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31 de maio de 2016

Misandria na Psicologia – Parte 4: CMNI – Normas de Comportamento Masculino

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Esta é a quarta e última parte de uma série de quatro artigos produzida pelo psicólogo Tom Golden. As três primeiras partes podem ser vistas aqui: parte 1 – parte 2 – parte 3

Artigo original aqui.
Tradução: Aurélio Jaguaribe
O último estudo que examinaremos nesta série é o Inventário de Conformidade com as Normas de Comportamento Masculino (Conformity to Masculine Norms Inventory – CMNI, no original). (Developmento of the Conformity to Masculine Norms Inventory, publicado em Psychology os Men & Masculinity, vol. 4(1), janeiro de 2003, ps. 3-25).
Esse inventário tem como objetivo avaliar o grau em que os homens agem de acordo com aquilo que consideram como normas de comportamento masculino em nossa cultura.
O primeiro problema que encontrei nesse inventário foram os comportamentos escolhidos para definir as normas de masculinidade, que em nada se parecem com as normas de comportamento masculino do mundo real. Eis a lista daquilo que o inventário define como normas de comportamento masculino:
Poder sobre as mulheres;
Violência;
Desprezo por homossexuais;
Devassidão;
Competição;
Controle sobre as emoções;
Comportamento de risco;
Autoconfiança;
Priorizar o trabalho;
Busca por status;
Dominação.
São os quatro primeiros itens que eu considero mais incompatíveis com a realidade: poder sobre as mulheres, violência, desprezo por homossexuais e devassidão. Eu simplesmente não consigo vê-los como normas para a masculinidade em nossa cultura. Na verdade, eles parecem mais estereótipos negativos, o que não ficaria nada bem em um trabalho profissional. Minha reação inicial foi achar que eles estavam pintando a masculinidade de uma forma muito pobre e caricata. Essas “normas” são claramente carregadas d significado negativo. Por que os autores escolheram palavras tão negativas para definir a masculinidade? Estariam eles declarando que esses comportamentos são normas para a masculinidade, de maneira geral?
O estudo claramente declara analisar a reação às normas masculinas da cultura dominante dos Estados Unidos. Ele diz:
“O inventário foi realizado para avaliar em que medida um indivíduo age ou deixa de agir de acordo com as ações, pensamentos e sentimentos que refletem as normas de comportamento masculino na cultura dominante na sociedade americana” (p. 5, Development of the Conformity to Masculine Norms Inventory).
Isso soa muito mais como se eles estivessem examinando normas genéricas. O artigo também declara:
“As normas de gênero somente vigoram quando as pessoas observam o que a maioria dos homens ou mulheres fazem em situações sociais, dizem o que é aceitável ou inaceitável para homens ou mulheres e observam como homens ou mulheres populares agem” (p. 3, Development of the Conformity to Masculine Norms Inventory).
Então eles estão afirmando que violência, poder sobre as mulheres, desprezo por homossexuais e devassidão são normas para os homens nos Estados Unidos e que eles são encorajados a agir de acordo com esses comportamentos? Parece uma afirmação muito estranha, uma vez que as normas ditadas aos homens geralmente são baseadas em ideias como provisão e proteção. Muitas das mensagens normativas recebidas pelos homens incluem “nunca machuque uma garota” ou outros imperativos que dizem o oposto do que esse inventário está definindo como normas culturais masculinas.
O CMNI não reivindica nesse estudo aspectos canônicos das normas masculinas, mas declara estar interessado em normas masculinas básicas, conforme descrito acima. Este é um caminho bem simples, mas o pesquisador entra em uma reviravolta e diz que as normas que o inventário estuda são apenas as normas de homens brancos heterossexuais das classes média e alta. A razão, de acordo com o pesquisador, é que esses homens brancos são o grupo “dominante” e que, por isso, os outros homens são por eles influenciados. Portanto, este estudo não é somente sobre normas masculinas nos Estados Unidos, é especificamente sobre as normas de homens brancos heterossexuais de classe média e alta. Aqui está uma explicação para o artigo:
“Tais aspectos foram escolhidos porque Mahalik (o pesquisador) acredita que as normas de gênero dos grupos sociais mais dominantes na sociedade afetam não só as experiências desse grupo, como também as de todos os outros grupos. Dessa forma, as regras de masculinidade construídas por caucasianos heterossexuais de classes média e alta afetam membros desse grupo e ainda todos os outros homens na sociedade americana, que são avaliados de acordo com essas normas e experimentam a aceitação ou rejeição da maioria, em parte baseada na aderência às normas de masculinidade do grupo dominante” (ps. 5-6).
Esse inventário parece assumir que as normas seguidas por homens brancos heterossexuais de classes media e alta impactam o restante dos homens em nossa cultura. Isso me parece um pouco incoerente quando você olha para aquilo que os homens jovens estão buscando ou seguindo. Parece-me que o hip-hop e as gírias, linguagens, roupas e comportamentos dos homens negros estão tendo um impacto muito maior nos homens jovens que os homens brancos de classe média e alta. Além disso, as taxas de violência não são muito maiores entre negros do que entre brancos? Não são os crimes violentos muito mais comuns entre classes socioeconômicas mais baixas do que entre as classes média e alta? Se isso estiver correto, por que eles estariam definindo a violência como norma entre homens brancos de classe média e alta? Isso não faz sentido.
Assim, o inventário diz claramente não estar tentando padronizar as normas de todos os homens, mas está buscando isolar as normas de um gruo bem específico, o dos homens brancos heterossexuais das classes média e alta dos Estados Unidos, e então o rotula de maneira bastante negativa. Isso está começando a me lembrar da forma como os homens brancos são separados na TV como recipientes de ataques e humilhação, ao passo que evitam qualquer tipo de comentário negativo sobre mulheres, gays, negros ou outros grupos de homens.
Vamos analisar as quatro “normas” que me parecem mais incoerentes nesse inventário.
Violência
É a violência uma norma para a masculinidade? Eu acho que não. Em 2008, 99,82% dos homens nos Estados Unidos não foram presos por crimes violentos. Isso nos deixa 0,18% que foram. Isso está longe de ser uma norma. Dos homens que você conhece, quantos são violentos? E quanto ao seu pai, irmão, sobrinhos ou qualquer outro parente do sexo masculino, eles são violentos? Provavelmente não. E, se eles forem, você segue esses comportamentos violentos? Eles são os modelos que você gostaria de seguir? Dizer que a violência é uma norma de comportamento masculino em nossa cultura demonstra uma atitude de ódio contra os homens e a masculinidade. Na realidade, a violência ocorre justamente quando o homem não segue os papeis determinados a ele. O papel masculino tradicionalmente é associado a provisão e proteção. Os homens são, algumas vezes, violentos enquanto estão protegendo outros? Sim. Mas isso está longe de agrupar todos os homens em uma norma de violência. Embora ALGUNS homens sejam violentos, não, a violência não é uma regra para os homens em geral e afirmar que violência é uma norma masculina vai além de ser antimachismo e passa a ser uma atitude de ódio contra os homens e a masculinidade em geral.
Tente imaginar se nós criássemos uma escala de normas para as mulheres. Nós sabemos que mulheres cometem agressões contra crianças muito mais que os homens e que as mulheres são as que mais iniciam a violência em relacionamentos íntimos. Sabendo disso, poderíamos em nossa escala de normas que mulheres são agressoras de crianças e de parceiros íntimos? ou que mulheres são violentas? Claro que não, e alguém que tentasse fazer isso provavelmente seria ridicularizado. Uma porcentagem muito pequena das mulheres comete agressão contra crianças ou iniciam violência doméstica. Em 2001, 243.000 mulheres foram presas por violentar crianças em uma população, na época, de cerca de 143 milhões que não foram. Mais especificamente, 17%: basicamente, a porcentagem de mulheres agressoras per capita é a mesma de homens acusados de crimes violentos; entretanto, nós nem sonhamos em dizer que agredir crianças é uma norma de comportamento feminino. Então, por que ninguém contesta quando um pesquisador faz o mesmo com os homens e até mesmo com os meninos? Essa medida desigual, a meu ver, é uma forte indicação de misandria.
Desprezo por homossexuais
Alguns homens e algumas mulheres com certeza discriminam homossexuais, mas pode-se dizer que isso é uma característica definidora da masculinidade? Mais uma vez, se isso fosse sobre mulheres, os infratores seriam considerados loucos. A ideia de que a maioria dos homens despreza os homossexuais é completamente ridícula. Sugerir ou definitivamente reivindicar que esse tipo de característica é representativa de um grupo de nascimento é, mais uma vez, misândrica.
Poder sobre as mulheres
A parte do poder sobre as mulheres é tão impressionante quanto as outras duas. Onde estão os dados mostrando que a maior parte dos homens tem a tendência de querer poder sobre as mulheres ou que esse comportamento é tão comum a ponto de ser considerado uma norma? Eu não encontrei nada que sustentasse essa ideia. Esse até pode ser o caso de uma pequena minoria em nada diferente das mulheres que agridem crianças mencionadas anteriormente, mas esse comportamento está longe de ser frequente a ponto de ser normativo. Provavelmente, há alguns homens que querem poder sobre as mulheres, assim como há alguns que são violentos, mas eu não encontro razões para dizer que a maioria dos homens é assim. Declarar que um grupo de nascimento deseja ter poder sobre outro grupo de nascimento é adentrar um terreno duvidoso. Isso me parece outra forma de envergonhar e estereotipar os homens. Outra vê, não há evidência para sustentar a afirmação.
Devassidão
Ser sexualmente devasso é uma norma para os homens? Há aqui o mesmo problema que nos casos anteriores. Sim, alguns homens estão interessados em vários relacionamentos e seguem um comportamento sexual promíscuo, mas isso é uma norma para todos os homens?Eu definitivamente discordo disso.
Escrevi para o autor desse inventário, James Mahalik, perguntando-lhe sobre essas quatro “normas” e as razões para sua inclusão no inventário. Ele me indicou o artigo da revista aqui discutido, alegando que o artigo poderia me explicar. Voltei a lê-lo e não fiquei surpreso ao ver que a única referência à forma como essas normas podem ter aparecido era uma lista de artigos que datam de 1975 a 1995 e que Mahlik alegou terem sido utilizados como sua referência bibliográfica. Uma delas citou um livro de I. M. Harris escrito em 1995 e intitulado “Messages Men Hear: Constructing Masculinities” (“Mensagens que os homens ouvem: construindo masculinidades” em livre tradução). Eu encontrei o livro e descobri que “promiscuidade sexual” era uma das normas mencionadas no livro. Na verdade, ela era listada como uma das quatro formas de os homens demonstrarem amor. As outras três eram sendo “provedor”, “marido fiel” e “educador”. Cada uma delas soou um elogio, ao contrário de ser “sexualmente infiel”, que parecia mais crítico. Conforme fui lendo o livro, descobri que o autor afirma que o papel de infiel só foi escolhido por 1% dos homens entrevistados como sendo seu papel dominante. Isso nos deixa com a pergunta óbvia de por que teria Mahlik escolhido “devassidão” como uma norma quando a fonte que ele afirma ter usado para compor seu inventário aponta essa característica como uma escolha muito pouco frequente entre os homens? Isso parece algo muito suspeito.
Essas quatro “normas” de violência, poder sobre mulheres, homofobia e infidelidade sexua pareciam passar um julgamento severo sobre homens e meninos e pareciam muito mais estereótipos do que normas. Mas surgiram dúvidas em minha mente. Será que eu estava exagerando? Mais especificamente: será que ninguém tinha feito isso antes? Seria essa tendência de se atribuir normas negativas aos homens algo novo ou apenas a continuação de uma pesquisa mais antiga? Para responder a essa pergunta, eu comparei algumas palavras que haviam sido atribuídas como normas para homens no período entre de 1974 a 2003 com o CMNI. O gráfico abaixo apresenta exemplos de termos que foram usados para descrever normas masculinas:
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Nota-se que as normas que eram usadas antes de 1990 parecem ser neutras. Os exemplos incluíam competência, liderança, independência, agressividade, força, controle emocional, disposição a tomar decisões, assertividade e autossuficiência. Tudo isso poderia ser visto como algo próximo do neutro sendo características como “equilíbrio” e “autoconfiança” até um pouco positivas. Alguém poderia considerar que ter um pouco dessas qualidades, como um pouco de agressividade, contundência ou assertividade, dependendo da situação, seria algo bom. Mas pense em um pouco de violência. Você não poderia ter nem um pouco sem antes ser duramente julgado. A mesma coisa com poder sobre mulheres, devassidão ou ter desprezo por homossexuais. Um pouco de qualquer um desses e você está ferrado. Essas quatro categorias do CMNI parecem muito diferentes de todos aqueles apresentados entre 1970 e 1986.

A mudança no pensamento
Por que algum inventário psicológico estaria disposto a por esses rótulos negativos em um grupo de nascimento dessa forma? Para responder a essa pergunta, ainda eu parcialmente, teremos de desviar momentaneamente a atenção deste inventário e dar uma rápida olhada na mudança ideológica que ocorreu desde o final do século XX na comunidade psicológica acadêmica.
Como era antes de 1980? O pensamento da comunidade psicológica, em termos de papeis sexuais, era em termos de traços característicos. Homens e mulheres eram vistos como diferentes, mas não em termos de um ser melhor que o outro. Essa teoria estava em seu auge e traços característicos foram atribuídos a cada sexo. Normas como “forte” e “agressivo” eram atribuídas a homens e “amabilidade” e “carinho” eram atribuídas às mulheres. Definições muito simples e, obviamente, muito inadequadas como medidas tanto de masculinidade quanto de feminilidade. Após a década de 1980, escritos feministas começaram a ganhar influência nos estudos acadêmicos sobre homens e masculinidade. Não é uma grande surpresa que, com essa mudança, os homens e a masculinidade passassem a ser vistos como “o problema”. Antes dessa época, os homens e a masculinidade eram vistos como um conjunto de traços; agora essa percepção mudou e, em vez disso, os homens e a masculinidade passaram a ser vistos como os culpados pelos males do mundo. Eu sei que é difícil de acreditar, mas é verdade. O feminismo, que tinha culpado os homens, por meio do “patriarcado”, por muitos dos problemas das mulheres, agora estava começando a se tornar dominante no discurso sobre homens e masculinidade. Um dos escritores influentes do final do século XX era o feminista R. W. Connell. Foi em meados de 1980 que Connell começou a escrever sobre a “masculinidade hegemônica”. O livro de Connell sobre masculinidades e, especificamente, sobre masculinidade hegemônica foi publicado em 1995 e foi considerado um recurso superior por psicólogos acadêmicos sobre o estudo das masculinidades. Desde aquele tempo essas ideias sobre a masculinidade hegemônica estão arraigados em psicologia acadêmica. Mas o que Connell quer dizer com “masculinidade hegemônica”? De acordo com um artigo publicado no Journal of Clinical Psychology em 2005, Connell define masculinidade hegemônica como “a noção dominante de masculinidade em um contexto particular que serve como um padrão para definir o que é um ‘homem de verdade’”. Connell afirma que ela é baseada em dois pilares: “o primeiro, a dominação sobre as mulheres, e o segundo, a hierarquia de dominação entre os homens. Também se baseia, em menor medida, pela estigmatização da homossexualidade.”.
Agora, no mundo da psicologia acadêmica, a masculinidade, por sua aparente dominação, é vista como o problema. Passamos de uma visão excessivamente simplista para uma visão mais simplista ainda da masculinidade como sendo ruim, como sendo o responsável, ou melhor, como sendo O problema. É incrível, para mim, que tantas pessoas podem ter um ponto de vista tão misândrico. A masculinidade é, obviamente, muito complexa, há vários modelos que impõem várias normas, algumas violentas, algumas pacíficas, algumas yin e algumas yang. “Nunca bata em uma menina” ou “meninas primeiro” eram claramente algumas das mensagens que meninos ouviam alta e claramente. Mas elas estavam entre muitas outras. Isso é algo muito complexo e tentar reduzir os homens a algo ruim parece algo incrivelmente pobre de espírito. Entre tantas vozes diferentes, é absurdo afirmar que apenas uma voz muito negativa define a masculinidade que todos os homens seguirão.
Vale a pena ressaltar que R. W. Connell mudou de sexo em 2006, tornando-se mulher. Ele, que se chamava Robert W. Connell, tornou-se Raewyn W. Connell. Ouvi dizer que Connell foi a uma reunião profissional depois dessa transição e apresentou seus documentos como sendo uma mulher, Raewyn Connell, sem dar qualquer tipo de notificação de sua profunda mudança para muitos de seus colegas. Eu entendo que tenha havido mais que algumas quedas de mandíbula na reunião. Sim, o que muitos psicólogos acadêmicos acreditam sobre masculinidade foi tirado diretamente dos escritos de alguém que, na melhor das hipóteses, tinha uma percepção ambivalente do que é ser um homem. Alguém que decidiu deixar de ser do sexo masculino… Difícil ver este ponto de vista como algo próximo do justo e equilibrado.
Aparentemente, os psicólogos acadêmicos nos Estados Unidos têm tomado as teoria de Connell sobre masculinidade hegemônica e extraído-lhe os traços negativos para compor aquilo que hoje chamam de “masculinidade tóxica”, que é caracterizada por: concorrência implacável, dominação violenta, incapacidade de expressar emoções que não sejam a ira, falta de vontade para admitir fraqueza ou dependência, desvalorização das mulheres e de todos os atributos femininos nos homens e homofobia.
Torna-se cada vez mais clara a origem daquelas quatro categorias do CMNI (violência, poder sobre as mulheres, desprezo por homossexuais e devassidão). Elas são a base do pensamento da masculinidade hegemônica e da masculinidade tóxica. Parece que Mahlik deve ter gostado tanto dessas ideias que acabou por inseri-las em seu comentário como normas não porque houvesse qualquer investigação que apoiasse essas escolhas, mas porque eram os fundamentos da teoria mais recente e mais quente entre seus pares.
Eu posso testemunhar pessoalmente que a ideia de masculinidade tóxica está bem viva na seção da Associação Psicológica Americana (APA) de estudos sobre homens e masculinidades, a seção 51 da APA. Ela é um viveiro de feminismo e de apego às ideias de masculinidade tóxica. Eu estive no principal grupo de discussão desse grupo (até ter sido jogado fora sem a menor cerimônia) e fiquei continuamente chocado com a adesão a essas ideias. A teoria básica arraigada nessas mentes é a de que a masculinidade é a fonte dos nossos problemas e que os homens precisam aprender a ser mais maduros e que precisam agir mais como mulheres. Um dos membros do grupo, na realidade, escreveu exatamente isso, que os homens precisavam ser mais maduros, como as mulheres, e o mundo melhoraria imediatamente! Esta é a lente feminista pela qual estamos vendo o mundo. Eles sequer parecem cientes das ideias e teorias psicológicas em torno da masculinidade madura. Eis aqui o que diz a declaração de missão do grupo da APA que estuda homens e masculinidade:
“Reconhece sua dívida histórica para com os estudos feministas inspirados em gênero e compromete-se com o apoio a grupos como mulheres, gays, lésbicas e pessoas de cor que foram exclusivamente oprimidos pelo sistema de classe, gênero e raça”.
Eu não me importo de os profissionais estarem seguindo esta ou aquela teoria, o que me importa é essa teoria se tornar uma vaca sagrada que limita a discussão aberta. No grupo de discussão da Divisão 51, o feminismo virou uma vaca sagrada. Foi altamente desaconselhado o questionamento a qualquer teoria feminista. Também não foram aceitas referências a possíveis fatores biológicos na masculinidade nem a considerar os homens dignos de escolha ou compaixão. Na verdade, um homem, PhD, foi banido do grupo de educação para homens vítimas de violência doméstica muitas vezes. Difícil de acreditar, mas no país das maravilhas feminista da Divisão 51, isso é o que acontece.
Durante minha permanência nesse grupo, eu recebi muitos e-mails de outros membros que não postavam suas opiniões, mas queriam que eu soubesse que eles admiravam meus questionamentos às ideias feministas em defesa dos homens e meninos. Todos diziam a mesma coisa: “eu gostaria de escrever minha opinião e te apoiar, mas temo por minha carreira profissional”. Eles estavam preocupados que os diretores do grupo, que incluía uma série de psicólogos influentes, acabassem por bani-los dos círculos acadêmicos. Essa era uma característica notável desse grupo: ele é dirigido por valentões que tentam fazer com que todos entrem em conformidade com o padrão de pensamento feminista. Muitos membros do grupo são conscientes do poder desses valentões, por isso se retraem.
É de fundamental importância que cada pessoa interessada em direitos dos homens e meninos saibam que nossa comunidade psicológica profissional constantemente acusa homens e meninos e espera que eles mudem e sejam mais como as mulheres “para que o mundo avance”. Grande parte das pesquisas que estão sendo feitas tem essa ideia subjacente, como fazem os “especialistas” que são chamados à grande mídia e também muitos dos que estão realizando terapia com homens e mulheres. Será um grande esforço expor a misandria incorporada em suas teorias e práticas, mas, quanto mais suas ideias forem desafiadas publicamente, melhor. Precisamos de profissionais que tenham preocupação e amor por ambos os sexos, não por apenas um.
Agora que temos uma ideia melhor sobre as origens dessas quatro categorias, voltemos a dar uma olhada nas outras formas como o pensamento misândrico influencia este inventário.
Os grupos de pesquisa
Como Mahlik chegou a essas quatro normas? Categorias como “poder sobre as mulheres” e “violência” foram retiradas das ideias de masculinidade tóxica ou houve algum outro raciocínio por trás de sua seleção? Houve outra maneira de escolher as normas que se encaixam com os homens heterossexuais brancos de todas as idades nos Estados Unidos? O artigo afirma que o pesquisador primeiro revisitou a literatura profissional sobre normas masculinas e, em seguida, iniciou dois grupos de pesquisa para discuti-los e refiná-los.
Os grupos se reuniam por 90 minutos a cada semana, durante 8 meses, com o pesquisador. O curiosos é que, das 9 pessoas nesses dois grupos de análise, apenas 3 eram homens brancos! 5 delas eram mulheres. Aqui está a composição demográfica de cada grupo: (Grupo 1) um homem americano asiático, um homem americano europeu e duas mulheres americanas europeias; (Grupo 2) dois homens americanos europeus, duas mulheres americanas europeias e uma mulher haitiana canadense.
Nota-se que os homens são minoria e que os homens brancos constituem apenas 1/3 das pessoas nesses grupos de pesquisa. É importante ressaltar que os homens brancos são minoria mesmo dentro de cada um dos grupos. Isso é, nó mínimo, estranho, visto que o objetivo abertamente reivindicado era identificar as normas de comportamento entre homens brancos americanos. Então, por que incluir tantas mulheres? Por que o grupo que ele desejava estudar constituía a minoria das pessoas? Eu comecei a me perguntar se o pesquisador tinha algumas ideias pré-concebidas que ele gostaria de confirmar. Gostaria de saber se ter muitos homens, especialmente homens brancos, afinal, poderia frustrar sua tentativa de plantar as sementes de sua ideologia. Quem sabe? Mas é uma questão a ser levantada o porquê de os homens brancos serem tão pouco representados.
Para se entender o absurdo de ter apenas 1/3 de homens brancos nos grupos de pesquisa, tentemos um exercício. Imagine que o mesmo pesquisador esteja estudando normas afroamericanas. Ele reuni grupos de pesqisa para tentar refinar essas normas. Ele escolhe, então, 3 afroamericanos, 4 brancos, 1 coreano e 1 latino. Essas nove pessoas formam dois grupos onde os afroamericanos são minoria em ambos. É simples ver como esse estudo poderia ser considerado racista e de estar intencionalmente marginalizando os afroamericanos. É simples perceber como grupos como esses seriam menos prováveis de estabelecer uma representação precisa de normas para os afroamericanos que grupos compostos exclusivamente por afroamericanos. Espero que também seja simples ver a misandria deste pesquisador ao usar uma minoria de homens brancos nos grupos de pesquisa.
É importante notar que esses grupos incluíam apenas os alunos de graduação em psicologia. De acordo com um e-mail de Mahlik, além disso, todos tinham por volta de vinte anos. Em outras palavras, os grupos não tinham diversidade de idade. Dificilmente o grupo que poderia determinar normas para todas as idades de meninos e homens americanos brancos.
Elaborando o CMNI, supostamente um empreendimento acadêmico, estavam jovens, homens e mulheres, que confiaram em seus próprios julgamentos morais e ideológicos sobre normas masculinas. Um nome melhor para os resultados seria “Inventário de Normas Masculinas para Adolescentes”. Algumas das conclusões fazem sentido quando aplicadas a homens adolescentes ou imaturos. Meninos do ensino médio podem apresentar tipos similares de comportamento imaturo. De certa forma, algumas dessas normas se encaixam para essa faixa etária. Pode ser que os participantes simplesmente desconhecem ou tenham pouca experiência com comportamentos masculinos maduros? Nós não podemos saber. O que sabemos é que o inventário, qualquer que seja sua origem, é bastante misândrico.
Mahlik também criou um inventário para as mulheres, o Inventário de Conformidade com Normas Femininas (CFNI, na sigla em inglês). A comparação com o CFNI nos permite entender mais profundamente o CMNI e é isso o que faremos a seguir.
CFNI – O Inventário de Conformidade com Normas Femininas
Quando vi o CMNI pela primeira vez, eu fiquei chocado com o conteúdo misândrico, mas me perguntei se ele apenas pretendia analisar as mudanças sombrias ocorridas no inconsciente das pessoas a partir do século XXI. No entanto, esse pensamento foi frustrado quando eu vi o inventário de normas para a feminilidade. que o mesmo pesquisador havia criado. Eu quis saber se essa versão para mulheres continha normas preconceituosas e negativas da mesma forma que continha para os homens. Será que ele refere a fofoca, a violência relacional, o comportamento exigente ou a superficialidade como normas femininas? O que eu descobri foi que essas normas eram quase que completamente positivas, todas açúcar e confeitos. Aqui está a lista:
Agradável nas relações;
Magreza;
Modéstia;
Ambiente doméstico;
Cuidado com crianças;
Romantismo;
Fidelidade sexual;
Investir na aparência.
Todas essas “normas” são lisonjeiras com as mulheres ou, no mínimo, neutras. Não há indício de preconceito com relação às mulheres na elaboração dessas normas. Todas poderiam ser abertamente manifestas por uma pessoa sem causar julgamentos severos. Uma mulher poderia investir muito em sua aparência e estar muito preocupada com sua fidelidade sexual, poderia se ocupar muito com suas crianças e ser muito modesta e ela seria considerada fina e elegante para os padrões de nossa cultura. Compare isso com as normas” dos homens, como “violência”, onde mesmo um pouco dessa “norma” seria algo horrível e merecedor de desprezo e julgamento severo. Não discuto se essas normas femininas estão certas ou erradas, só que elas são muito diferentes das normas para os homens, muito mais positivas e menos pejorativas.
Pareceu-me que os pesquisadores estavam relutantes ou mesmo com medo de fazer qualquer afirmação negativa sobre as normas tradicionais femininas. Ainda mais interessante foi a forma como Mahlik estabeleceu essas normas para as mulheres. Ele criou grupos de pesquisa, como criou para os homens, mas desta vez ele incluiu apenas estudantes do sexo feminino. Esses grupos tinham uma ampla gama de idades, incluindo também mulheres de meia idade. Isso significa que a maioria dos membros provavelmente tinha entre 18 e 46 anos. Na verdade, as mulheres foram convidadas a juntarem-se não a dois, mas a cinco grupos de estudos. Vários grupos incluíam mulheres principalmente jovens. Dois incluíam mulheres adultas da comunidade. Ao contrário dos grupos com foco nas normas masculinas, estes representavam mais do que a população adolescente. De alguma forma, Mahlik mudou de rumo e só escolheu as mulheres para os grupos de estudos do CFNI. Eu me pergunto que tipo de reação poderia ter havido se as mulheres fossem minoria em cada um dos cinco grupos dessa pesquisa.
Comparando o CMNI e o CFNI
Ambos os inventários utilizaram grupos de pesquisa para serem elaborados. Na versão masculina (CMNI), esses grupos incluíram muitas mulheres. Em contrapartida, os grupos da versão feminina (CFNI) foram compostos exclusivamente por mulheres. Alguém poderia pensar que, se você quiser ter uma ideia clara das normas para um grupo, os membros desse grupo é quem devem fazer esses levantamentos. Criar um grupo que deliberadamente tem sua maioria composta por pessoas que não pertencem ao grupo a ser pesquisado desafia qualquer lógica. Eu enviei um e-mail a Mahlik perguntando sobre isso. Ele nunca respondeu diretamente à minha pergunta.
Os grupos de pesquisa do CFNI tiveram uma variedade de idades muito maior que os do CMNI. É fácil perceber que as mulheres mais velhas puderam fornecer uma perspectiva marcantemente diferente à das jovens sobre as normas femininas. Os homens e mulheres mais jovens nas normas masculinas, por outro lado, tiveram uma perspectiva muito similar: a de um adolescente.
Os dois inventários continham normas marcantemente diferentes, sendo as masculinas negativas e discriminatórias e as femininas muito mais lisonjeiras (apesar de serem, de acordo com as feministas, inconvenientes) ou neutras. Por que as normas femininas não incluíram qualquer estereótipo negativo, como fizeram com as masculinas? Eu encontrei uma dica sobre as razões por trás dessa atitude de Mahlik em uma seção do artigo de jornal sobre o CFNI:
“Além disso, porque o CFNI destina-se a avaliar a conformidade com as normas tradicionais da feminilidade nos Estados Unidos, nós pensamos que ele também deve estar relacionado com o desenvolvimento nas mulheres de uma identidade feminista. Ao descrever o desenvolvimento de uma identidade feminista nas mulheres, Downing e Roush (1985) propuseram um modelo de cinco estágios em que a primeira fase, a aceitação passiva, reflete a aceitação de papeis de gênero de acordo com a tradição americana-europeia, da crença de que os homens são superiores às mulheres e que esses papeis são vantajosos. A segunda etapa, a revelação, é uma resposta a uma crise ou crises que levam as mulheres a questionar os papeis de gênero tradicionais e têm sentimentos concomitantes de raiva para com os homens. Ás vezes, as mulheres nesta fase também se sentem culpadas por causa da forma como elas podem ter contribuído com a própria opressão e com a de outras mulheres no passado. A terceira etapa, a imersão-emanação, reflete o sentimento de conexão com outras mulheres, interações cautelosas com os homens e desenvolvimento de um quadro mais relativista da vida. A quarta etapa, a síntese, é quando as mulheres desenvolvem uma identidade feminista positiva e são capazes de transcender os papeis de gênero tradicionais” (p. 425 doInventário de Conformidade com Normas Femininas).
Esta citação é muito diferente da que eu fiz anteriormente sobre a culpabilidade dos homens brancos. As mulheres são descritas como desenvolvendo uma “identidade feminista” e a descobrir que estão vivendo em um mundo que as oprime. Esta é a primeira vez que a identidade foi ligada a normas sociais e só acontece no CFNI, não no CMNI. As mulheres dizem que os homens e seus papeis tradicionais são o que as atrapalham por causa da crença de que mulheres são inferiores. É claro que os pesquisadores enquadram as mulheres como o lado “bom” e necessitado de espaço para crescer, ao mesmo tempo em que enquadram os homens como o lado “mau” e que precisa mudar. Também é importante notar que ser “bom” agora é confundido com ser “vítima” no CFNI. O pressuposto é de que as mulheres são inerentemente boas e essa bondade se manifesta de forma mais enérgica quando elas podem transcender a opressão que sofreram nas mãos dos homens. Isso cria a imagem de um bom ser humano que é eternamente vítima da sociedade. É esse tipo de caracterização que permite que as feministas pintem as mulheres de uma forma tão positiva e também a quantidade cada vez maior de proteção e serviços especiais. Infelizmente, esses dois inventários resumem muito bem a dicotomia feminista “mulheres boas” e “homens maus”. Parece que os quadrinhos fizeram seu caminho até a academia.
Examinemos brevemente as normas escolhidas para as mulheres e as normas escolhidas para os homens e comparemos os dois:
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Vou evitar fazer minhas comparações e deixar que o leitor ter suas próprias conclusões. Posso dizer que as rimas infantis¹ descrevem muito bem o conteúdo de cada inventário. O quanto nós avançamos desde o jardim de infância?
Era óbvio, para mim, que uma parte da misandria deste inventário estava na escolha dos nomes para as diferentes categorias. Mas me dei conta de analisar se os reais problemas do CMNI estavam na escolha dos nomes. O primeiro em que pensei foi “desprezo por homossexuais”. Eu fiquei pensando que tipo de pergunta poderia aparecer em um questionário como o do CMNI que permitisse determinar se alguém despreza homossexuais. Encontrei os questionários do CMNI e adivinhe qual estava relacionado à categoria de desprezo por homossexuais? Veja abaixo:
  1. É importante para mim que as pessoas pensem que eu sou heterossexual.
  2. Ser considerado gay não é uma coisa ruim.
  3. Eu me certifico de que as pessoas pensem que eu sou heterossexual.
  4. Eu ficaria furioso se alguém pensasse que eu sou gay.
  5. Eu não me incomodo se alguém pensar que eu sou gay.
  6. Seria terrível se as pessoas achassem que eu sou gay.
  7. Eu gosto de ter amigos gays.
  8. Eu me sentiria desconfortável se alguém pensasse que eu sou gay.
  9. Se alguém pensasse que eu sou gay, eu não discutiria com ele por isso.
  10. Eu tento evitar ser percebido como gay.
Cada uma dessas questões parece perguntar sobre a preocupação e o medo de um homem sobre ser visto como gay. Por favor, note que nenhum deles está remotamente relacionado com “desprezo” de um homem para com homossexuais. O desprezar pode ser definido como desdenhar, inferiorizar ou alguns também podem dizer odiar. Mas essas questões, de alguma forma, avaliam o desprezo, o escárnio ou o ódio do entrevistado? Eu diria que não, o que parece é que o pesquisador realizou aquela série de perguntas e, em seguida, rotulou aqueles que responderam ter medo de serem vistos como gays dizendo que eles têm desprezo por homossexuais. Isso é ridículo. Alguém pode ter medo de tigres e não odiá-los. Eles podem ter medo de raios e não odiá-los. As duas coisas são muito diferentes e este é mais um exemplo de construção questionável desse inventário. Parece-me que seria como perguntar a um grupo de pessoas se elas têm medo de abelhas e, em seguida, rotulá-los de inimigos das abelhas por terem medo delas.
No entanto, outra parte questionável deste inventário pode ser vista quando comparamos os questionários do CMNI com os do CFNI. Se observarmos as perguntas da seção “devassidão” do CMNI com as da seção “fidelidade sexual” do CFNI, descobrimos que ambas têm questões quase idênticas. Aqui estão elas:

Devassidão – CMNI
  1. Se eu pudesse, trocaria frequentemente de parceiros sexuais.
  2. Um vínculo emocional com o parceiro é a melhor parte do sexo.
  3. Se eu pudesse, sairia com várias pessoas diferentes.
  4. Eu só faço sexo se estiver em um relacionamento sério.
  5. Eu só faço sexo se estiver romanticamente envolvido com a pessoa.
  6. Eu me sentiria bem com vários parceiros sexuais.
  7. Relacionamentos de longo prazo são melhores que encontros sexuais casuais.
  8. O envolvimento emocional deve ser evitado ao fazer sexo.
  9. Ninguém deve ficar amarrado ao relacionamento com uma única pessoa.
  10. Eu só ficaria satisfeito com o sexo se houvesse vínculo emocional.
Fidelidade sexual – CFNI
  1. Eu me sentiria muito envergonhada se tivesse muitos parceiros sexuais.
  2. Eu prefiro relacionamentos de longo prazo a sexo casual.
  3. Eu me sentiria culpada se tivesse um caso de uma noite.
  4. Não é necessário estar em um relacionamento sério para fazer sexo.
  5. Eu me sentiria confortável tendo sexo casual.
  6. Estar em um relacionamento romântico é importante.
  7. Eu frequentemente troco de parceiros sexuais.
  8. Eu gosto de fazer sexo apenas com a pessoa que amo.
  9. Quando eu tenho um relacionamento romântico, eu gosto de centrar minhas energias nele.
  10. Seria bom estar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
  11. Eu só faria sexo se estivesse em um relacionamento sério, como o casamento.
Algumas das questões são exatamente as mesmas e algumas estão apenas redigidas de forma diferente, mas se referindo às mesmas coisas. Mas os títulos são totalmente opostos. Chamar uma das categorias de “fidelidade sexual” e a outra de “devassidão” parece muito suspeito. Por que não chamar ambos daquilo que são: uma avaliação da fidelidade sexual? Ou chamar a ambos de “fidelidade sexual” ou então encontrar um euivalente para “devasso” para as mulheres? Como poderia ser chamada uma mulher com vários parceiros sexuais? “Vadia”? Ah, claro, isso seria demais para as feministas. Mas o rótulo de “devasso” parece não causar problemas, não é mesmo?
Conclusão
Parece claro como a misandria está incorporada neesse inventário. Quando escrevia mensagens no grupo de discussão da APA sobre homens e masculinidade questonando esse inventário e apontando muitas das coisas que você viu neste artigo, foi-me dito que nao havia nenhuma misandria. Acho que este artigo mostra claramente como suas reivindicações são falsas. Há misandria neste inventário e está claro para todos verem. Se esses profissionais não foram capazes de admitir, é mais uma prova de que a comunidade psicológica acadêmica está sendo facilitadora para o feminismo no pior dos caminhos. Os problemas começaram com a escrita feminista e o pensamento começou a influnciar o pensamento dos psicólogos. Isso resultou na adoção do pensamento feminista sobre os homens que, por sua vez, resultou em atitudes rígidas e misândricas sobre os homens, misandria cujo resultado nós vemos nesse inventário. Eu simplesmente não consigo ver nenhuma outra explicação para a vontade de agrupar um grupo de nascimento inteira em tais categorias negativas. Se esse tipo de coisa fosse feita com qualquer outro grupo de pessoas, o resultado seriam reações negativas imediatas dos grupos envolvidos e da imprensa, com várias chamadas para desculpas. No entanto, como é feito com os homens, não há nada do tipo. O problema pode ser comparado a uma infestação ideológica. Não é apenas a cultura popular, que todo mundo gosta de atacar, mas também a cultura da elite de acadêmicos, advogados, políticos, assistentes sociais e psicólogos. Precisamos avançar para um ponto onde podemos ver homens e mulheres, masculino e feminino, como tendo qualidades positivas e negativas e aprender a valorizar cada indivíduo. Temos um longo caminho a percorrer. Você pode ajudar dizendo aquilo que precisa ser dito.
Últimas palavras desta série
Os três artigos de pesquisa que foram discutidos nesta série têm uma coisa em comum. Todos eles contam com um pressuposto ideológico que os pesquisadores tentaram reforçar e confirmar. No processo, eles ignoram a necessidade dos homens e meninos, carregando desprezo, implícita ou explicitamente, pelos homens, pela masculinidade ou ambos. No primeiro estudo, os questionários sobre violência no namoro adolescente ofereceram dados convincentes de que os meninos eram vítimas. Entretanto, eles deram preferência à sua ideologia, que presume a primazia das vítimas do sexo feminino e, portanto (apesar do non sequitur), a primazia de sua necessidade de mais cuidados do que as vítimas do sexo masculino (isto é, se é que houve cuidado com as vítimas do sexo masculino). No segundo estudo, foi examinada a questão da coerção reprodutiva. Os pesquisadores contaram com a crença ideológica de que as mulheres são as vítimas e os homens os agressores, e seu estudo mostrou exatamente isso, mas eles usaram uma população pobre que em nada se generaliza para a população em geral. Mesmo os pesquisadores estando cientes dessa limitação, o comunicado de imprensa e os artigos de jornal a ignoraram e trataram o estudo como sendo referente à população em geral. Esse foi um enorme benefício para os pesquisadores, que queriam propagar sua ideologia. Eu posso ouvi-los dizendo “bom, as coisas não foram mostrdas exatamente como foram, mas você sabe, foi por uma boa causa”. Em outras palavras: o fim justifica os meios. Em seguida, o terceiro artigo sobre o CMNI mostrou sinais distintos de misandria na pesquisa psicológica. O pesquisador acredita que a masculinidade, ou elo menos a versão da masculinidade que ele considera prevalente em nossa sociedade, é a culpada por nossos problemas. Consequentemente, o CMNI torna-se uma forma de promover uma ideologia.
O problema é que esses pesquisadores estão usando a ciência para alcançar seus objetivos. A ciência real requer observadores astutos e imparciais, que estejam ansiosos para descobrir a verdade onde quer que ela possa levá-los. Isso está em gritante contraste com os “estudos” ideologicamente embasados, que usam a ciência como um meio para atingir algum fim político. Isso é muito perigoso, na minha opinião, mas não basta as pessoas estarem cientes do que está acontecendo. O status no meio acadêmico deve ser conquistado, continuamente, pelos próprios acadêmicos. Até a minha confiança no meu próprio campo diminuiu. Os estudiosos devem ser vigilantes e não permitir que os defensores de eixos políticos promovam os adeptos de suas próprias ideologias em nome da ciência. Mas isso não é tudo. Jornalistas também devem acordar. Na verdade, todos devem participar da renovação da integgridade intelectual e moral na academia.
Referências
Uma das melhores sínteses sobre a forma como a misandria é encontrada na pesquisa psicológica atual é encontrada no Apendice Três de Nathanson e Young em Legalização da Misandria. O título desse apêndice é “Enganando o público: o abuso de estatísticas”.
  1. Nathanson, Paul & Young, Katherine R. (2001), Spreading Misandry: The Teaching of Contempt for Men in Popular Culture, Harper Paperbacks, Montreal: McGill-Queen’s University Press, ISBN 9780773530997
  2. Nathanson, Paul & Young, Katherine R. (2006), Legalizing Misandry: From Public Shame to Systemic Discrimination against Men, Montreal: McGill-Queen’s University Press, ISBN 9780773528628
  3. Bibliografia de Fiebert, que contém resumos de mais de 150 estudos, muitos dos quais mostram que as mulheres iniciam a violência doméstica a uma taxa maior do que os homens.
  4. Artigo de 3 de agosto de 2007 da American Psychiatric Assocition apontando que, entre os casais violentos, as mulheres eram mais frequentemente as agressoras.
  5. Archer, J. (2000). Sex differences in aggression between heterosexual partners: A meta-analytic review. Psychological Bulletin, 126, 651-680. (Meta-análises sobre a diferença entre os sexos em agressão física indicam que as mulheres são mais propensas que os homens a realizar um ou mais atos de agressão física e de repetir esses atos com mais freqência. Em termos de lesões, as mulheres eram um pouco mais propensas a ser feridas, análises revelam que 62% dos feridos eram mulheres).
  6. Página patrocinada pela Montgomery Country Maryland que falsamente afirmava que os homens são 95% dos autores de violência doméstica. Essa página foi recentemente editada e removida.
  7. Mahalik, J.R., Locke, B., Ludlow, L., Diemer, M., Scott, R.P.J., Gottfreid, M., Freitas, G. (2003).Development of the Conformity to Masculine Norms Inventory. Psychology of Men and Masculinity, 4, 3-25.
  8. Estatísticas sobre abuso de crianças e assassinatos do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Essa página foi removida.
  9. Harris, Ian. Messages Men Hear: Constructing Masculinities (Gender, Change and Society)Taylor and Francis, 1995.
  10. http://br.avoiceformen.com/saude/misandria-na-psicologia-parte-4-cmni-normas-de-comportamento-masculino/

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