PARANÁ


Por Francine Galbier


SP — Leia um trecho da reportagem da Veja, publicada hoje, sobre Tiffany, uma transexual que integrará o time feminino de Vôlei de Bauru:

“O primeiro set se aproximava do fim quando o locutor do ginásio anunciou que Tifanny, de 33 anos, entraria em quadra. Reforço revelado dias antes com repercussão internacional, a ponteira/oposta fazia sua estreia pelo Vôlei Bauru contra o São Caetano, na tarde de domingo, 10 de dezembro. Foi ovacionada pela torcida e pontuou nas duas primeiras jogadas em que foi acionada. Naquele momento, ela se tornava a primeira transexual a atuar na elite do vôlei brasileiro — antes, a curitibana Isabelle Neris já atuara em torneios regionais. Tifanny fez sua primeira partida entre as mulheres na segunda divisão italiana, em fevereiro, após ser liberada pela Federação Internacional de Vôlei.”

Em outro trecho, o jornalista Fernando Beagá descreve a tragetória de Tiffany:

“Deixou no passado o jogador apelidado de Pará (o nome de batismo — Rodrigo Pereira de Abreu — ela faz questão de omitir), que chegou a atuar na Superliga masculina e em clubes europeus. Durante o período de transição, chegou a jogar entre os homens, na Holanda e na Bélgica, mesmo já tendo assumido sua identidade feminina. Depois da breve experiência na Itália — oito partidas pelo Palmi, clube da pequena cidade homônima no sul da Itália, na Reggio Calabria, à beira-mar, a menos de 50 km da Sicília, e com menos de 20.000 habitantes —, retirou-se temporariamente para uma segunda cirurgia, corretiva, para sentir-se definitivamente mulher. Àquela altura, já estava apalavrada com o clube do Interior paulista, onde se recuperou, até ser anunciada e causar comoção nas habituais batalhas polarizadas nas redes sociais.”

A polêmica de transexuais no esporte é sempre em torno de uma desvantagem física.

Na entrevista à Veja, Tiffany responde:

“Nas redes sociais, quando foi anunciada pelo Vôlei Bauru, muitos questionaram uma suposta vantagem física. Você leu? Não. Sabe por quê? Vou perder tempo com quem tem tempo? Quando a pessoa fala mal de outra, tem de chegar em casa e se olhar no espelho: “E aí? Minhas contas estão pagas? Tive um bom dia? Trabalhei? Estou feliz?” Não me importo. Mas vou amar muito mais os que falam bem e me protegem. Os que falam mal não entendem, são tão ruins de coração que, quando a pessoa é gay, novinho e afeminado, chamam de mulherzinha. Aí cresce, realmente era uma mulher por dentro, vira trans e chamam do quê? De homem! Vão sempre atacar ao contrário. Então, se não gosta, não venha no ginásio, não ligue a televisão. Porque eu não estou fazendo nada, não matei ninguém. E não sou homem. Se eu tivesse a força de um homem, não estaria jogando no feminino, não teria a liberação. Talvez falem por preconceito ou por ciúme, por não terem chegado onde cheguei.”

Inconformada com a matéria, a jogadora de vôlei Ana Paula comentou o caso: “Muitas jogadoras não vão se pronunciar com medo da injusta patrulha, mas a maioria não acha justo uma trans jogar com as mulheres. E não é. Não é preconceito, é fisiologia.”, disse.

Veja o comentário na íntegra:

Mtas jogadoras ñ vão se pronunciar c/medo da injusta patrulha, mas a maioria ñ acha justo uma trans jogar c/as mulheres. E não é. Corpo foi construído c/testosterona durante tda a vida. Não é preconceito, é fisiologia. Pq não então uma seleção feminina só com trans? Imbatível. https://twitter.com/veja/status/942011911067009024 

E você, o que pensa sobre o caso? Deixe seu comentário.
As informações são da Veja.