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24 de julho de 2016

ALUNAS DA UFPB SÃO OBRIGADAS A USAR PLACA DE “MISS ESTUPRA” DURANTE TROTE


Por Leonardo Gonçalves

Na última quarta-feira, varias calouras da Universidade Federal da Paraíba foram obrigadas a desfilar com uma placa que fazia apologia ao estupro durante um evento cultural. A placa era colocada no pescoço das alunas novatas, que eram forçadas a desfilar. Uma delas denunciou o ato à reitoria mas não acionou a segurança durante o ato humilhante.

Segundo Margarete Almeida, coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Gênero e Mídia, a placa “Miss Estupra” e desenhos fálicos eram colocada no pescoço de todas as alunas novatas, mas nem todas denunciaram o abuso por medo da retaliação, e de não encaixar no ambiente acadêmico. “É o ritual de passagem, para ser aceito tem que seguir as regras”, disse ao Correio da Paraíba.

Trote, uma prática que denigre

Aos 22 anos, Luiz Fernando passou em um vestibular muito disputado. Órfão de pai, vive com a mãe e um irmão em uma cidade da periferia de Belo Horizonte. Ele tinha um sonho: “Queria fazer medicina porque eu tenho um irmão deficiente, queria ajudar ele a ter melhor condições de vida”. Em seu primeiro dia de aula, passou pela experiencia mais brutal de sua vida. “Chutes, garrafadas, chutes de pontapé. Muitas vezes alguém dava tapa quando eu estava andando (…) Vivi os piores momentos da minha vida. Com o tempo fui percebendo que o sonho virou terror na minha vida. Tudo foi só sofrimento”, conta o jovem que passa por tratamento psicológico e ainda não conseguiu retomar os estudos.

Histórias como a de Fernando se repetem pelo país. Basta uma busca rápida no Google para encontrar dezenas de casos semelhantes. São muitas pessoas que foram vítimas de constrangimento e humilhação dentro da faculdade e, infelizmente, histórias como esta continuarão se repetindo, uma vez que as universidades blindam os alunos e continuam tratando atos infames como se fossem apenas uma brincadeira normal de jovens.

Projeto Anti-Violência

Um projeto de conscientização está para ser lançado na UFPB. “Um grito por elas: Mulheres da UFPB contra a violência”será lançado no próximo dia 27. Trata-se de uma plataforma online onde estudantes, professoras e funcionárias poderão fazer denuncias anônimas sobre qualquer tipo de violência sofrida no campus, através do site www.gemufpb.com.br/umgritoporelas. As vítimas também receberão assessoria jurídica da OAB, caso queiram abrir algum processo.

Direitos Humanos

Ontem à tarde, a Comissão de Direitos Humanos da UFPB se reuniu com integrantes de outras militâncias para tentar identificar os envolvidos. “Queremos dar inicio a um processo educativo, conversando com os alunos, especialmente com os que se envolveram neste episódio. Também vamos lançar uma nota de repúdio no site da UFPB e replicá-la nos departamentos”, disse o professor Antônio Novais, coordenador da Comissão.|

Impunidade no Campus

Apesar de todo alvoroço ao redor do caso, o que podemos ver na citação do coordenador da Comissão de Direitos Humanos da universidade é um grande incentivo à impunidade. Ora, se houve a denúncia do abuso, e uma vez que o mesmo denigre a imagem da aluna (sendo inclusive uma agressão moral e psicológica), então este caso deveria ser tratado pela polícia como um ato criminoso, e não por um diretório do campus como se fosse apenas uma brincadeira sem importância entre alunos, mas para a UFPB, levar o caso às últimas consequências seria o mesmo que admitir que um crime aconteceu debaixo de seus narizes, coisa pouco desejável para eles.

Esperamos que os fatos sejam apurados e os participantes punidos, ao mesmo tempo que oramos para que Deus conforte as vítimas destes abusos.

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