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3 de maio de 2016

Janot pede ao STF para investigar Aécio, Cunha e Edinho na Lava Jato


Também quer incluir acusações a Renan, Jucá e outros da cúpula do PMDB.
Pedidos de inquérito se baseiam na delação do senador Delcídio do Amaral.



O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para abrir quatro novos inquéritos para investigar políticos na Operação Lava Jato com base na delação premiada do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS).

Os pedidos foram protocolados na última sexta-feira (29), mas devem ser cadastrados no sistema do tribunal somente na tarde desta segunda (2).

O procurador quer abertura de quatro inquéritos para investigar:
- o senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG);
- o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ);
- o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva (PT-SP), que atuou como tesoureiro da campanha presidencial do PT em 2014;
- o ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS) e o ministro do Tribunal de Contas da União(TCU) Vital do Rêgo.

Os pedidos de abertura de inquérito ainda precisam ser analisados pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo.
Da esquerda para a direita, no alto: Jucá, Cunha, Aécio, Renan e Edinho Silva; abaixo: Raupp, Vital do Rego, Jader, Maia e Lobão (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado; Adriano Machado/Reuters; Pedro França/Agência Senado; Jefferson Rudy/Agência Senado; Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados; Marcos Oliveira/Agência Senado; Moreira Muniz/Agência Senado)Da esquerda para a direita, no alto: Jucá, Cunha, Aécio, Renan e Edinho Silva; abaixo: Raupp, Vital do Rego, Jader, Maia e Lobão (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado; Adriano Machado/Reuters; Pedro França/Agência Senado; Jefferson Rudy/Agência Senado; Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados; Marcos Oliveira/Agência Senado; Moreira Muniz/Agência Senado)


Aécio, Marco Maia e Vital do Rêgo ainda não são investigados pela Lava Jato. Se Teori Zavascki autorizar, será o primeiro inquérito contra eles.

Edinho SIlva já é alvo de um inquérito baseado na delação premiada do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa. Esse poderá ser o segundo inquérito contra o ministro da Comunicação Social na Lava Jato.

Réu em uma das ações penais em tramitação no Supremo que investigam o esquema de corrupção que atuava na Petrobras, Eduardo Cunha é alvo de outros quatro inquéritos da Lava Jato. Esse seria o sexto procedimento da Procuradoria Geral da República contra o presidente da Câmara.

Além dos quatro pedidos de abertura de inquérito, Janot também pediu ao STF autorização para incluir em nove inquéritos já instaurados citações feitas por Delcídio do Amaral a integrantes da cúpula do PMDB – Edison Lobão (MA), Valdir Raupp (RO), Renan Calheiros (AL), Romero Jucá(PE) e Jader Barbalho (PA). Entre os inquéritos está o principal da Lava Jato, que apura se houve uma quadrilha para fraudar a estatal do petróleo.

Os cinco integrantes do PMDB foram citados por desvios no Ministério de Minas e Energia e na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

O que dizem os suspeitos


Em nota divulgada por sua assessoria, Aécio afirmou que considera "absolutamente natural e necessário" que as investigações sejam feitas.

Segundo o parlamentar tucano, a apuração irá demonstrar, "como já ocorreu outras vezes, a correção da sua conduta" (leia ao final desta reportagem a íntegra da nota).

"Como o próprio senador Delcídio declarou recentemente, as citações que fez ao nome do senador Aécio foram todas por ouvir dizer, não existindo nenhuma prova ou indício de qualquer irregularidade que tivesse sido cometida por ele. Trata-se de temas antigos, que já foram objetos de investigações anteriores, quando foram arquivados, ou de temas que não guardam nenhuma relação com o senador", diz trecho do comunicado divulgado por Aécio.

Ao Jornal Nacional, o deputado Eduardo Cunha afirmou que o procurador-geral da República continua despudoradamente seletivo em relação ao presidente da Câmara. E que se o critério fosse a delação do senador Delcídio, o procurador deveria ter aberto inquérito para investigar a presidente Dilma Rousseff, citada pelo senador por práticas de obstrução à Justiça.

Também por meio de nota, Edinho Silva disse que é "favorável à apuração de todos os fatos" com relação à atuação dele como tesoureiro da campanha de Dilma na eleição de 2014.

"Sempre agi de maneira ética, correta e dentro da legalidade. As afirmações do senador Delcídio Amaral são mentiras escandalosas. Jamais orientei o senador a "esquentar" doações, jamais mantive contato com as mencionadas empresas, antes ou durante a campanha eleitoral. As doações para a campanha de Dilma Rousseff em 2014 estão todas declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral, bem como seus fornecedores. As contas da campanha foram todas aprovadas por unanimidade pelos ministros do TSE", destacou o ministro da Comunicação Social na nota.

O senador Valdir Raupp afirmou, por meio de nota, que "jamais fez indicações políticas para o setor elétrico e que as acusações do senador Delcídio Amaral são mentirosas e descabidas".

A assessoria de imprensa do senador Romero Jucá afirmou que ele não nomeou ninguém para cargos na Eletronorte e que não autorizou ninguém, em seu nome, a tratar de qualquer assunto. "O senador reitera que estará sempre disponível à Justiça para qualquer esclarecimento", diz nota.

A defesa do senador Edison Lobão disse ao Jornal Nacional que as acusação são feitas como uma tentativa de criminalizar a questão política, sem qualquer fato relevante que preocupe.

O senador Renan Calheiros classificou a delação de Delcídio como um "delírio" e afirmou que está à disposição para esclarecimentos.

Jader Barbalho disse que foi citado na delação apenas como um nome influente no Senado, sem vinculação com negócios ou contratos.

G1

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