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Só Português, Matemática e Inglês serão obrigatórios nos 3 anos do médio





Adriano Vizoni/Folhapress


Brasília - Na nova arquitetura do ensino médio, estabelecida na quinta-feira, 22, por Medida Provisória (MP) editada pelo presidente Michel Temer, apenas as disciplinas de Português, Matemática e Inglês serão obrigatórias durante os três anos que compõem a etapa. As demais passam a ser optativas da metade para o fim, a depender da área de conhecimento que o aluno decidir seguir, entre cinco possibilidades: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Técnico.


O texto da MP distribuído na quinta-feira à tarde aos jornalistas, antes da cerimônia de assinatura, causou polêmica ao dispensar o ensino de Artes e Educação Física durante
 todo o ensino médio. No início da noite, porém, a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) informou que a redação divulgada estava errada e
carecia de "ajustes técnicos". A versão final garante as 13 disciplinas exigidas
atualmente por lei - até que seja definida a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC), em meados de 2017.


A depender da escolha do "itinerário" pelo aluno, as disciplinas de Inglês,
 Português e Matemática terão mais ou menos profundidade na abordagem.
 Se o estudante escolher seguir a área de Linguagens, por exemplo, aprenderá
 mais sobre orações subjuntivas do que sobre trigonometria (na Matemática).
Marcada para novembro, a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)
deste ano não sofrerá mudança.


A ideia de fazer a reforma por MP, que motivou críticas de associações e educadores,
 recebeu na quarta-feira o aval do relator da reforma do ensino médio na Câmara,
deputado Wilson Filho (PTB-PB). Para ele, a tramitação agora será acelerada.
"O que nós temos, acima de tudo, é a certeza de que o ensino médio caminha no
lado errado."

Integral


Com foco em ampliar o acesso à escola em turno integral (passando essa fase
 gradualmente de 800 horas/ano para 1,4 mil horas/ano), a reformulação dá
prioridade à flexibilização do currículo e autonomia aos Estados para que criem
as próprias políticas educacionais e programas - tudo com base nesta nova norma, considerada a maior mudança na Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDB) em
20 anos. A fiscalização será feita pelo MEC.


As mudanças serão implementadas gradualmente, assegura o ministro Mendonça
 Filho. "A legislação abre para infinitas possibilidades, a cargo dos Estados."


As alterações buscam desengessar o ensino médio, considerado por especialistas
muito distante dos interesses dos jovens, o que contribui para as altas taxas de

 evasão escolar nesta etapa. O projeto de vida do aluno será a prioridade, disse Temer na quarta-feira, em discurso no Palácio do Planalto. "Os jovens poderão escolher o currículo mais adaptado à vocação. Serão oferecidas opções curriculares e não mais imposições", afirmou o presidente, garantindo novamente que "não haverá redução de verba" para a educação.


As escolas não serão obrigadas a ofertar as cinco ênfases previstas pela nova regra.
Dessa forma, há a possibilidade de um aluno que quer seguir na área de Matemática
 ter de mudar de instituição, caso o colégio em que estuda não ofereça a modalidade.
O MEC não quis comentar a hipótese de ocupações e resistência por parte de estudantes,
a exemplo do que aconteceu durante a reorganização da rede de São Paulo, no ano
 passado.

Prazo


Também não há prazo para que todas estejam plenamente de acordo com o que
preconiza o texto. O MEC, no entanto, está otimista frente à presença, na cerimônia
 de quarta-feira, de secretários de Educação de diversos Estados. "Muitos já
sinalizaram implementar projeto-piloto a partir do ano que vem", disse o ministro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2016/09/23/so-portugues-matematica-e-ingles-serao-obrigatorios-nos-3-anos-do-medio.htm

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