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25 de julho de 2017

Brasileiros dizem que foram mantidos como “escravos” por igreja dos EUA "Como se pode fazer isso com pessoas, afirmar que você as ama e agredi-las em nome de Deus”, declara vítima.





Uma investigação da agência Associated Press (AP) descobriu que o Word of Faith Fellowship (Ministério Palavra da Fé) usou suas duas filiais no Brasil para atrair muitos jovens trabalhadores, que entravam nos EUA com vistos de turistas e estudantes. Todos eles tornavam-se escravos em um complexo de 14 hectares na zona rural de Spindale.

André Oliveira, membro da igreja, respondeu ao chamado para que deixasse sua congregação no Brasil e se mudasse para a igreja matriz na Carolina do Norte (EUA). Com 18 anos, seu passaporte e seu dinheiro foram confiscados pelos líderes da entidade, para ficar guardados em segurança, segundo lhe informaram.


Preso nos Estados Unidos, sem conhecer nada, Oliveira relatou que era obrigado a trabalhar 15 horas por dia, geralmente sem pagamento, primeiro limpando armazéns da sigilosa igreja evangélica e depois em empresas de propriedade de ministros graduados.

Qualquer descumprimento das ordens deixava os líderes religiosos irados, e as consequências iam de surras a censuras vergonhosas feitas do púlpito, contou ele

André afirma que eles tinham consciência do crime que praticavam. “Eles nos traficavam para lá. Precisavam de mão de obra, e nós éramos mão de obra barata, diabos, mão de obra grátis”.


Conforme a lei americana, os visitantes com visto de turista são proibidos de trabalhar em funções pelas quais as pessoas seriam normalmente remuneradas. As que têm visto de estudante podem fazer algum trabalho, sob circunstâncias que não foram atendidas pela instituição religiosa, segundo a AP.

Pelo menos em uma ocasião, ex-membros alertaram as autoridades dos EUA. Em 2014, três ex-congregados disseram a um vice-procurador dos EUA que os brasileiros eram obrigados a trabalhar sem remuneração, segundo uma gravação obtida AP. “E eles espancaram os brasileiros?”, perguntou Jill Rose, hoje a procuradora federal em Charlotte, na Carolina do Norte.


A resposta foi “com certeza”, respondeu um dos ex-membros. Os ministros “os trazem para cá principalmente para trabalhar”, acrescentou outro.


A procuradora federal prometeu que examinaria o caso, mas os ex-membros disseram que ela nunca respondeu quando eles tentaram contatá-la, por diversas vezes, nos meses seguintes à reunião.
Um entre muitos


Oliveira, que fugiu da igreja no ano passado, é um de 16 ex-membros brasileiros que disse à AP que foram obrigados a trabalhar, em regime de escravidão, geralmente agredidos física e verbalmente. A agência também examinou dezenas de relatórios da polícia e queixas formais feitas no Brasil sobre as duras condições da entidade.


“Eles nos mantinham como escravos”, desabafa Oliveira, fazendo pausas para enxugar as lágrimas. “Éramos descartáveis. Não significávamos nada para eles. Nada. Como se pode fazer isso com pessoas, afirmar que você as ama e agredi-las em nome de Deus”.


As revelações de trabalho forçado são as últimas em uma investigação em curso da AP que expõe anos de abuso no Word of Faith Fellowship. Com base em entrevistas exclusivas com 43 ex-membros, documentos e gravações feitas em segredo, a AP relatou em fevereiro que os congregados eram habitualmente vítimas de socos, apertões e esganadura, numa tentativa de “purificar” os pecadores por meio de violência.
Defesa da igreja


No site da igreja, há duas mensagens sem data rebatendo a investigação da AP, uma delas é assinada por um advogado identificado como Joshua B Farner:


“Todo o conjunto de artigos da AP tem como alvo incitar crimes de ódio contra nós do Word of Faith Fellowship. Nós temos recebidos ameaças múltiplas. Parece que os acusadores querem que a igreja feche as portas, mas eles também querem os negócios encerrados. A igreja não possui negócios e isto seria contra a lei. Se eles fazem isto conosco, o que eles fariam com você e outros?”.


“Nossa igreja tem sido alvo do fanatismo religioso e perseguição por várias décadas. Histórias com apenas um lado da versão com chamadas obscenas estabelecidas pela narrativa e tentativa de nos marcar com o termo de seita. Inevitavelmente, investigações por várias agências de governo se seguiram. Apesar da adversidade, nossa igreja, seus líderes e seus membros têm sido inocentado em cada ponto”, Joshua B Farner, advogado. Com informações do Uol

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