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6 de junho de 2017

Teólogo aponta crescimento do `cristianismo reformado´ na Indonésia, maior país muçulmano








Com mais de 16 mil alunos, a “Universitas Pelita Harapan” é uma das maiores 
universidades cristãs reformadas do mundo. Criada há apenas 22 anos, a instituição
 de ensino oferece uma escola de direito, uma escola de medicina, uma escola de 
engenharia e uma faculdade de  professores, tudo a partir de uma visão de mundo 
reformada.

"Nós nem sequer temos isso nos Estados Unidos ou na Europa", disse Ric Cannada,
 chanceler  com mérito do Seminário Teológico Reformado. "Está na Indonésia.
 O Senhor costuma fazer coisas incríveis no lugar menos provável - o país com a maior
 população muçulmana do  mundo", disse.

Embora os cristãos sejam apenas 10% da população da Indonésia, a nação é tão populosa
 que cerca de 25 milhões de cristãos vivem lá. Aproximadamente um terço desse número


Bancado por um empresário indonésio extremamente bem sucedido e que ama Deus e a
teologia reformada, a fundação Pelita Harapan - onde Ric é um conselheiro sênior - abriu
 escolas cristãs nos últimos 25 anos. Pelita Harapan é o lado da missionário do empresário
James Riady. Mas é claro que ele também tem um lado de negócios. E é enorme:
30 hospitais, 64 shoppings, 125 lojas de departamentos e o maior grupo de mídia do país.

Ambos são formados pela tradição reformada, disse Niel Nielson, ex-presidente da
Covenant College, que agora lidera a ala de educação da fundação e se senta na
diretoria de seus hospitais e lojas de departamento.

"A família Riady é apaixonadamente reformada em sua perspectiva teológica, e eles ligam
tudo isso em termos de como eles entendem a corporação", disse ele. "Há energia e foco
 na integração, ao contrário de qualquer coisa que eu já vi em qualquer lugar do mundo",
 ressaltou.

"Estamos apaixonados pelos negócios - sobre a sustentabilidade econômica - mas também
pela visão bíblica da graça comum que leva à graça salvadora para o país", disse Nielson.

“Construir hospitais de qualidade em áreas de baixa renda, significa ter médicos cristãos
conversando com seus pacientes muçulmanos, não apenas sobre a saúde de seus corpos,
 mas também sobre a saúde de suas relações familiares, comunidades e almas”, ressaltou.

"A gente sempre diz que acreditamos que todos foram criados exclusivamente à imagem
de Deus, e Ele tem um propósito para cada ser humano", disse Nielson. Essas convicções
 cristãs não ficam atrás dos bastidores, mesmo que raramente estejam no centro do palco.
Por exemplo, as 60 máquinas de café de Riady tocam músicas cristãs, e os funcionário
 tratam as pessoas com dignidade.




Escrituras

A teologia reformada e sua influência chegou na Indonésia há um bom tempo.
Chegou em  primeiro lugar no final de 1500 com os holandeses, que pretendiam
monopolizar o comércio  de especiarias. Junto com os comerciantes, os holandeses
 enviaram pastores que, como grande  parte da Holanda, abraçaram o calvinismo.

Esses pastores chegaram ao povo indígena, mas o calvinismo nunca se tornou
dominante na Indonésia, pelo menos por duas razões, de acordo com Yudha
Thianto, professor do Trinity Christian College.

Primeiro, a presença arraigada do Islã. Em segundo lugar, os holandeses vieram como
conquistadores, não como amigos, o que fez a conversão à sua religião parecer traiçoeira
 para os indonésios nativos.

Mas os holandeses ficaram lá por um longo tempo, até agosto de 1945.
Assim, o calvinismo  teve tempo de sobra para ganhar um teto. Em 1945, missionários e
 pastores sentiram a influência dos ensinamentos de Abraão Kuyper sobre a importância
da graça comum e o  envolvimento de Deus em cada centímetro quadrado da criação.

Assim, no final do século XIX, as agências missionárias criaram escolas cristãs, hospitais
 cristãos e igrejas reformadas. Thianto, que nasceu em 1965, foi criado em uma dessas igrejas.
"Eu cresci cantando os salmos e hinos enraizados na Genebra de Calvino, adotados pelos
holandeses, e depois trazidos para o arquipélago e traduzidos para a língua que agora é
indonésio", disse ele.




Queda

Lamentavelmente, muitas dessas igrejas acabaram por perder seu vigor bíblico e teológico.
"No final da geração de meus pais, o cristianismo reformado tornou-se muito prático em
termos de seu alcance. Eles estão próximos do que eu chamaria de ‘evangelho social’,
alcançando a comunidade sem pregar. Eles estavam tentando aplicar em cada centímetro
 quadrado, em sua vida cotidiana, mas eles esqueceram o fundamento doutrinário",
comentou Thianto.

Mas há uma boa notícia: a geração de Thianto instigou uma espécie de renovação, agora
com cerca de 25 anos, que levou muitos a redescobrir uma nova excitação para o
evangelismo que encontra sua origem nas raízes reformadas. "Estávamos cansados
 de aplicação sem conteúdo", disse ele. "Pelo menos três de meus amigos são agora
presidentes de seminários na Indonésia, que são evangélicos e reformados", finalizou.




Publicado originalmente em CPAD News

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