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5 de março de 2017

Caso de mulher 'possuída' queimada em fogueira em igreja evangélica choca Nicarágua Vilma Trujillo, de 25 anos, sofreu queimaduras em 80% do corpo e morreu no hospital uma semana depois; cinco pessoas foram detidas por participação em suposto ritual de exorcismo.


Cinco pessoas foram detidas sob suspeita de terem participado do episódio que culminou com morte de Vilma Trujillo (Foto: Polícia Nacional da Nicarágua)

 "revelação divina" fez com que uma nicaraguense de 25 anos fosse
 amarrada e queimada viva numa fogueira para ser "curada" em uma
 suposta tentativa de exorcismo.
Vilma Trujillo, que sofreu queimaduras em 80% de seu corpo,
 não resistiu e morreu na terça-feira (28), depois de uma semana
 de agonia.
A morte da jovem comoveu a Nicarágua. De acordo com a Polícia
 Nacional do país, a mulher foi levada para "uma oração de cura",
 no dia 15 de fevereiro, a um templo da igreja evangélica Visão
 Celestial das Assembleias de Deus, em El Cortezal, no noroeste 
do país.
Vilma Trujillo teve os pés e mãos amarrados e ficou sob a supervisão
 do pastor da igreja, identificado por autoridades locais como 
Juan Gregorio Rocha - homem que a Assembleia de Deus nega
 reconhecer como pastor.
Seis dias depois, em 21 de fevereiro, depois da meia-noite, Trujillo foi 
queimada na fogueira.
Segundo a Polícia Nacional, a diaconisa da igreja, Esneyda del 
Socorro Orozco, havia ordenado que "por revelação divina, deveria 
ser feita uma fogueira no pátio do templo para curar a vítima por 
meio do fogo".
Vilma Trujillo teria, então, sido lançada ao fogo com pés e mãos 
amarrados. A jovem sofreu queimaduras de primeiro e segundo
 graus em 80% do corpo e, apesar de ter sido levada a um hospital
 em Manágua, a capital, acabou falecendo.

'Foi bruxaria'

O marido da vítima, Reynaldo Peralta, afirmou que Vilma Trujillo, 
mãe de duas crianças, foi levada à força pelos integrantes da igreja. 
Eles a acusavam de ter tentado atacar pessoas com um facão.
Para Peralta, a mulher não estava "possuída pelo demônio", 
mas havia sido vítima de um ato de "bruxaria".
"Ela tomava um remédio dado por um homem que, pelo que 
fiquei sabendo agora da família dela, a havia estuprado. 
Desde que começou a tomar o remédio, mudou um pouco 
comigo", disse o marido ao jornal "La Prensa".
Em sua defesa, Gregorio Rocha afirmou ao mesmo jornal que 
Trujillo caiu no fogo quando "o espírito do demônio saiu do corpo
 dela". Ele negou que alguém a tenha jogado na fogueira.

Cinco detidos

Até o momento, cinco pessoas já foram detidas por suspeita de
 terem participado do crime, entre eles o pastor Gregório Rocha
 e a diaconisa Esneyda Orozco.
A morte de Vilma Trujillo causou comoção na Nicarágua, onde 
a proporção de católicos vem caindo há 20 anos - hoje são
 menos de 50% da população, enquanto que os evangélicos
 chegam a quase 40%.
O porta-voz da Comissão de Direitos Humanos da Nicarágua, 
Pablo Cuevas, pediu ao governo um controle mais firme dos 
grupos religiosos no país.
"É impressionante que, neste momento, isso aconteça. 
As autoridades precisam avaliar diferentes denominações e 
religiões. Não podemos deixar acontecer coisas como essas",
 afirmou Cuevas.
A vice-presidente da Nicarágua, Rosario Murillo, lamentou a 
morte a morte da jovem e disse que o episódio é "condenável".
"Com certeza reflete uma situação de atraso. É realmente 
lamentável, uma irmã sendo martirizada pelos membros de 
sua comunidade. É algo que não pode, não deve se repetir", 
disse Murillo à mídia local.

G 1

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