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25 de fevereiro de 2016

GUEST POST: CRISTÃ E FEMINISTA, GRAÇAS A DEUS

Simony é cristã e, segundo ela, sempre teve uma educação machista. "Há um tempo venho me aproximando dos ideais feministas, por causa de pessoas como você", diz. 
Ela, que tem um blog, escreveu sobre essa relação entre sua religião e o feminismo.

Chamo-me Simony, sou cristã e vou contar um pouco da minha aproximação com o feminismo. Minha igreja é de tradição reformada e, na nossa história, temos um exemplo de que nem sempre nos ensinam tudo o que devemos saber: Lutero. Martinho Lutero foi um dos pais da Igreja Reformada e após ler a Bíblia atentamente se deparou com um texto bíblico de Romanos 17:1: "O justo viverá pela fé".
Durante toda a sua vida, Lutero não sabia qual era o verdadeiro sentido da graça de Deus; ele (e tantos outros católicos) achava que devia fazer coisas para alcançar a salvação. A Igreja Católica se dava bem com isso: as pessoas compravam a saída do purgatório para parentes que já haviam morrido, um terreno no Céu, uma absolvição de um pecado, uma graça desejada. Essa prática configurava as famosas indulgências.
Em que a história de Martinho Lutero tem relação com a minha recente aproximação com o feminismo? Pois bem, durante toda a minha vida eu tive uma educação repressora e castradora, e não falo de vida sexual, apenas, mas de tudo. A mulher tem que se dar o valor; se o lar está destruído foi a tola que destruiu; a mulher tem que ser submissa ao homem; a mulher não pode ter cargos importantes na Igreja, etc (na minha denominação apenas muito recentemente as mulheres puderam ser ordenadas Pastoras). 
Qualquer fé que põe homens acima
de mulheres é uma fé mal orientada
De um tempo para cá comecei a ler a Bíblia com uma atenção para a participação das mulheres e, ainda, sobre os textos que eram utilizados para justificar a opressão da mulher na igreja. A minha nova visão da fé foi libertadora. Passei a ver que, na verdade, a minha fé não fundamentava o que me ensinaram, mas o fundamento de tanta opressão era a interpretação (e descontextualização) que os líderes da igreja davam para a Bíblia.
Há muitos livros que
falam de feminismo e
cristandade. Eu que
não conhecia!
Passei a desconfiar da manipulação que faziam dos textos bíblicos para calar as pessoas, principalmente as mulheres. Comecei a perceber que a “mansidão” (que para mim é, na verdade, uma apatia desejável para a manutenção das relações de poder dentro da Igreja) só servia para um lado da relação: os oprimidos -- para a mulher ou o pobre que não concordava com alguma coisa na Igreja. Ou seja, para atacar o “pecado” utilizavam o texto em que Jesus expulsava os vendedores do templo. Quando uma mulher se levantava para denunciar um machismo sofrido no lar ou um desrespeito de um irmão da igreja, utilizavam o texto que devíamos ser mansos como Cristo.
Comecei a me perguntar: quando eu teria o direito de expulsar os machistas da minha vida, como Cristo expulsou os mercadores da sinagoga? Passei a me perguntar: por que alguns podiam ser agressivos e outros (ou melhor, outras) não? Passei a me perguntar: por que minha igreja nunca tinha tido, e ainda não teve, uma presidente mulher? 
"Eva foi incriminada": capa da
revista Life em 1971
Por que a maioria dos conselhos das igrejas é formada por homens (poucos têm mulheres na sua formação)? Se, quando Jesus apareceu após a ressurreição, se apresentou para uma mulher (Maria Madalena). Se foi uma mulher (Débora) que dirigiu Israel quando Baraque teve medo da guerra. Se duas mulheres (Eunice e Loide) foram consideradas exemplo de fé, segundo Apóstolo Paulo… Sem contar outras histórias de mulheres que devem ter sido silenciadas nesses milhares de anos.
Jesus me fez feminista
Descobri que a minha fé não é machista, foi a religião que a fez assim. Acredito no casamento cristão, no sacrifício de Jesus e em todas as coisas que têm na Bíblia, mas fui liberta de regras que homens colocaram para nós, mulheres, por causa de relação de poder e não por causa de Deus! Ao me aproximar do feminismo, aprendi que a minha fé não deve me aprisionar e nem ao próximo, que não acredita nela. 
Aprendi que Jesus jamais julgaria alguém com credo ou condutas diferentes da Dele (acreditem, li a Bíblia toda e não há um momento sequer que Jesus julga a fé alheia ou o comportamento, todas as exortações de Cristo eram para as pessoas que compartilhavam a fé Dele). O feminismo me possibilitou entender melhor o mundo e a amar, independentemente de quem ou quando, exatamente como o amor de Cristo. 
Camiseta que existe de verdade:
Jesus ama uma feminista
Voltando à história de Lutero, ele descobriu que os líderes da Igreja manipulavam as pessoas com meias verdades e, até, com algumas mentiras. Eu descobri que o machismo incrustado dentro da igreja é o que aprisiona e causa sofrimento às mulheres. A partir de então, digo que a verdade é o caminho para a verdadeira libertação. E como nós nos libertamos? Quando desconfiamos de uma verdade que causa opressão e buscamos a verdade do amor e da igualdade!
E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8, 32).

1 comentários:

tatielle disse...

Também adorei o blog :3 ele é muito fofo e inspirador. Eu escrevo um blg chamado Ela Já Foi Verão, sou cristã e nele escrevo entre diversos temas, entre eles devocionais e sobre relacionamentos. Os convido a visitar meu cantinho. Beijos http://www.elajafoiverao.ga/

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