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PT pode ensinar a combater a corrupção", diz Lula





Do UOL, em São Paulo 20/05/2017 - 12h01 > Atualizada 20/05/2017 - 13h57



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (20) durante discurso no evento de posse dos novos integrantes do diretório municipal do PT, em São Bernardo do Campo (SP), que nenhum governo combateu tanto a corrupção como o seu (2003-2010) e que todas as denúncias precisam ser investigadas dentro das regras do Estado democrático de direito.


"Hoje o PT pode ensinar, inclusive, a combater a corrupção. Ninguém na história desse país criou mais mecanismos o para combater a corrupção do que 12 anos de PT no governo. A Polícia Federal é o que é por causa do PT, o Ministério Público é o que é hoje porque na [Assembleia] Constituinte de 1988, companheiros como o [José] Genoíno brigaram pela autonomia do Ministério Público, que antes era um apêndice do Ministério da Justiça", disse em sua primeira manifestação pública após o agravamento da crise política com a divulgação do conteúdo das delações dos executivos da JBS, que envolvem o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB), entre outros políticos, inclusive o próprio Lula.


Lula disse que a corrupção precisa ser combatida, mas que é preciso respeitar o Estado democrático de direito. "Nós queremos que a pessoa seja investigada, democraticamente, tenha o direito de defesa e, democraticamente, seja julgada. E vale para o PT, para o PMDB, para os procuradores, para os juízes, vale até para o papa, vale para todo mundo", disse, sem mencionar diretamente as acusações contra Temer, que agravaram a crise política brasileira.
Lula é réu em cinco inquéritos na Operação Lava Jato. No último dia 10, o ex-presidente foi interrogado pelo juiz Sergio Moro, em Curitiba, sobre a acusação de receber propina da OAS. Na última pesquisa Datafolha, divulgada no final de abril, Lula ampliou sua vantagem na liderança da corrida pelo Planalto em 2018. Lula defendeu a saída de Temer do Planalto e a realização de eleições diretas, mesmo que o PT não leve o pleito. "Nós queremos que o Temer saia logo, mas não queremos um presidente eleito indiretamente. Não importa quem for. A gente pode perder, mas se perdemos democraticamente, valeu o jogo. O que não dá para achar é que alguém pode indicar por nós o presidente a presidenta", disse.
Lula afirmou que a candidatura dele vai depender de muitos fatores. "Minha candidatura vai depender de muita coisa, da minha saúde, da Justiça, e do PT", disse.
As eleições direitas para presidência diante de uma eventual saída de Temer foi o principal tema defendido durante todo o evento por outros líderes do PT presentes. Lula chamou os presentes a irem à avenida Paulista, no centro de São Paulo, na tarde deste domingo (21), para protestar pelas Diretas Já. "Todos os que querem Diretas Já precisam ir na Paulista amanhã às 14h. Não comam muito e depois do almoço deem uma saidinha e passem na Paulista. É importante", disse.

Agravamento da crise política

O presidente Michel Temer enfrenta sua mais grave crise no cargo. Já há nove pedidos de impeachment contra ele protocolados na Câmara dos Deputados. Temer também responde, junto com a ex-presidente Dilma Rousseff, a uma ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que pode resultar na cassação do seu mandato. O julgamento está marcado para o dia 6 dejunho.
Temer foi acusado assentir com a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O caso veio à tona após a divulgação de áudios feitos por um dos donos da JBS, Joesley Batista. Joesley é delator e gravou 38 minutos de conversa com Temer. Nela, eles falam sobre Cunha, que está preso em Curitiba, e Temer toma conhecimento de que o grupo J&F havia infiltrado um procurador da República nas investigações contra o grupo que tramitam na Justiça Federal.
Temer foi acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de tentativa de obstrução à Justiça graças ao conteúdo de delações do grupo JBS. Segundo a PGR, o peemedebista teria agido em coordenação com o senador Aécio Neves, suspenso pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na quinta-feira (18), para impedir a continuação da operação Lava Jato. Temer nega irregularidades e diz que não vai renunciar. Ele responde a um inquérito aberto no STF.

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