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A ação política do PCC Criada em São Paulo, há duas décadas, a principal organização criminosa do País instalou-se no Ceará. Nas eleições de outubro, pretende financiar a eleição de 10 prefeitos e 50 vereadores



Mesmo preso, Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão caçula de Marcola, trabalha para ganhar capilaridade política no Ceará


Em nenhuma capital brasileira, a juventude corre mais risco que em Fortaleza. O número de assassinatos na faixa etária de 16 e 17 anos supera a de países em guerra. Nos indicadores gerais de violência, a capital cearense ocupa o vergonhoso 12° lugar entre as piores cidades do mundo para se viver. A deterioração da segurança pública é mais que o resultado de uma década de fracasso do governo cearense na gestão de segurança pública. O Ceará virou a offshore da principal organização criminosa em atividade no Brasil, o PCC. O sinal mais evidente da importância do Ceará nas operações do grupo era que o controle da quadrilha no Estado estava nas mãos de Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão caçula de Marcos Willians Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC. Alejandro Herbas foi preso em março pela Polícia Federal. Considerado o “CEO” da organização, Herbas é o principal nome depois de Marcola. Além de cuidar de perto dos negócios na Região Nordeste, ele dava as cartas em todas as ações do PCC nos demais Estados. Segundo os investigadores cearenses, ele coordenava uma intrincada rede de empresas de fachada usadas para lavar a fortuna originada do tráfico de drogas, assaltos a bancos e das mensalidades cobradas dos presos – hoje estipulada em R$ 750. Até ser preso pela PF, há três meses, Herbas viveu uma vida de fausto no Ceará. Tinha mansões em alguns dos principais cartões-postais do Ceará: a praia de Porto das Dunas, no município de Aquiraz, na idílica Cumbuco, em Caucaia, e em Lagoinha, na cidade de Paraipaba. Nada menos que 40 policiais militares trabalhavam em sua segurança pessoal.


As investigações apontam para as novas ambições do PCC. Os policiais envolvidos no monitoramento da organização descobriram que a quadrilha tem aspirações políticas. Sob as ordens de Herbas, o PCC trabalha para eleger 10 prefeitos e 50 vereadores no Ceará. Com a proibição do financiamento por empresas privadas, o PCC se projeta como uma importante força para irrigar as campanhas. As conversas da quadrilha foram relatadas à polícia por fontes infiltradas na organização. Os alvos do PCC são as disputas pela prefeitura de Mombaça, Caucaia e Itatira. A primeira delas é por razões afetivas. O irmão de Marcola morou na cidade. A segunda é a jóia da coroa. Com a segunda maior população do Ceará, Caucaia é vista pela organização como estratégica. A polícia não identificou quem é o candidato do PCC. Atualmente, as pesquisas apontam a liderança do deputado estadual Naumir Amorim (PMB). O parlamentar apresenta uma folha corrida de 148 processos, entre os quais dois por homicídio. O clima político em Caucaia está tão conflagrado que nos últimos meses os opositores a candidatura de Amorim têm sofrido uma série de ameaças. O coordenador de campanha do PSDB, Marcos Correa, foi alvo de três tentativas de sequestro em 60 dias. Para o delegado Jurandir Braga Nunes, a violência não tem conexões com crimes comuns. “Esses atentados não são assaltos. São obra do PCC”, afirma. Em outra cidade, Itatira, a polícia acompanha as movimentações do PCC para lançar a candidatura de um dos irmãos de Jussivan Alves, o Alemão, que em 2005 comandou o assalto ao Banco Central em Fortaleza. Para Francisco Carlos Crisóstomo, chefe do Departamento de Inteligência Policial(DIP), da Polícia Civil do Ceará, não há dúvidas de que as candidaturas serão financiadas pelo PCC.


ISTOÉ

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