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Centrão e PMDB dão 400 votos a Temer na Câmara Bloco reúne deputados de 13 pequenos e médios partidos e apoia qualquer medida a ser enviada pelo presidente interino ao Congresso, inclusive mudanças na Constituição

Temer terá na Câmara uma das mais numerosas bases de apoio das últimas décadas


Maior bloco parlamentar já formado na Câmara desde a Constituinte de 1988, o centrão prometeu ao presidente interino Michel Temer o apoio de 350 deputados. Formado por 13 pequenos e médios partidos, o agrupamento está disposto a aprovar qualquer medida enviada pelo Palácio do Planalto ao Congresso, inclusive mudanças na Constituição. Junto com o PMDB, que tem uma bancada de 75 deputados, o conglomerado partidário deve garantir pelo menos 400 votos ao governo na Casa, já contabilizadas as dissidências.
Entre as prioridades do centrão está a extinção do Fundo Social. Criado em 2010 pelo Congresso em acordo com o então primeiro governo petista da presidente afastada Dilma Rouseff, o fundo é uma espécie de poupança administrada pelo Executivo e mantida pelos royalties e participações especiais a que a União tem direito, por lei, na exploração do pré-sal. Hoje, o fundo tem um saldo estimado em R$ 2 bilhões que o governo mantém no BNDES e que Temer pretende utilizar para equilibrar as contas públicas e tocar algumas obras, como a Transposição do rio São Francisco. O centrão já avisou que votará a favor.
O centrão decidiu, por exemplo, reduzir o número de interferências de deputados nas votações dos vetos do Executivo, em sessões do Congresso. O objetivo era limpar a pauta com a definição sobre os vetos presidenciais para que a nova meta de déficit de R$ 170,5 bilhões começasse a ser votada, como exigia a pressa de Temer. Compõem o grupo legendas como o PP, PSD, PTB, PSB, SDD, PRB, PTN, PR e outros conhecidos.
Formado por antigos e novos deputados, a grande maioria desconhecida, o centrão também está disposto a aprovar a reforma da Previdência cogitada pelo governo. Com exceções de parlamentares trabalhistas que já estão sendo convencidos sobre a necessidade da mudança, o bloco também já se definiu a favor de temas como privatizações de aeroportos e estradas, para reduzir o tamanho do Estado.
Com 350 deputados, sozinho o centrão pode aprovar até emendas constitucionais de interesse do governo, que exigem 308 votos. “Nosso único objetivo é garantir a governabilidade e garantir a recuperação da economia”, disse Rogério Rosso (PSD-DF), um dos coordenadores do grupo.
Maranhão
O centrão conseguiu afastar das sessões plenárias da Câmara o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), considerado um empecilho ao governo porque foi contra o impeachment da presidente Dilma. Em outras palavras, ele é identificado como oposicionista, apesar de pertencer a um partido que compõe o grupo e está na base de apoio parlamentar do presidente interino.
Em reunião na noite da segunda-feira (23), os coordenadores do centrão pressionaram e conseguiram fazer com que Maranhão aceitasse transferir informalmente ao segundo vice-presidente da Casa, Fernando Giacobo (PR-PR), a coordenação dos trabalhos em plenário. Na ausência de Giacobo, o substituto acionado para substituir Maranhão é o primeiro secretário Beto Mansur (PRB-SP).
Para convencer o presidente interino da Casa, o centrão ameaçou cassar o mandato de Maranhão por quebra de decoro por causa de decisão que anulou  – no dia seguinte, ele desfez o ato – a sessão da Câmara do dia 17 de abril que aprovou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma. O centrão tem maioria no Conselho de Ética e no plenário, o que lhe garante número suficiente para mandar Maranhão de volta para casa e com direitos políticos suspensos por oito anos.
Peso
A força do centrão já foi percebida por Temer e pelas bancadas de partidos tradicionais, com o PMDB, DEM e PSDB, na imposição do deputado André Moura (PSC-SE) como novo líder do governo na Câmara. O grupo também conseguiu eleger o presidente da Comissão Mista de Orçamento, Arthur Lira (PP-AL).
Até o final do ano o centrão quer encorpar a candidatura de um dos seus líderes, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO), à Presidência da Câmara na eleição de fevereiro de 2017. Antes, porém, quer livrar da cassação por quebra de decoro o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

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Informação do Jornal da Cidade