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Três anos de Lava Jato: MPF fala sobre investigações em larga escala e cooperação internacional

Foto: Narley Resende / Paraná Portal
Foto: Narley Resende / Paraná Portal
Fernando Garcel e Narley Resende

Há exatos três anos, em 17 de março de 2014, a Polícia Federal (PF) anunciava a prisão de Alberto Youssef e outros 23 suspeitos de crimes financeiros. A operação foi batizada de “Lava Jato” pois o grupo usava uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar os valores. Com o passar do tempo, e após várias delações premiadas, a investigação revelou aquele que parece ser o maior esquema de corrupção do país.
Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (17), o Ministério Público Federal (MPF) destacou a importância das cooperações internacionais celebradas dentro da Lava Jato. De acordo com os procuradores, isso demostra um panorama que deve se tornar mais comum nos próximos anos e no desenvolvimento de futuros trabalhos de investigação. A troca de informações entre autoridades de diversos países com o objetivo de combater crimes transnacionais e desvendar uma série de ilícitos cometidos além do próprio país é uma realidade que só tende a crescer.
Ao todo, conforme a Secretaria de Cooperação Internacional (SCI) do MPF, foram firmados 183 pedidos de cooperação internacional com 43 países. Destes, 14 países forneceram informações por meio de pedidos ativos e também solicitaram informações por meio de pedidos passivos de cooperação. Os pedidos foram feitos a países de todo o globo, como Alemanha, Andorra, Antígua e Barbuda, Áustria, Bahamas, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos, França, Gibraltar, Hong Kong, Ilhas Cayman, Ilhas de Guernsey, Ilha de Jersey, Ilhas de Man, Israel, Itália, Liechtenstein, Luxemburgo, Macau, Mônaco, Noruega, Países Baixos, Panamá, Portugal, Reino Unido, República Dominicana, Rússia, Singapura, Suécia, Suíça e Uruguai.
Foto: Narley Resende
Foto: Narley Resende / Paraná Portal
“Nós não só compartilhamos as melhores práticas, mas houve discussões uteis sobre como podemos avançar na cooperação e de maneira mais proveitosa no futuro. Está claro que nas investigações em grande escala e onde há múltiplas jurisdições e crimes acontecendo ao redor do mundo, a solução é as autoridades trabalharem de forma conjunta para compartilhar a inteligência e as evidências de uma maneira legal para fazer com que essas pessoas paguem”, declarou o chefe da unidade de inteligência Serious Fraud Officer Marc Brown, representante do Reino Unido.
A troca de informações entre as autoridades dos países também permite que o processo de recuperação de valores identificados no exterior seja mais ágil. Já são alvo de recuperação no exterior mais de R$ 756 milhões, por meio de acordos de colaboração premiada. Deste total, cerca de R$ 594 milhões já foram repatriados. Alguns dos mecanismos de lavagem de dinheiro, por exemplo, são realizados por meio de bancos em países estrangeiros. Além disso, grande parte dos valores desviados da Petrobras foram parar em paraísos fiscais. Por isso esta troca de informações por meio de cooperação internacional é considerado um dos pilares que ajudaram a alavancar a operação.
“A cooperação jurídica internacional é um dos pilares da operação Lava Jato, porque as informações que foram produzidas a partir desses contatos com autoridades estrangeiras foram fundamentais para expandir as investigações e para o oferecimento de acusações graves contra pessoas importantes no esquema identificado. Além disso, a cooperação internacional também foi fundamental para alavancar os acordos de colaboração premiada e de leniência que, por sua vez ajudaram a multiplicar os crimes sob investigação”, ressaltou o procurador da República Paulo Roberto Galvão de Carvalho, integrante da força-tarefa Lava Jato.

ParanáPortal

http://paranaportal.uol.com.br/operacao-lava-jato/tres-anos-de-lava-jato-mpf-fala-sobre-investigacoes-em-larga-escala-e-cooperacao-internacional/

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