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27 de junho de 2017

Temer chama denúncia de 'ficção' e insinua que Janot recebeu dinheiro



BRASÍLIA - (Atualizada às 16h45) O presidente Michel Temer (PMDB) fez um pronunciamento para tentar reagir à denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) acusando-o de corrupção passiva. Temer atacou o procurador geral da República, Rodrigo Janot, que fez a denúncia contra ele, chamou o empresário Joesley Batista, da JBS, de "bandido" e afirmou que não há provas concretas contra ele.

Em declaração sem brecha para perguntas, Temer atacou Janot ao sugerir, de forma implícita, que o procurador teria se beneficiado de forma indevida com a denúncia. Temer afirmou que um ex-assessor de Janot, o ex-procurador da República Marcelo Miller, agora advogado, teria orientado a delação premiada dos executivos da JBS, Joesley e Wesley Batista que embasam a peça acusatória.

Leia a íntegra da denúncia. Segundo Temer, a denúncia de Janot é um “trabalho trôpego que permite as mais variadas conclusões sobre pessoas de bem e honestas”. Nesse ponto, o pemedebista cita o hoje advogado Marcelo Miller, que, segundo Temer, já foi homem da “mais estrita confiança do procurador-geral”, mas deixou o cargo para reforçar a equipe de advogados do grupo JBS.

Temer observou que quem deixa a Procuradoria deve cumprir quarentena de dois ou três meses, mas Miller não a teria respeitado para ganhar “milhões em poucos meses”, e imediatamente orquestrou a delação dos irmãos Batista.

“Garantiu ao seu novo patrão, a empresa que o contratou [JBS], um acordo benevolente, uma delação que tira o patrão das garras da Justiça e que gera uma impunidade nunca antes vista, e tudo ratificado pelo procurador-geral”, acusa Temer.

“Os milhões de reais recebidos talvez não fossem apenas para o assessor”, sugere Temer, em alusão a Miller e Janot. Adiante, Temer reitera a acusação.
“Poderíamos concluir que os milhões não fossem unicamente para o assessor de confiança que deixou o cargo de procurador da República, mas não denuncio sem provas”, disse. “O que tenho consciência é de que não posso usar falsos fatos pra atingir objetivos subalternos”, concluiu.

Provas Temer disse que não há provas contra ele e que o fatiamento da denúncia visa "parar o país". “Fatiam as denúncias para provocar fatos semanais contra o governo, querem parar o país, o Congresso, num ato político com denúncias frágeis e precárias que atingem a Presidência da República”, criticou.

Temer disse que a denúncia “é uma peça de ficção”, que “busca a revanche, a destruição e a vingança”, a fim de paralisar o governo. O pemedebista alega que o áudio da conversa com ele gravada por Joesley é uma prova ilícita, porque foi armada contra ele. “Houve coleta de provas que não podem induzir a ideia de que possa ter havido um crime”, argumenta.
JBS Temer voltou a afirmar que Joesley Batista foi “treinado para armar conversas induzidas”. Alega que recebeu o empresário tarde da noite, fora da agenda, porque era o maior produtor de proteína animal do mundo. Acrescenta que somente após a delação, descobriu se tratar de um “bandido”.

“O fruto dessa conversa é prova ilícita, inválida para a Justiça”, reiterou. Loures Temer também questiona o uso de sua proximidade com o deputado suplente Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que foi seu chefe de gabinete, para atribuir a ele uma conduta criminosa.

JBS Temer voltou a afirmar que Joesley Batista foi “treinado para armar conversas induzidas”. Alega que recebeu o empresário tarde da noite, fora da agenda, porque era o maior produtor de proteína animal do mundo. Acrescenta que somente após a delação, descobriu se tratar de um “bandido”. “O fruto dessa conversa é prova ilícita, inválida para a Justiça, reiterou.


Loures Temer também questiona o uso de sua proximidade com o deputado suplente Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que foi seu chefe de gabinete, para atribuir a ele uma conduta criminosa.

“Se alguém cometeu um crime e eu o conheço, ou se tirei a fotografia ao lado de alguém, logo a relação é de que sou também criminoso, isso é um precedente perigosíssimo em nosso território”, acusou. Ele disse que é acusado de corrupção sem prova. “Onde estão as provas concretas de recebimento desses valores? Inexistem.

Na denúncia eu percebo que reinventaram o código penal e incluíram uma nova categoria – a denúncia por ilação”, acusa. Loures era um dos principais auxiliares de Temer e, na conversa com Joesley, é indicado pelo pemedebista como contato para o empresário.

Loures foi preso e também é investigado nos mesmos processos. Ele foi filmado correndo com uma mala com R$ 500 mil de propina paga pela JBS. O dinheiro, segundo a investigação, era destinado a Temer.

A denúncia Temer foi denunciado por corrupção passiva pela Procuradoria após semanas de investigação da Polícia Federal e ainda pode sofrer ações por obstrução de Justiça e organização criminosa, crimes pelos quais também é investigado.

As ações tiveram início após delação da JBS. Temer foi gravado por Joesley em um encontro secreto. Joesley falou sobre propina paga ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e sobre a compra de juízes e promotores pelo executivo. Claque

Para tentar demonstrar força política em meio à mais aguda crise que assolou seu governo, Temer convocou uma espécie de claque para o pronunciamento. As duas primeiras fileiras do Salão Leste do Palácio do Planalto foram reservadas para parlamentares da base aliada, de partidos como PMDB, PTB e PP.

Minutos antes do discurso, os cerca de 40 deputados, que já estavam sentados em seus lugares, foram chamados para pajear Temer durante a entrada e fazer volume nas imagens geradas pela imprensa. Entre eles estavam os dois principais cotados para a vaga de relator da denúncia contra o pemedebdista na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)

da Câmara: os deputados do PMDB, Jones Martins (RS) e Alceu Moreira (RS). O posto é considerado chave para Temer, que pretende acelerar a tramitação da denúncia na Câmara para enterrá-la em votação no plenário, onde precisa de 172 votos.

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