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'Fechamento de agências será em fases', diz presidente interino

Encerramentos vão inevitavelmente implicar em ‘liberação de excedente de mão de obra’, admite Fortner


Andreza Matais, O Estado de S. Paulo
07 Maio 2018 | 05h00

BRASÍLIA - O presidente interino dos Correios, Carlos Fortner, afirmou que está mantida a decisão de fechar agências, mas que ainda analisa quais delas terão as atividades encerradas. No último sábado, a Coluna do Estadão revelou que a diretoria da empresa aprovou, em fevereiro, proposta de fechamento de 513 agências, com demissão de servidores. Fortner nega que o número esteja fechado.


Fechamento de agências deverá ocorrer a partir do segundo semestre, de acordo com Carlos Fortner Foto: Satiro Sodré/SSPress



Ele diz que o total pode aumentar ou diminuir, a depender do resultado de um estudo que deve ficar pronto nesta semana. O executivo quer analisar todas as agências que estão na lista de encerramentos. “A partir da lista, que ainda está sendo validada, nem sei se serão 500 (encerramentos), talvez termine com 400. Eu vou ainda avaliar uma por uma”, disse. Filiado ao PSD, partido do ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, Fortner diz não saber quando será efetivado no cargo. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Estado: Em fevereiro, quando o sr. era vice-presidente, a diretoria dos Correios aprovou para maio o início do fechamento de agências e demissão de funcionários. Como isso vai ocorrer?

Carlos Fortner: Receberei nesta semana as fichas de cada uma dessas agências e avaliaremos todas. Tudo isso será repassado ao Ministério das Comunicações e ao Planejamento. Terá uma apresentação ao TCU. Esse prazo de maio que está indicado é um cronograma (inicial). É algo que ficará para a partir do segundo semestre.

Quantas agências vão ser fechadas?

Quando foi apresentada a primeira tabela aprovou-se um número de 513 – originalmente eram 752. Pedi um aprofundamento para a área responsável. Quero que me convençam de uma a uma. Hoje, estamos revisando todo o estudo para chegarmos a uma planilha conclusiva.

Quem fará esse novo estudo?

A área técnica. É um ato discricionário meu e foi informado aos vice-presidentes. As agências que tivermos dúvidas quanto à rentabilidade ou o impacto que o fechamento pode causar na região sairão da lista.

O senhor vai revogar a decisão que foi tomada?

Não. O que eu vou fazer é analisar agência por agência.

O documento já aprovado indica as agências num anexo, define cronograma a partir de maio para iniciar o fechamento delas e fala em demissões.

Sem dúvida. A diretoria da área fechou o estudo das 513 agências. Nós validamos o estudo e, a partir dali, eu entendi que era necessário conhecer agência por agência.

Qual será o critério para fechar as agências?

Tem agência a 50 metros uma da outra. Copacabana, no Rio de Janeiro, tem agências a um quarteirão da outra. Isso não é cabível numa empresa que quer ser modernizada, que quer estar saudável. A partir da lista, que ainda está sendo validada, nem sei se serão mesmo 500 (encerramentos), talvez termine com 400. Eu vou ainda avaliar uma por uma.


Haverá etapas?

Pedi para separar em fases. A primeira é agência própria que sombreia (está próxima de) outra agência própria que funciona em imóvel alugado. Devolvo o imóvel e corto custo. Não tem demissão nenhuma nessa etapa, absorvo essas pessoas em outra agência. Nos lugares em que tenho agências de pouco movimento e que tenha outra próxima, não tem porque manter (as duas abertas).

No documento de fevereiro falava-se que, para ser rentável, os Correios precisavam demitir.

De fato, não consegue (ser rentável sem demitir). O fechamento de agências vai, inevitavelmente, significar a liberação de excedente de mão de obra. O número de 5 mil pessoas (a serem demitidas) seria para o caso de fechamento de 752 agências (primeiro corte proposto, que já foi descartado).

O estudo de fevereiro inclui o fechamento da agência central de Belo Horizonte.

Não tenho essa definição. Esse cronograma que está definido a partir de maio é um erro da área técnica. Vou dividir em fases. Vamos fazer por Estado.

O senhor tem um limitador da lei eleitoral e não pode fazer demissões depois de junho.

Se eu não conseguir fazer agora, vou respeitar a lei eleitoral. O que eu posso fazer? Não se trata de uma empresa privada. É um trabalho que estava sendo feito com todo cuidado.

A medida vai favorecer os franqueados?

Não há favorecimento aos franqueados. Em alguns casos pode até ser que a agência seja absorvida por uma dessas. As franqueadas prestam um bom serviço, fazem parte da rede de atendimento.


Então, por enquanto, não haverá demissões?

Tem uma série de etapas antes de chegar na demissão motivada, em que se oferece ao atendente a oportunidade de trabalhar em outras áreas. Na primeira etapa não tem demissão (significativa). Pelo estudo ainda preliminar, são umas 60.

No entanto, o documento que o sr. ajudou a aprovar fala em demissões, e não em transferências de função.

No limite é exatamente isso. Mas, se o pessoal se dispuser a trabalhar em outra área, a gente aproveita.

ESTADÃO

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