carnavalescas (escolas e blocos) desfilarem na passarela oficial.
O prefeito justificou suas decisões com o argumento da crise econômica pela qual passa o País e a consequente instabilidade dos repasses federais e estaduais aos municípios, o que poderia comprometer a execução de obras vitais, como a construção de Unidades de Pronto Atendimento, se o Município não evitasse desperdícios.
Em vez de torrar mais de R$ 100 mil em 20 minutos de fogos espoucando no céu e mais R$ 1,8 milhão em quatro dias de Carnaval, Leite preferiu transferir os cerca de R$ 2 milhões para a Saúde, área sempre necessitada. 
Nos dois casos, o tucano agiu de forma rara, provavelmente inédita por essas bandas. Fosse ele populista, escolheria não desagradar parte da população, com medo de perder votos. 
É difícil imaginar outro prefeito com a mesma coragem que ele demonstrou nos dois episódios. É provável que Leite tivesse em mãos alguma pesquisa medindo o impacto de suas decisões. De qualquer modo, evitou o populismo e arriscou desagradar uma parcela da sociedade, certamente apostando que ela o compreenderia. 
TENTATIVA DE DIÁLOGO CORTADA
No caso do Carnaval, a prefeitura não abandonou as entidades carnavalescas. Ofereceu a elas R$ 300 mil para a festa em 2016, pensando em fazer um bonito barato neste ano atípico de contenção financeira. Mas a associação de carnavalescos não aceitou aquela quantia, preferindo protestar contra o corte de R$ 1,8 milhão na verba habitualmente liberada pelo Município para a festa - no ano passado, a prefeitura destinou R$ 2,1 milhões para escolas e blocos para custear toda a logística técnica e de pessoal. 
Os carnavalescos prometem fazer em 2016 eventos pontuais por sua própria conta, o que pode se revelar uma experiência positiva e ponto de partida, quem sabe, para um Carnaval futuro realmente profissional e não mais dependente de verba da prefeitura. 
FOGOS
No caso do corte dos fogos de artifício neste ano, Leite tomou uma atitude politica e ambientalmente correta. Não é uma discussão local. Na Itália, por exemplo, prefeitos de várias cidades importantes têm cancelado os fogos de fim de ano para evitar terror aos animais, que, assustados com o foguetório, fogem apavorados, morrendo atropelados, provocando acidentes no trânsito e abandonando em revoada os ninhos.
O veterinário Wilson Grassi diz que, entre os animais, os pássaros são os mais sensíveis ao estresse. "Luzes e sons altos podem levá-los à morte. Vários relatos dão conta de pássaros caídos das árvores, mortos ou atordoados, após a soltura de fogos. Há notícias de 5000 pássaros mortos no Arkansas após um evento. No Brasil, há alguns anos, uma testemunha descreveu um tapete verde formado de periquitos caídos, após uma festa religiosa no Pará", diz o veterinário. 
"Já os cães sofrem surtos de pânico. Com audição bem mais sensível que a nossa, percebem os estouros com maior intensidade. Alguns tentam pular janelas, quebram vidraças e se machucam em lanças de portões. Os plantões de final de ano nas clínicas veterinárias 24 horas falam por si", acrescenta Grassi.
Outro motivo para a contrariedade em relação aos fogos é a perplexidade sensorial que produz nas crianças, sobretudo bebês. Têm aderido à proibição aos fogos na Itália as prefeituras de Turim, Milão, Veneza e Modena, no norte do País, e Bari, no sul.
Além disso, ao contrário de grandes cidades, como Rio de Janeiro, Sydney, Nova York, Paris, o foguetório não traz divisas a Pelotas em termos de turismo. Mais: mesmo que a cidade fosse uma metrópole, o uso impróprio de explosivos causa a cada ano milhares de ferimentos em adultos e crianças, com danos mais graves nas mãos e no rosto, amputações de membros e perda de visão.
QUEIMAR FOGOS É PRA QUEM PRECISA MOSTRAR PODER
"Queimar fogos de artifício é próprio de quem precisa demonstrar poder. Ver os fogos é típico de quem ainda se deslumbra infantilmente com o poder dos fogueteiros. Se você não está acertando nenhum tiro na vida política, manda dar uns tiros pra cima e dá a impressão de que algo acontece na comunidade", acredita o jornalista Geraldo Hasse.
"Dizem que os fogos de artifício foram inventados pelos chineses. Faz sentido, pois eles inventaram a pólvora. Mas, mil anos depois, por que diabos precisamos dessa metáfora antiecológica em nossas vidas poluídas pela violência, miséria e insegurança? (...) Tudo isso me faz lembrar a frase do general Osório no fim da vida: 'O dia mais feliz da minha vida seria aquele em que me viessem dizer que todos os povos do mundo entraram em confraternização, destruindo todos os seus arsenais'".

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3 comentários:

Pb. José Roberto da Rocha disse...

sempre que leio uma reportagem como esta,ela é redigida da seguinte forma: O prefeito tal, de tal partido e de tal cidade e estado...coisa que não se ver neste post.Que troço mal elaborado,parece me que foi feito somente para quem conhece o prefeito Leite, que deve ter vindo de algum curral!

disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
disse...


O post diz que ele é Tucano. Esta bem claro. Sempre que se escreve um artigo sobre políticos se da a Biografia do político e o partido a qual pertence. É natural isso. Mas acho que te incomodou porque tu deves fazer parte do curral eleitoral da quadrilha petista que sempre usou o populismo pra arrecadar votos. Rssss Foi só citar que o prefeito é tucano e não faz populismo que logo incomoda. Rss

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